A carne

1. — ALMIR — Agora é o auditório que pergunta. Saulo Gomes?

SAULO — Seu nome, por gentileza? É o público do auditório respondendo à sua mensagem, Chico.

NELSON MANCUSO — Irmão Chico, gostaria que me esclarecesse sobre a alimentação da carne, assunto dos mais controvertidos, quando sabemos que, segundo alguns, esse sacrifício dos nossos irmãos inferiores, faz parte da evolução dos mesmos. Há muito tempo queria ouvir o esclarecimento do nosso irmão Chico, com a assistência do nosso Emmanuel.

CHICO XAVIER — Essa questão é uma questão antiga no mundo espiritualista. Nós temos nos apropriado da cooperação compulsiva dos animais, há muitos, muitos milênios. O nosso corpo espiritual está condicionado em grande maioria de nós outros à absorção das proteínas do reino animal. Então, se nós estamos ainda subordinados à necessidade de valores protéicos que recebemos da carne, nós não devemos entrar em regimes vegetarianos de um dia para outro e sim educar o nosso organismo para realizarmos essa adaptação. Nesse sentido, muitas vezes, quando a nossa vontade já não mais se dirige para a alimentação com base na carne, precisamos considerar o nosso problema de saúde, ouvir um médico amigo, que possa nos aconselhar quanto ao problema da nossa alimentação, para que os nossos problemas de nutrição sejam resolvidos com harmonia e segurança, para não cairmos na perda de memória e em determinados desastres orgânicos por falta de valores protéicos intensivos em nosso corpo celular. Vamos pensar nisto e muitos de nós precisamos ainda da alimentação com base na carne, embora essa alimentação tenha para nós um valor de terapêutica. Isso parece uma racionalização em Psiquiatria. Parece que nós estamos criando uma desculpa para comer a carne. Mas não é bem isso. A maioria de nós ainda necessita da carne e para dispensarmos esse tipo de concurso dos animais, precisamos tempo, para que a nossa reencarnação possa produzir os valores a que somos chamados. Nós todos somos chamados a produzir algo de bom e precisamos saúde, vida saudável, vida robusta. A pecuária ainda é um dos fatores da economia humana. Não podemos tratar estes casos com ingenuidade, conquanto os animais nos mereçam o máximo respeito e não devamos criar situações de extermínio desnecessário para eles. Nós precisamos ainda da carne, precisamos de leite, dos laticínios, precisamos de muitos modos da cooperação dos animais, na farmacologia, na nossa vida comum. Por enquanto não podemos dispensar, mas também não devemos estar como senhores absolutos da natureza. Queremos bife de filé; carne de cabrito e peixe e carneiro, tudo de uma vez. Um pedacinho de carne.

 (Chico Xavier, dos hippies aos problemas do mundo . Entrevistas. Emmanuel/ Chico Xavier)