Aula 93 - Júpiter: Um mundo feliz *

Ciclo 2 - História:  Descrição de Júpiter -  Atividade: PH - Allan Kardec - 4- Júpiter ou/e LE - L2 - Cap. 4 - 3 - Encarnação nos diferentes mundos

Ciclo 3 - História:  Descrição de Júpiter -  Atividade: PH - Allan Kardec - 5 - Júpiter.   

  

Dinâmica: Planeta Júpiter.

 

Tópicos a serem abordados:

- De todos os planetas do nosso sistema solar, o mais avançado em todos os aspectos é Júpiter. Ele é infinitamente maior que a Terra e inundado por uma luz pura e brilhante.   É o reino exclusivo do bem e da justiça, pois é habitado somente por  Espíritos bons, que pertencem a segunda ordem (Espíritos de bondade, outros de ciência, e de sabedoria; Espíritos superiores). Júpiter pertence a categoria de mundo feliz.

- A superioridade de Júpiter não está somente no estado moral de seus habitantes; está também na sua constituição física. O corpo deles é semelhante ao nosso, porém é maior e mais belo, menos material e de uma maior leveza. Enquanto arrastamos nossos pés no solo, os habitantes de Júpiter transportam-se de um a outro lugar, deslizando sobre a superfície, quase sem cansaço, como o pássaro no ar.

- Podem comunicar-se apenas pelo pensamento sem, todavia, excluir a linguagem articulada. Alimentam-se de frutos e plantas, sendo a nossa comida pesada demais pra eles. Além disso, não estão sujeitos a doenças.  A duração da vida é, proporcionalmente, muito maior que na Terra; a média eqüivale a cerca de cinco dos nossos séculos (500 anos) ; o desenvolvimento é também muito mais rápido e a infância dura apenas alguns de nossos meses.

- Como a Terra, Júpiter é dividido num grande número de países de aspectos variados.  As diferenças de condições são determinadas apenas pela superioridade moral e de inteligência; a fortuna de cada um está em relação com a sua condição. Não há senhores nem escravos;  não há ricos nem pobres; e não sofrem com a falta do necessário, pois se um possuísse mais que o outro, com este dividiria. Também não há guerras e não existem crimes, pois todos cumprem as leis de Deus.

- A temperatura de Júpiter é agradável e sempre igual, portanto não varia conforme o nosso planeta. Lá não existem vulcões e não há tormentos provocados pelos fenômenos da natureza. Mas existem água e mares, que são formados por elementos mais etéreos.

- Como nós, e melhor que nós, os habitantes de Júpiter têm seus lares comuns e suas famílias, grupos harmoniosos de Espíritos simpáticos.  Como nós, ainda, esses Espíritos têm suas festas, suas cerimônias, suas reuniões públicas, o que explica a existência de edifícios especialmente destinados a essas finalidades. As suas casas são lindíssimas, possui uma arquitetura feita de pedras e efeitada com flores.

- Sua principal ocupação é encorajar os Espíritos que habitam os mundos inferiores a perseverarem no bom caminho. Não havendo entre eles infortúnio a aliviar, vão procurá-los onde existe sofrimento. Portanto, o trabalho deles é puramente intelectual. Os animais são encarregados de todo trabalho material e toda execução de obras manuais:  carga ou obras pesadas, semeadura ou colheita. São os serviçais e os operários. Eles não se matam entre si. Obedecem aos homens sem reclamar, pois possuem a inteligência mais desenvolvida, no entanto, ainda continuam sendo animais.

-  Os Espíritos que habitam Júpiter geralmente descrevem as características do seu planeta com a intenção de nos inspirarem o amor do bem, com a esperança de lá chegarmos um dia.

 

Perguntas para fixação:

1.  Qual categoria pertence  o planeta Júpiter?

2. Quais são os tipos de Espíritos que vivem neste planeta?

3. Como é o corpo físico dos homens que vivem em Júpiter?

4. Do que os habitantes deste planeta se alimentam?

5. Qual é o tempo de duração em média da vida deles?

6. Por que não há crimes neste planeta?

7. Por que a temperatura de Júpiter é sempre agradável?

8. Qual é a principal trabalho dos habitantes de Júpiter?

9. Quem são aqueles que estão encarregados dos trabalhos materiais?

10. Qual é o objetivo dos Espíritos descreverem Júpiter para nós?

 

 

Subsídio para o Evangelizador:

            Júpiter é um mundo feliz. (Revista Espírita. Dezembro de 1858. A bela cordeira. Allan Kardec)

            Infinitamente maior que a Terra, o planeta Júpiter não apresenta o mesmo aspecto. É inundado por uma luz pura e brilhante, que ilumina sem ofuscar. As árvores, as flores, os insetos, os animais, dos quais os vossos são o ponto de partida, ali são maiores e aperfeiçoados; a Natureza é mais grandiosa e mais variada; a temperatura é igual e deliciosa; a harmonia das esferas encanta os olhos e os ouvidos. A forma dos seres que o habitam é a mesma que a vossa, mas embelezada, aperfeiçoada e, sobretudo purificada. (Revista Espírita. Outubro de 1860. Júpiter Médium – Sra. Costel. Allan Kardec)

            De todos os planetas, o mais adiantado sob todos os aspectos é Júpiter. É o reino exclusivo do bem e da justiça, porquanto só tem Espíritos bons. Pode fazer-se uma idéia do estado feliz de seus habitantes pelo quadro que demos de um mundo habitado apenas por Espíritos da segunda ordem.

            A superioridade de Júpiter não está somente no estado moral de seus habitantes; está também na sua constituição física. Eis a descrição que nos foi dada desse mundo privilegiado, onde encontramos a maior parte dos homens de bem que honraram nossa Terra por suas virtudes e talentos.

            A conformação do corpo é mais ou menos a mesma daqui, porém é menos material, menos denso e de uma maior leveza específica. Enquanto rastejamos penosamente na Terra, o habitante de Júpiter transporta-se de um a outro lugar, deslizando sobre a superfície do solo, quase sem fadiga, como o pássaro no ar ou o peixe na água. Sendo mais depurada a matéria de que é formado o corpo, dispersa-se após a morte sem ser submetida à decomposição pútrida. Ali não se conhece a maioria das moléstias que nos afligem, sobretudo as que se originam dos excessos de todo gênero e da devastação das paixões. A alimentação está em relação com essa organização etérea; não seria suficientemente substancial para os nossos estômagos grosseiros, sendo a nossa por demais pesada para eles; compõe-se de frutos e plantas; de alguma sorte, aliás, a maior parte eles a haurem no meio ambiente, cujas emanações nutritivas aspiram. A duração da vida é, proporcionalmente, muito maior que na Terra; a média eqüivale a cerca de cinco dos nossos séculos; o desenvolvimento é também muito mais rápido e a infância dura apenas alguns de nossos meses.

            Sob esse leve envoltório, os Espíritos se desprendem facilmente e entram em comunicação recíproca apenas pelo pensamento, sem, todavia, excluir a linguagem articulada; para a maior parte deles, também, a segunda vista é uma faculdade permanente; seu estado normal pode ser comparado ao de nossos sonâmbulos lúcidos; eis por que se nos manifestam mais facilmente do que os encarnados nos mundos mais grosseiros e mais materiais. A intuição que têm do seu futuro, a segurança dada por uma consciência isenta de remorsos fazem que a morte não lhes cause nenhuma apreensão; vêem-na chegar sem temor e como simples transformação. (Revista Espírita. Março de 1858. Júpiter e outros mundos. Allan Kardec)

            Como a Terra, Júpiter é dividido num grande número de países de aspectos variados, mas não de clima. As diferenças de condições são determinadas apenas pela superioridade moral e de inteligência; não há senhores nem escravos; os mais elevados graus são marcados somente pelas comunicações mais diretas e mais freqüentes com os Espíritos puros e pelas mais importantes funções que nos são confiadas. Vossas habitações não vos podem dar nenhuma idéia das nossas, pois não temos as mesmas necessidades. Cultivamos as artes, chegadas a um grau de perfeição desconhecida entre vós. Gozamos de espetáculos sublimes; entre eles, o que mais admiramos, à medida que melhor compreendemos, é o da inesgotável variedade das criações, variedades harmoniosas que têm o mesmo ponto de partida e se aperfeiçoam no mesmo sentido. Todos os sentimentos ternos e elevados da natureza humana, nós os encontramos engrandecidos e purificados, e o desejo incessante que temos, de alcançar o plano dos Espíritos puros, não é um tormento, mas uma nobre ambição que nos impele ao aperfeiçoamento. Estudamos incessantemente, com amor, para nos elevarmos até eles, o que também fazem os seres inferiores para nos igualarem. Vossos pequenos ódios, vossos ciúmes mesquinhos nos são desconhecidos; um laço de amor e de fraternidade nos une: os mais fortes ajudam os mais fracos. Em vosso mundo tendes necessidade da sombra do mal para sentir o bem, da noite para admirar a luz, da doença para apreciar a saúde.  (Revista Espírita. Outubro de 1860. Júpiter Médium – Sra. Costel. Allan Kardec)

            Como nós, e melhor que nós, os habitantes de Júpiter têm seus lares comuns e suas famílias, grupos harmoniosos de Espíritos simpáticos, unidos no triunfo depois de o haverem sido na luta. Daí as moradas tão espaçosas, que podemos chamar, merecidamente, de palácios. Como nós, ainda, esses Espíritos têm suas festas, suas cerimônias, suas reuniões públicas, o que explica a existência de edifícios especialmente destinados a essas finalidades.

            (...) Se Júpiter só é acessível aos Espíritos bons, daí não se segue que sejam excelentes no mesmo grau todos os seus habitantes: entre a bondade do simples e o homem de gênio, é permitido contar vários matizes.

            Ora, toda a organização social desse mundo superior repousa precisamente sobre as variedades de inteligência e de aptidões, cabendo aos Espíritos superiores, aos mais depurados, por efeito de leis harmoniosas cuja explicação seria muito longa apresentar aqui, a alta direção de seu planeta. Essa supremacia não se detém aí, estendendo-se até os mundos inferiores, onde esses Espíritos, por sua influência, favorecem e ativam incessantemente o progresso religioso, gerador dos demais. É preciso acrescentar que para esses Espíritos depurados não haveria senão trabalhos intelectuais, pois suas atividades só se exercem no domínio do pensamento e eles já conquistaram bastante império sobre a matéria para não serem senão debilmente entravados por ela no livre exercício de sua vontade. O corpo desses Espíritos, como aliás o de todos os que habitam Júpiter, é de uma densidade tão leve que só encontra termo de comparação nos fluidos imponderáveis: um pouco maior do que o nosso, do qual reproduz exatamente a forma, embora mais pura e mais bela, ele se nos apresentaria sob a aparência de um vapor, termo que emprego a contragosto, por designar uma substância ainda muito grosseira; de um vapor, dizia eu, impalpável e luminoso... Luminoso sobretudo nos contornos do rosto e da cabeça, porquanto ali a inteligência e a vida irradiam-se como um foco muito ardente. E é justamente esse brilho magnético, entrevisto pelos visionários cristãos, que nossos pintores traduziram pelo nimbo ou auréola dos santos.

