Diante do dever

  Larga soma de tempo gastamos habitualmente na Terra, na inglória tarefa de fiscalizar a execução do dever que compete ao arbítrio e à possibilidade dos outros.

  Observadores exigentes dos poderes públicos, sabemos reprová-los com veemência, salientando-lhes as omissões e defeitos…

  Promotores de acusação desleal e gratuita, não vacilamos em agravar as faltas alheias, imprimindo-lhes criminosa feição para que se convertam em notícias escandalosas…

  Críticos sistemáticos, estamos prontos a prejulgar, comentando sem compaixão os infortúnios do próximo, dilatando-lhes a extensão, por expor-lhe as mazelas à desconsideração e ao ridículo…

  Inquisidores risonhos nunca faltamos ao veneno sutil da maledicência na taça da conversão doentia, enevoando o caminho daqueles que nos rodeiam…

  E sempre que instados a destacar os “tempos novos” ou a fixar diretrizes religiosas, proclamamos a crise moral do povo e o apodrecimento da Humanidade…

  Todavia, se realmente nos propomos a cooperar no trabalho reconstrutivo, confiemos o coração e a inteligência ao desempenho do dever em que a Bondade de Deus nos situa na ordem moral da existência, sabendo que quanto mais alto se nos levanta o conhecimento, mais ampla se nos revela a obrigação de servir,  de vez que somente ao preço de nossa fidelidade ao dever corretamente cumprido, é que chegaremos a fazer bastante luz para que a Terra se erga à condição de mundo melhor.

(Construção do amor. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )