Aula inicial - A importância da religião em nossas vidas

Ciclo 1 - História: O sonho de André - Atividade: PH - Paulo de Tarso - 26 - A importância da Evangelização infantil.

Ciclo 2 - História: O mapa do tesouro - Atividade: PH - Jesus - 81 - Conhecer a verdade  ou/e ESE- Cap. 1 - 4. A aliança da ciência e da religião.

Ciclo 3 - História:  O livre pensador - Atividade: LE- L3 -Cap.10-4- Liberdade de consciência ou/e peça para cada evangelizando escrever sobre a importância da religião e da ciência em nossas vidas.

 

Dinâmicas: ApresentaçãoEu sou...E você, quem é?Aula inicialA importância da Evangelização infantil.

Mensagens espíritas: VerdadeReligião.

Sugestão de livro infantil: Meu Pequeno Evangelho. História: Meu Pequeno Evangelho. Maurício de Sousa. Luis Hu Rivas e Ala Mitchell. Editora Boa Nova.

 

Leitura da Bíblia: João - Capítulo 8


8:32 Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.


2 Timóteo -  3:16


3.16 Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ministrar a verdade, para repreender o mal, para corrigir os erros e para ensinar a maneira certa de viver.


 

Tiago  - Capítulo 1


1.26 Se alguém cuida ser religioso e não refreia a sua língua, mas engana o seu coração, a sua religião é vã. 


  1.27 A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do mundo.  


 

Lucas - Capítulo 11


11.28 Mais felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põe em prática.


 

Tópicos a serem abordados:

- A palavra "religião " deriva do latim religare,  que significa religar, ligar  novamente, isto é, restabelecer a ligação perdida com Deus. A religião é o sentimento divino que liga o homem ao Seu Criador. Ela é a ciência que revela a verdade , isto é, as leis divinas e  indica o caminho que devemos seguir para alcançar a felicidade . Uma religião, em sua significação verdadeira, é um laço que religa os homens numa comunhão de sentimentos, de princípios e de crenças.    Mas em poucas palavras, no que consiste a Religião? O seu principal fundamento é  amar a Deus de todo o nosso coração, entendimento e alma, com todas as nossas forças e ao próximo como a nós mesmos, conforme ensinou o Nosso Mestre Jesus .

- Jesus Cristo foi o Espírito mais puro e luminoso que se encarnou na Terra; é o modelo de perfeição que devemos seguir. Ele  já existia antes da formação deste planeta e foi  escolhido por Deus, para governar este mundo e revelar Suas leis aos homens.   Antes da Sua vinda,  Jesus enviou, periodicamente,  os Seus mensageiros e missionários , para revelar gradualmente as leis divinas as  primeiras organizações religiosas do nosso planeta . As  religiões de todos os séculos está cheia de sábios e profetas, que trouxeram ao mundo a idéia de Deus e das leis morais a que os homens se devem submeter para a obtenção da evolução espiritual (progresso moral e intelectual).

- As primeiras religiões surgiram entre os povos primitivos do oriente. A história da origem de quase todos os povos antigos se confunde com a da religião deles. Os seus primeiros livros sagrados foram ao mesmo tempo os primeiros livros de ciência, como foram, durante largo período, o código único das leis civis. No entanto, devido a falta de desenvolvimento intelectual e conhecimento científico, as explicações que davam sobre a origem do universo possuiam erros grosseiros.  Além disso, muitos deles inventaram cultos exteriores extravagantes, normas socias e  princípios dogmáticos (crenças que não podiam ser contestadas) que não provinham do Senhor. Apesar disso,  não devemos desprezar as escrituras antigas, pois todas possuem gérmens de grandes verdades. Embora  haja desvios ou interpretações erradas, todas possuem o mesmo príncipio que é “amai-vos uns aos outros”, base imortal dos ensinos de Jesus. 

- Atualmente existem inúmeras religiões antigas sendo praticadas no mundo; as principais são:  o hinduísmo,o budismo, o taoísmo, o confucionismo,  o judaísmo, o islamismo e   o cristianismo (1). O Hinduismo é considerada a  organização religiosa mais antiga da história.  Suas crenças foram transmitidas oralmente, de geração em geração, por muitos séculos na Índia,  até serem transcritas nos Vedas, escrituras dos grandes mestres das ciências hindus, que contam cerca de 2000 anos a.C. O budismo, surgiu tempos depois, com o nascimento  do Buda  e se espalhou para diversas regiões do oriente. Na China, os adeptos da religião tradicional chinesa misturam credos e práticas de diferentes doutrinas (tais como: o confucionismo, o taoísmo e o budismo).  Os seus principais fundamentos estão contidos nas nas obras de três grandes sábios: Fo-Hi , Lao-tsé e Confúcio. Em Israel, os adeptos do judaísmo seguem  os ensinos dos antigos profetas e de Moisés,  contidos no Antigo Testamento (na Bíblia). O islamismo surgiu a partir das revelações feitas pelo profeta Maomé, registradas no livro Alcorão. E as várias vertentes do Cristianismo, tais como: a Católica  (325 d. C), a   Ortodoxa (1054 d.C)   e a   Protestante (1517 d. C) surgiram séculos depois  da  vinda do Cristo.

- O Cristianismo primitivo, vivenciado pelos primeiros cristãos,  é a síntese ( o conjunto das partes essenciais), em simplicidade e luz, de todos os sistemas religiosos mais antigos. Os ensinamentos contidos no Evangelho, mostram todos os deveres do homem para com o próximo, explicando que a prática da caridade é fundamental.  No entanto, o Cristo não pode dizer tudo na sua época .Ele nos prometeu um outro Consolador,  que viria mais tarde, para ensinar todas a coisas e relembrar tudo que havia dito.  O Espiritismo vem, na época predita (1857), cumprir a promessa do Cristo. A Doutrina (2) Espírita, como também é chamada, nos  traz o conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; por que sofre temporariamente e necessita progredir incessantemente, através de uma série de existências.  Ensina que que a vida continua após a morte, e que a Justiça de Deus atinge a todos.

-O Espiritismo é uma Doutrina filosófica, cientifica e religiosa, revelada pelos Espíritos Superiores e organizada por Allan Kardec.  A filosofia busca compreender a existência humana,  a ciência esclarece a nossa ignorância e a religião traz consolo para a nossa alma.   Entretanto , o Espiritismo  não é uma religião como as outras,  visto que não tem cultos, nem rituais, nem  dogmas e nenhum dos seus adeptos recebe o título  superior de Sacerdote ou Papa. O Espiritismo respeita todas as convicções sinceras e  não afasta pessoa alguma das suas crenças. Um a de suas metas é  reformar a legislação ainda tão frequentemente contrária às leis divinas; colocar fim às interpretações erradas, e restaurar a religião do Cristo, que foi modificada e corrompida.  Além disso, pretende unir os homens em uma mesma crença, porque não há senão um Deus, e suas leis são as mesmas para todos.

-  O objetivo da religião é conduzir a Deus o homem. Ora, este não chega a Deus senão quando se torna perfeito. Logo, toda religião que não torna melhor o homem, não alcança o seu objetivo. A verdadeira religião não é uma manifestação exterior (com formas de adoração, cultos e rituais), é um sentimento, e é no coração humano que está o verdadeiro templo. A verdadeira religião ilumina o caminho das almas. O indivíduo que tem uma boa formação religiosa, possui muito mais resistência em relação as dificuldades da vida do que aquele que não a tem, pois se apóia na fé e na esperança. A presença de Deus na mente e no nosso coração, será sempre uma bússola apontando o porto de segurança e de paz que desejamos. Por isso devemos participar das aulas de evangelização infantojuvenil e dedicarmo-nos ao estudo de Suas leis, que é a Religião.

Comentário (1): https://super.abril.com.br/blog/superlistas/as-8-maiores-religioes-do-mundo/  (2): DOUTRINA: Conjunto de princípios em que se fundamenta um sistema religioso, político ou filosófico; ideologia, sistema, teoria. (http://michaelis.uol.com.br/busca?id=W014 - Data de consulta : 13- 08-18)

 

Perguntas para fixação:

1. O que é a Religião?

2. Qual é o principal fundamento da  Religião ?

3. Quem é o governador do planeta Terra?

4.  Antes de sua vinda, quem Jesus enviava à Terra para revelar gradualmente as leis de Deus ao povo?

5. Em que região surgiram as primeiras religiões?

6. Por que as escrituras sagradas das antigas religiões possuíam erros grosseiros?

7. Por que não devemos desprezar as escrituras sagradas das religiões antigas?

8. Qual é o nome da religião que é considerada a mais antiga da história?

9.  Qual é o nome das três religiões antigas que surgiram  após  a vinda do Cristo?

10.  Qual é o nome da religião que sintetiza , em simplicidade e luz,  todos os sistemas religiosos antigos?

11. Quem é o Consolador Prometido por Jesus?

12. O que o Consolador veio nos releembrar?

13. Por que o Espiritismo não é uma religião igual as outras?

14. Qual é uma das principais metas do Espiritismo?

15. Qual é a importância da religião na nossa vida?

16. Por que devemos participar das aulas de evangelização infantojuvenil?  

 

Susídio para o Evangelizador:

            O que é Religião?

            É a ciência que nos conduz a Deus, tornando-nos conhecedores dos nossos deveres e dos nossos destinos depois da morte. (Espiritismo para crianças. Religião.  Cairbar Schutel )

            A palavra "religião " deriva do latim religare, religar, voltar a ligar. (...) O adepto de uma religião procura religar-se a Deus. (https://www.infopedia.pt/$religiao)

            Na história de todos os povos, observa-se a tendência religiosa da Humanidade; é que, em toda personalidade existe uma fagulha divina — a consciência, que estereotipa em cada Espírito a grandeza e a sublimidade de sua origem. (...) É a consciência, centelha de luz divina que faz nascer em cada individualidade a ideia da verdade, relativamente aos problemas espirituais, fazendo-lhe sentir a realidade positiva da vida imortal, atributo de todos os seres da criação. (Livro: Emmanuel. Cap. 15. A consciência. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            Em que sentido deveremos tomar o conceito de religiões?

            -Religiões, para todos os homens, deveria compreender-se como sentimento divino que clarifica o caminho das almas e que cada espírito apreenderá na pauta do seu nível evolutivo.

            Neste sentido, a Religião é sempre a face augusta e soberana da Verdade; porém, na inquietação que lhes caracteriza a existência na Terra, os homens se dividiram em numerosas religiões, como se a fé também pudesse ter fronteira, à semelhança das pátrias materiais; tantas vezes mergulhadas no egoísmo e na ambição de seus filhos.

            Dessa falsa interpretação tem nascido no mundo as lutas antifraternais e as dissensões religiosas de todos os tempos. ( O Consolador. Questão 292. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            Como se explica que tantos filósofos antigos e modernos, durante tão longo tempo, hajam discutido sobre a ciência psicológica e não tenham chegado ao conhecimento da verdade?

            “Esses homens eram precursores da eterna Doutrina Espírita. Prepararam os caminhos. Eram homens e, como tais, se enganaram, tomando suas próprias idéias pela luz. No entanto, mesmo os seus erros servem para realçar a verdade, mostrando o pró e o contra. Demais, entre esses erros se encontram grandes verdades que um estudo comparativo torna apreensíveis.” ( O Livro dos Espíritos. Questão 145. Allan Kardec )

            Havia, como sabeis, na antigüidade alguns indivíduos possuidores do que eles próprios consideravam uma ciência sagrada e da qual faziam mistério para os que, aos seus olhos, eram tidos por profanos. Pelo que conheceis das leis que regem estes fenômenos, deveis compreender que esses indivíduos apenas recebiam algumas verdades esparsas, dentro de um conjunto equívoco e, na maioria dos casos, emblemático. Entretanto, para o estudioso, não há nenhum sistema antigo de filosofia, nenhuma tradição, nenhuma religião, que seja desprezível, pois em tudo há germens de grandes verdades que, se bem pareçam contraditórias entre si, dispersas que se acham em meio de acessórios sem fundamento, facilmente coordenáveis se vos apresentam, graças à explicação que o Espiritismo dá de uma imensidade de coisas que até agora se vos afiguraram sem razão alguma e cuja realidade está hoje irrecusavelmente demonstrada. Não desprezeis, portanto, os objetos de estudo que esses materiais oferecem. Ricos eles são de tais objetos e podem contribuir grandemente para vossa instrução.” ( O Livro dos Espíritos. Questão 628. Allan Kardec )

            Em face da Ciência e da Filosofia como interpretar a Religião nas atividades da vida?

            -Religião é o sentimento Divino, cujas exteriorizações são sempre o Amor, nas expressões mais sublimes. Enquanto a Ciência e a Filosofia operam o trabalho da experimentação e do raciocínio, a Religião edifica e ilumina os sentimentos.

            As primeiras se irmanam na Sabedoria, a segunda personifica o Amor, as duas asas divinas com que a alma humana penetrará, um dia, nos pórticos sagrados da espiritualidade. ( O Consolador. Questão 260. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier ) 

            As religiões que surgiram no mundo, antes do Cristo, tinham também por missão principal a preparação da mentalidade humana para a sua vinda?

            -Todas as idéias religiosas, que as criaturas humanas traziam consigo do pretérito milenário, destinavam-se a preparar o homem para receber e aceitar o Cordeiro de Deus, com a sua mensagem de amor perene e reforma espiritual definitiva.

            O Cristianismo (1) é a síntese, em simplicidade e luz, de todos os sistemas religiosos mais antigos, expressões fragmentárias das verdades sublimes trazidas ao mundo na palavra imorredoura de Jesus.

            Os homens, contudo, não obstante todos os elementos de preparação, continuaram divididos e, e dentro das suas características de rebeldia, procrastinaram  a sua edificação nas lições renovadoras do Evangelho. ( O Consolador. Questão 293. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            Jesus, cuja perfeição se perde na noite imperscrutável das eras, personificando a sabedoria e o amor, tem orientado todo o desenvolvimento da humanidade terrena, enviando os seus iluminados mensageiros, em todos os tempos, aos agrupamentos humanos e, assim como presidiu à formação do orbe, dirigindo, como Divino Inspirador, a quantos colaboraram na tarefa da elaboração geológica do planeta e da disseminação da vida em todos os laboratórios da Natureza, desde que o homem conquistou a racionalidade, vem-lhe fornecendo a ideia da sua divina origem, o tesouro das concepções de Deus e da imortalidade do Espírito, revelando-lhe, em cada época, aquilo que a sua compreensão pode abranger.

            Em tempos remotos, quando os homens, fisicamente, pouco dissemelhavam dos antropopitecos, suas manifestações de religiosidade eram as mais bizarras, até que, transcorridos os anos, no labirinto dos séculos, vieram entre as populações do orbe os primeiros organizadores do pensamento religioso que, de acordo com a mentalidade geral, não conseguiram escapar das concepções de ferocidade que caracterizavam aqueles seres egressos do egoísmo animalesco da irracionalidade. Começaram aí os primeiros sacrifícios de sangue aos ídolos de cada facção, crueldades mais longínquas que as praticadas nos tempos de Baal, das quais tendes notícia pela História. (Livro: Emmanuel. Cap. 2 - A ascendência do Evangelho. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            Vamos encontrar, historicamente, as concepções mais remotas da organização religiosa na civilização chinesa, nas tradições da índia védica e bramânica, de onde também se irradiaram  as primeiras lições do culto dos mortos, na civilização resplandecente dos faraós, na Grécia com os ensinamentos órficos e com a simbologia mitológica, existindo já grandes mestres, isolados intelectualmente das massas, a quem ofereciam os seus ensinos exóticos, conservando o seu saber de iniciados no círculo restrito daqueles que os poderiam  compreender devidamente. (Livro: Emmanuel. Cap. 2 - As tradições religiosas. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            As primeiras organizações religiosas da Terra tiveram, naturalmente, sua origem entre os povos primitivos do Oriente, aos quais enviava Jesus, periodicamente, os seus mensageiros e missionários. Dada a ausência da escrita, naquelas épocas longínquas, todas as tradições se transmitiam de geração a geração através do mecanismo das palavras.

            Todavia, com a cooperação dos degredados do sistema da Capela, os rudimentos das artes gráficas receberam os primeiros impulsos, começando a florescer uma nova era de conhecimento espiritual, no campo das concepções religiosas.

            Os Vedas, que contam mais de seis mil anos, já nos falam da sabedoria dos “Sastras”, ou grandes mestres das ciências hindus, que os antecederam de mais ou menos dois milênios, nas margens dos rios sagrados da Índia. Vê-se, pois, que a ideia religiosa nasceu com a própria Humanidade, constituindo o alicerce de todos os seus esforços e realizações no plano terráqueo. (A caminho da luz. Cap. 9 - As grandes religiões do passado. As primeiras organizações religiosas .  Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            A gênese de todas as religiões da Humanidade tem suas origens no seu coração augusto e misericordioso. Não queremos, com as nossas exposições, divinizar, dogmaticamente, a figura luminosa do Cristo, e sim esclarecer a sua gloriosa ascendência na direção do orbe terrestre, considerada a circunstância de que cada mundo, como cada família, tem seu chefe supremo, ante a justiça e a sabedoria do Criador.

            Fora erro crasso julgar como bárbaros e pagãos os povos terrestres que ainda não conhecem diretamente as lições sublimes do seu Evangelho de redenção, porquanto a sua desvelada assistência acompanhou, como acompanha a todo tempo, a evolução das criaturas em todas as latitudes do orbe. A história da China, da Pérsia, do Egito, da Índia, dos árabes, dos israelitas, dos celtas, dos gregos e dos romanos está alumiada pela luz dos seus poderosos emissários. E muitos deles tão bem se houveram, no cumprimento dos seus grandes e abençoados deveres, que foram havidos como sendo Ele próprio, em  reencarnações sucessivas e periódicas do seu divinizado amor. No Manava-Darma, encontramos a lição do Cristo; na China (2) encontramos Fo-Hi (3), Lao-Tsé(4), Confúcio (5); nas crenças do Tibete (6), está a personalidade de Buda e no Pentateuco encontramos Moisés; no Alcorão  vemos Maomé. Cada raça recebeu os seus instrutores, como se fosse Ele mesmo, chegando das resplandecências de sua glória divina.

            Todas elas, conhecendo intuitivamente a palavra das profecias, arquivaram a história dos seus enviados, nos moldes de sua vinda futura, em virtude das lembranças latentes que guardavam no coração, acerca da sua palavra nos espaços, tocada de esclarecimento e de amor. (A caminho da luz. Cap. 9 - As grandes religiões do passado. A gênese das crenças religiosas.  Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            Reconhecendo-se que várias seitas nasceram igualmente do Cristianismo, devemos considera-las cristãs, ou simples expressões religiosas insuladas da verdade de Jesus?

            -Todas as expressões religiosas nascidas do Cristianismo se identificam pela seiva de amor do tronco que as congrega, apesar dos erros humanos de seus expositores.

            Os sacerdotes das mais diversas castas inventaram os manuais teológicos, os princípios dogmáticos e as fórmulas políticas; todavia, nenhum esforço humano conseguiu deslustrar a claridade divina do “amai-vos uns aos outros”, base imortal de todos os ensinos de Jesus, cuja luminosa essência identifica as castas entre si, em todas as posições e tarefas especializadas que lhes foram conferidas. ( O Consolador. Questão 294. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            A história da origem de quase todos os povos antigos se confunde com a da religião deles, donde o terem sido religiosos os seus primeiros livros. E como todas as religiões se ligam ao princípio das coisas, que é também o da Humanidade, elas deram, sobre a formação e o arranjo do Universo, explicações em concordância com o estado dos conhecimentos da época e de seus fundadores. Daí resultou que os primeiros livros sagrados foram ao mesmo tempo os primeiros livros de ciência, como foram, durante largo período, o código único das leis civis.

            Nas eras primitivas, sendo necessariamente muito imperfeitos os meios de observação, muito eivadas de erros grosseiros haviam de ser as primeiras teorias sobre o sistema do mundo. Mas, ainda quando esses meios fossem tão completos quanto o são hoje, os homens não teriam sabido utilizá-los. Aliás, tais meios não podiam ser senão fruto do desenvolvimento da inteligência e do conseqüente conhecimento das leis da Natureza. À medida que o homem se foi adiantando no conhecimento dessas leis, também foi penetrando os mistérios da criação e retificando as idéias que formara acerca da origem das coisas. (A Gênese. Cap. 4 - Papel da ciência na Gênese. Itens 1 e 2. Allan Kardec )

            A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana: uma revela as leis do mundo material e a outra as do mundo moral. Tendo, no entanto, essas leis o mesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se. Se fossem a negação uma da outra, uma necessariamente estaria em erro e a outra com a verdade, porquanto Deus não pode pretender a destruição de sua própria obra. A incompatibilidade que se julgou existir entre essas duas ordens de idéias provém apenas de uma observação defeituosa e de excesso de exclusivismo, de um lado e de outro. Daí um conflito que deu origem à incredulidade e à intolerância.

            São chegados os tempos em que os ensinamentos do Cristo têm de ser completados;em que o véu intencionalmente lançado sobre algumas partes desse ensino tem de ser levantado; em que a Ciência, deixando de ser exclusivamente materialista, tem de levar em conta o elemento espiritual e em que a Religião, deixando de ignorar as leis orgânicas e imutáveis da matéria, como duas forças que são, apoiando-se uma na outra e marchando combinadas, se prestarão mútuo concurso. Então, não mais desmentida pela Ciência, a Religião adquirirá inabalável poder, porque estará de acordo com a razão, já se lhe não podendo mais opor a irresistível lógica dos fatos. A Ciência e a Religião não puderam, até hoje, entender-se, porque, encarando cada uma as coisas do seu ponto de vista exclusivo, reciprocamente se repeliam. Faltava com que encher o vazio que as separava, um traço de união que as aproximasse. Esse traço de união está no conhecimento das leis que regem o Universo espiritual e suas relações com o mundo corpóreo, leis tão imutáveis quanto as que regem o movimento dos astros e a existência dos seres. Uma vez comprovadas pela experiência essas relações, nova luz se fez: a fé dirigiu-se à razão; esta nada encontrou de ilógico na fé: vencido foi o materialismo. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 1. Item 8. Allan Kardec )

            A Religião pode então nos esclarecer sobre os nossos destinos além do túmulo?

            Perfeitamente: é este um dos principais ensinos da Religião, visto como a sua ação não se limita a este pequeno mundo em que nos achamos.

            Em poucas palavras, no que consiste a Religião?

            Amar a Deus de todo o nosso coração, entendimento e alma, com todas as nossas forças e ao próximo como a nós mesmos.

            Que se deve fazer para amar a Deus?

            1° – Elevar para Ele a alma em oração.

            2° – Ter confiança na Sua bondade e na Sua justiça.

            3° – Ser caridoso, isto é, aliviar e consolar os que sofrem e fazer aos infelizes todo o bem  que se possa fazer.

            4° – Dedicarmo-nos ao estudo da sua Lei, que é a Religião. (Espiritismo para crianças. Religião.  Cairbar Schutel )

            Pergunta-se, às vezes, se a religião é necessária. A  religião,  bem compreendida, deveria ser um laço unindo os homens entre si e unindo-os através de um mesmo pensamento ao princípio superior das coisas.

            Há na alma um sentimento natural que a leva em direção a um ideal de perfeição no qual se identifica o Bem e a Justiça. Se ela fosse esclarecida pela Ciência, fortificada pela razão, apoiada na liberdade de consciência, esse sentimento, o mais nobre que se pode experimentar, tornar-se-ia o móvel de grandes e generosas ações; mas embaciado, falseado, materializado, tornou-se muito frequentemente um instrumento de dominação egoísta, pelos cuidados da teocracia.

            A religião é necessária e indestrutível, pois ela haure sua razão de ser na própria natureza do ser humano, da qual resume e exprime as aspirações elevadas. Ela é, também, a expressão das leis eternas, e, nesse ponto de vista, deve se confundir com a Filosofia, que faz passar do domínio da teoria ao da execução, e torna-se viva e operante.

            Mas, para exercer uma influência salutar, para voltar a ser um móvel de elevação e de progresso, a religião deve despojar-se dos disfarces de que se revestiu através dos séculos. O que deve desaparecer, não é o seu princípio, são, com  os mitos obscuros, as formas exteriores e materiais. É preciso ter o cuidado de não confundir coisas tão dissemelhantes.

            A verdadeira religião não é uma manifestação exterior, é um sentimento, e é no coração humano que está o verdadeiro templo do Eterno. A verdadeira religião não poderia ser limitada a regras, nem ritos acanhados. Não tem necessidade nem de fórmulas nem de imagens; ela pouco se importa com  os simulacros e formas de adoração, e só julga os dogmas pela sua influência sobre o aperfeiçoamento das sociedades.

            A verdadeira religião abrange todos os cultos, todos os sacerdócios, eleva-se acima deles e lhes diz: A verdade é mais alta!

            Deve-se compreender, entretanto, que todos os homens não estão no estado de atingir esses cumes intelectuais. É por isso que a tolerância e a benevolência se impõem. Se o dever nos convida a desligar os bons espíritos dos aspectos vulgares da religião, é preciso abster-nos de lançar pedras às almas sofredoras, banhadas em lágrimas, incapazes de assimilar noções abstratas, e que encontram na sua fé inocente sustento e reconforto.

            Todavia, pode-se constatar que o número dos crentes sinceros diminui dia a dia. A ideia de Deus, antes simples e grande nas almas, foi desnaturada pelo medo do inferno;perdeu seu poder. Na impossibilidade de elevar-se até o absoluto, certos homens acreditaram ser necessário adaptar à sua forma e à sua medida tudo o que queriam conceber. É assim  que rebaixaram Deus ao seu próprio nível, emprestando-lhe suas paixões e suas fraquezas, diminuindo a Natureza e o Universo, e, sob o prisma de sua ignorância, decompondo em cores diversas o puro raio da verdade.

            As claras noções da religião natural foram obscurecidas pelo prazer. A ficção e a fantasia engendraram o erro, e este, congelado no dogma, levantou-se como um obstáculo no caminho dos povos. A luz foi velada por aqueles que se acreditavam os depositários, e as trevas em que queriam envolver os outros, fizeram-se neles e em torno deles. Os dogmas perverteram o sentido religioso, e o interesse de casta falseou o senso moral. Daí, um amontoado de superstições, de abusos, de práticas idólatras, cujo espetáculo projetou tantos homens na negação.

            A reação, entretanto, se anuncia. As religiões imobilizadas nos seus dogmas como múmias sob suas bandagens, enquanto tudo caminha e evolui em torno delas, enfraquecem-se a cada dia. Perderam quase toda influência sobre os costumes e a vida social e estão destinadas a morrer; mas como todas as coisas, as religiões morrem apenas para renascer. A ideia que os homens fazem da verdade se modifica e se amplia com os tempos. É por isso que as religiões, que são manifestações temporárias, vistas parciais da eterna verdade, devem transformar-se, já que fizeram sua obra e não respondem mais aos progressos e às necessidades da Humanidade. À medida que esta avança no seu caminho, é-lhe necessário novas concepções, um ideal mais elevado, e ela as encontra nas descobertas da Ciência e nas intuições engrandecedoras do pensamento.

            Chegamos a um momento da História em que as religiões envelhecidas abatem-se nas suas bases, em que uma renovação filosófica e social se prepara. O progresso material e intelectual chama o progresso moral. Um mundo de inspirações agita-se nas profundezas das almas, esforça-se para tomar forma e nascer na vida. O sentimento e a razão, essas duas grandes forças, imperecíveis como o espírito humano, do qual elas são os atributos, forças até aqui hostis e que perturbaram a sociedade nos seus conflitos, tendem, afinal, a se aproximar. A religião deve perder seu caráter dogmático e sacerdotal para tornar-se científica; a Ciência desligar-se-á dos baixios materialistas para esclarecer-se com um raio divino.

            Uma doutrina vai surgir, idealista nas suas tendências, positiva e experimental no seu método, apoiada nos fatos indeléveis.

            Sistemas opostos na aparência, filosofias contraditórias e inimigas, o espiritualismo e o naturalismo, por exemplo, nela encontrarão um terreno de reconciliação. Síntese poderosa, ela abraçará e religará todas as concepções variadas do mundo e da vida, raios rompidos, faces diversas da verdade.

            Isso será a ressurreição, sob a forma mais completa, tornada acessível a todos, da doutrina secreta que conheceu o passado, o advento da religião natural, que renascerá simples e pura. A religião passará pelos atos, pelo desejo ardente do bem; o holocausto será o sacrifício das nossas paixões, o aperfeiçoamento do espírito humano. Assim será a religião superior, definitiva, universal, no seio da qual se fundirão, como rios no oceano, todas as religiões passageiras, contraditórias, causas muito frequentes de divisão e de discórdias para a Humanidade. (Depois da morte. Cap. 1 - A doutrina secreta das religiões. León Denis)

            Segundo o Espírito Emmanuel, " A religião viverá entre as criaturas, instruindo e consolando, como um sublime legado. "(Livro : Emmanuel. Cap. 4- O sublime legado.  Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            O que se faz preciso, em vossa época, é estabelecer a diferença entre religião e religiões. A religião é o sentimento divino que prende o homem ao Criador. As religiões são organizações dos homens, falíveis e imperfeitas como eles próprios; dignas de todo o acatamento pelo sopro de inspiração superior que as faz surgir, são como gotas de orvalho celeste, misturadas com os elementos da terra em que caíram. Muitas delas, porém, estão desviadas do bom caminho pelo interesse criminoso e pela ambição lamentável dos seus expositores; mas a verdade um dia brilhará para todos, sem  necessitar da cooperação de nenhum homem. (Livro : Emmanuel. Cap. 4-  Religião e religiões.  Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            O objetivo da religião é conduzir a Deus o homem. Ora, este não chega a Deus senão quando se torna perfeito. Logo, toda religião que não torna melhor o homem, não alcança o seu objetivo. Toda aquela em que o homem julgue poder apoiar-se para fazer o mal, ou é falsa, ou está falseada em seu principio. Tal o resultado que dão as em que a forma sobreleva ao fundo. Nula é a crença na eficácia dos sinais exteriores, se não obsta a que se cometam assassínios, adultérios, espoliações, que se levantem calúnias, que se causem danos ao próximo, seja no que for. Semelhantes religiões fazem supersticiosos, hipócritas, fanáticos; não, porém, homens de bem.

            Não basta se tenham as aparências da pureza; acima de tudo, é preciso ter a do coração. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 8. Item  10. Allan Kardec)

            Diz-se que o pensamento religioso é uma ilusão. Tal afirmativa carece de fundamento. Nenhuma teoria científica, nenhum sistema político, nenhum programa de reeducação pode roubar do mundo a idéias de Deus e da imortalidade do ser, inatas no coração dos homens. As ideologias novas também não conseguirão eliminá-la. (Livro : Emmanuel. Cap. 4- O sublime legado.  Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            A religião digna, qualquer que seja o templo  em que se expresse, é um santuário de educação da alma, em seu  gradativo desenvolvimento para a imortalidade. Imaginemos um  país imenso, em que milhões de crianças fossem relegadas ao abandono pelos pais e mestres, sob a alegação de que lhes cabe o dever de procurar a virtude e a sabedoria por si, furtando-se-lhes toda espécie de apoio moral e cultural... Imaginemos um campo enorme superlotado de enfermos, aos quais eminentes médicos recomendassem procurar a saúde por si mesmos, confiando-os à própria sorte... Onde estaria a lógica de semelhantes medidas? A interdependência mora na base de todos os fenômenos da vida. O forte é tutor do fraco. O sábio responsabilizar-se-á pelo ignorante. A criancinha na Terra não prescinde do concurso dos pais.

            (...) É preciso considerar que nem todos possuem idêntica idade espiritual e que a Humanidade Terrestre, em sua feição de conjunto, ainda se encontra tão longe da angelitude quanto a agressiva animalidade ainda está distante da razão perfeitamente humana. É muito cedo para que o homem se arrogue o direito de apelar para a Verdade Total... Por agora, é imprescindível trabalhe intensivamente, com devoção ardente e profunda ao bem, para atingir mais amplo discernimento das realidades fragmentárias ou provisórias que o cercam na vida física e, considerada a questão nesse aspecto, estejamos convictos de que a ausência de escolas do espírito ou a supressão dos instrutores constituíram a multiplicação dos hospícios e o rebaixamento do nível moral, porque sem o apelo à dignificação da individualidade, em processo de crescimento mental e de sublimação no tempo, não poderíamos contar senão com a estagnação nas linhas inferiores da experiência. (Nos domínios da mediunidade. Cap. 29. Anotações em  serviço. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier )

            O ser humano é um animal essencialmente religioso em razão da sua procedência. Mesmo nos hábitos mais modestos, assim  como nos convencionais, encontram-se os atavismos da religiosidade que lhe é inata.

            Quando alguém diz: bom dia!, ou durma bem! Ou seja, feliz! etc, imagens arquetípicas predominantes em a sua natureza interna exteriorizam a sua procedência espiritual, o seu sentido religioso existencial, mediante uma formulação rica de desejos saudáveis.

            Igualmente, quando pragueja ou recalcitra, amaldiçoando ou blasfemando, repete imagens do mesmo tipo, no sentido oposto, que se lhe encontram no inconsciente pessoal, remanescentes da vigência religiosa que lhe é ancestral e predominante.

            Toda a história cultural do ser humano está fundamentada nos mitos, nas crenças, nas heranças pretéritas do processo evolutivo.

            Foram essas conquistas, logradas ao longo dos milênios, que facultaram à Cultura e à Civilização a elaboração de uma segura escala de valores morais e espirituais que contribuem para o equilíbrio do ser através das experiências que lhe são lícitas vivenciar ao longo da existência corporal.

            Sem o conhecimento desses valores - liberdade, felicidade, amor ao próximo, respeito, responsabilidade, direito à vida, à educação, ao labor, à recreação, para serem citados apenas alguns - o sentido existencial desapareceria, em face da ausência de motivações para a luta pelo trabalho, do esforço para a preservação da saúde, do empenho para a busca da felicidade, do devotamento pela constituição da família, do grupo social...

            Esses valores éticos e espirituais estão presentes em todas as religiões e são fundamentais no pensamento filosófico, sempre responsável pela elaboração de respostas para as enigmáticas interrogações sobre o ser em si mesmo, a vida, a morte, a realidade, o destino, as ocorrências felizes e desditosas...

            Remontando-se aos recuados períodos do desenvolvimento antropológico, por exemplo, o Paleolítico, pode-se encontrar o homem primitivo de então, tentando expressar o seu medo ou respeito, para ele inexplicáveis forças que se lhe sobrepunham, utilizando-se de cultos bizarros, expressos em gravetos e pedras sinalizados, que eram colocados junto às fogueiras, numa forma muito primária de culto religioso. O arquétipo da fé religiosa já se lhe apresentava como necessidade de sufragar algo que supunha sobrevivente à morte no clã ou fora dele...

            Na visão junguiana se afirma que a personalidade humana é constituída pela consciência e tudo quanto ela pode abranger, e pelo interior de amplidão indeterminada, ilimitada da psique inconsciente. Nessa personalidade muito complexa haveria algo de indelineável e indefinível, tendo-se em vista que uma grande parte, a que se expressa externamente, possui consciência, podendo ser observada, enquanto que inúmeras ocorrências permanecem informes, inexplicáveis.

            Assim raciocinando, pensa-se que há uma fonte geradora desses fatores desconhecidos que provêm de uma consciência mais ampla, de uma psique mais bem-elaborada e que se poderia denominar como intuição. A palavra pretende significar que o acontecimento não foi previsto, aparecendo inesperadamente, sem uma procedência determinada, como se ele próprio se produzisse.

            Essa intuição, numa análise religiosa, procederia da Divindade que administra tudo quanto haja criado.

            Através dessa reflexão, acreditava Jung no valor de qualquer confissão religiosa, especialmente a Religião Católica, pela autoridade exercida sobre as criaturas, atendendo-as nos seus momentos graves e de conflitos, mediante a absolvição do pecado ou a sua condenação pelo permanecimento nele. De alguma forma, no passado, esse mito constituía uma proteção para todos aqueles que se sentiam fragilizados e necessitavam do apoio de algo forte e dominante.

            O enfraquecimento moral do clero e a decadência do poder da fé religiosa, de alguma forma deixaram a criatura humana desprotegida, e, à medida que surgiram outras confissões, foram  gerados mais conflitos do que segurança e apoio.

            Atendendo aos seus clientes, Jung, não poucas vezes, buscava informar-se qual era a religião que professavam, recomendando aos católicos que buscassem os seus sacerdotes para se confessar e, comungando, receberem a absolvição, mesmo que através de penitências sempre libertadoras; quando protestantes, em razão de haverem gerado muitos conflitos e perdido os dogmas e os ritos que se enfraqueceram, a solução seria sugerir maior integração nos postulados evangélicos, que lhes poderiam servir de suporte para se precatarem das amargas experiências imediatas, para as quais não possuíssem resistências.

            Superando o conceito de que toda neurose tem suas raízes fincadas na sexualidade infantil reprimida, ou encerra uma insuportável ânsia de ambição e de poder, a proposta, válida, apresenta-se através de uma análise dos outros conteúdos psíquicos no ser incapazes de suportar as referidas experiências imediatas.

            Não se pode descartar, no entanto, a hipótese espírita da reencarnação, na análise em tela, a fim de explicar-se a existência de fatores causais - anteriores à concepção — que podem expressar-se por meio da repressão da sexualidade infantil, ou da ambição e do poder, em razão das heranças graves que se encontram hoje no inconsciente pessoal do portador do transtorno neurótico.

            Nesse caso, o Self, expresso na personalidade humana, possui a totalidade dos fatores conscientes observáveis, assim como de todos aqueles que são indefiníveis e indelineáveis.

            O esforço que se deve empreender para o indivíduo conseguir a sua reintegração religiosa é valioso e tem caráter de urgência.

            Essa reintegração, bem se vê, não faz pressupor-se uma vinculação a tal ou qual confissão que predomine na consciência geral, mas que melhor atenda aos quadros de valores e necessidades de cada pessoa. (Triunfo pessoal. Reintegração da religiosidade. Espírito Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo Pereira Franco )

            (...) A religião se destina ao conforto moral e à preservação dos valores espirituais do homem, demitizando a morte e abrindo-lhe as portas aparentemente indevassáveis à percep­ção humana.

            Desvelar os segredos da vida de ultratumba, demonstrar-lhe o prosseguimento das aspirações e valores humanos, ora noutra dimensão dentro da mesma realidade da vida, é a finalidade precípua da religião. Ao invés da proibi­ção castradora e do dogmatismo irracional, agressivo à liber­dade de pensamento e de opção, a religião deve favorecer a investigação em torno dos fundamentos existenciais, das ori­gens do ser e do destino humano, ao lado dos equipamentos da ciência, igualmente interessada em aprofundar as sondas das pesquisas sobre o mundo, o homem e a vida.

            A fim de que esse objetivo seja alcançado, faz-se indis­pensável a coragem de romper com a tradição — rebelar-se contra a mãe religião — libertando-se das fórmulas, para en­contrar a forma da mais perfeita identificação com a própria consciência geradora de paz. Tornar-se autêntico é uma deci­são definidora que precede a resolução de crescer para dar-se. O desafio consiste na coragem da análise de conteúdo da religião, assim como da lógica, da racionalidade das suas te­ses e propostas. Somente, desta forma, haverá um relaciona­mento criativo entre o crente e a fé, a religiosidade emocio­nal e a religião. Essa busca preserva a liberdade íntima do homem perante a vida, facultando-lhe um incessante cresci­mento, que lhe dará a capacidade para distinguir o em que acredita e por que em tal crê, sustentando as próprias forças na imensa satisfação dos seus descobrimentos e nas possibi­lidades que lhe surgem de ampliar essas conquistas.

            Já não se torna, então, importante a religião, formal e cir­cunspecta, fechada e sombria, mas a religiosidade interior que aproxima o indivíduo de Deus em toda a Sua plenitude: no homem, no animal, no vegetal, em a natureza, nas formas viventes ou não, através de um inter-relacionamento integra­dor que o plenifica e o liberta da ansiedade, da solidão, do medo. As suas aspirações não se fazem atormentadoras; não mais surge a solidão como abandono e desamor, e dilui-se o medo ante uma religiosidade que impregna a vida com espe­rança, alegria e fé. O germe divino cresce no interior do ho­mem e expande-se, permitindo que se compreenda o concei­to paulino, que ele já não vivia, “mas o Cristo” nele vivia.

            A personalidade conflitante no jogo dos interesses da so­ciedade cede lugar à individualidade eterna e tranqüila, não mais em disputa primária de ambições e sim em realizações nas quais se movimenta. Os outros camuflam a sua realidade e vivem conforme os padrões, às vezes detestados, que lhes são apresentados ou impostos pela sua sociedade. O grupo social, porém, rejeita-os, por sabê-los inautênticos, no entan­to os aplaude, porque eles não incomodam os seus membros, fazendo-os mesmistas, iguais, despersonalizados, desestru­turados. Por falta de uma consciência objetiva — conhecimento dos seus valores pessoais, controle das várias funções do seu organismo físico e emocional, definição positiva de atitudes perante a vida —, não têm a coragem ética de ser autênticos, padecendo conflitos a respeito do senso de responsabilidade e de liberdade, característico do amadurecimento, que se po­derá denominar como uma virtude de longo curso. Não se trata da coragem de arrostar conseqüências pela própria te­meridade, mas do valor para enfrentar-se a si mesmo, geran­do um relacionamento saudável com as demais pessoas, repetindo com entusiasmo a experiência maisucedida, sem ata­duras de remorso ou lamentação pelo fracasso. E saber reti­rar do insucesso os resultados positivos, que se podem trans­formar em alavancas para futuros empreendimentos, nos quais a decisão de insistir e realizar assumem altos níveis éticos, que se tornam desafios no curso do processo evolutivo.

            Para que o ânimo robusto possa conduzir às lutas exterio­res, faz-se necessária a autoconquista, que torna o indivíduo justo, equilibrado, sem a característica ansiedade neurótica, reveladora do medo do futuro, da solidão, das dificuldades que surgem.

            É preciso que o homem se arrisque, se aventure, mesmo que esta decisão o faça ansioso quanto ao seu desempenho, aos resultados. Ninguém pode superar a ansiedade natural, que faz parte da realidade humana, desde que não extrapole os limites, passando a conflito neurótico.

            Por atavismo ancestral o homem nasce vinculado a uma crença religiosa, cujas raízes se fixam no comportamento dos primitivos habitantes da Terra. Do medo decorrente das for­ças desorganizadas das eras primeiras da vida, surgiram as diferentes formas de apaziguar a fúria dos seus responsáveis, mediante os cultos que se transformariam em religiões com as suas variadas cerimônias, cada vez mais complexas e so­fisticadas. Das manifestações primárias com sacrifícios hu­manos, até as expressões metafísicas, toda uma herança psi­cológica e sociológica se transferiu através das gerações, pro­duzindo um natural sentimento religioso que permanece em a natureza humana.

            Ao lado disso, considerando-se a origem espiritual do in­divíduo e a Força Criadora do Universo, nele permanece o germe de religiosidade aguardando campo fecundo para de­sabrochar.

            Expressa-se, esse conteúdo intelecto-moral, em forma de culto à arte, à ciência, à filosofia, à religião, numa busca de afirmação-integração da sua na Consciência Cósmica. A for­ça primitiva e criadora, nele existente como uma fagulha, possui o potencial de uma estrela que se expandirá com as possibilidades que lhe sejam facultadas. Bem direcionada, sua luz vencerá toda a sombra e se transformará na energia vitalizadora para o crescimento dos seus valores intrínsecos, no desdobramento da sua fatalidade, que são a vitória sobre si mesmo, a relativa perfeição que ainda não tem capacidade de apreender.

            Na execução do programa religioso, a maioria das pesso­as age por convencionalismo e conveniência, sem a coragem de assumir as suas convicções, receosas da rejeição do gru­po.

            Adotam fórmulas do agrado geral, que foram úteis em determinados períodos do processo histórico e evolutivo da sociedade e, não obstante descubram novas expressões de fé e consolação, receiam ser consideradas alienadas, caso assu­mam as propostas novas que lhes parecem corretas, mas não usuais, e sim de profundidade.

            Afirmou um monge medieval que todo aquele que vive morrendo, quando morre não morre”, porque o desapego, o despojar das paixões em cada morrer diário, liberta-o, desde já, até que, quando lhe advém a morte, ele se encontra perfei­tamente livre, portanto, não morto, equivalente a vivo.

            A religiosidade é uma conquista que ultrapassa a adoção de uma religião; uma realização interior lúcida, que indepen­de do formalismo, mas que apenas se consegue através da coragem de o homem emergir da rotina e encontrar a própria identidade. (O homem integral. Cap. 13 - Religião e religiosidade. Espírito Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo Pereira Franco )

            Cada vez mais se constatam os resultados benéficos da formação religiosa do indivíduo, especialmente quando despojada dos dogmas impositivos, das castrações puritanas, das exigências descabidas, das tintas do fanatismo de qualquer espécie.

            O indivíduo que tem formação religiosa, possui muito mais resistência em relação aos enfrentamentos morais, orgânicos, emocionais do que aquele que não a tem.

            Neurocientistas e estudiosos do comportamento vêm constatando a excelência da fé religiosa no ser humano e conseguindo confirmá-la através de exames realizados com equipamentos ultra-sensíveis, quais as tomografias computadorizadas com emissão de pósitrons, que registram as alterações dos ramos neurais do cérebro.

            Quando se possui confiança em qualquer elemento, o cérebro envia mensagens propiciatórias à finalidade da crença, como ocorre nas terapêuticas através do uso de placebos ou nos fenômenos mais inquietantes ainda na área dos nocebos...

            Aquele que acredita em algo, especialmente de natureza transcendental, afetiva, religiosa, melhor conduz-se durante ocorrências difíceis, na saúde ou nos relacionamentos, do que aqueles que não têm apoio para firmar-se na esperança, sendo facilmente destroçados pela amargura e pela desconfiança.

            Cardiologistas cuidadosos afirmam, por exemplo, que o paciente que tem uma religião, melhora mais facilmente de enfarte do miocárdio em relação àquele que não a tem.

            A fé em Deus encontra-se inata no espírito, que dEle procede, sendo a sua religião o resultado de fatores educativos no lar, psicossociais, defluentes das relações de interesses de vária ordem. Mas é sempre necessária, em face das alternâncias de humor e de saúde, durante a jornada carnal, que é sempre instável.

            Essa orientação religiosa pertence aos pais que, desde cedo, deverão falar aos seus rebentos sobre a Paternidade Divina, a sua misericórdia e amor, como fonte geradora de tudo quanto existe. De acordo com a linguagem apropriada e a capacidade intelectual dos genitores, o processo torna-se fácil e enternecedor. Sem necessidade de recorrer a mitologias ou fantasias exageradas, a conversação natural, edificante, explicando o significado da existência humana e os objetivos pelos quais todos se encontram na Terra, na condição de mãe generosa que é, irá auxiliar o desenvolvimento intelectual do educando, proporcionar-lhe segurança emocional, confiança em si mesmo e a certeza de que estará sempre sob a proteção de Deus.

            Como é natural, os pais irão transmitir a doutrina religiosa à qual estão vinculados, apresentando o seu lado ético e nobre, as suas propostas libertadoras e gentis, evitando sempre apresentar os mistérios incompatíveis com a lógica e a razão, as arbitrárias punições divinas, as ameaças cruéis em relação àqueles que procedem mal, oferecendo a reflexão em torno da alegria que se deriva da fé, da esperança de felicidade, como resultado das incomparáveis contribuições do amor inefável de Deus.

            A criança absorverá o aprendizado, que deverá ser acompanhado pela real vivência dos ensinamentos por parte dos educadores, que demonstrarão quão valiosa é a crença, particularmente nos momentos de dificuldades, nas horas de sofrimento, que serão diminuídos pelo efeito da medicação religiosa.

            Argumentam alguns educadores materialistas que se deve deixar a criança, nessa área, sem mensagens dessa natureza, a fim de que, mais tarde, quando adquiram o discernimento elejam aquela que lhes pareça mais apropriada. Trata-se de lamentável sofisma, porque essa não é a conduta a respeito da alimentação, da saúde, da educação... Conscientes das responsabilidades em relação aos filhos, aos pais cumpre o dever de orientá-los em todos os misteres, sem dúvida, também na área religiosa, com a mesma naturalidade com que oferecem outras diretrizes educativas.

            Quando, porém, a criança adquirir o discernimento referido, terá alguns elementos para comparar com os que vai tomando conhecimento e melhor poderá eleger aquela conduta que lhe pareça mais compatível com as suas necessidades emocionais e intelectuais.

            À medida que o comportamento religioso tem sido cediço e favorável ao profano, ao vulgar e promíscuo, mais aumenta o número de crianças e adolescentes portadores de distúrbios psicológicos, mais cresce a estatística de suicídios, de drogadição, por falta de um futuro promissor, na sua nublada visão, quando algo de desagradável lhes acontece, não tendo qualquer meta de segurança à frente.

            Considerando a vida somente física, ou tendo a religião apenas como suporte teórico, a existência perde o significado profundo que advém do sentido da imortalidade, tornando-se supérfluos qualquer esforço ético, qualquer procedimento moral, quando, logo mais, tudo se interrompe em definitivo.

            A orientação religiosa desperta o ser para mais grandiosas realizações, sustentando-lhe o ânimo nos momentos de desafio, dando brilho e cor aos dias nebulosos e cinzentos do desencanto.

            A religião no lar estrutura-se essencialmente nas conversações de todo momento, nos estudos reservados, pelo menos, uma vez por semana, para a reunião da família, nos diálogos de emergência, quando sucedam acontecimentos deploráveis, enfim, no dia-a-dia.

            A igreja ou assembléia que os pais freqüentem dará prosseguimento à orientação de maneira mais profunda e especializada, porquanto essa é a sua finalidade primordial.

            Será sempre no lar, porém, onde se caldeiam os sentimentos e se delineiam as programações para o futuro, que a orientação religiosa deve ser iniciada.

            Oferecer ao educando a música espiritual da prece, o respeito à Divindade, a obediência às suas Leis refletidas em todas as coisas, a começar por si mesmo, alongando-se pelo próximo, pela Natureza, constitui uma valiosa contribuição para o desempenho dos deveres e para a vivência saudável em todos os cometimentos do presente como do futuro.

            O hábito da oração, o que equivale dizer, a constância dos pensamentos elevados e construtivos, as conversações edificantes e as práticas das ações saudáveis, constituem todo um roteiro de religiosidade que não deve ser deixado à margem, sob qualquer alegação, sempre insustentável...

            Quando o lar tem alicerces religiosos equilibrados, sem os fanatismos perturbantes nem o puritanismo hipócrita, suas estruturas gerais comportam todas as agressões e tormentas, conforme Jesus informou em torno da casa construída na rocha da fé, que suporta os ventos devastadores, permanecendo de pé.

            Existe sempre o perigo, é certo, de derrapar-se na adoção de religiões agressivas e fanáticas, o que não justifica evitar-se a orientação espiritual.

            Da mesma forma, há o fanatismo da não-crença, da vulgaridade e da corrupção, que grassa voluptuoso devorando vidas incontáveis.

            A presença de Deus na mente e no coração infantil, juvenil, adulto e no último estágio do corpo físico, é sempre uma bússola apontando o porto de segurança e de paz, que será alcançado oportunamente. (Constelação familiar. Cap. 22 - Orientação religiosa na família. Espírito Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo Pereira Franco )

            A adoção de uma conduta religiosa que trabalhe o indivíduo, nele edificando valores de dignificação e de bem-estar, é valioso contributo psicológico para a sua saúde.

            Freud informava que a Religião é, por si mesma, uma neurose compulsiva. Certamente a tese não pode ser generalizada, pois Jung, por sua vez, reconheceu a sua necessidade para um bom e saudável equilíbrio psicológico, antineurotizante, desde que constitua estímulo para o prosseguimento das lutas e para o trabalho de renovação interior do indivíduo.

            O mesmo ocorre com a Ciência, que algumas personalidades podem utilizar-se de forma dogmática, facultando-se intolerância e fuga compulsiva em torno das incertezas que a existência proporciona.

            Há uma necessidade de o indivíduo segurar-se em algo que o poupe da ansiedade, do medo, e a fé na Ciência, em face do seu conteúdo racional, pode tornar-se neurótica e compulsiva. Nem  todos, porém, assim procedem, havendo a diferença entre os comportamentos saudáveis e os neuróticos.

            É necessário examinar se a Religião mantém o indivíduo infantilizado, dependente dos seus postulados e receoso das lutas que deve travar, a fim de adquirir a sua maturidade psicológica, ou se tem um caráter libertador. Na segunda hipótese, os seus paradigmas e teses devem contribuir para a sua auto aceitação, para o reconhecimento dos próprios limites, contribuindo para que possa desenvolver todos os valores que lhe dormem latentes, especialmente ampliando--lhe a capacidade de amar ao seu próximo, a Natureza, a vida e a si mesmo...

            A Religião não pode servir de fuga psicológica para o indivíduo poupar-se ao enfrentamento dos seus conflitos, dos processos de libertação do sofrimento, que pode ser modificado mediante a coragem de defrontá-los e trabalhá-los corajosamente com os instrumentos da realidade.

            O amor a Deus deverá ser uma manifestação natural que emerge do Selfe vitaliza o ser total, sem a preocupação de ser amado por Deus, o que pareceria um paradoxo, caso não o fosse amado, quer nele se acredite ou não.

            Nessa constatação, nesse emergir do inconsciente profundo pessoal, a imagem de Deus todo Amor, porque saudável, elimina a necessidade masoquista do martírio, do sacrifício, do sofrimento, como, às vezes, demonstra-se para os outros, que somente se justificam quando as situações impõem o testemunho de fé, isto é, a perfeita coerência entre aquilo em que crê e expressa, e as defecções que lhe são impostas, tornando-se alguém decidido e sem medo ante essas conjunturas, sendo fiel ao comportamento íntimo e externo que adota.

            Quando a Religião liberta do medo e da ansiedade, quando proporciona a coragem natural para o auto enfrentamento, torna-se terapêutica e geradora de saúde.

            O homem livre busca Deus exatamente porque se encontra em  liberdade, e deve avaliar se pode ser conceituado como um  Espírito, Energia Suprema ou como um Fenômeno da Natureza, que se lhe torna uma necessidade compulsiva como ocorre com a dependência do álcool ou de outras substâncias químicas...

            Feita essa avaliação, e constatando-se que não se trata de um  epifenômeno de procedência neurótica, mas de uma realidade na qual se acredita sem qualquer conflito, estabelece-se um vínculo emocional, religando-o a Deus e passando a amá-lo com  espontaneidade.

            A Religião, pelo seu sentido de condução ao infinito das origens, no passado, e pela proposta de incomensurável, em  relação ao futuro, proporciona experiências de autoidentificação, que se pode considerar como uma verdadeira graça dessa Divindade.

            Obviamente, a vinculação do ser a uma doutrina religiosa não o deve conduzir a qualquer manifestação de fanatismo, que representa o seu conflito projetado para o exterior, em face da insegurança e do medo do enfrentamento do Si-mesmo.

            Através da Religião, o homem aprofunda reflexões e mergulha no seu inconsciente, fazendo que ressumem angústias e incertezas, animosidades e tormentos que podem ser enfrentados à luz da proposta da fé, e que são lentamente diluídos, portanto, eliminados, a serviço do bem-estar pessoal, que se instala lentamente, tornando-o cada vez mais livre e, portanto, mais feliz.

            A instalação da fé dogmática - seus fundamentos essenciais -, mas racional, porque enfrenta os desafios com tranquilidade, abre espaço ao livre-arbítrio que, do ponto de vista psicológico, nem sempre é realmente livre, em face dos fatores emocionais e orgânicos que influenciam as decisões e as escolhas, os comportamentos e as observações de que se é objeto, variando, portanto, de acordo com as circunstâncias e os níveis de consciência nos quais cada um estagia.

            Graças à opção religiosa, sem o abandono dos admiráveis suportes psicológicos e psicoterapêuticos, o binômio saúde-doença modifica-se para uma estrutura unitária, que é a saúde, na qual ocorrências transitórias de mal-estar, de enfermidade de qualquer natureza, não afetam o estado normal de equilíbrio e de harmonia psicológica. (Triunfo pessoal. Religião e Saúde. Espírito Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo Pereira Franco )

            O Espírito, antes de reencarnar, escolhe também as crenças ou cultos a que se deverá submeter nas experiências da vida?

            -Todos os Espíritos, reencarnados no planeta, trazem consigo a idéia de Deus, identificando-se de modo geral nesse sagrado princípio.

            Os cultos terrestres, porém, são exteriorizações desse princípio divino, dentro do mundo convencional, depreendendo-se daí que a Verdade é uma só, e que as seitas terrestres são materiais de experiências e de evolução, dependendo a preferência de cada um do estado de evolutivo em que se encontre no aprendizado da existência humana, e salientando-se que a escolha está sempre de pleno acordo com o seu estado íntimo, seja na viciosa tendência de repousar nas ilusões do culto externo, seja, pelo esforço sincero de evoluir, na pesquisa incessante da edificação divina. ( O Consolador. Questão 296. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            Certa vez, um visitante pergunta a Chico Xavier:
            - Chico, eu sou católico. Alguns amigos querem que eu me torne espírita. O que você me diz?
            R - Abrace a religião que te deixe tranquilo e feliz. É melhor ser um bom católico que um mau espírita. ( Chico Xavier, Apóstolo do Brasil. Eurípedes Higino)
            O Espiritismo é uma doutrina filosófica de efeitos religiosos, como qualquer filosofia espiritualista, pelo que forçosamente vai ter às bases fundamentais de todas as religiões: Deus, a alma e a vida futura. Mas, não é uma religião constituída, visto que não tem culto, nem rito, nem templos e que, entre os seus adeptos, nenhum tomou, nem recebeu o título de sacerdote ou de sumo-sacerdote. Estes qualificativos são de pura invenção da crítica.

            É-se espírita pelo só fato de simpatizar com os princípios da doutrina e por conformar com esses princípios o proceder. Trata-se de uma opinião como qualquer outra, que todos têm o direito de professar, como têm o de ser judeus, católicos, protestantes, simonistas, voltairiano, cartesiano, deísta e, até, materialista.

            O Espiritismo proclama a liberdade de consciência como direito natural; reclama-a para os seus adeptos, do mesmo modo que para toda a gente. Respeita todas as convicções sinceras e faz questão da reciprocidade.

            Da liberdade de consciência decorre o direito de livre exame em matéria de fé. O Espiritismo combate a fé cega, porque ela impõe ao homem que abdique da sua própria razão; considera sem raiz toda fé imposta, donde o inscrever entre suas máximas: Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade.

            Coerente com seus princípios, o Espiritismo não se impõe a quem quer que seja; quer ser aceito livremente e por efeito de convicção. Expõe suas doutrinas e acolhe os que voluntariamente o procuram.

            Não cuida de afastar pessoa alguma das suas convicções religiosas; não se dirige aos que possuem uma fé e a quem essa fé basta; dirige-se aos que, insatisfeitos com o que se lhes dá, pedem alguma coisa melhor. (Revista Espírita. Setembro de 1869. Ligeira Resposta aos Detratores do Espiritismo. Allan Kardec)

            Do ponto de vista religioso, o Espiritismo tem por base as verdades fundamentais de todas as religiões: Deus, a alma, a imortalidade, as penas e as recompensas futuras, independentes de qualquer culto particular. Seu objetivo é provar, aos que negam ou duvidam, que a alma existe, que sobrevive ao corpo e experimenta após a morte as consequências do bem ou do mal que tenha feito durante a vida corporal. Ora, isto é de todas as religiões. Como crença nos Espíritos, ele é igualmente de todas as religiões, assim como é de todos os povos, visto que, onde quer que haja homens, há almas ou Espíritos; que as manifestações são de todos os tempos, achando-se seus relatos em todas as religiões, sem exceção. Pode-se, portanto, ser católico, grego ou romano, protestante, judeu ou muçulmano, e crer nas manifestações dos Espíritos; por conseguinte, ser espírita. A prova disto é que o Espiritismo tem aderentes em todas as seitas. Como moral, é essencialmente cristão, porquanto a que ele ensina não é senão o desenvolvimento e a aplicação da do Cristo, a mais pura de todas, cuja superioridade não é contestada por ninguém, prova evidente de que ela é a lei de Deus. Ora, a moral é para uso de todo o mundo.  (O Espiritismo em Sua Expressão Mais Simples. Histórico do Espiritismo. Allan Kardec )

            No entanto, no Livro dos Espíritos, Allan Kardec escarece que é preciso diferenciar os Espíritas dos  Espiritualistas : "Para se designarem coisas novas são precisos termos novos. Assim o exige a clareza da linguagem, para evitar a confusão inerente à variedade de sentidos das mesmas palavras. Quem quer que acredite haver em si alguma coisa mais do que matéria, é espiritualista. Não se segue daí, porém, que creia na existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o mundo visível. Em vez das palavras espiritual, espiritualismo, empregamos, para indicar a crença a que vimos de referir-nos, os termos espírita e espiritismo, cuja forma lembra a origem e o sentido radical e que, por isso mesmo, apresentam a vantagem de ser perfeitamente inteligíveis, deixando ao vocábulo espiritualismo a acepção que lhe é própria. Diremos, pois, que a doutrina espírita ou o Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas, ou, se quiserem, os espiritistas." (O Livro dos Espíritos.  Introdução ao estudo da Doutrina Espírita - I .Allan Kardec)

            Todo  espírita é necessariamente   espiritualista , mas nem todos os espiritualistas são espíritas . (O que é o Espiritismo.  Pequena conferência espírita.  Espiritismo e Espiritualismo.  Allan Kardec)

            O Espiritismo não é uma luz nova, mas uma luz mais brilhante, porque surgiu de todos os pontos do globo através daqueles que viveram. Tornando evidente o que era obscuro, põe fim às interpretações errôneas, e deve unir os homens em uma mesma crença, porque não há senão um Deus, e suas leis são as mesmas para todos; ele marca enfim a era dos tempos preditos pelo Cristo e pelos profetas. (O Espiritismo em Sua Expressão Mais Simples.  Resumo do ensinamento dos Espíritos.  Item  30. Allan Kardec)

            O sentimento religioso é a base de todas civilizações. Preconiza-se uma educação pela inteligência, concedendo-se liberdade aos impulsos naturais do homem. A experiência fracassaria. É ocioso acrescentar que me refiro aqui à moral religiosa, que deverá inspirar a formação do caráter e do instituto da família e não ao sectarismo do círculo estreito das igrejas terrestres, que costumam envenenar, aí no mundo, o ambiente das escolas públicas, onde deverá prevalecer sempre o mais largo critério de liberdade de pensamento. Falo do lar e do mundo íntimo dos corações.

            No dia em que a evolução dispensar o concurso religioso para a solução dos grandes problemas educativos da alma do homem, a Humanidade inteira estará integrada na religião, que é a própria verdade, encontrando-se unida a Deus, pela Fé e pela Ciência então irmanadas. (Livro : Emmanuel. Cap. 4. Experiência que fracassaria. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier)

            No estado atual da opinião e dos conhecimentos, a religião, que terá de congregar um dia todos os homens sob o mesmo estandarte, será a que melhor satisfaça à razão e às legítimas aspirações do coração e do espírito; que não seja em nenhum ponto desmentida pela ciência positiva; que, em vez de se imobilizar, acompanhe a Humanidade em sua marcha progressiva, sem nunca deixar que a ultrapassem; que não for nem exclusivista, nem intolerante; que for a emancipadora da inteligência, com o não admitir senão a fé racional; aquela cujo código de moral seja o mais puro, o mais lógico, o mais de harmonia com as necessidades sociais, o mais apropriado, enfim, a fundar na Terra o reinado do Bem, pela prática da caridade e da fraternidade universais.

            O que alimenta o antagonismo entre as religiões é a idéia, generalizada por todas elas, de que cada uma tem o seu deus particular e a pretensão de que este é o único verdadeiro e o mais poderoso, em luta constante com os deuses dos outros cultos e ocupado em lhes combater a influência. Quando elas se houverem convencido de que só existe um Deus no Universo e que, em definitiva, ele é o mesmo que elas adoram sob os nomes de Jeová, Alá ou Deus; quando se puserem de acordo sobre os atributos essenciais da Divindade, compreenderão que, sendo um único o Ser, uma única tem que ser a vontade suprema; estender-se-ão as mãos umas às outras, como os servidores de um mesmo Mestre e os filhos de um mesmo Pai e, assim, grande passo terão dado para a unidade. (A Gênese.  Cap. 17. Item  32. Allan Kardec)

            (...)Uma religião, em sua acepção larga e verdadeira, é um laço que religa os homens numa comunhão de sentimentos, de princípios e de crenças.

            (...)O laço estabelecido por uma religião, seja qual for o seu objetivo, é, pois, essencialmente moral, que liga os corações, que identifica os pensamentos, as aspirações, e não somente o fato de compromissos materiais, que se rompem à vontade, ou da realização de fórmulas que falam mais aos olhos do que ao espírito.

            O efeito desse laço moral é o de estabelecer entre os que ele une, como conseqüência da comunhão de vistas e de sentimentos, a fraternidade e a solidariedade, a indulgência e a benevolência mútuas.

            É nesse sentido que também se diz: a religião da amizade, a religião da família.

            Se é assim, perguntarão, então o Espiritismo é uma religião? Ora, sim, sem dúvida, senhores! No sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos vangloriamos por isto, porque é a Doutrina que funda os vínculos da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases mais sólidas: as próprias leis da Natureza.

            Por que, então, temos declarado que o Espiritismo não é uma religião? Em razão de não haver senão uma palavra para exprimir duas idéias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; porque desperta exclusivamente uma idéia de forma, que o Espiritismo não tem. Se o Espiritismo se dissesse uma religião, o público não veria aí mais que uma nova edição, uma variante, se se quiser, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de cerimônias e de privilégios; não o separaria das idéias de misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes a opinião se levantou.

            Não tendo o Espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual da palavra, não podia nem devia enfeitar-se com um título sobre cujo valor inevitavelmente se teria equivocado. Eis por que simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral.

            As reuniões espíritas podem, pois, ser feitas religiosamente, isto é, com o recolhimento e o respeito que comporta a natureza grave dos assuntos de que se ocupa; pode-se mesmo, na ocasião, aí fazer preces que, em vez de serem ditas em particular, são ditas em comum, sem que, por isto, sejam tomadas por assembléias religiosas. Não se pense que isto seja um jogo de palavras; a nuança é perfeitamente clara, e a aparente confusão não provém senão da falta de uma palavra para cada idéia.

            Qual é, pois, o laço que deve existir entre os espíritas?

            Eles não estão unidos entre si por nenhum contrato material, por nenhuma prática obrigatória. Qual o sentimento no qual se deve confundir todos os pensamentos? É um sentimento todo moral, todo espiritual, todo humanitário: o da caridade para com todos ou, em outras palavras: o amor do próximo, que compreende os vivose os mortos, pois sabemos que os mortos sempre fazem parte da Humanidade.

            A caridade é a alma do Espiritismo; ela resume todos os deveres do homem para consigo mesmo e para com os seus semelhantes, razão por que se pode dizer que não há verdadeiro espírita sem caridade.

            (...)Crer num Deus Todo-Poderoso, soberanamente justo e bom; crer na alma e em sua imortalidade; na preexistência da alma como única justificação do presente; na pluralidade das existências como meio de expiação, de reparação e de adiantamento intelectual e moral; na perfectibilidade dos seres mais imperfeitos; na felicidade crescente com a perfeição; na eqüitativa remuneração do bem e do mal, segundo o princípio: a cada um segundo as suas obras; na igualdade da justiça para todos, sem exceções, favores nem privilégios para nenhuma criatura; na duração da expiação limitada à da imperfeição; no livre-arbítrio do homem, que lhe deixa sempre a escolha entre o bem e o mal; crer na continuidade das relações entre o mundo visível e o mundo invisível; na solidariedade que religa todos os seres passados, presentes e futuros, encarnados e desencarnados; considerar a vida terrestre como transitória e uma das fases da vida do Espírito, que é eterno; aceitar corajosamente as provações, em vista de um futuro mais invejável que o presente; praticar a caridade em pensamentos, em palavras e obras na mais larga acepção do termo; esforçar-se cada dia para ser melhor que na véspera, extirpando toda imperfeição de sua alma; submeter todas as crenças ao controle do livre-exame e da razão, e nada aceitar pela fé cega; respeitar todas as crenças sinceras, por mais irracionais que nos pareçam, e não violentar a consciência de ninguém; ver, enfim, nas descobertas da Ciência, a revelação das leis da Natureza, que são as leis de Deus: eis o Credo, a religião do Espiritismo, religião que pode conciliar-se com todos os cultos, isto é, com todas as maneiras de adorar a Deus. É o laço que deve unir todos os espíritas numa santa comunhão de pensamentos, esperando que ligue todos os homens sob a bandeira da fraternidade universal. (Revista Espírita.  Dezembro de 1858. Sessão Anual Comemorativa do dia dos Mortos. Discurso de abertura pelo Sr. Allan Kardec.  O Espiritismo é uma religião? Allan Kardec)

            O Espiritismo é chamado a desempenhar imenso papel na Terra. Ele reformará a legislação ainda tão frequentemente contrária às leis divinas; retificará os erros da História; restaurará a religião do Cristo, que se tornou, nas mãos dos padres, objeto de comércio e de tráfico vil; instituirá a verdadeira religião, a religião natural, a que parte do coração e vai diretamente a Deus, sem se deter nas franjas de uma sotaina, ou nos degraus de um altar. Extinguirá para sempre o ateísmo e o materialismo, aos quais alguns homens foram levados pelos incessantes abusos dos que se dizem ministros de Deus, pregam a caridade com uma espada em cada mão, sacrificam às suas ambições e ao espírito de dominação os mais sagrados direitos da Humanidade. (Obras Póstumas. 2° parte. Futuro do Espiritismo.  Allan Kardec)

            Chico Xavier afirma: "Estamos convencidos de que a Doutrina Espírita-Cristã, trazida ao mundo no século passado, é mais um apelo do Alto para o nosso retorno mais amplo ao Evangelho do Senhor em nossos dias.     Naturalmente que não existe, dentro da Doutrina Espírita-Cristã, nenhum texto que possa justificar qualquer conflito fundamental entre   a Doutrina Espírita e as Religiões Cristãs   vigentes na Terra, porque todas elas representam o pensamento e o amor de Nosso Senhor Jesus Cristo para conosco, a Humanidade terrestre." ( O Evangelho de Chico Xavier. Item 65. Chico Xavier/ Carlos A. Baccelli )

            Então, o Espiritismo é a religião do futuro?

            R. Ele é, antes de tudo, o futuro da religião. O Espiritismo, como seu nome indica, é a mais alta e a mais científica forma do espiritualismo. Ele é, ao mesmo tempo, já o dissemos, uma ciência positiva, uma filosofia moral, uma solução social. Sob  todos esses títulos, ele responde admiravelmente às exigências do pensamento moderno, às necessidades do coração humano, às aspirações elevadas da alma. Os progressos do futuro confirmarão cada dia mais seus ensinamentos e sua doutrina. Podemos, pois, afirmar que o Espiritismo é o Credo futuro da humanidade. (Síntese doutrinária - Prática do Espiritismo . Questão 142. Léon Denis)

 

            Observação ( 1 ): CRISTIANISMO: Edificante é a investigação, o estudo acerca do Cristianismo nos primeiros tempos de sua história; edificante lembrarmos as apagadas figuras de pescadores humildes, grosseiros e quase analfabetos, a enfrentarem o extraordinário e secular edifício erguido pelos triunfos romanos, objetivando a sua reforma integral.

            Afrontando a morte em todos os caminhos, reconheceram, em breve, que inúmeros Espíritos oprimidos os aguardavam e com eles se transformavam em anunciadores da causa do Divino Mestre.

            A história da Igreja cristã nos primitivos séculos está cheia de heroísmos santificantes e de redentoras abnegações. Nas dez principais perseguições aos cristãos, de Nero a Diocleciano, vemos, pelo testemunho da História, gestos de beleza moral, dignos de monumentos imperecíveis. Foi assim que, contando com a animadversão das autoridades da filosofia em voga na época, os seguidores de Cristo sentiram forte amparo na voz esclarecida de Tertuliano, Clemente de Alexandria, Orígenes e outras sumidades do tempo.

            Nos primitivos movimentos de propaganda da nova fé, não possuíam nenhuma supremacia os bispos romanos entre os seus companheiros de episcopado e a Igreja era pura e simples, como nos tempos que se seguiram ao regresso do seu divino fundador às regiões da Luz. As primeiras reformas surgiram no quarto século da vossa era, quando Basílio de Cesaréia e Gregório Nazianzeno instituíram o culto aos santos.

            Os bispos romanos sempre desejaram exercer injustificável primazia entre os seus coirmãos; todavia, semelhantes pretensões foram sempre profligadas, destacando-se entre os vultos que as combateram a venerável figura de Agostinho, que se tornara adepto fervoroso do Crucificado à força de ouvir as prédicas de Ambrósia, bispo de Milão, a cujos pés se prosternou Teodósio, o Grande, penitenciando-se das crueldades perpetradas ao reprimir a revolta dos tessalonicenses.

            Desde o primeiro concílio ecumênico de Nicéia, convocado para condenação do cisma de Ário, continuaram as reuniões desses parlamentos eclesiásticos, onde eram debatidos todos os problemas que interessavam ao movimento cristão. Datam dessas famosas reuniões as inovações desfiguradoras da beleza simples do Evangelho. ( Livro : Emmanuel. Cap. 2 - O Cristianismo em suas origens / Os bispos de Roma. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            Observação  (2): CHINA: A antiguidade da civilização chinesa vai além de 10 mil anos; veio da Quarta Raça, na Atlântida, pela emigração dos turanianos. O fundamento de sua religião nacional está nas obras de três sábios: Fo-Hi, Lao-tsé e Kongtzeu (Confúcio), que viveram em épocas muito recuadas da história: o primeiro como imperador, a partir de 3468 a.C., o segundo 604 a.C. e o último 478 a.C. Mais tarde com a introdução do budismo, três passaram a ser a religiões da China: o confucionismo, o taoísmo e o budismo. (Religiões e Filosofias . Edgard Armond)

            Observação  (3): FO-HI: A obra de Fo-Hi é pouco conhecida e dela só o livro chamado I CHING, contendo figuras, símbolos e trigramas, de significação obscura, em todo o seu reinado esse sábio empregou seu poder para espalhar o conhecimento das virtudes e dos dons morais entre o povo. (Religiões e Filosofias . Edgard Armond)

            Observação (4): LAO-TSÉ: deixou obra mais vasta, porém somente três de seus livros chegaram ao conhecimento do homem moderno: o Tao, ou o Livro da Senda, o Te, o Livro da Virtude ou da Retidão e o Kang Ing, o Livro das Sanções ou das Reações concordantes. Cada livro é um código de moral. Comparemos: Na primeira obra ele diz: "o sábio que está no céu, isto é, cujo espírito está desprendido da matéria, obteve uma vida longa e é lá no Alto que seus trabalhos merecem a grande paz. É calmo no sulco que para si traçou. Não procura tornar-se conhecido, não perde o seu tempo em procurar a glória vã, em ofuscar aqueles que estão em torno dele.

            Seu caminho sobe para o Templo da Sabedoria; ele caminha com um passo igual; sempre avança e se eleva, descuidoso daquilo que não é para a assistência de seus irmãos e de sua própria perfeição. É pois desenvolvendo em si mesmo as suas qualidades que o sábio é admitido para atingir a Senda. Essas qualidades são a paciência, a esperança, a humildade. A Senda não se alcança senão pela totalidade prática das virtudes e não pode ser encontrada senão pelo próprio indivíduo". Na segunda obra ele preconiza a discrição, a reflexão, a meditação solitária e íntima, a abstenção dos rumores e das atrações do mundo.

            Na terceira, enfim, refere-se ao papel da vontade, à lei de ação e da reação (carma); às forças e entidades invisíveis que exercem poder sobre a vida humana encarnada, aumentando ou diminuindo sua duração; fala sobre as experiências e as provas, que diminuem o número de vidas terrestres e, para ganhar o céu, deve-se fazer o apelo à pobreza, à desgraça, aos suplícios, às catastrofres, que despojam a alma de sua materialidade e a conduzem para a liberdade espiritual através da morte.

            Neste ponto este ensinamento se aproxima do budismo. No sentido popular ou religioso, o taoísmo propaga o culto dos ídolos, cada cidade tendo seu deus, o mesmo transmitia conhecimentos de alto valor moral sendo, na realidade, um verdadeiro missionário. (Religiões e Filosofias . Edgard Armond)

            Observação  (5): CONFÚCIO: Confúcio, que veio um pouco mais tarde, comentou a obra de seus antecessores, tirando delas os melhores ensinamentos de caráter moral que, até hoje, dominam entre o povo. Confúcio foi mestre do povo e ministro de alguns governos cujos cargos aceitava para poder exemplificar e oficializar os seus ensinos. Manifestou o equilíbrio que existe entre os poderes do céu e da terra, entre o homem e a natureza. Como fundamento ou imagem deste equilíbrio criou em sua época o culto da adoração do céu - Tian; da adoração do imperador superior - Shangti - (poder criador); e da adoração de diferentes espécies de espíritos celestes, terrestres e humanos, sendo que estes últimos são os antepassados dos vivos.

            Nesse culto dos antepassados passou então a repousar grande parte da religião chinesa que tem, assim, um cunho nitidamente imortalista. O antepassado é sem cessar invocado, consultado sobre assuntos de importância, sobre moléstias, uniões matrimoniais, etc.. Fazem a esses espíritos protetores oferendas diversas e sacrifícios de animais e seguem-lhe religiosamente os conselhos e opiniões. Na moradias existem sempre compartimentos destinados a esse culto, com lembranças pessoais do morto, cinzas mortuárias, etc.. As práticas adotadas são muito semelhantes ao espiritismo, com base nas manifestações mediúnicas da mais variada natureza.

            Na parte moral o confucionismo preconiza a vida virtuosa e obediente à hierarquia tanto terrestre como celeste, sendo indispensável a prática das virtudes. Entre estas aconselha: o respeito mútuo, (sentimento este tão acatado pelos chineses que fez dele o povo modelo da cortesia e da deferência; a franqueza, mediante a qual todos devem agir de boa fé, fugindo à mentira; a circunspecção, nas palavras e nos atos, dos quais o homem é sempre responsável; a humildade, que o faz suportar com superioridade e calma todos os acidentes da vida; a benevolência, que faz o homem caridoso para com todos os semelhantes; a justiça e o devotamento a todos os amigos, à família e ao próximo, porque o homem pertence à coletividade e deve ser solidário com a sociedade da qual faz parte.

            Em cada cidade chinesa existe (pelo menos existia até há pouco tempo) um templo dedicado a Confúcio, pois o confucionismo é a religião oficial do país. A verdadeira religião, porém, da China, a religião popular é o culto dos antepassados, quando morrem os avós, os pais, ou superiores, seus nomes são gravados em tronco de madeira que se denominam placas ancestrais. Esses troncos vão para o lugar de honra da casa, destinado ao culto dos antepassados; o filho mais velho queima plantas aromáticas e passa a presidir o culto doméstico dedicado a esses espíritos.

            Anualmente em todos os lares, cemitérios e cidades realizam-se cultos públicos dedicados aos mortos, como vemos também entre nós. São nove os livros do período confuciano, a saber: Os quatro clássicos: A Grande Ciência, A Doutrina da Mediana, Analectas e Mêncio. Os cinco livros sagrados: Shu Ching, ou Livro dos documentos históricos; Shi Ching, ou Livro dos Antigos Poemas; I Ching, ou Livro das Mutações; Li Ching; ou Livro de Antigos Ritos e Cerimônias e, finalmente, Ch'un Ch'iu, ou Primavera e Outono. (Religiões e Filosofias . Edgard Armond)

            Observação  (6): TIBETE: Um dos centros religiosos mais notáveis do mundo, porque influi sobre parte parte da Ásia, é o Tibete, situado ao sul da China. Nessa região está a cidade sagrada de Lhassa e o templo de Potala onde reside o Grande Lama budista, chefe religioso de toda a vasta região que abrange a China, a Mongólia, a Manchúria, etc.. Esta cidade está à margem do grande deserto de Gobi onde também se situam vários monastérios residenciais de chefes de fraternidades iniciáticas orientais. ( Em 1959, a China invadiu o Tibete, submetendo-o a seu regime político, o chefe religioso local, e também político, o Dalai-Lama, foi expatriado e recebeu asilo político na Índia, onde vive atualmente na cidade de Daramsala).

            Esta região abrange também o Planalto de Pamir que, como já vimos em estudos anteriores (Exilados de Capela), foi onde se selecionaram os tipos aperfeiçoados humanos que serviram para a encarnação de parte dos capelinos na Terra. O Tibete está no cimo do Himalaia, onde começa o grande planalto, cuja vista é vedada aos estrangeiros. Está situado a 4 ou 5 mil metros de altitude e sofre um frio terrível que vai para mais de 30 graus abaixo de zero.

            O Dalai-Lama é tido como um deus encarnado e sua identificação é feita pelos Lamas (quando chega a hora da substituição de um Grande Lama morto), por meios espirituais que consistem em sair à procura de um menino que deve ter nascido para essa substituição e que deve, por isso mesmo, possuir vários sinais e características diferenciais que o habilitam a ser elevado a tal posição.

            Por esse país estão em grande número e, por toda parte as Rodas de Rezar, os postes com bandeirolas e os conventos budistas, os túmulos em forma de pirâmides nas encruzilhadas e os muros sagrados para receber preces e oferendas, tudo conforme o rito budista. Pelo budismo todos os homens válidos das famílias devem entrar para os mosteiros, exceto um que pode permanecer em casa; este costume traz embaraços à livre expansão do trabalho na cidade como nos campos e de certa forma, despovoa o país.

            Os médicos, feiticeiros ou magos, quando chamados ficam morando na casa do doente até que este sare ou morra. O culto dos antepassados domina toda a China e esse culto vem de tempos imemoriais. Agora, com o comunismo, já se tem conhecimento de modificações em vários setores que tornam ultrapassados inúmeros hábitos, costumes, regras, leis e princípios que caracaterizava a vivência chinesa. (Religiões e Filosofias . Edgard Armond)

 

Bibliografia:

- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 1- Item 8 /Cap. 8- Item  10. Allan Kardec .

 - O Livro dos Espíritos. Introdução ao estudo da Doutrina Espírita - I. Questão 145 e 628.  Allan Kardec .

- O que é o Espiritismo.  Pequena conferência espírita.  Espiritismo e Espiritualismo.  Allan Kardec.

- A Gênese. Cap. 4 -Itens 1 e 2/Cap. 17. Item  32. Allan Kardec .

- O Espiritismo em Sua Expressão Mais Simples. Histórico do Espiritismo. Allan Kardec .

-  Obras Póstumas. 2° parte. Futuro do Espiritismo.  Allan Kardec.

-  Revista Espírita.  Dezembro de 1858. Sessão Anual Comemorativa do dia dos Mortos. Discurso de abertura pelo Sr. Allan Kardec.  O Espiritismo é uma religião? Allan Kardec.

- Revista Espírita. Setembro de 1869. Ligeira Resposta aos Detratores do Espiritismo. Allan Kardec .

- O Consolador. Questão 260, 292, 293, 294, 296. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- Livro: Emmanuel. Cap. 2 ,  Cap. 4 e Cap.15. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

-  A caminho da luz. Cap. 9 - As grandes religiões do passado. As primeiras organizações religiosas .  Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- Nos domínios da mediunidade. Cap. 29. Anotações em  serviço. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier.

- O Evangelho de Chico Xavier. Item 65. Chico Xavier/ Carlos A. Baccelli.

- Triunfo pessoal. Reintegração da religiosidade. Espírito Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo Pereira Franco.

- O homem integral. Cap. 13 - Religião e religiosidade. Espírito Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo Pereira Franco.

- Triunfo pessoal. Religião e Saúde. Espírito Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo Pereira Franco .

-  Depois da morte. Cap. 1 - A doutrina secreta das religiões. León Denis.

- Síntese doutrinária - Prática do Espiritismo . Questão 142. León Denis.

- Chico Xavier, Apóstolo do Brasil. Eurípedes Higino.

- Religiões e Filosofias . Edgard Armond.

- Espiritismo para crianças. Religião.  Cairbar Schutel .

- Site: https://www.infopedia.pt/$religiao. Data de consulta : 16-08-18.