Aula 86 - A fé raciocinada - Parábola da figueira seca

Ciclo 1 - História:  O discípulo e os cavalos - Atividade: ESE - Cap. 19 - 3. Parábola da figueira que secou.

Ciclo 2 - História:  As nuvens -  Atividade: ESE - Cap. 19 - 2. A fé religiosa. Condição da fé inabalável ou/e desenhar e pintar a figueira com bons frutos.

Ciclo 3 - História:  Acreditar e agir  -  Atividade ESE - Cap. 19 - 4. A fé, mãe da esperança e da caridade.

 

Dinâmica: Crendice X Fé raciocinada.

Sugestão de vídeo: Parábolas de Jesus - A Figueira Estéril (Dica: Pesquise no Youtube)

Sugestão de livro infantil: Coleção Parábolas e Ensinamentos de Jesus –  A figueira estéril. Guilherme M. dos Santos. Editora Bicho Esperto.

 

Leitura da Bíblia:  Mateus - Capítulo 21


21.18 E, de manhã, voltando para a cidade, teve fome;


21.19 E, avistando uma figueira perto do caminho, dirigiu-se a ela, e não achou nela senão folhas. E disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediatamente.


21. 20 E os discípulos, vendo isto, maravilharam-se, dizendo: Como secou imediatamente a figueira?


21.21 Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que foi feito à figueira, mas até se a este monte disserdes: Ergue-te, e precipita-te no mar, assim será feito;


21.22 E, tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis.


 

Lucas - Capítulo 13


13.6 E dizia esta parábola: Um certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, e foi procurar nela fruto, não o achando;


13.7 E disse ao vinhateiro: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira, e não o acho. Corta-a; por que ocupa ainda a terra inutilmente?


13.8 E, respondendo ele, disse-lhe: Senhor, deixa-a este ano, até que eu a escave e a esterque;


13.9 E, se der fruto, ficará e, se não, depois a mandarás cortar.



Tópicos a serem abordados:

- Fé significa acreditar  que algo seja verdadeiro, pela absoluta confiança que depositamos neste algo ou alguém.

- Ter fé é guardar no coração a confiança em Deus, sabendo que Ele é um Pai Bondoso que não desampara nenhum de seus filhos.

- No seu aspecto religioso, a fé é a crença nos dogmas particulares que constituem as diferentes religiões.O dogma é uma opinião ou crença religiosa considerada um ponto fundamental e indiscutível. Por exemplo: Há religiões dizem que deve-se cultuar imagens. Há religião que diz não haver reencarnação. Há igrejas onde as mulheres não podem cortar o cabelo. Noutras é proibido se maquiarem, etc.(1)

-  Nesse sentido, a fé pode ser raciocinada ou cega. A fé cega nada examina, aceitando sem controle o falso e o verdadeiro, ou seja, acredita nos dogmas ou em rituais da sua religião sem questionar. Levada ao excesso, produz o fanatismo. Quando a fé está baseada no erro, cedo ou tarde desmorona.

-  A fé deve repousar sobre o fundamento sólido que lhe oferecem o livre exame e a li­berdade de pensar. Ao invés de aceitar dogmas, rituais e mistérios, deve analisar os fatos através de uma observação direta, do estudo das leis naturais. Tal é o caráter da fé raciocinada.

- Para que a fé não se enfraqueça é preciso uni-lá  a  razão. A razão permite ao homem raciocinar, analisar, avaliar , por meio da sua inteligência, tudo  em que se crê. Portanto, ao invés de aceitar sem questionar o que as pessoas dizem, devo analisar, buscar informações, pesquisar, procurar livros que venham esclarecer sobre o que ouço. A fé raciocinada, que se apóia nos fatos e na lógica, não deixa nenhuma obscuridade: crê-se, porque se tem a certeza, e só se está certo quando se compreendeu.  

- Um grande exemplo de Fé raciocinada é o que Allan Kardec nos deu. Quando ocorreu às manifestações das mesas girantes, em 1854, ele não negou a princípio, mas observou para crer, questionou os próprios Espíritos, analisou suas respostas e pela razão e fé constatou a verdade da existência da alma após a morte e a existência do mundo espiritual.

-  A Doutrina Espírita nos oferece uma crença que se apóia na razão. Prova o futuro por fatos evidentes; diz, em termos claros, que não nos deixa dúvidas, o que o Cristo disse por parábolas; explica as verdades desconhecidas ou falsamente interpretadas; revela a existência do mundo invisível, ou dos Espíritos, e inicia o homem nos mistérios da vida futura; prova a possibilidade dos Espíritos dos mortos se comunicaram com os vivos; explica-nos a causa de nossos sofrimentos neste mundo e o meio de abrandá-los;  enfim, vem estabelecer, entre os homens, o reino da caridade e da solidariedade anunciado pelo Cristo (2).

- A figueira da parábola é um símbolo, Jesus compara  a árvore que estava cheia de folhas, mas não dava frutos, com as pessoas que tem apenas as aparências do bem, mas na verdade não produzem nada de bom. São pessoas que querem passar uma imagem que não corresponde ao que realmente são. É também o símbolo de todas as pessoas que podem ser úteis e não o são; de todas as doutrinas ou religiões que não produzem boas obras. O que falta, na maioria das vezes, é a verdadeira fé.

- Uma instituição religiosa onde se faça questão de cultos, de dogmas, de mistérios, de rituais, de exterioridades, mas que não pratique a caridade, não exerça a misericórdia; não dê comida aos famintos, roupa aos nus, agasalho e trato aos doentes; não promova a propaganda do amor ao próximo, da necessidade da evolução moral, do estabelecimento a verdadeira fé, essa instituição, não passa de uma “figueira enfolhada, mas, sem frutos”.

-  O de que precisamos da árvore são os frutos. O de que precisamos da religião são as boas obras. Isso quer dizer que todos os sistemas, todas as doutrinas que não produziram nenhum bem para a humanidade, serão reduzidas a nada; e que todos os homens voluntariamente inúteis, que não se utilizaram dos recursos de que estavam dotados, serão tratados como a figueira seca.

 - Os novos discípulos do Evangelho devem compreender que os dogmas passaram.

 

Observação (1): O Evangelho Segundo o Espiritismo para infância e juventude. Volume 2. Fundação Espírita André Luiz. Mundo maior editora.

Observação (2): O que é o Espiritismo. Resumo do ensinamento dos Espíritos. Allan Kardec.

 

Perguntas para fixação:

1. O que é ter fé?

2. Qual é o significado da palavra '' dogma''?

3. O que é uma fé cega?

4. O que é uma fé raciocinada?

5. A fé pode ser passada de uma pessoa pra outra?

6. Qual é a doutrina que nos dá a possibilidade de ter uma fé raciocinada?

 

Subsídio para o Evangelizador:

         (do Latim fides, fidelidade e do Grego pistia ) é a firme opinião de que algo é verdade, sem qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação, pela absoluta confiança que depositamos nesta ideia ou fonte de transmissão.

(http://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%A9).

            Ter fé é guardar no coração a luminosa certeza em Deus, certeza que ultrapassou o âmbito da crença religiosa, fazendo o coração repousar numa energia constante de realização divina da personalidade.(O Consolador. Questão 354. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).

            Será fé acreditar sem raciocínio?

         Acreditar é uma expressão de crença, dentro da qual os legítimos valores da fé em si mesma. Admitir as afirmativas mais estranhas, sem um exame minucioso, é caminhar para o desfiladeiro do absurdo, onde os fantasmas dogmáticos conduzem as criaturas a todos os despautérios. Mas também interferir nos problemas essenciais da vida, sem que a razão esteja iluminada pelo sentimento, é buscar o mesmo declive onde os fantasmas impiedosos da negação conduzem as almas a muitos crimes. ( O Consolador. Questão 355. Espírito Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).

            Poderá a Razão dispensar a Fé?

            A razão humana é ainda muito frágil e não poderá dispensar a cooperação da fé que a ilumina, para a solução dos grandes e sagrados problemas da vida.

            Em virtude da separação de ambas, nas estradas da vida, é que observamos o homem terrestre no desfiladeiro terrível da miséria e da destruição. Pela insânia da razão, sem a luz divina da fé, a força faz as suas derradeiras tentativas para assenhorear-se de todas as conquistas do mundo. Falastes demasiadamente de razão e permaneceis na guerra da destruição, onde só perambulam miseráveis vencidos; revelastes as mais elevadas demonstrações de inteligência, mas mobilizais todo o conhecimento para o morticínio sem piedade, pregastes a paz, fabricando os canhões homicidas; pretendestes haver solucionado os problemas sociais, intensificando a construção das cadeias e dos prostíbulos.

            Esse progresso é o da razão sem a fé, onde os homens se perdem em luta inglória e sem-fim. (O Consolador. Questão 199. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).

            Por que a razão não é sempre um guia infalível?

             Ela seria infalível se não estivesse falseada pela má educação, pelo orgulho e o egoísmo. O instinto não raciocina; a razão permite ao homem escolher, dando-lhe o livre arbítrio. ( O Livro dos Espíritos. Questão 75-a. Allan Kardec).

            O instinto é uma inteligência não racional: é por ele que todos os seres provêm as suas necessidades. (O Livro dos Espíritos. Questão 73. Allan Kardec). O instinto é guia seguro, sempre bom. Pode, ao cabo de certo tempo, tornar-se inútil, porém nunca prejudicial. Enfraquece-se pela predominância da inteligência.

            As paixões, nas primeiras idades da alma, têm de comum com o instinto o serem as criaturas solicitadas por uma força igualmente inconsciente. As paixões nascem principalmente das necessidades do corpo e dependem, mais do que o instinto, do organismo. O que, acima de tudo, as distingue do instinto é que são individuais e não produzem, como este último, efeitos gerais e uniformes; variam, ao contrário, de intensidade e de natureza, conforme os indivíduos. São úteis, como estimulante, até à eclosão do senso moral, que faz nasça de um ser passivo, um ser racional. Nesse momento, tornam-se não só inúteis, como nocivas ao progresso do Espírito, cuja desmaterialização retardam. Abrandam-se com o desenvolvimento da razão.

            O instinto se aniquila por si mesmo; as paixões somente pelo esforço da vontade podem domar-se. ( A Gênese. Cap. 3. Itens 18 e 19. Allan Kardec).

            (...)Sabemos hoje que o espírito humano lida com a razão há, pre­cisamente, quarenta mil anos...(Libertação. Cap. 1. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

            Onde localizar a origem dos desvios da razão humana?

            A origem desse desequilíbrio reside na defecção do sacerdócio, nas várias igrejas que se fundaram nas concepções do Cristianismo. Ocultando a verdade para que prevalecessem os interesses econômicos de seus transviados expositores, as seitas religiosas operaram os desvirtuamento da fé, fixando a sua atividade, por absoluta ausência de colaboração com o raciocínio, no caminho infinito de conquistas da vida. (O Consolador. Questão 200. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).

              A ignorância é treva, assim como a superstição e o fanatismo são os desvarios em que a alma se debate nos grilhões do temor e do terror.

            Pode haver luz onde há temor?

            Não - responde o Evangelista João -na Caridade não há temor, porque o temor teme a pena e o que teme não está perfeito em Caridade (I João, IV, 18).

            A Caridade é o vínculo da perfeição -diz Paulo, e o sacerdócio romano demonstra que a sua Igreja não é o vínculo da perfeição pois impõe o temor do Diabo e o temor das penas eternas aos seus sectários.

            Não é a fé em Deus e o amor ao próximo que predominam na Igreja dos  papas, mas sim o temor do Diabo e o terror do Inferno - o véu negro que inibe a criação de glorificar o Criador. ( O Diabo e a Igreja. Cap. 7. Cairbar Schutel)

            Desde as eras primárias da Civilização, a idéia de um poder superior, interferindo nas questões mundanas, vem guiando o homem através dos seus caminhos e a Religião sempre constituiu o maior fator da moral social, se bem que apresentasse a divindade à semelhança do homem, em seus ensinamentos exotéricos.

            O Cristianismo, inaugurando um novo ciclo de progresso espiritual, renovou as concepções de Deus no seio das idéias religiosas; todavia, após a sua propagação, várias foram as interpretações escriturísticas, dado azo a que as facções sectaristas tentassem isoladamente, ser as suas únicas representantes; a Igreja Católica e as numerosas seitas protestantes, nascidas do ambiente por ela formado, têm levado longe a luta religiosa, esquecidas de que a Providência Divina é Amor. Estabeleceram com a sua acanhada hermenêutica os dogmas (1) de fé, nutrindo-se das fortunas iníquas a que se referem os Evangelhos, prejudicando os necessitados e os infelizes. (Emmanuel. Espírito Emmanuel. Cap. 26. Psicografado por Chico Xavier).

              A figueira seca é o símbolo das pessoas que apenas aparentam o bem, mas na realidade nada produzem de bom: dos oradores que possuem mais brilho do que solidez, dotados do verniz das palavras de maneira que estas agradam aos ouvidos; mas, quando as analisamos, nada revelam de substancial para o coração; e, quando as acabamos de ouvir, perguntamos que proveito tivemos.

            É também o símbolo de todas as pessoas que podem ser úteis e não o são; de todas as utopias, de todos os sistemas vazios, de todas as doutrinas sem bases sólidas. O que falta, na maioria das vezes, é a verdadeira fé, a fé realmente fecunda, a fé que comove as fibras do coração, em uma palavra, a fé que transporta montanhas. São árvores frondosas, mas sem frutos, e é por isso que Jesus as condena à esterilidade, pois dia virá em que ficarão secas até as raízes. Isso quer dizer que todos os sistemas, todas as doutrinas que não produziram nenhum bem para a humanidade, serão reduzidas a nada; e que todos os homens voluntariamente inúteis, que não se utilizaram dos recursos de que estavam dotados, serão tratados como a figueira seca. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 19. Item 9. Allan Kardec).

            A figueira não dava fruto porque sua organização celular era insuficiente ou deficiente (2), e Jesus, conhecendo se mal, quis dar uma lição a seus discípulos, não só para lhes ensinar a terem fé, mas também para lhes fazer ver que os homens e as instituições infrutíferas, como aquela árvore, sofreriam as mesmas conseqüências.

            (...) Um indivíduo, por mais bem vestido e mais rico que seja, encaramujado no seu egoísmo, é semelhante a uma figueira, da qual, em nos aproximando, não vemos mais que folhas.

            Uma instituição, ou uma associação religiosa, onde se faça questão de estatuto, de cultos, de dogmas, de mistérios, de ritos, de exterioridades, mas que não pratique a caridade, não exerça a misericórdia; não dê comida aos famintos, roupa aos nus, agasalho e trato aos doentes; não promova a propaganda do amor ao próximo, da necessidade do erguimento da moral, do estabelecimento a verdadeira fé, essa instituição ou associação, embora tenha nome de religiosa, embora se diga a única religião fora da qual não há salvação (como acontece com o Catolicismo de Roma), não passa de uma “figueira enfolhada, mas, sem frutos”.

            O de que precisamos da árvore são os frutos. O de que precisamos da religião são as boas obras.

            Os dogmas só servem para obscurecer a inteligência; os sacramentos, para falsear os ensinos do Cristo; as festas, passeatas, procissões, imagens, etc., para consumir dinheiro em coisas vãs e iludir o povo, com um culto que foi condenado pelos profetas dos tempos antigos, no Velho Testamento, e por Jesus Cristo, no Novo Testamento. (Parábolas e ensinos de Jesus. Parábola da figueira estéril. Cairbar Schutel)

         Qual deve ser a ação do espiritista em face dos dogmas religiosos?

            Os novos discípulos do Evangelho devem compreender que os dogmas passaram. E as religiões literalistas, que os construíram, sempre o fizeram simplesmente em obediência a disposições políticas, no governo das massas. Dentro das novas expressões evolutivas, porém, os espiritistas devem evitar as expressões dogmáticas, compreendendo que a Doutrina é progressiva, esquivando-se a qualquer pretensão de infalibilidade, em face da grandeza inultrapassável do Evangelho. (O Consolador. Questão 360. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).

            No seu aspecto religioso, a fé é a crença nos dogmas particulares que constituem as diferentes religiões, e todas elas têm os seus artigos de fé. Nesse sentido, a fé pode ser raciocinada ou cega. A fé cega nada examina, aceitando sem controle o falso e o verdadeiro, e a cada passo se choca com a evidência da razão. Levada ao excesso, produz o fanatismo.

            Quando a fé se firma no erro, cedo ou tarde desmorona.

            Aquela que tem a verdade por base é a única que tem o futuro assegurado, porque nada deve temer do progresso do conhecimento, já que o verdadeiro na obscuridade também o é a plena luz. Cada religião pretende estar na posse exclusiva da verdade, mas preconizar a fé cega sobre uma questão de crença é confessar a impotência para demonstrar que se está com a razão. ( O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 19. Item 6. Allan Kardec).

            (...) Em todas as religiões e entre todos os religiosos dessas religiões, notamos logo a ausência de Fé. E por que assim acontece?

            Porque a Fé não se adquire sem estudo, sem trabalho, sem o exame-livre, sem o exercício do livre-arbítrio. E as religiões e os religiosos, em matéria de livre-exame, de livre-arbítrio para o estudo, são como os cegos em face da luz, são como os surdos em relação aos sons: por isso não têm Fé. (Parábolas e ensinos de Jesus. Salvação pela fé. Cairbar. Schutel).

            A fé é a confiança do homem nos seus destinos, o sentimento que o leva na direção da Potência Infinita é a certeza de estar seguro no caminho que conduz à verdade. A fé cega é como um fanal, cujo foco vermelho não pode atravessar o nevoeiro; a fé esclarecida é um farol poderoso que ilumina com uma viva claridade a estrada a percorrer.  

            Comumente só se vê na fé a crença em certos dogmas religiosos aceitos sem-exame. Mas a fé é também a convicção que anima o homem e o arrasta para outros objetivos. Há a fé em si mesmo, numa obra material qualquer, a fé política, a fé na pátria. Para o artista, o poeta, o pensador, a fé é o sentimento de ideal, a visão desse foco sublime, iluminado pela mão divina nos píncaros eternos, para guiar a Humani­dade na direção do belo e do verdadeiro.

            A fé é mãe dos nobres sentimentos e das grandes ações. O homem profundamente convencido permanece inabalável diante do perigo, como no meio das provas. Acima das se­duções, das adulações, das ameaças, mais alto que as vozes da paixão, ouve uma voz que ecoa nas profundezas da sua consciência e cujos ruídos o sustentam na luta, advertem-no nas horas perigosas.

            Para produzir tais resultados, a fé deve repousar sobre o fundamento sólido que lhe oferecem o livre exame e a li­berdade de pensar. Ao invés de dogmas e de mistérios, deve apenas reconhecer os princípios decorrentes da observação direta, do estudo das leis naturais. Tal é o caráter da fé espírita.

            A filosofia dos espíritos nos oferece uma crença que, por ser racional, é tanto mais robusta. O conhecimento do mundo invisível, a confiança numa lei superior de justiça e de progresso, tudo isso imprime à fé um duplo caráter de calma e de certeza.

            Compenetrados da ideia de que essa vida não é senão um instante no conjunto da nossa existência imortal, aceita­mos com paciência os males inevitáveis que ela engendra. A perspectiva dos tempos que se nos abrem, dar-nos-á o poder de dominar as misérias presentes e de nos colocar acima das flutuações da fortuna. Sentir-nos-emos mais li­vres, mais bem armados para a luta. Conhecendo a causa dos seus males, o espírita compreende a necessidade deles. Sabe que o sofrimento é legítimo e aceita-o sem murmurar. Para ele, a morte nada destrói, os laços afetivos persistem na vida de além-túmulo, e todos aqueles que aqui se amaram, reencontram-se, libertos das misérias terrestres, longe dessa dura morada; só há separação para os maus. Dessas convic­ções resultam consolações desconhecidas dos indiferentes e dos céticos. Se, de uma extremidade à outra do globo, todas as almas se comunicassem nessa fé poderosa, assistir-se-ia à maior transformação moral que a História jamais registrou. (Depois da morte. Cap. 44. Leon Denis).

            A fé necessita de uma base, e essa base é a perfeita compreensão daquilo em que se deve crer. Para crer, não basta ver, é necessário sobretudo compreender. A fé cega não é mais deste século. É precisamente o dogma da fé cega que hoje em dia produz o maior número de incrédulos. Porque ela quer impor- se, exigindo a abdicação de uma das mais preciosas prerrogativas do homem: a que sã constitui do raciocínio e do livre-arbítrio. É contra essa fé, sobretudo que se levanta o incrédulo, o que mostra a verdade de que a fé não se impõe. Não admitindo provas, ela deixa no espírito um vazio, de que nasce a dúvida. A fé raciocinada, que se apóia nos fatos e na lógica, não deixa nenhuma obscuridade: crê-se, porque se tem a certeza, e só se está certo quando se compreendeu. Eis porque ela não se dobra: porque só é inabalável a fé que pode enfrentar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade.

            É a esse resultado que o Espiritismo conduz, triunfando assim da incredulidade, todas as vezes em que não encontrar a oposição sistemática e interessada. ( O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 19. Item 7. Allan Kardec).

            O Espiritismo e a Ciência se completam reciprocamente; a Ciência, sem o Espiritismo, se acha na impossibilidade de explicar certos fenômenos só pelas leis da matéria. (A Gênese. Cap. 1. Item 16. Allan Kardec).

