A escolha dos discípulos

        Uma espreguiçadeira forrada com alvo lençol e uma confortável almofada abrigavam o homem adormecido.

        Sua cabecinha branca, seu rosto sereno, seus olhinhos cerrados pelo sono ... que coisa tão linda!

        Foi assim que o rapazola esguio, recém-entrado na adolescência , encontrou seu avô, repousando na varanda repleta de samambaias.

        Emocionado, curvou-se e beijou-o docemente.

        -Ângelo, meu querido, já de volta?

        -Vovô Carlindo ... desculpe-me, não tinha intenção de acordá-lo.

        -Não se aborreça, filho. Na minha idade, o sono já não é tão profundo. Fica-se ronronando como os gatinhos ... O que o intriga desta vez?

        -Nada de tão grave, vovozinho ... apenas estou com um dilema: como o senhor sabe, eu tenho uma infinidade de amigos que me são muito caros e estou achando difícil selecionar entre eles os que devam vir em minha casa, sair em minha companhia, enfim, fazer parte do meu cotidiano.

        -Ora, querido, vou contar-lhe como Jesus escolheu seus discípulos. Acho que isso vai ajudá-lo. E o velhinho começou:

        -Ele tinha bom senso; procurou escolher, dentre a multidão que o acompanhava por toda parte, os verdadeiramente entusiasmados pelas suas idéias, aqueles seguidores fiéis, que seriam capazes de conduzir os outros homens, tal como o pastor que sabe guiar as suas ovelhas pelos lugares mais seguros, onde elas ficariam abrigadas e felizes.

        Desse modo, Jesus começou a fazer convites. Passando pelo Mar da Galiléia, chamou os dois irmãos: Simão (que Ele chamou de Pedro) e André, que eram pescadores.

        Prosseguindo, encontrou outros dois irmãos: Tiago e João, que também foram convidados. E assim, Jesus continuou até convidar doze homens, que Ele sabiam seriam capazes de levar sua mensagem por todo o território da Judéia.

        Esses homens, seus discípulos, chamados, mais tarde, apóstolos, foram os seguintes: Simão Pedro, Tiago, João, André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago (filho de Alfeu), Simão e Judas Iscariotes.

        Eram as pessoas certas; Jesus sabia que com eles a sua doutrina amorosa não seria perdida e ficaria sempre entre os homens.

        O vovô terminou aí. Ângelo comentou:

        -Essa história, vovô, mostra-me a seguinte verdade:

        - Devo selecionar, para conviverem comigo, os amigos cujos hábitos de vida, desejos e sonhos mais se assemelhem com os meus.

        Como o Mestre Jesus percebi que deverei escolhê-los, usando o mesmo critério de amor e justiça com que Ele escolheu os seus discípulos.

(Rosenir Teixeira Pereira - Extraída do Livro "O melhor é Viver em Família" volume 12)