A primeira pérola

Em uma linda fazenda havia um grande reservatório, semelhante a um aquário, onde um bondoso senhor criava pequenas ostras.
O Criador era muito cuidadoso e estudava sempre sobre a melhor maneira de cuidar das pequenas e delicadas conchas, seguindo, passo a passo, todas as indicações dos criadores mais experientes.
Certa manhã, o jovem senhor lançou a rede no seu grande aquário, pegou as conchas, uma a uma, e forçou suas valvas abrindo-as e colocando pequeno grão de areia em seu interior. Depois lançou cada ostra novamente de volta às águas.
As conchas logo se revoltaram. Era um absurdo aquilo que ocorrera, sentiam-se infelizes e decepcionadas com o criador que, para elas, abusara de seu poder. E em reunião, decidiram cuspir, para fora, aquele incomodo grão.
Nos dias seguintes, o criador abriu novamente uma a uma e insistiu em inserir ora uma pequenina pedra, ora uma areia em tamanhos variados. As conchas, irritadas e doloridas, cuspiam revoltadas, blasfemando contra o seu criador.
Olímpia, uma pequena conchinha, não entendia o que acontecia, porém, seguindo o seu coração, propôs, em reunião, às suas companheiras:
- O criador sempre teve carinho e respeito por nós, nossa água sempre se mantém clara e limpa e com uma temperatura muito gostosa; nunca nos faltou nada aqui no aquário. Vamos dar um voto de confiança a ele; se ele insiste tanto em colocar uma pedrinha em nosso interior algum motivo nobre ele há de ter. Não vamos mais
cuspir as pedrinhas, vamos mantê-las no local que o criador a colocar.
As demais conchas, nervosas com aquele palpite, cuspiram todas as pedrinhas em cima de Olímpia que, machucada, foi forçada a se esconder num cantinho do grande aquário.
Olímpia, firme em sua vontade, dando um voto de confiança ao criador de ostras, não cuspiu sua pedrinha, que lá ficou em seu interior.
Sentia-se incomodada, isso era verdade, contudo, Olímpia permaneceu firme, lembrando-se dos ensinamentos de Jesus, quando disse: "...
Tem ânimo filha, a tua fé te salvou..." Mateus 9: 22; e com o passar dos dias, observou que ela própria estava produzindo uma substância estranha que envolvia a pedra. Teve medo, achou que iria morrer ali, só, naquele canto, mas teve força, pois lembrava do criador sempre com livros nas mãos, estudando o melhor meio de cuidar de suas conchas, do carinho que ele tinha com cada uma e isso a fez ter fé e não expulsar a pedrinha.
Mais alguns dias se passaram e, certa manhã, ao acordar,   Olímpia percebeu que em seu interior já não havia mais aquela áspera pedrinha. Em seu lugar, surgiu uma esfera linda, de uma cor de beleza jamais vista.
Alegre, foi se juntar às outras ostras e mostrar a beleza daquele fenômeno.
O criador estampou um sorriso nos lábios e exclamou: A primeira pérola que se forma em nosso aquário, como te amo pequena conchinha.
Você, embora pequena, foi a mais forte; espero que tuas companheiras sigam teu exemplo e produzam dentro de si pérolas tão belas como a tua.
E assim também acontece na vida real.
Quando nos depararmos com pedras em nosso caminho, confiemos no Pai que, por misericórdia, as coloca em nossas vidas, para que possamos
produzir pérolas da evolução, pérolas da sabedoria, de união e de amor; várias pérolas, de inúmeras cores e tamanhos, mas sempre do mesmo formato.
Não existem pérolas quadradas, só redondas, indicando não ter início ou fim; o crescimento também é eterno, a evolução é infinita, e ainda temos muitas pedrinhas para serem perolizadas.
Comecemos então agora e, quem sabe, formaremos em breve, um lindo colar.
Deixemos que a pedra do egoísmo se converta em pérola de doação.
Cada um tem suas pedrinhas que lhe são próprias. Estudemos nosso interior, confiemos no Pai e nos movimentemos, tal como Olímpia;  mesmo que haja dor, deixemos que ela nos impulsione ao progresso e
jamais nos revoltemos com as pedras do caminho, pois, se elas estão
em nossos caminhos é porque são nossas.
Não sejamos conchas fechadas, vamos nos abrir em direção ao irmão,
oferecendo o que há de melhor em nosso íntimo: nossa pérola interior.

(autor desconhecido)