Amor II

 Quando o Sol brilha na imensidade cósmica, não traça exigência para reger as próprias doações; derrama-se em luz e força para a sustentação da Natureza.

 Quando a chuva se precipita da atmosfera, não escolhe, para beneficiar, os tratos de terra mais habilitados à produção; consome-se quando pode, a fim de ajudar a gleba indistintamente.

 Quando a rosa se desabotoa na paisagem, não quer saber quantos espinhos se lhe cravam na haste; espalha perfume e beleza, atenta às finalidades para as quais se vê nascida.

 Quando a semente é largada ao solo, não perde tempo a considerar se é pequenina em excesso ou se é indigna de trabalhar porque se encontra na lama; entrega-se, confiantemente, aos processos da vida que a transformam na planta endereçada à proteção e ao socorro do homem.

  Aprende com os elementos que te cercam a desdobrar, desinteressadamente, os recursos com que a Divina Providência te brindou.

 Não perguntes quem te merece a bondade e nem alegues impedimentos para fugir ao teu destino de serviço e de amor.

 Em auxílio ao próximo, dá o que és e do que tens, sem condição e sem medida.

 O Universo é a Casa da Vida Eterna sempre mais bela e mais forte pelo enriquecimento constante.

 Observa que todo ser, por mais ínfimo, surge no mundo, desenvolve-se, cresce, desgasta a forma em que se exprime e, antes de seguir à frente, em busca de mais progresso, deixa sempre a Criação acrescida de algo mais. A criatura consciente, no entanto, pelo conhecimento racional de que dispõe acerca do bem e do mal, é intimada a cooperar, em todo tempo e em qualquer parte, na construção do bem de todos.

  Analisa, assim, o que fazes, porque, desejes ou não desejes, estás implantando algo de ti mesmo na Obra Divina.

 A Obra Divina, porém, é o Amor que não comporta falhas.

 Em razão disso, vale-te das possibilidades em mão para fazer todo o bem que possas, de vez que, por todo erro que venhamos a perpetrar contra as leis do Amor, voltaremos por determinação misericordiosa de Deus — o Amor Supremo — à circunstância, à posição e às dimensões do erro cometido, a fim de aprendermos a corrigir, reconstruir, refazer e reajustar.

 (Passos da vida. Espírito Emmauel. Psicografado por Chico Xavier)