A porta estreita

    “Porfiai por entrar pela porta estreita, porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão”. (Jesus —  Lucas, 13.24 )
 
      Aceitemos a dificuldade por mestra amorável, se esperamos que a vida nos entregue os seus tesouros.
      Sem a porta estreita do obstáculo não conseguiríamos medir a nossa capacidade de trabalho ou ajuizar quanto à nossa fé.
      As lições do próprio suor são as mais preciosas.
      Os ensinamentos hauridos na própria renúncia são aqueles que se nos estampam na alma, no campo evolutivo.
      Ouvimos mil conselhos edificantes e sorrimos, ante o fracasso iminente.
      Basta, porém, por vezes, uma pequena dor para que se nos consolide a cautela à frente do perigo.
      Com discernimento louvável improvisamos prodigiosos facilitários de felicidade para os outros, indicando-lhes o melhor caminho para a vitória no bem ou para a comunhão com Deus, entretanto, à primeira alfinetada do caminho sobre nossas esperanças mais caras, habitualmente, nos desmandamos à distância do equilíbrio justo, espalhando golpes e lágrimas, exigências e sombras.
      Saibamos, no entanto, respeitar na “porta estreita” que o mundo nos impõe o socorro da Vida Maior, a fim de que possamos reconsiderar a própria marcha.
        Por vezes, ela é a enfermidade que nos auxilia a preservar as vantagens da saúde,  em muitas fases de nossa luta é a incompreensão alheia, que nos compele ao reajuste necessário;  em muitos passos da senda é a prova que nos segrega no isolamento, impelindo-nos a seguir pela escada miraculosa da prece, da Terra para os Céus;  por vezes é o abandono de afeições muito amadas a impulsionar-nos para os braços de Cristo;  em variadas circunstâncias, é o desencanto ante a enganosa satisfação de nossos desejos na experiência física, inspirando-nos ideais mais altos;  e, em alguns casos, é a visitação da morte que nos obriga a refletir na imortalidade triunfante…
      Por onde fores, cada dia, agradece a dificuldade que nos melhore e nos eleve à grande renovação.
      Jesus não escolheu a larga avenida do menor esforço. Da Manjedoura ao Calvário, movimentou-se entre os obstáculos que se transfiguraram para Ele em degraus para a volta ao Pai Celestial e, aceitando na cruz, a sua maior mensagem de amor à Humanidade de todos os séculos, legou-nos, com exemplo vivo, a porta estreita do sacrifício como sendo o nosso mais belo caminho de paz e libertação.
(Abrigo. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )