Aula 89 - Bodas de Caná - Transformação da água em vinho*

Ciclo 2 - História:  Bodas de Caná -  Atividade: PH - Jesus - 51 – Bodas de Caná.

Ciclo 3 - História:  Bodas de Caná  -  Atividade: PH – Jesus – 52 -  Transformação da água em vinho.

 

Dinâmica: Transformação da água em vinho.

 

Leitura da Bíblia: João – Capítulo 2


2:1 E, ao terceiro dia, fizeram-se umas bodas em Caná da Galiléia; e estava ali a mãe de Jesus.


2:2 E foi também convidado Jesus e os seus discípulos para as bodas.


2:3 E, faltando vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não têm vinho.


2:4 Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.


2:5 Sua mãe disse aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser.


2:6 E estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam dois ou três almudes.


2:7 Disse-lhes Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima.


2:8 E disse-lhes: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E levaram.


2:9 E, logo que o mestre-sala provou a água feita vinho (não sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água), chamou o mestre-sala ao esposo,


2:10 E disse-lhe: Todo o homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.


2:11 Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele.


2:12 Depois disto desceu a Cafarnaum, ele, e sua mãe, e seus irmãos, e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias.



Mateus – Capítulo 9


9:16 Ninguém põe um remendo de pano novo numa veste velha, porque arrancaria uma parte da veste e o rasgão ficaria pior.


9:17 Não se coloca tampouco vinho novo em odres velhos; do contrário, os odres se rompem, o vinho se derrama e os odres se perdem. Coloca-se, porém, o vinho novo em odres novos, e assim tanto um como outro se conservam.


 

Tópicos a serem abordados:

- Primeiramente, neste trecho do Evangelho, fica a impressão negativa de que Jesus age de maneira desagradável com sua mãe. Entretanto, não devemos crer que ele tenha agido assim, pois as traduções da Bíblia , algumas vezes, deformam o seu verdadeiro sentido. Jesus não usou de aspereza com sua mãe; pelo contrário, a tratou com respeito.

- Outro fato importante é o comparecimento do Mestre com sua família e seus discípulos numa festa de bodas (festa de casamento). Com esse ato de presença Jesus quis exemplificar aos seus discípulos o caráter social da sua Doutrina, que deveria ser ensinada em toda a parte e não, somente, em templos especializados para tal fim.

- A transformação da água em vinho é um fenômeno possível, pois uma ação fluídica, como o passe magnético, pode mudar  as propriedades da água, dando-lhe o sabor do vinho.  Jesus, sendo um Espírito elevado com energias sublimes, poderia ter produzido tal efeito. No entanto, Allan Kardec considera mais provável  que a transformação ocorrida tenha sido um ato simbólico que nos traz ensinamentos, assim como, as parábolas ensinadas pelo querido Mestre.

-  O vinho simboliza a Nova Lei do Amor que o Mestre, o Enviado de Deus, trouxe ao mundo, para fazer deste mundo de sofrimento, um mundo de paz e de fraternidade.

- Após o noivado, o casamento é um ato de união material e espiritual entre duas pessoas. Portanto, as bodas de Caná teria sido um símbolo da união do Evangelho com a Terra.

- O vinho representa a alegria com que Jesus quis selar a existência do Reino de Deus nos corações dos homens. Entrentanto, apesar já de ter passado vinte séculos, a alegria ainda é de noivado, porque não se verificou até agora a perfeita união do Evangelho com o planeta Terra.

- A mãe de Jesus disse: ‘‘Faça tudo que ele vos disser.’’ Escutando semelhante advertência de Mãe, meditemos se realmente  estamos fazendo tudo quanto o Mestre nos disse. Ou seja, estamos seguindo as orientações do Evangelho?

- Em outra passagem Jesus disse: ‘‘Ninguém costura remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo novo tira parte da veste velha, e fica maior a rotura. Ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho romperá os odres; e tanto se perde o vinho como os odres. Mas põe-se vinho novo em odres novos." Isto é, não vale pôr remendo de pano novo em vestido velho; pois o remendo vai causar um rasgo maior. Colocar vinho novo em odres velhos fará com que o couro se rompa quando o vinho fermentar e se expandir. As antigas religiões (velhos ensinos) são odres velhos que não suportam o vinho novo da Nova Revelação, portanto não devem ser misturados.

- Isto significa que sempre que tentarmos remendar nosso velho ser com um pouquinho de ensinamento do Evangelho, o resultado será um desastre. Somente uma reforma íntima completa fará com que alcancemos o Reino de Deus.  Nós, os espíritas, somos os odres novos, destinados a receber o vinho novo: a Doutrina Espírita, que é a mesma Doutrina Cristã, ensinada por Jesus.

 

Perguntas para fixação:

1. O que era a festa de bodas de Caná?

2.  Jesus agiu de maneira desagradável com sua mãe?

3. Como é possível a transformação da água em vinho?

4. O que o vinho simboliza nesta passagem?

5. Qual é o significado simbólico da união nas bodas de Caná?

6.  As pessoas têm escutado a advertência da Mãe de Jesus, quando disse: ‘’Faça tudo que ele vos disser’’?

7. Por que não se deve colocar vinho novo em odres velhos?

8. Quem são os odres velhos?

9. O que é preciso fazer para alcançarmos o Reino de Deus?

 

Subsídio para o Evangelizador:

           A primeira impressão negativa que recebe quem lê este trecho do Evangelho, e a qual nos poderia deixar prevenidos contra os ensinos do Cristo, porque destoa do espírito de cordura e mansidão que é o característico de Jesus, é a pergunta feita por Ele à sua mãe, com aspereza e até repulsa à sugestão que ela lhe queria dar sobre a ação, que deveria executar naquela reunião de Caná.

Entretanto, não cremos que a troca de palavras entre Jesus e sua extremosa mãe fosse tal como se acha registrada na versão evangélica.

            Sabemos perfeitamente quanto as traduções deformam e desnaturam as narrativas. E, quando pensamos que, os Evangelhos passaram por várias traduções a juízo dos tradutores, inscientes às mais das vezes do pensamento íntimo dos seus autores, mais nos convencemos de que as Escrituras não podem mesmo ser estudadas de relance, nem tomadas ao pé da letra. Quantas vezes deixamos de encontrar, num idioma, uma palavra que exprima exatamente o que outra exprime em outro idioma!

            Jesus não usou de aspereza com sua mãe; pelo contrário, a troca de idéias entre ambos não podia realizar-se sem a máxima cordialidade e respeito.

            Outro fato digno de nota é o comparecimento do Mestre com sua família e seus discípulos numa festa de bodas. Com esse ato de presença quis Ele exemplificar aos seus discípulos o caráter social da sua Doutrina, que deveria ser ensinada em toda a parte e não, somente, em templos especializados para tal fim. Que os fatos que alicerçam a sua Palavra têm caráter universalista.

            Convidado com os seus discípulos para assistir a um casamento, Ele não devia deixar de comparecer, tanto mais que, nessa casa, nessa família de Caná da Galiléia, oferecia-se-lhe ocasião de ser dada profícua e substanciosa lição, não só aos nubentes como também aos demais assistentes. E, quase terminadas as saudações, quando já, não havia mais vinho, talvez porque fosse pouco o abastecimento que fizeram desse líquido e avultado o número de convivas, Jesus resolveu dizer alguma coisa. Mas a sua Palavra é diferente de todas as outras palavras. Os discursos são composições oratórias para deleitar, mas a Palavra do Mestre sempre foi espírito e vida.

            Deliberou Ele, então, falar pelo fato, ensinando e comparando as coisas materiais às coisas espirituais.

            Mostrou como da matéria se pode fazer a força, e transformar, assim, um ato material em um ato espiritual.

            O "milagre" da conversão da água em vinho obedeceu a leis químicas muito conhecidas de Jesus, que as manobrava com a máxima facilidade. É um caso de transmutação da matéria, de que o estudante espírita encontra muitos exemplos nos Anais do Espiritismo.  (O Espírito do Cristianismo. Cap. 47. Cairbar Schutel)

            Toda gente sabe que, combinadas em certas proporções, duas substâncias inocentes podem dar origem a uma que seja deletéria.

            Uma parte de oxigênio e duas de hidrogênio, ambos inofensivos, formam a água. Juntai um átomo de oxigênio e tereis um líquido corrosivo. Sem mudança nenhuma das proporções, às vezes, a simples alteração no modo de agregação molecular basta para mudar as propriedades. Assim é que um corpo opaco pode tornar-se transparente e vice-versa. Pois que ao Espírito é possível tão grande ação sobre a matéria elementar, concebe-se que lhe seja dado não só formar substâncias, mas também modificar-lhes as propriedades, fazendo para isto a sua vontade o efeito de reativo.

         Esta teoria nos fornece a solução de um fato bem conhecido em magnetismo, mas inexplicado até hoje: o da mudança das propriedades da água, por obra da vontade. O Espírito atuante é o do magnetizador, quase sempre assistido por outro Espírito. Ele opera uma transmutação por meio do fluido magnético que, como atrás dissemos, é a substância que mais se aproxima da matéria cósmica, ou elemento universal. (O Livro dos Médiuns. Cap. 8. Itens 130 e 131. Allan Kardec)

         O Espírito André Luiz considera que a transformação da água em vinho foi um efeito físico: ‘‘ Iniciando a tarefa pública, na exteriorização de energias sublimes, encontramo-lo em Caná da Galiléia, oferecendo notável demonstração de efeitos físicos, com ação a distância sobre a matéria, em transformando a água em vinho.’’ (Mecanismo da mediunidade. Cap. 26. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier)

            No entanto, Allan Kardec afirma: ‘‘Este milagre, referido unicamente no Evangelho de S. João, é apresentado como o primeiro que Jesus operou e nessas condições, devera ter sido um dos mais notados.

            Entretanto, bem fraca impressão parece haver produzido, pois que nenhum outro evangelista dele trata. Fato não extraordinário era para deixar espantados, no mais alto grau, os convivas e, sobretudo, o dono da casa, os quais, todavia, parece que não o perceberam.

            Considerado em si mesmo, pouca importância tem o fato, em comparação com os que, verdadeiramente, atestam as qualidades espirituais de Jesus. Admitido que as coisas hajam ocorrido, conforme foram narradas, e de notar-se seja esse, de tal gênero, o único fenômeno que se tenha produzido.

            Jesus era de natureza extremamente elevada, para se ater a efeitos puramente materiais, próprios apenas a aguçar a curiosidade da multidão que, então, o teria nivelado a um mágico. Ele sabia que as coisas úteis lhe conquistariam mais simpatias e lhe granjeariam mais adeptos, do que as que facilmente passariam por fruto de grande habilidade e destreza.

            Se bem que, a rigor, o fato se possa explicar, até certo ponto, por uma ação fluídica que houvesse, como o magnetismo oferece muitos exemplos, mudado as propriedades da água, dando-lhe o sabor do vinho, pouco provável é se tenha verificado semelhante hipótese, dado que, em tal caso, a água, tendo do vinho unicamente o sabor, houvera conservado a sua coloração, o que não deixaria de ser notado. Mais racional é se reconheça aí uma daquelas parábolas tão freqüentes nos ensinos de Jesus, como a do filho pródigo, a do festim de bodas, do mau rico, da figueira que secou e tantas outras que, todavia, se apresentam com caráter de fatos ocorridos. Provavelmente, durante o repasto, terá ele aludido ao vinho e à água, tirando de ambos um ensinamento.

            Justificam esta opinião as palavras que a respeito lhe dirige o mordomo: «Toda gente serve em primeiro lugar o vinho bom e, depois que todos o têm bebido muito, serve o menos fino; tu, porém, guardas até agora o bom vinho.»

            Entre duas hipóteses, deve-se preferir a mais racional e os espíritas não são tão crédulos que por toda parte vejam manifestações, nem tão absolutos em suas opiniões, que pretendam explicar tudo por meio dos fluidos.’’ ( A Gênese. Cap. 15. Item 47. Allan Kardec)

            O Espírito Humberto de Campos  nos transmite preciosos ensinamentos a respeito do significado da transformação do vinho realizada por Jesus, a qual teve um propósito maior, de natureza espiritual.  O diálogo que se segue, ocorreu entre o Mestre e o apóstolo Pedro:

            ''— Senhor, em face dos vossos ensinamentos, como deveremos interpretar a vossa primeira manifestação, transformando a água em vinho, nas bodas de Caná? Não se tratava de uma festa mundana?

            O vinho não iria cooperar para o desenvolvimento da embriaguez e da gula? Jesus compreendeu o alcance da interpelação e sorriu.

            — Simão — disse ele —, conheces a alegria de servir a um amigo? Pedro não respondeu, pelo que o Mestre continuou: — As bodas de Caná foram um símbolo da nossa união na Terra. O vinho, ali, foi bem o da alegria com que desejo selar a existência do Reino de Deus nos corações. Estou com os meus amigos e amo-os a todos. Os afetos dalma, Simão, são laços misteriosos que nos conduzem a Deus. Saibamos santificar a nossa afeição, proporcionando aos nossos amigos o máximo da alegria; seja o nosso coração uma sala iluminada onde eles se sintam tranqüilos e ditosos. Tenhamos sempre júbilos novos que os reconfortem, nunca contaminemos a fonte de sua simpatia com a sombra dos pesares!

            As mais belas horas da vida são as que empregamos em amá-los, enriquecendo-lhes as satisfações íntimas.[...]

            E com o olhar absorto na paisagem crepuscular, onde vibravam sutis harmonias, Jesus ponderou, profeticamente:

            — O vinho de Caná poderá, um dia, transformar-se no vinagre da amargura; contudo, sentirei, mesmo assim, júbilo em sorvê-lo, por minha dedicação aos que vim buscar para o amor do Todo-Poderoso. Simão Pedro, ante a argumentação consoladora e amiga do Mestre, dissipou as suas derradeiras dúvidas, enquanto a noite se apoderava do ambiente, ocultando o conjunto das coisas no seu leque imenso de sombras.''  (Boa Nova. Cap. 12. Espírito Humberto de Campos. Chico Xavier)

               O vinho novo é o símbolo da Nova Lei do Amor que o Mestre, o Enviado de Deus, trouxe ao mundo, para fazer deste mundo de infortúnio, um mundo de paz e de fraternidade. ( O Espírito do Cristianismo. Cap. 6. Cairbar Schutel)

               O vinho material que tinha sido oferecido pelo presidente da mesa se esgotara, assim como se acaba a amizade circunscrita ao amor carnal. A sedução pela beleza, a dedicação e o arrebatamento pela mocidade, pelo dinheiro, pela nobreza de família também se esgotam como o vinho material e, sem o vinho espiritual, que consiste na Doutrina que Ele anunciava, não podia prevalecer o verdadeiro casamento, razão por que aquele vinho, julgado pelo presidente muito superior ao primeiro, simboliza o verdadeiro amor, que faz os casais inseparáveis e mantém a união perpétua das almas.

            O casamento como um ato meramente físico, não é mais do que um tênue complemento do instinto, de que todos os animais são dotados.

            É preciso espiritualizar esse ato, dar-lhe cunho verdadeiramente cristão, mas cristão na expressão primitiva da palavra, isenta de formalismos sectários de decretos sacramentais, de preceitos ritualistas.

            O amor não é palavra morta, que precise de ornamentos e flores; ele encerra a benevolência, a indulgência, a bondade, a magnanimidade, o trabalho do coração, do cérebro, do entendimento, da alma, com todas as forças em benefício do ser amado, e os cônjuges, para serem casados de verdade, precisam permutar todos esses deveres.

            Finalmente, pelos últimos trechos se observa o efeito produzido, já não dizemos na assistência, mas nos discípulos, por aquele fato extraordinário: "e os discípulos creram nele".

            Vamos concluir, considerando o casamento antes como um ato espiritual, e, não, simplesmente material. (O Espírito do Cristianismo. Cap. 47. Cairbar Schutel)

            O episódio ocorre numa festa de bodas, mas podemos aproveitar-lhe a sublime expressão simbólica.

            Também nós estamos na festa de noivado do Evangelho com a Terra. Apesar dos quase vinte séculos decorridos, o júbilo ainda é de noivado, porqüanto não se verificou até agora a perfeita união... Nesse grande concerto da idéia renovadora, somos serventes humildes. Em muitas ocasiões, esgota-se o vinho da esperança. Sentimo-nos extenuados, desiludidos... Imploramos ternura maternal e eis que Maria nos responde: Fazei tudo quanto ele vos disser.

            O conselho é sábio e profundo e foi colocado no princípio dos trabalhos de salvação.

            Escutando semelhante advertência de Mãe, meditemos se realmente  estaremos fazendo tudo quanto o Mestre nos disse. (Caminho, verdade e vida. Cap. 171. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier)

            O Espírito André Luiz adverte: (...) É indispensável considerar que setenta por cento dos administradores terrenos não pesam os deveres morais que lhes competem... (Nosso Lar. Cap. 22. Espírito André Luiz. Chico Xavier).   

            A determinadas horas da noite, três quartas partes da população (75%) de cada um dos hemisférios da Crosta Terrestre se acham nas zonas de contacto conosco e a maior percentagem desses semi-libertos do corpo, pela influência na­tural do sono, permanecem detidos nos círculos de baixa vibração qual este em que nos movimenta­mos provisoriamente. Por aqui, muitas vezes se forjam dolorosos dramas que se desenrolam nos campos da carne. Grandes crimes têm nestes sítios as respectivas nascentes e, não fôsse o trabalho ativo e constante dos Espíritos protetores que se desvelam pelos homens no labor sacrificial da cari­dade oculta e da educação perseverante, sob a égide do Cristo, acontecimentos mais trágicos estar­receriam as criaturas. (Libertação. Cap. 6. André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

            Jesus disse: “Ninguém cose remendo de pano novo em vestido velho; de outra forma o remendo novo tira parte do velho, e torna-se maior a rotura. Ninguém põe vinho novo em odres velhos, porque o vinho fará arrebentar os odres e perder-se-á o vinho e também os odres; pelo contrário, vinho novo é posto em odres novos.”(Marcos, 2: 21-22.)

            Não vale pôr remendo de pano novo em vestido velho; vai-se o vestido e fica o remendo. Querer corrigir os erros das “religiões” com fragmentos da Nova Revelação, é querer remendar vestido velho com pano novo. As religiões sacerdotais são odres velhos curtidos de dogmas, de sacramentos; não suportam absolutamente a força da Nova Verdade vinda do Céu. (Parábolas e ensinos de Jesus. Odres novos – Vinho novo – Odres velhos – Panos Novos e vestidos velhos. Cairbar Schutel)

             Os homens eram a roupa velha que, se remendada fora irrefletidamente, se teria rompido; eram os odres velhos, que a fortidão do vinho novo houvera rebentado, perdendo-se eles e este.

            De fato, imagine-se o que aconteceria se aos homens daquela época, materiais, ignorantes, aferrados aos seus preconceitos e tradições, fosse propiciada, sem as devidas cautelas, uma doutrina inteiramente nova para eles, qual a que Jesus pregava e exemplificava; se recebessem, em toda a sua intensidade, a luz brilhante dessa doutrina. Ficariam, sem dúvida, ofuscados. Eis por que necessária se tornou a linguagem parabólica, de que se serviu o di­vino Mestre, as imagens materiais e as comparações terra-a-terra de que lançou mão, para espalhar os ensinos de que fora portador ao mundo.

             Nem só, porém, naqueles tempos havia odres velhos. Eles ainda hoje existem: são-no os cegos, os interessei­ros, os que, bebendo em mananciais impuros e difundindo uma doutrina falsificada, se constituem estorvo à obra da regeneração humana, cuja execução procuram de todo modo embaraçar, como se estivesse na possibilidade dos homens obstar a que se cumpra uma lei absoluta, qual a do progresso.

            Atualmente, nós, os espíritas, somos os odres novos, destinados a receber o vinho novo: a Doutrina Espírita, que é a mesma Doutrina Cristã, na pureza com que a ensinou o seu fundador, tal qual em nossos espíritos a derramam os Espíritos do Senhor. (Elucidações Evangélicas. Cap. 53. Antônio Luiz Sayão)

            O espírito velho prejudica deteriora a carne nova, ou seja a nova geração; pela mesma forma o espírito novo não pode ser assimilado pela carne velha (a velha geração). É necessário que se dê o renascimento do espírito, pela modificação das idéias, e o do corpo, sem o que não se verá o Reino de Deus. A esta operação Paulo, chamou: “a substituição do homem novo pelo despojamento do homem velho”; e acrescentou: “os que são de Cristo se tornam novas criaturas”. Debalde, por isso, é esperar de religiosos, anquilosados pelas tradições e dogmas avoengos, a modificação e regeneração dos costumes; assim como é utopia julgar que, dos parasitos que compõem a ciência oficial, venha o progresso da Ciência, e por eles nasça uma filosofia racional que exalte a pesquisa, o livre-exame orientado pelos sãos princípios da Lógica. (Parábolas e ensinos de Jesus. Odres novos – Vinho novo – Odres velhos – Panos Novos e vestidos velhos. Cairbar Schutel)

    

Bibliografia:

-  A Gênese. Cap. 15. Item 47. Allan Kardec.

- O Livro dos Médiuns. Cap. 8. Itens 130 e 131. Allan Kardec.

- Mecanismo da mediunidade. Cap. 26. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier.

- Caminho, verdade e vida. Cap. 171. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- Boa Nova. Cap. 12. Espírito Humberto de Campos. Chico Xavier.

- Nosso Lar. Cap. 22. Espírito André Luiz. Chico Xavier.

- Libertação. Cap. 6. André Luiz. Psicografado por Chico Xavier.

- Parábolas e ensinos de Jesus. Odres novos – Vinho novo – Odres velhos – Panos Novos e vestidos velhos. Cairbar Schutel.

O Espírito do Cristianismo. Cap. 6 e Cap. 47. Cairbar Schutel.

- Elucidações Evangélicas. Cap. 53. Antônio Luiz Sayão.