Caso do avião

ENTREVISTADOR: Voltamos agora para o encerramento definitivo do Pinga-Fogo desta noite, que lhes apresentou o médium Chico Xavier. O programa ultrapassou em muito o seu horário habitual. Estamos com duas horas e vinte minutos de programa. Mas sou forçado a formular ainda duas ou três perguntas ao Chico, para depois então fazer o pedido que prometi fazer, que vai ser de grande interesse, não só para você telespectador, que hoje nos honra com sua audiência, como também para todo o auditório que aqui está.

Chico, um telespectador (eu não sei se isso aconteceu) pede que você conte um fato ocorrido num avião em que você viajava cujos motores entraram em pane. E você também, como os demais passageiros, o que era perfeitamente natural, entrou em pânico. O que aconteceu dentro desse avião?

CHICO XAVIER: Esta resposta exige uma atitude talvez de fazer um pouco de humor, mas é a verdade o que eu vou contar.

Em 1959, eu me dirigia de Uberaba, para onde eu me transferira recentemente, para Belo Horizonte, junto da qual está Pedro Leopoldo, a terra onde nasci na presente reencarnação. Então, o avião decolou de Uberaba e fez uma breve parada na cidade de Araxá. Depois, o avião decolou de novo. Depois de uns dez minutos, o avião começou a se inclinar para um lado, para outro. Às vezes fazia assim uma pirueta, e o pessoal começou todo a gritar e a pedir a Deus, pedir socorro. E eu estou ali acompanhando…

Veio o comandante do avião e disse que não nos impressionássemos, que era um fenômeno chamado "vento de cauda", e que apenas chegaríamos um pouco mais depressa. Mas algumas pessoas disseram: "Mais depressa no outro mundo!"

Eu então comecei também a me impressionar, porque eu não sei qual é o nome técnico da evolução que o aparelho fazia; uma pessoa entendida em aeronáutica saberá descrever o caso, dizendo os nomes em que um avião roda de cabeça para baixo… E nós íamos e muita gente começou a vomitar e a gritar, apertar o cinto, aqueles amigos começaram a orar, senhoras começaram a fazer o terço… Eu com muito respeito, mas quando vi aquela atmosfera, eu comecei a gritar também. Eu falei assim: bem, todo mundo está gritando, eu também vou gritar porque isto é a hora da morte. Então comecei a gritar: "Valei-me, meu Deus!" Comecei a pedir socorro, a misericórdia de Deus, mas com fé, com escândalo, não é? mas com fé.

Então nisso, peço até permissão para dizer, que alguém disse assim a um sacerdote católico que estava não muito longe de mim: "O Chico Xavier está ali, ele é médium e é espírita." E esse sacerdote, com muita bondade, disse: "Não, mas eu sei que o Chico tem pedido orações em muitos documentos e o Chico está orando conosco no terço." Eu disse: "Graças a Deus, padre, eu também estou orando." Mas comecei a gritar: "Valei-me, meu Deus!"

Então, aí entra o Espírito de Emmanuel. (Parece que é uma coisa de anedota, uma coisa de fantástico, mas é a verdade…) Ele entrou no avião.

Então, passou no meio do pessoal e o pessoal não via, como a maioria dos nossos amigos naturalmente não está vendo a presença dele aqui.

Então, ele me disse assim: "Por que é você está gritando? Eu escutei o seu pedido. O que é que há?" Porque aquilo já tinha mais ou menos 20 minutos, não é? Eu falei assim: "Bem, o senhor não acha que estamos em perigo de vida?" Ele falou: "Estão. E o que é que há com isso? Não tem muita gente em perigo de vida? Vocês não são privilegiados, não é?" Eu falei assim: "Está bem, se estamos em perigo de vida, eu vou gritar." E continuei gritando: "Valei-me, socorro, meu Deus!" E o povo todo gritando socorro.

Então, ele me disse: "Você não acha melhor calar, parar com isso? Dar testemunho da sua fé, da sua confiança na imortalidade?" Eu disse: "Mas é a morte e nós estamos apavorados diante da morte." Ele falou assim: "Está bem, então você acha que vai morrer." Eu falei: "O senhor não acha que estamos em perigo de vida?" Ele disse: "Estão." Eu disse: "Está bem, eu estou com muito medo, estou apavorado como todo mundo, eu estou partilhando, eu também sou uma pessoa humana, eu estou com medo também dessa hora e de morrer nesse desastre." Ele disse: "Está bem, então morra com educação, cala a boca e morra com educação para não afligir a cabeça dos outros com os seus gritos; morra com fé em Deus!" Eu disse então: "Eu queria só saber como é que a gente pode morrer com educação!

(Transcrição de um trecho do programa Pinga-Fogo de 1971)