            A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana. Uma revela as leis do mundo material, e a outra as leis do mundo moral. Mas aquelas e estas leis, tendo o mesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se. Se umas forem a negação das outras, umas estarão necessariamente erradas e as outras certas, porque Deus não pode querer destruir a sua própria obra. A incompatibilidade, que se acredita existir entre essas duas ordens de idéias, provém de uma falha de observação, e do excesso de exclusivismo de uma e de outra parte. Disso resulta um conflito, que originou a incredulidade e a intolerância.

            A Ciência e a Religião não puderam entender-se até agora, porque, encarando cada uma as coisas do seu ponto de vista exclusivo, repeliam-se mutuamente. Era necessária alguma coisa para preencher o espaço que as separava, um traço de união que as ligas-se. Esse traço está no conhecimento das leis que regem o mundo espiritual e suas relações com o mundo corporal, leis tão imutáveis como as que regulam o movimento dos astros e a existência dos seres. Uma vez constatadas pela experiência dessas relações, uma nova luz se fez: a fé se dirigiu à razão, esta nada encontrou de ilógico na fé, e o materialismo foi vencido. ( O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 1. Item 8. Allan Kardec).

            A Ciência desvendou o espírito humano as perspectivas inconcebíveis do Infinito; o telescópio descortinou a grandeza do Universo e os novos conhecimentos cosmogônicos demandaram outra concepção do Criador. Desvendando, paulatinamente, as sublimes grandiosidades da natureza invisível, a Ciência embriagou-se com a beleza de tão lindos mistérios e estabeleceu o caminho positivo para encontrar Deus, como descobrira o mundo microbiano, ao preço de acuradas perquirições. É que a Divindade das religiões vigentes era defeituosa e deformada pelos seus atributos exclusivamente humanos; as igrejas estavam acorrentadas ao dogmatismo e escravizadas aos interesses do mundo. A confusão estabeleceu-se. Foi quando o Espiritismo fez sentir mais claramente a grandeza do seu ensinamento, dirigindo-se não só ao coração, mas igualmente ao raciocínio. O céu descerrou um fragmento do seu mistério e a voz dos Espaços se fez ouvir. (Emmanuel. Espírito Emmanuel. Cap. 26. Psicografado por Chico Xavier).

 

Observação (1): Dogma: Ponto fundamental e indiscutível de uma crença religiosa. (http://www.dicionariodoaurelio.com/dogma).  

 

Observação (2): Se encararmos a narrativa pelo lado científico, observaremos a morte de uma árvore em virtude de uma grade descarga de fluidos magnéticos, que imediatamente secaram a mesma. A Psicologia Moderna, com suas teorias edificantes e substanciosas, e com seus fatos positivos, mostra-nos o poder do magnetismo que utiliza os fluidos do Universo para destruir, conservar e vivificar. (Parábolas e ensinos de Jesus. Parábola da figueira estéril. Cairbar Schutel) .

            Uma planta possui, também, um corpo fluídico. (...) O que um homem e um animal enviam a uma planta são fluidos (matéria sutil emanada dos respectivos perispíritos). (...) A planta é um ser vivo que responde ao amor e às vibrações simpáticas emanadas de um espírito bem intencionado. Ainda pode praticar-se, com sucesso, a oração negativa, desejando que nada cresça.  (Evolução para  terceiro milênio. Parte 2. Cap. 4. Item 5. Carlos Toledo Rizzini)  

           

Bibliografia:

- O Livro dos Espíritos. Questões: 73, 75-a. Allan Kardec.

- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 19. Itens 6, 7, 8, 9. Allan Kardec.

- A Gênese. Cap. 1, item 16. Cap. 3, itens 18 e 19. Allan Kardec.

- O Consolador. Questões: 199, 200, 354,355, 360. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- Libertação. Cap. 1. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier.

- Emmanuel. Espírito Emmanuel. Cap. 26. Psicografado por Chico Xavier.

- Parábolas e ensinos de Jesus. Parábola da figueira estéril. Cairbar Schutel.

- O Diabo e a Igreja. Cap. 7. Cairbar Schutel.

- Depois da morte. Cap. 44. Leon Denis.

- Evolução para  terceiro milênio. Parte 2. Cap. 4. Item 5. Carlos Toledo Rizzini.

- Sites: http://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%A9; http://www.dicionariodoaurelio.com/dogma.