            Compreende-se que um tal corpo em nada dificulte as comunicações extramundanas desses Espíritos, permitindo-lhes, em seu planeta, um deslocamento pronto e fácil. Ele se subtrai tão facilmente à atração planetária, e sua densidade difere tão pouco daquela da atmosfera, que nela pode agitar-se, ir e vir, descer ou subir ao capricho do Espírito e sem outro esforço senão a vontade. Assim, algumas personagens que Palissy teve a gentileza de me fazer desenhar estão representados tocando o solo levemente ou a superfície das águas, ou ainda bastante elevadas no ar, com inteira liberdade de ação e de movimentos que atribuímos aos anjos.

            Quanto mais depurado o Espírito, tanto mais fácil é essa locomoção, o que se concebe sem dificuldade; nada também é mais fácil aos habitantes do planeta do que avaliar, logo à primeira vista, o valor de um Espírito que passa; dois sinais falarão por ele: a altura de seu vôo e a luz mais ou menos brilhante de sua auréola.

            Em Júpiter, como em toda parte, os que alçam vôos mais altos são os mais raros; abaixo deles, é preciso contar várias camadas de Espíritos inferiores, tanto em virtude quanto em poder, mas naturalmente livres para os igualarem um dia, quando se aperfeiçoarem. Escalonados e classificados conforme os seus méritos, estes se dedicam mais particularmente aos trabalhos que interessam ao próprio planeta, não exercendo, sobre os mundos inferiores, a autoridade toda poderosa dos primeiros. É verdade que respondem a uma evocação, através de revelações sábias e boas, mas, pela presteza que demonstram em nos deixar e pelo laconismo de suas palavras, é fácil compreender que têm muito o que fazer em outra parte, e que não se encontram ainda suficientemente desprendidos para se fazerem irradiar simultaneamente em dois pontos tão distantes um do outro. Enfim, seguindo os menos perfeitos desses Espíritos, mas deles separados por um abismo, vêm os animais que, como únicos serviçais e únicos trabalhadores do planeta, merecem uma menção toda especial.

            (...) Eles se aperfeiçoaram ao mesmo tempo que nós, conosco e com o nosso auxílio. A lei é mais admirável ainda: faz tão bem de seu devotamento ao homem a primeira condição de sua ascensão planetária, que a vontade de um Espírito de Júpiter pode chamar a si todo animal que, numa de suas vidas anteriores, lhe haja dado provas de afeição. Essas simpatias, que lá no alto formam famílias de Espíritos, também agrupam em torno das famílias todo um cortejo de animais devotados. Em conseqüência, nosso apego neste mundo por um animal, o cuidado que tomamos de domesticá-lo e de humanizá-lo, tudo isso tem sua razão de ser, tudo será pago: é um bom ajudante que preparamos antecipadamente para um mundo melhor.

            Será assim um operário, porquanto aos seus semelhantes está reservado todo trabalho material, toda tarefa corporal: carga ou obras pesadas, semeadura ou colheita. E para tudo isso a Suprema Inteligência preparou um corpo que participa ao mesmo tempo das vantagens do animal e do homem. Podemos fazer uma avaliação pelo esboço de Palissy, representando alguns desses animais muito aplicados em jogar bola. Eu não os poderia melhor comparar senão aos faunos e aos sátiros da Fábula; o corpo, levemente peludo é, entretanto, aprumado como o nosso; entre alguns as patas desapareceram, dando lugar a certas pernas que ainda lembram a forma primitiva, os dois braços robustos, singularmente implantados e terminados por verdadeiras mãos, se levarmos em conta a oposição dos polegares. Coisa bizarra: a cabeça não é tão aperfeiçoada quanto o resto! Dessa forma, a fisionomia reflete bem alguma coisa de humano, mas o crânio, o maxilar e, sobretudo, a orelha não apresentam diferenças sensíveis em relação aos animais terrestres. É, pois, fácil distingui-los entre si: este é um cão, aquele é um leão.

            Convenientemente vestidos com blusas e vestes muito semelhantes às nossas, eles só faltam falar para lembrar de bem perto certos homens daqui; eis precisamente o que lhes falta e que não poderiam fazer. Hábeis para se entenderem entre si, por meio de uma linguagem que nada tem da nossa, não mais se enganam sobre as intenções dos Espíritos que os comandam: basta um olhar, um gesto. A certos abalos magnéticos, dos quais nossos domadores de bestas já conhecem o segredo, o animal advinha e obedece sem murmurar e, melhor ainda, com boa vontade, porque está fascinado. É desse modo que lhe é imposta toda a tarefa pesada e que, com seu auxílio, tudo funciona regularmente de um extremo ao outro da escala social: o Espírito elevado pensa e delibera, o espírito inferior age com sua própria iniciativa e o animal executa. Assim, a concepção, a execução e o fato se unem numa mesma harmonia, levando todas as coisas a uma solução mais rápida, pelos meios mais simples e mais seguros. (Revista Espírita. Agosto de 1858. Habitações do planeta júpiter. Allan Kardec)

