A serprente invísivel

 No campo do serviço cristão, mesmo nos arraiais do Espiritismo Evangélico, tudo é alegria e esperança enquanto há céu azul.

 Diante do sol reconfortante e amigo, é doce a expectativa, em torno do futuro, e sob o pálio estrelado da noite tranquila é mais belo sonhar com a vida noutros mundos.

 Então, os aprendizes são firmes na confiança e seguros nas promessas.

 A natureza se faz o trono de Deus, a expressar-se em prodígios de sabedoria e as criaturas são almas irmãs em demonstrações recíprocas de entendimento e de amor.

 Entretanto, quando as nuvens se adensam no horizonte e a tormenta desaba, eis que as disposições do crente se modificam.

 A preguiça — serpe invisível a se nos ocultar renitente, nas próprias almas — exterioriza-se de imediato, através de máscaras diversas.

 Ante o fascínio da desculpa incondicional às ofensas alheias, paralisa-se-nos o coração, a sugerir em forma de dignidade ferida:

— Impossível esquecer.

  À frente do trabalho árduo no socorro às necessidades humanas, nosso próprio Espírito enverga a túnica de pretensa humildade confundido:

— Quem sou eu para auxiliar?!… Sou um poço de vermes, um vaso de imperfeições!

  Perante os difíceis testemunhos de paciência, costumamos exibir suposta superioridade moral e afirmamos peremptórios:

— Não alcancei a santidade! Agora não posso mais…

  Renteando com a luta aflitiva, em favor dos companheiros infelizes, junto aos quais a vida nos pede recapitulação de atitudes e ensinamentos, adotamos imaginária fadiga e gritamos sem razão:

— Fiz o que pude! Que outros agora venham à liça para a cooperação fraternal.

 Diante da prestação de serviço urgente ao próximo, habituamo-nos frequentemente a esposar preocupações falsas no tempo e alegamos petulantes:

— Amanhã! Amanhã cuidaremos disso.

  Se te interessas realmente pela própria renovação, à luz do Evangelho, anota o momento que voa e não menosprezes o ensejo sublime de ser mais útil.

 Recorda que a ociosidade mental é antiga serpente sedutora, asfixiando-nos a vida e somente em lhe olvidando o veneno suave e mortífero, trabalhando e servindo sempre, é que conseguiremos assimilar o ideal da perfeição com Jesus, nosso Mestre e Senhor.

 (Construção do amor. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier)