As batidas misteriosas

      Há muitos anos, quando ainda iniciava meus estudos sobre o Espiritismo, estando certa noite entregue a um trabalho referente a esta matéria, comecei a ouvir pancadas misteriosas em algum lugar da sala onde me encontrava. E isso aconteceu durante quatro horas seguidas. Era a primeira vez que uma coisa dessas me acontece.

      Verifiquei não serem devidas a nenhuma causa acidental, mas, na ocasião, foi só o que pude saber.

      Por essa época, tinha eu freqüentes oportunidades de estar com um excelente médium escrevente.

      No dia seguinte, perguntei ao Espírito que se comunicava por intermédio dele, qual a causa daquelas pancadas. Ele me respondeu:

      - Era o seu Espírito familiar que queria falar contigo.

      - O que é que ele deseja de mim? – perguntei.

      Ele me respondeu:

      - Ele está aqui, pergunte a ele.

      Cheio de curiosidade, perguntei, ansioso, quem era ele e o que pretendia com aquelas batidas.

      Ele se deu a conhecer sob um nome simbólico, Verdade (Eu vim a saber depois por outros Espíritos, que pertence a uma categoria muito elevada e que desempenhou na Terra um importante papel).

      Apontou erros nos meus escritos, indicando-me até as linhas onde estavam: deu-me muitos conselhos úteis e sábios a respeito do meu trabalho e acrescentou que estaria sempre comigo e atenderia ao meu chamado todas as vezes que eu tivesse algumas dúvidas.

      A partir desse dia, esse Espírito nunca mais me abandonou.

      Recebi dele muitas provas de grande superioridade e sua intervenção caridosa e eficaz me ajudou muito, tanto nos assuntos da vida material quanto nas questões espíritas.

      Desde a primeira vez em que lhe falei, as pancadas misteriosas pararam.

      O que ele desejava de mim?

      Apenas que começássemos a conversar regularmente e para isso precisava me avisar.

      Depois de dado o aviso, e após termos estabelecido as relações regulares, as pancadas não eram mais necessárias, por isso pararam.

      É como acontece com o tambor que deixa de tocar para despertar os soldados, logo que eles se levantam.

(Allan Kardec. Adaptado de “O Livro dos Médiuns”. Cap. 5. Item 86)