            Os animais não estão excluídos desse estado progressivo, sem se aproximarem, contudo, daquele do homem; seu corpo, mais material, prende-se à terra, como os nossos. Sua inteligência é mais desenvolvida que a dos nossos animais; a estrutura de seus membros presta-se a todas as exigências do trabalho; são encarregados da execução de obras manuais: são os serviçais e os operários; as ocupações dos homens são puramente intelectuais. Para os animais o homem é uma divindade tutelar que jamais abusa do poder para os oprimir. (Revista Espírita. Março de 1858. Júpiter e outros mundos. Allan Kardec)

            Em Júpiter, por exemplo, basta uma palavra, enquanto entre vós as chicotadas não são suficientes. Todavia, há um sensível progresso em vossa Terra, jamais explicado: é que o próprio animal se aperfeiçoa.

             (...) Foi-nos dito que em Júpiter é possível o entendimento pela simples transmissão do pensamento. Quando os habitantes desse planeta se dirigem aos animais, que são seus serviçais e operários, recorrem a uma linguagem particular? Teriam, para os animais, uma linguagem articulada e, entre si, a do pensamento?

Resp. – Não; não há linguagem articulada, mas uma espécie de magnetismo muito intenso que faz curvar o animal e o leva a executar os menores desejos e as ordens de seus donos. O Espírito todo-poderoso não pode rebaixar-se. (Revista Espírita. Julho de 1860. Os animais. Allan Kardec)

            Quando se comunicam conosco, os Espíritos que habitam Júpiter geralmente sentem prazer em descrever o seu planeta; ao se lhes pedir a razão, respondem que o fazem com o fito de nos inspirarem o amor do bem, com a esperança de lá chegarmos um dia. Foi com essa intenção que um deles, que viveu na Terra com o nome de Bernard Palissy, célebre oleiro do século XVI, ofereceu-se espontaneamente, sem que ninguém lho pedisse, para elaborar uma série de desenhos, tão notáveis por sua singularidade quanto pelo talento de execução, destinados a dar-nos a conhecer, até nos menores detalhes, esse mundo tão estranho e tão novo para nós. Alguns retratam personagens, animais, cenas da vida privada; os mais impressionantes, porém, são os que representam habitações, verdadeiras obras-primas de que coisa alguma na Terra nos poderia dar uma idéia, porque em nada se assemelham ao que conhecemos; é um gênero de arquitetura indescritível, tão original e, entretanto, tão harmoniosa, de uma ornamentação tão rica e tão graciosa que desafia a mais fecunda imaginação. O Sr. Victorien Sardou, jovem literato de nossas relações, cheio de talento e de futuro, mas de forma alguma desenhista, serviu lhe de intermediário.

            (...) O planeta Júpiter, apesar do quadro sedutor que nos foi dado, não é, absolutamente, o mais perfeito dos mundos. Outros há, desconhecidos para nós, que lhe são muito superiores, do ponto de vista físico e moral, e cujos habitantes gozam de felicidade ainda mais perfeita; são a morada dos Espíritos mais elevados, cujo etéreo envoltório nada mais tem das propriedades conhecidas da matéria.

            Já nos perguntaram diversas vezes se pensamos que a condição do homem terreno seria um obstáculo absoluto à sua passagem, sem intermediário, da Terra para Júpiter. (...) À pergunta acima respondemos claramente, porque tal é o sentido formal de nossas instruções e o resultado de nossas próprias observações: Sim; deixando a Terra, pode o homem ir imediatamente a Júpiter, ou a outro mundo análogo, pois que não é o único dessa categoria. Pode-se ter certeza disso? Não. Contudo poderá ele ir, visto haver na Terra, embora em pequeno número, Espíritos muito bons e suficientemente desmaterializados para não se sentirem deslocados num mundo onde o mal não tem acesso. Não há certeza, porque o homem pode iludir-se sobre o seu mérito pessoal ou tem que cumprir, alhures, outra missão. (Revista Espírita. Março de 1858. Júpiter e outros mundos. Allan Kardec)

            As respostas seguintes (fornecidas por Bernard Palissy) confirmam, por todos os pontos, o que em diversas ocasiões nos foi dito sobre esse planeta, por outros Espíritos e através de diferentes médiuns.

            8. Pode-se comparar a temperatura de Júpiter à de uma de nossas latitudes?

Resp. – Não; ela é suave e temperada; sempre igual, enquanto a vossa varia. Lembrai dos Campos Elísios que vos foram descritos.

            10. A temperatura varia segundo as latitudes, como na Terra?

Resp. – Não.

            11. Conforme nossos cálculos, o Sol deve aparecer aos habitantes de Júpiter sob um ângulo muito pequeno e, em conseqüência, dar-lhes pouca luz. Podes dizer-nos se a intensidade da luz é ali igual à da Terra ou se é menos forte?

            Resp. – Júpiter é envolvido por uma espécie de luz espiritual que mantém relação com a essência de seus habitantes. A luz grosseira de vosso Sol não foi feita para eles.

            12. Há uma atmosfera?

            Resp. – Sim.

            13. A atmosfera de Júpiter é formada dos mesmos elementos que a atmosfera terrestre?

            Resp. – Não; os homens não são os mesmos; suas necessidades mudaram.

            14. Existem água e mares?

            Resp. – Sim.

            15. A água é formada dos mesmos elementos que a nossa?

            Resp. – Mais etérea.

            16. Há vulcões?

            Resp. – Não; nosso globo não é atormentado como o vosso; lá, a Natureza não teve suas grandes crises; é a morada dos bem-aventurados; nele, a matéria mal existe.

            17. As plantas têm analogia com as nossas?

            Resp. – Sim, mas são mais belas.

            18. A conformação do corpo dos habitantes guarda relação com o nosso?

            Resp. – Sim, é a mesma.

            19. Podes dar-nos uma idéia de sua estatura, comparada à dos habitantes da Terra?

            Resp. – Grandes e bem proporcionados. Maiores que os vossos maiores homens. O corpo do homem é como o molde de seu Espírito: belo, onde ele é bom; o envoltório é digno dele: não é mais uma prisão.

            20. Lá os corpos são opacos, diáfanos ou translúcidos?

            Resp. – Há uns e outros. Uns têm tal propriedade; outros têm outra, conforme sua destinação.

            21. Concebemos isso para os corpos inertes, mas nossa questão refere-se aos corpos humanos.

            Resp. – O corpo envolve o Espírito sem o ocultar, como um tênue véu lançado sobre uma estátua. Nos mundos inferiores o invólucro grosseiro oculta o Espírito a seus semelhantes; mas os bons nada têm a esconder: podem ler no coração uns dos outros. Que aconteceria se assim fosse na Terra?

            22. Há sexos diferentes?

            Resp. – Sim; há sexo por toda parte onde existe a matéria; é uma lei da matéria.

            23. Qual a base da alimentação dos habitantes? É animal e vegetal, como aqui?

            Resp. – Puramente vegetal; o homem é o protetor dos animais.

            24. Foi-nos dito que eles absorvem uma parte de sua alimentação do meio ambiente, do qual aspiram as emanações; isso é exato?

            Resp. – Sim.

            25. Comparada à nossa, a duração da vida é mais longa ou mais curta?

            Resp. – Mais longa.

            26. Qual é a duração média da vida?

            Resp. – Como medir o tempo?

            27. Não podes tomar um de nossos séculos por termo de comparação?

            Resp. – Creio que mais ou menos cinco séculos.

            28. O desenvolvimento da infância é proporcionalmente mais rápido que o nosso?

            Resp. – O homem conserva a sua superioridade; a infância não comprime sua inteligência nem a velhice a extingue.

            29. Estão os homens sujeitos a doenças?

            Resp. – Não estão sujeitos aos vossos males.

            30. A vida está dividida entre a vigília e o sono?

            Resp. – Entre a ação e o repouso.

            31. Poderias dar-nos uma idéia das diversas ocupações dos homens?

            Resp. – Seria preciso dizer muito. Sua principal ocupação é encorajar os Espíritos que habitam os mundos inferiores a perseverarem no bom caminho. Não havendo entre eles infortúnio a aliviar, vão procurá-los onde existe sofrimento; são os Espíritos bons que vos sustentam e vos atraem ao bom caminho.

            32. Ali se cultivam certas artes?

            Resp. – Lá elas são inúteis. As vossas artes são brinquedos que distraem vossas dores.

            33. A densidade específica do corpo humano permite-lhe transportar-se de um lugar a outro, sem ficar, como aqui, preso ao solo?

            Resp. – Sim.

            34. Experimenta-se ali o tédio e o desgosto da vida?

            Resp. – Não; o desgosto da vida não provém senão do desprezo de si mesmo.

            35. Sendo menos denso do que os nossos, o corpo dos habitantes de Júpiter é formado de matéria compacta e condensada, ou de matéria vaporosa?

            Resp. – Compacta para nós; mas não o seria para vós: é menos condensada.

            36. O corpo, considerado como feito de matéria, é impenetrável?

            Resp. – Sim.

            37. Seus habitantes têm uma linguagem articulada, como a nossa?

            Resp. – Não; entre eles há comunicação de pensamentos.

            38. A segunda vista é, como nos disseram, uma faculdade normal e permanente entre vós?

            Resp. – Sim, o Espírito não tem entraves; nada se lhe oculta.

            39. Se ao Espírito nada se oculta, conhece, pois, o futuro? Referimo-nos aos Espíritos encarnados em Júpiter.

            Resp. – O conhecimento do futuro depende da perfeição do Espírito; tem menos inconvenientes para nós do que para vós; é nos mesmo necessário, até certo ponto, para a realização das missões que devemos executar; mas, daí a dizer que conhecemos o futuro, sem restrição, seria colocar-nos na mesma posição que Deus.

            40. Podeis revelar-nos tudo quanto sabeis sobre o futuro?

            Resp. – Não; esperai até que tenhais merecido sabê-lo.

            41. Comunicai-vos com os outros Espíritos mais facilmente do que o fazeis conosco?

            Resp. – Sim! sempre: não existe mais a matéria entre eles e nós.

            42. A morte inspira o horror e o pavor que provoca entre nós?

            Resp. – Por que seria apavorante? O mal já não existe entre nós. Só o mau encara o seu último momento com pavor: ele teme o seu juiz.

            43. Em que se transformam os habitantes de Júpiter após a morte?

            Resp. – Crescem sempre em perfeição, sem mais terem que sofrer provas.

            44. Não haverá, em Júpiter, Espíritos que se submetam a provas para cumprirem uma missão?

            Resp. – Sim, mas não se trata mais de uma prova; só o amor do bem os leva a sofrer.

            45. Podem falir em suas missões?

            Resp. – Não, visto que são bons; não há fraqueza senão onde há defeito.

            46. Poderias nomear alguns dos Espíritos habitantes de Júpiter que cumpriram uma grande missão na Terra?

            Resp. – São Luís.

            47. Poderias indicar outros?

            Resp. – Que vos importa? Há missões desconhecidas que não têm por objetivo senão a felicidade de um só; são, por vezes, maiores: e são mais dolorosas.

            48. O corpo dos animais é mais material que o dos homens?

            Resp. – Sim; o homem é o rei, o Deus terrestre.

            49. Entre os animais há os que são carnívoros?

            Resp. – Os animais não se estraçalham entre si; vivem todos submetidos ao homem, amando-se mutuamente.

            50. Mas não haverá animais que escapem à ação do homem, como os insetos, os peixes, os pássaros?

            Resp. – Não; todos lhe são úteis.

            51. Disseram-nos que os animais são os servidores e os operários que executam os trabalhos materiais, constroem as habitações, etc; isso é verdade?

            Resp. – Sim; o homem não se rebaixa mais para servir ao seu semelhante.

            52. Os animais servidores estão ligados a uma pessoa ou a uma família, ou são tomados e trocados à vontade, como aqui?

            Resp. – Todos se ligam a uma família particular; mudais mais, para achar um melhor.

            53. Vivem os animais servidores em estado de escravidão ou de liberdade? São uma propriedade ou podem mudar de dono à vontade?

            Resp. – Eles lá se encontram em estado de submissão.

            54. Os animais trabalhadores recebem uma remuneração qualquer por seus esforços?

            Resp. – Não.

            55. As faculdades dos animais desenvolvem-se por uma espécie de educação?

            Resp. – Eles o fazem por si mesmos.

            56. Os animais têm uma linguagem mais precisa e mais caracterizada que a dos animais terrestres?

            Resp. – Certamente.

            57. As habitações de que nos deste uma amostra por teus desenhos estão reunidas em cidades, como aqui?

            Resp. – Sim; os que se amam se reúnem; só as paixões estabelecem a solidão em torno do homem. Se, ainda mau, procura este seu semelhante, que para ele não é senão um instrumento de dor, por que o homem puro e virtuoso fugiria do seu irmão?

            58. Os Espíritos são iguais ou de diferentes graduações?

            Resp. – De diversos graus, mas da mesma ordem.

            59. Rogamos que te reportes à escala espírita que demos no segundo número da Revista, e que nos digas a que ordem pertencem os Espíritos encarnados em Júpiter.

            Resp. – Todos bons, todos superiores; por vezes o bem desce até o mal; mas o mal jamais se mistura ao bem.

            60. Os habitantes formam diferentes povos, como na Terra?

            Resp. – Sim; mas todos se unem entre si pelos laços do amor.

            61. Sendo assim, as guerras são desconhecidas?

            Resp. – Pergunta inútil.

            62. Na Terra poderá o homem alcançar suficiente grau de perfeição que o isente das guerras?

            Resp. – Seguramente alcançará; a guerra desaparecerá com o egoísmo dos povos e à medida que compreenderem melhor a fraternidade.

            63. Os povos são governados por chefes?

            Resp. – Sim.

            64. Em que se baseia a autoridade dos chefes?

            Resp. – No seu grau superior de perfeição.

            65. Em que consiste a superioridade e a inferioridade dos Espíritos em Júpiter, considerando-se que todos são bons?

            Resp. – Eles têm maior ou menor cabedal de conhecimentos e experiência; depuram-se, à medida que se esclarecem.

            66. Como na Terra, há povos mais ou menos avançados do que outros?

            Resp. – Não; mas os há em diversos graus.

            67. Se o povo mais avançado da Terra se visse transportado para Júpiter, que posição ocuparia?

            Resp. – A dos vossos macacos.

            68. Lá os povos são governados por leis?

            Resp. – Sim.

            69. Há leis penais?

            Resp. – Não há mais crimes.

            70. Quem faz as leis?

            Resp. – Deus as faz.

            71. Há ricos e pobres, isto é, homens que vivem na abundância e no supérfluo, e outros a quem falta o necessário?

            Resp. – Não; todos são irmãos; se um possuísse mais que o outro, com este dividiria; não seria feliz quando seu irmão se privasse do necessário.

            72. De acordo com isso, as fortunas seriam iguais para todos?

            Resp. – Eu não disse que todos sejam ricos no mesmo grau; perguntastes se haveria os que possuem o supérfluo e outros a quem faltasse o necessário.

            73. Essas duas respostas nos parecem contraditórias; Pedimos que estabeleças a concordância entre elas.

            Resp. – A ninguém falta o necessário; ninguém possui o supérfluo, ou seja, a fortuna de cada um está em relação com a sua condição. Estais satisfeitos?

            74. Agora compreendemos; mas perguntamos, ainda, se aquele que tem menos não é infeliz, relativamente àquele que tem mais?

            Resp. – Não pode ser infeliz, desde que não é invejoso nem ciumento. A inveja e o ciúme fazem mais infelizes que a miséria.

            75. Em que consiste a riqueza em Júpiter?

            Resp. – Que vos importa?

            76. Há desigualdades sociais?

            Resp. – Sim.

            77. Sobre o que se fundam tais desigualdades?

            Resp. – Sobre as leis da sociedade. Uns são mais ou menos avançados em perfeição. Os que são superiores exercem sobre os outros uma espécie de autoridade, como um pai sobre os filhos.

            78. As faculdades do homem se desenvolvem pela educação?

            Resp. – Sim.

            79. Pode o homem adquirir bastante perfeição na Terra para merecer passar imediatamente a Júpiter?

            Resp. – Sim, mas na Terra o homem é submetido a imperfeições, a fim de estar em relação com os seus semelhantes.

            80. Quando um Espírito que deixa a Terra deve reencarnar-se em Júpiter, fica errante durante algum tempo até encontrar o corpo ao qual deverá se unir?

            Resp. – Ele o é durante certo tempo, até que se tenha liberado das imperfeições terrestres.

            81. Há várias religiões?

            Resp. – Não; todos professam o bem e todos adoram um único Deus.

            82. Há templos e um culto?

            Resp. – Por templo há o coração do homem; por culto, o bem que ele faz. (Revista Espírita. Abril de 1858. Conversas Familiares de Além-Túmulo - Bernard Palissy . Allan Kardec)           

            (...) Podemos, pelas descrições feitas pelos Espíritos, fazer uma idéia de sua grande cidade, da cidade por excelência, desse foco de luz e de atividade que eles concordam estranhamente em designar pelo nome latino de Julnius.

            “No maior de nossos continentes – diz Palissy – em um vale de setecentas a oitocentas léguas de largura, para contar como vós, um rio magnífico desce das montanhas do norte e, engrossado por uma porção de torrentes e de ribeirões, forma em seu percurso sete ou oito lagos, dos quais o menor mereceria entre vós o nome de mar. Foi sobre as margens do maior desses lagos, por nós batizado com o nome de Pérola, que nossos antepassados lançaram os primeiros fundamentos de Julnius. Essa cidade primitiva ainda existe, venerada e guardada como preciosa relíquia. Sua arquitetura difere muito da vossa. Explicar-vos-ei tudo isso em seu devido tempo; por ora ficai sabendo que a cidade moderna está apenas a algumas centenas de metros abaixo da antiga. Limitado entre altas montanhas, o lago se derrama no vale por oito enormes cataratas, que formam outras tantas correntes isoladas e dispersas em todos os sentidos. Com o auxílio dessas correntes, cavamos na planície uma porção de riachos, canais e pequenos lagos, reservando a terra firme apenas para nossas casas e jardins. Disso resultou uma espécie de cidade anfíbia, como vossa Veneza e da qual, à primeira vista, não se poderia dizer se está construída na terra ou sobre a água. Nada vos direi hoje de quatro edifícios sagrados, construídos sobre a própria vertente das cataratas, de sorte que a água jorra aos borbotões de seus pórticos: são obras que vos pareceriam incríveis em grandeza e em ousadia.

            “É a cidade terrestre que descrevo aqui, de certo modo material, a cidade das ocupações planetárias, a que chamamos, enfim, de Cidade baixa. Tem suas ruas ou, melhor dizendo, seus caminhos traçados para o serviço interno; tem suas praças públicas, seus pórticos e suas pontes lançadas sobre canais para a passagem dos serviçais. Mas a cidade inteligente, a cidade espiritual, a verdadeira Julnius, finalmente, não se encontra na Terra: é preciso que se a procure no ar.

            “O corpo material dos animais incapazes de voar necessita de terra firme; mas o que o nosso corpo fluídico e luminoso exige é uma habitação aérea como ele, quase impalpável e móvel, a nosso bel-prazer. Nossa habilidade resolveu esse problema, auxiliada pelo tempo e pelas condições privilegiadas que o Grande Arquiteto nos havia concedido. Compreende bem que essa conquista dos ares era indispensável a Espíritos como os nossos. Nosso dia tem a duração de cinco horas, e nossa noite igualmente dura o mesmo tempo; mas tudo é relativo e, para seres aptos a pensar e a agir como o fazemos, para Espíritos que se compreendem pela linguagem dos olhos e que sabem comunicar-se magneticamente a distância, nosso dia de cinco horas já igualaria uma de vossas semanas. Em nossa opinião era ainda muito pouco; e a imobilidade da morada, o ponto fixo do lar eram um entrave para todas as nossas grandes obras. Hoje, pelo deslocamento rápido dessas moradas de pássaros, pela possibilidade de nos transportarmos, bem como os nossos, a tal ou qual endereço do planeta e à hora do dia que nos apraza, nossa existência pelo menos dobrou e, com ela, tudo quanto se possa conceber de útil e de grandioso.

            “Em determinadas épocas do ano – aduz o Espírito – em certas festas, por exemplo, verás aqui o céu obscurecido pela nuvem de habitações que nos vem de todos os pontos do horizonte.

            É um curioso agregado de moradias esbeltas, graciosas, leves, de todas as formas, de todas as cores, equilibradas em diferentes alturas e continuamente em marcha, da cidade baixa para a cidade celeste: alguns dias depois, faz-se o vácuo pouco a pouco e todos esses pássaros desaparecem.

            “Nada falta nessas moradas flutuantes, nem mesmo o encanto da verdura e das flores. Refiro-me a uma vegetação que não encontra paralelo entre vós, de plantas e até de arbustos que, pela natureza de seus órgãos, respiram, alimentam-se, vivem e se reproduzem no ar.

            “Temos – diz ainda o mesmo Espírito – esses tufos de flores enormes, cujas formas e matizes nem podeis imaginar, e de uma leveza de tecido tão delicada que os torna quase transparentes. Balançando no ar, sustentados por grandes folhas e munidos de gavinhas semelhantes às da videira, reúnem-se em nuvens de mil tonalidades ou se dispersam ao sabor do vento, oferecendo um espetáculo encantador aos viandantes da cidade baixa... Imagina a graça dessas jangadas de verdura, desses jardins flutuantes que nossa vontade pode fazer e desfazer e que, algumas vezes, duram toda uma estação! Longas fieiras de lianas e de ramos floridos destacamse dessas alturas e se  ependuram até o solo; cachos enormes se agitam, despetalando-se e liberando perfume... Os Espíritos que se deslocam no ar param à sua passagem: é um lugar de repouso e de encontro, ou, se quisermos, um meio de transporte para terminar a viagem sem fadiga e em boa companhia.”

            Um outro Espírito estava sentado sobre uma dessas flores no momento em que o evoquei. Disse-me ele: “Neste instante é noite em Julnius, e me encontro sentado a distância sobre uma dessas flores aéreas que aqui desabrocham somente à claridade de nossas luas. Sob meus pés, toda a cidade baixa está entregue ao sono; sobre minha cabeça e ao meu redor, contudo, e a perder de vista, não há senão movimento e alegria no espaço. Dormimos pouco: nossa alma encontra-se muito desprendida para que as necessidades do corpo a tiranizem, e a noite é feita mais para os nossos servos do que para nós. É a hora das visitas e das longas conversas, dos passeios solitários, dos devaneios, da música... Só vejo moradas aéreas, resplandecentes de luz, ou guirlandas de folhas e flores carregadas de bandos alegres... A primeira de nossas lua ilumina toda a cidade baixa: é uma luz suave, comparável à dos vossos luares; mas, ao lado do lago, a segunda se eleva, emitindo reflexos esverdeados que dão a todo o rio o aspecto de um vasto prado...”

            É sobre a margem direita desse rio, diz o Espírito, “cuja água te ofereceria a consistência de um leve vapor”, que está construída a casa de Mozart, que por meu intermédio Palissy houve por bem reproduzir sobre o cobre. Só apresento aqui a fachada sul. A grande entrada fica à esquerda, dando para a planície; à direita fica o rio; os jardins estão localizados ao norte e ao sul. Perguntei a Mozart quais eram seus vizinhos. – “Mais acima – disse ele – e mais embaixo, dois Espíritos que não conheces; mais à esquerda, apenas uma grande campina me separa do jardim de Cervantes.”

            Como as nossas, portanto, a casa tem quatro faces, laborando em erro se disso fizéssemos uma regra geral. É construída com certa pedra que os animais extraem das pedreiras do norte e cuja cor o Espírito compara a esses tons esverdeados que muitas vezes toma o azul do céu no momento em que o sol se põe. Quanto à sua rigidez, podemos fazer uma idéia por essa observação de Palissy: “que ela se fundiria sob a pressão de nossos dedos humanos tão depressa quanto um floco de neve; mesmo assim, ainda é uma das matérias mais resistentes do planeta! Nessas paredes os Espíritos esculpiram ou incrustaram estranhos arabescos, que o desenho procura reproduzir. São ornamentos gravados na pedra e coloridos em seguida, ou incrustações que restabelecem a solidez da pedra verde, através de um processo que no momento desfruta de grande popularidade e que nos vegetais conserva toda a graça de seus contornos, toda a delicadeza de seus tecidos, toda a riqueza de seu colorido. E o Espírito acrescenta: “Uma descoberta que fareis qualquer dia e que entre vós mudará muita coisa.”

            (...)      A cidade baixa quase que só é freqüentada por Espíritos de segunda ordem, encarregados dos interesses planetários – da agricultura, por exemplo, ou das trocas, e da boa ordem que deve ser mantida entre os serviçais. Dessa forma, todas as casas situadas no solo só dispõem do térreo e do andar superior: um destinado aos Espíritos que atuam sob a direção do senhor, e acessível aos animais; o outro, reservado tão-somente ao Espírito, que aí reside apenas ocasionalmente. É isso que explica o fato de vermos, nas diversas habitações de Júpiter, nesta, por exemplo, e na de Zoroastro, uma escadaria e, até mesmo, uma rampa. Aquele que rasa a água, como a andorinha, e que pode correr sobre as hastes do trigo sem as curvar, passa muito bem sem a escadaria e sem a rampa para penetrar em sua casa; mas os Espíritos inferiores não têm o vôo tão fácil; não se elevam senão aos solavancos e nem sempre a rampa lhes é inútil. Enfim, a escadaria é de absoluta necessidade para os animais-serviçais, que apenas caminham como nós. Estes últimos têm seus pavilhões, aliás muito elegantes, e que fazem parte de todas as grandes habitações; mas suas funções os chamam, constantemente, à casa do senhor: é necessário facilitar-lhes a entrada e o percurso interior.

            Daí essas construções bizarras, cuja base lembra muito nossos edifícios terrestres, mas deles diferindo por completo na parte superior. (Revista Espírita. Agosto de 1858. Habitações do planeta júpiter. Allan Kardec)

           

           

Bibliografia:

- Revista Espírita. Abril de 1858. Conversas Familiares de Além-Túmulo - Bernard Palissy . Allan Kardec.

- Revista Espírita. Março de 1858. Júpiter e outros mundos. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Agosto de 1858. Habitações do planeta júpiter. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Dezembro de 1858. A bela cordeira. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Julho de 1860. Os animais. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Outubro de 1860. Júpiter Médium – Sra. Costel. Allan Kardec.