Ante a caridade

  Provavelmente não nos será difícil exercer a caridade do plano exterior, canalizando o supérfluo, em benefício do companheiro necessitado.

  A moeda generosa, o agasalho para o corpo e o pão dividido, tanto quanto a visitação direta aos irmãos sofredores constrangidos à comunhão com a enfermidade e a penúria, constituem expressões de bondade edificante que não nos cabe esquecer em tempo algum. Entretanto, não olvidemos a difícil caridade do mundo interno.

  Saibamos oferecer o prato invisível da tolerância aos que se deixaram vencer pela irritação ou pela cólera.

  Distribuamos a água pura da humildade aos que se fizeram vítimas da vaidade e do orgulho.

  Temos amigos e parentes na furna do ódio ou da ilusão que devemos buscar, sem alarde, com os nossos melhores testemunhos de carinho. Possuímos afeições e laços valiosos que desceram a escuros chavascais do desequilíbrio, que não podemos relegar ao abandono.

  Há muita gente que padece fome em pleno banquete da vida material e sofre sede, à frente de preciosos mananciais terrestres. Aprendamos a ajudá-los com o nosso trabalho e com a nossa fé.

  Todos sabem dar. Raros, porém, sabem dar de si mesmos.

  Não te esqueças do auxílio em forma de segurança e de estímulo que podes oferecer aos que te cercam, através das demonstrações do dever bem cumprido, da solidariedade, da cooperação e da paciência.

  Cultivando pequenos sacrifícios, amealhamos o tesouro do amor.

  Jesus é o nosso Divino Modelo. Depois de dar-se à terra, na Manjedoura, socorreu a Humanidade na solução de aflitivos problemas, completando a lição da caridade, oferecendo-se ao mundo, nas tribulações da cruz — o excelso ensinamento do qual, ainda hoje, estamos recebendo a luz imperecível na laboriosa romagem da própria libertação.


(Mais perto. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier)