Aula 73 - Bem-aventurados os aflitos*

Ciclo 2 - História:  Fred, o garotinho feio -  Atividade:  ESE – Cap. 5 - 8 - O mal e o remédio  ou/e Cap. 6 -  1 - O jugo leve.

Ciclo 3 - História:  Aurino Costa  -  Atividade: ESE - Cap. 5 - 7 - Bem e mal sofrer.

 

Dinâmicas: Jugo leve; Diante do sofrimento.   

Mensagens Espíritas: Aflição.

Sugestão de livro infantil: Coleção Valores & Virtudes. Esperança: Uma nova cor no jardim. Madalena Parisi Duarte. Editora Brasileitura.

 

Leitura da Bíblia: Mateus - Capítulo 5


5.4 Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados


 

Mateus - Capítulo 11


11.28 Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.


11.29 Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.


11.30 Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.


 

João - Capítulo 16


16.33 Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.


 

Tópicos a serem abordados:

- A aflição é o sentimento daqueles que estão angustiados, preocupados com alguém ou alguma coisa. O sofrimento ainda existe aqui na Terra  porque somos espíritos imperfeitos. A causa da aflição está nos erros atuais ou na expiação da falta cometida em vidas passadas. Muitos sofrimentos são criados por nós mesmos, mas poderão ser evitados quando nos esforçarmos para desenvolver a moral e a inteligência (1).

- Jesus disse: ''Vinde a mim todos vós que estais cansados, que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração''. O jugo (submissão) de Jesus é a observância da lei de Deus, que consiste na prática da humildade,da fraternidade, da bondade, do perdão, do amor, da resignação, da calma, da paciência e da confiança em Deus. Esse jugo é leve e a lei é suave, pois que apenas impõe, como dever, o amor e a caridade.

- Quando estivermos tristes não devemos buscar o consolo, ou seja,  o alívio para o sofrimento, nas coisas materiais do mundo. Procuremos o consolo na doutrina de Jesus e estejamos certos de que o acharemos. Jesus é o grande médico das almas, Nele encontramos os recursos necessários para a nossa saúde espiritual.

- Jesus disse: ''Bem aventurados os aflitos, porque serão consolados.''  Isto significa que felizes são os que choram, porque serão aliviados. No entanto, Ele não está se referindo a todos que sofrem, pois poucos sofrem bem; poucos compreendem que somente as provas bem suportadas podem conduzi-los ao reino de Deus. O desânimo é uma falta, é preciso que tenhamos coragem e otimismo diante das dificuldades da vida. Deus sempre envia consolo aqueles que se esforçam no bem. O auxílio divino vem por meio dos  Espíritos amigos que nos amparam com seus conselhos e nos fortalecem.

- Deus não coloca fardos pesados em ombros fracos, ou seja, não nos coloca dificuldades e sofrimentos maiores do que possamos suportar. O fardo é proporcional às nossas forças, assim como a recompensa será  conforme a nossa resignação e coragem. Antes de reencarnamos, muitas vezes escolhemos as nossas provas, julgando-nos bastante fortes para suportá-las. Por que agora reclamamos? Se pedimos a pobreza é porque queríamos lutar contra a tentação da revolta e vencê-la. No entanto, se acusarmos a Deus de ser injusto, nova dívida contraímos e perdemos a oportunidade de aprender com o sofrimento. Então, neste caso, teremos que recomeçar. 

- Devemos sofrer sem reclamar, visto que os sofrimentos deste mundo são necessários ao nosso progresso espiritual. Felizes serão os que sofrerem com paciência e resignação.

- A prece é um apoio para a alma nos momentos difíceis; mas somente isto não basta, é preciso ter fé na bondade de Deus, que não desampara nenhum de seus filhos.  A fé é o remédio seguro para o sofrimento. Quem tem fé trabalha com coragem e alegria.  A fé aliada a esperança nos traz a compreensão de que as coisas deste mundo são passageiras e, portanto, espera por dias melhores.  O homem pode suavizar ou aumentar o sofrimento de suas provas, conforme o modo por que encare a vida terrena.

 

Comentário (1): ESE. Cap. 5. Item 4. A. K.

 

Perguntas para fixação:

1. Qual é a causa do sofrimento?

2. Quem pode aliviar o nosso sofrimento?

3. O que é o jugo de Jesus?

4. Por que o jugo de Jesus é leve?

5.  Quando estivermos tristes, onde devemos buscar consolo?

6.  De que maneira Deus nos envia o auxílio?

7. Deus nos coloca sofrimentos maiores do que possamos carregar?

8. De que maneira devemos sofrer?

9. Qual é o remédio seguro para o sofrimento?

 

 

Subsídio para o Evangelizador:

             Quando sofremos uma aflição, se procurarmos sua causa, encontraremos sempre a nossa própria imprudência, nossa imprevidência, ou alguma ação anterior. Nesses casos, como se vê, temos de atribuí-la a nós mesmos. Se a causa de uma infelicidade não depende absolutamente de nenhuma de nossas ações, trata-se de uma prova para a existência atual, ou de uma expiação da falta cometida em existência anterior e, neste caso, pela natureza da expiação podemos conhecer a natureza da falta, desde que somos sempre punidos naquilo em que pecamos. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 28. Item 30. Allan Kardec).

              As vicissitudes da vida têm, pois, uma causa, e como Deus é justo, essa causa deve ser justa. ( O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 5. Item 3. Allan Kardec).

            Mas se é verdade que o Senhor permitiu que os sofrimentos nos assaltassem, não é menos verdade que também nos proporciona a Esperança, com que aguardamos dias melhores. A Esperança é a estrela que norteia as nossas mais belas aspirações; é a estrela que ilumina a noite tenebrosa da vida, e nos faz vislumbrar a estância de salvamento. (Parábolas e ensinos de Jesus. As Bem-aventuranças. Um trecho do sermão do monte. Cairbar Schutel).

            Todos os sofrimentos: misérias, decepções, dores físicas, perda de seres amados, encontram consolação em a fé no futuro, em a confiança na justiça de Deus, que o Cristo veio ensinar aos homens. Sobre aquele que, ao contrário, nada espera após esta vida, ou que simplesmente duvida, as aflições caem com todo o seu peso e nenhuma esperança lhe mitiga o amargor. Foi isso que levou Jesus a dizer: "Vinde a mim todos vós que estais fatigados, que eu vos aliviarei."

            Entretanto, faz depender de uma condição a sua assistência e a felicidade que promete aos aflitos. Essa condição está na lei por ele ensinada. Seu jugo (1) é a observância dessa lei; mas, esse jugo é leve e a lei é suave, pois que apenas impõe, como dever, o amor e a caridade. ( O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 6. Item 2. Allan Kardec).

            O jugo de Jesus é a humildade, a fraternidade, o perdão, o amor, a resignação, a calma, a paciência e a confiança em Deus; é a paz e a bondade; é a certeza de uma vida eterna, vivida em perene alegria no seio de nosso Pai celestial; é o doce descanso de nossas almas, que pela fé e pelas boas obras, subirão aos planos divinos.

            E o jugo da terra é o ódio e a vingança; o desespero e a revolta; a descrença, o egoísmo, o orgulho, a ambição e a concupiscência. O jugo terreno prende em séculos de sofrimentos expiatórios os que não se esforçarem por se livrarem dele. Demonstrando-nos a realidade da vida além-túmulo e ensinando-nos e concitando-nos a praticar os preceitos de Jesus, o Espiritismo é uma poderosa força, que muito nos ajudará a libertarmo-nos do jugo terreno e fará com que facilmente aceitemos o suave e leve jugo de Jesus. (O Evangelho dos Humildes. Cap. 11. O jugo de Jesus. Eliseu Rigonatti)

             Praticando-lhe a moral é que nos depuraremos e praticar-lhe a moral é segui-lo. Ora, seguindo-o, de todo o nosso coração, não carregaremos pesado jugo, porqüanto a sua moral é de fácil prática, para quem quer que se forre aos mesquinhos objetivos humanos.

            Encontrareis descanso para vossas almas. — Obser­vando a moral de Jesus, despojar-nos-emos de todas as impurezas e chegaremos, pelo progresso, à perfeição, que nos levará aos mundos superiores, aos mundos fluí­dicos, onde habitam os Espíritos puros. Alcançar o re­pouso para a alma é nada mais ter que expiar. Ela então entra na paz do Senhor, paz ativa, rica de boas obras e de grandes coisas. (Elucidações Evangélicas. Cap. 76. Antônio Luiz Sayão).

            A vida na Terra é um caminho que nos conduz às paragens luminosas da Vida Eterna; não é um repouso, mas uma preparação para o repouso. (Parábolas e ensinos de Jesus. As Bem-aventuranças. Um trecho do sermão do monte. Cairbar Schutel).

            Segundo Eliseu Rigonatti: ''Encontraremos alívio em Jesus, porque sua consoladora doutrina nos enche de resignação, de calma e de paciência ante os rudes embates da vida e nos livra do peso das ilusões, demonstrando-nos que a verdadeira felicidade não consiste na posse transitória dos bens da terra; e sim nos bens imperecíveis do espírito.

            Quando o rigor das expiações nos tocarem e estivermos prestes a vacilar ante as provas; quando o castelo de nossas ilusões ruirem, deixando o vazio em nossos corações; quando até daqueles que mais amamos recebermos a repulsa e a ingratidão; quando virmos fenecer as flores da esperança que plantamos nas margens do caminho de nossas existências, não busquemos no mundo um consolo que o mundo não nos pode dar. Procuremos o consolo na doutrina de Jesus e estejamos certos de que o acharemos. (O Evangelho dos Humildes.'' Cap. 11. O jugo de Jesus. Eliseu Rigonatti)

            Jesus humanizado é o grande médico das almas, que as conhecendo em profundidade, apresenta a terapia recuperadora, ao tempo que oferece a libertadora, que evita novos comprometimentos. Conhecendo a causalidade que desencadearia as aflições, que são consequências funestas das ações anteriores infelizes que as geraram, propõe como recurso melhor, para a total liberação do seu contingente perturbador, a conquista da luz interna, superando toda a sombra que campeia nas consciências.

            Essa claridade incomparável capaz de anular todos os prejuízos e evitar novas projeções de sofrimentos é o cultivo do amor, sustentado pela oração que se converte em canal de irrigação da energia que procede de Deus e vitaliza a criatura humana. Com esse recurso incomparável, a docilidade no trato com o semelhante permite que as Forças espirituais que promanam das imarcescíveis regiões da plenitude alcancem a intimidade daquele que ora, nele produzindo o milagre da harmonia e da claridade interior permanentes.

            O Homem-Jesus, absolutamente lúcido e conhecedor do Self que lhe mantinha a organização humana, era todo luz, não havendo qualquer espaço sombra, o lado escuro que devesse ser penetrado, a fim de erradicar mazelas, desde que o houvera superado em experiências multifárias nas Esferas Superiores de onde provinha.

            Encarnando-se na Terra, não fugiu ao confronto com as imposições dominantes entre os Seus coevos, mantendo--se imperturbável, mas não insensível aos seus desmandos e irreflexões, loucuras e infantilidades evolutivas, razão por que procurava extirpar do cerne das vidas que O buscavam os agentes geradores das aflições que as esmagavam, e os levavam à hediondez, ao crime, à mentira, ao ódio, novos desencadeadores de futuras inquietações.

            O Seu fardo se fazia leve, porque estruturado em claridade diamantina, sem qualquer contingente de tormento, ensejando o alívio imediato ao penetrar na projeção do Seu pensamento irradiante que cindia toda treva.

            N'Ele estavam os recursos valiosos para a saúde espiritual, consequentemente, de natureza moral, emocional, física... (Jesus e o Evangelho à luz da psicologia profunda. Cap. 7. O jugo leve. Espírito Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo P. Franco).

            A grande missão de Jesus foi abater todas as cruzes que o mundo tinha levantado; foi arrasar todos os calvários. Ele foi o portador do bálsamo para todas as feridas, do consolo para todas as aflições, da luz para todas as trevas.

            Só aquele que tiver a ventura de percorrer as páginas do Novo Testamento e acompanhar os passos de Jesus desde o seu nascimento até à sua morte e gloriosa ressurreição, bem poderá avaliar no que consiste a Doutrina do Ressuscitado.

            É admirável ver o Grande Evangelizador no meio da plebe maltrapilha, repartindo, com todos, os tesouros do seu amor! Falava-lhes a linguagem do Céu; convidava-os à regeneração, à perfeição; fazia-lhes entrever o futuro cheio de promessas salutares; animava-os a buscarem as coisas de Deus; finalmente, procurava gravar naquelas almas, turbadas pelo sofrimento, o benévolo reflexo da Vida Eterna, que ele tinha por missão oferecer a todas as almas. (Parábolas e ensinos de Jesus. Nas pegadas de Jesus. Cairbar Schutel)

            Dirigiu-se Jesus à multidão dos aflitos e desalentados proclamando o divino propósito de aliviá-los. — “Vinde a mim! — clamou o Mestre — tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei comigo, que sou manso e humilde de coração!”

            Seu apelo amoroso vibra no mundo, através de todos os séculos do Cristianismo.

            Compacta é a turba de desesperados e oprimidos da Terra, não obstante o amorável convite.

            É que o Mestre no “Vinde a mim!” espera naturalmente que as almas inquietas e tristes o procurem para a aquisição do ensinamento divino. Mas nem todos os aflitos pretendem renunciar ao objeto de suas desesperações e nem todos os tristes querem fugir à sombra para o encontro com a luz.

            A maioria dos desalentados chega a tentar a satisfação de caprichos criminosos com a proteção de Jesus, emitindo rogatívas estranhas.

            Entretanto, quando os sofredores se dirigirem sinceramente ao Cristo, hão de ouvi-lo, no silêncio do santuário interior, concitando-lhes o espírito a desprezar as disputas reprováveis do campo inferior.

            Onde estão os aflitos da Terra que pretendem trocar o cativeiro das próprias paixões pelo jugo suave de Jesus-Cristo?

            Para esses foram pronunciadas as santas palavras “Vinde a mim!”, reservando-lhes o Evangelho poderosa luz para a renovação indispensável. (Pão Nosso. Cap. 130. Onde estão?. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).

            No livro '' Os Mensageiros'', o Espírito André Luiz relata um caso em que um doente encarnado recebeu amparo espiritual, porém são soube aproveitá-lo, devido a sua rebeldia:  

             ''Nesse instante, acercou-se de Isidoro uma en­tidade amiga, que solicitou:

            — Meu caro, estimaria suas providências junto dos receitistas, para que forneçam novas indicações ao Amaro. Meu sobrinho necessita de amparo à saúde física.

            O  esposo espiritual de Isabel tomou uma ex­pressão significativa e respondeu:

           — Não posso, meu amigo, não posso. Se Amaro pedir e os receitistas cederem, tudo estará muito bem; mas você não ignora que o nosso doente é muito rebelde. Já lhe providenciei a obtenção de conselhos médicos do nosso plano, por cinco vezes, sem que ele correspondesse aos nossos esforços. Não se resolve a adquirir os remédios indicados, e quando os obtém, por obséquio de amigos, despreza os horários e julga-se superior ao método. Critica mordazmente as indicações obtidas e serve-se delas com desprezo. Naturalmente não estou agastado com isso, como adulto que se não aborrece com as brincadeiras de uma criança; mas você compreende que estamos lidando com um material muito sa­grado e não há tempo para conviver com os que estimam a brincadeira. Além disso, não será cari­dade o ato de dar aos que não querem receber.'' (Os Mensageiros. Cap. 47. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

            Quando o Cristo disse: "Bem-aventurados os aflitos, o reino dos céus lhes pertence", não se referia de modo geral aos que sofrem, visto que sofrem todos os que se encontram na Terra, quer ocupem tronos, quer jazam sobre a palha. Mas, ah! poucos sofrem bem; poucos compreendem que somente as provas bem suportadas podem conduzi-los ao reino de Deus. O desânimo é uma falta. Deus vos recusa consolações, desde que vos falte coragem. A prece é um apoio para a alma; contudo, não basta: é preciso tenha por base uma fé viva na bondade de Deus. Ele já muitas vezes vos disse que não coloca fardos pesados em ombros fracos. O fardo é proporcionado às forças, como a recompensa o será à resignação e à coragem. Mais opulenta será a recompensa, do que penosa a aflição. Cumpre, porém, merecê-la, e é para isso que a vida se apresenta cheia de tribulações.

            O militar que não é mandado para as linhas de fogo fica descontente, porque o repouso no campo nenhuma ascensão de posto lhe faculta. Sede, pois, como o militar e não desejeis um repouso em que o vosso corpo se enervaria e se entorpeceria a vossa alma.

            Alegrai-vos, quando Deus vos enviar para a luta. Não consiste esta no fogo da batalha, mas nos amargores da vida, onde, às vezes, de mais coragem se há mister do que num combate sangrento, porquanto não é raro que aquele que se mantém firme em presença do inimigo fraqueje nas tenazes de uma pena moral. Nenhuma recompensa obtém o homem por essa espécie de coragem; mas, Deus lhe reserva palmas de vitória e uma situação gloriosa. Quando vos advenha uma causa de sofrimento ou de contrariedade, sobreponde-vos a ela, e, quando houverdes conseguido dominar os ímpetos da impaciência, da cólera, ou do desespero, dizei, de vós para convosco, cheio de justa satisfação: "Fui o mais forte." Bem-aventurados os aflitos pode então traduzir-se assim: Bem-aventurados os que têm ocasião de provar sua fé, sua firmeza, sua perseverança e sua submissão à vontade de Deus, porque terão centuplicada a alegria que lhes falta na Terra, porque depois do labor virá o repouso. ( Lacordaire. Havre, 1863. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 5. Item 18. Allan Kardec)

            Como desencarnados, quando pairáveis no Espaço, escolhestes as vossas provas, julgando-vos bastante fortes para as suportar. Por que agora murmurar? Vós, que pedistes a riqueza e a glória, queríeis sustentar luta com a tentação e vencê-la. Vós, que pedistes para lutar de corpo e espírito contra o mal moral e físico, sabíeis que quanto mais forte fosse a prova, tanto mais gloriosa a vitória e que, se triunfásseis, embora devesse o vosso corpo parar numa estrumeira, dele, ao morrer, se desprenderia uma alma de rutilante alvura e purificada pelo batismo da expiação e do sofrimento.

            Que remédio, então, prescrever aos atacados de obsessões cruéis e de cruciantes males? Só um é infalível: a fé, o apelo ao Céu. Se, na maior acerbidade dos vossos sofrimentos, entoardes hinos ao Senhor, o anjo, à vossa cabeceira, com a mão vos apontará o sinal da salvação e o lugar que um dia ocupareis... A fé é o remédio seguro do sofrimento; mostra sempre os horizontes do infinito diante dos quais se esvaem os poucos dias brumosos do presente. Não nos pergunteis, portanto, qual o remédio para curar tal úlcera ou tal chaga, para tal tentação ou tal prova. Lembrai-vos de que aquele que crê é forte pelo remédio da fé e que aquele que duvida um instante da sua eficácia é imediatamente punido, porque logo sente as pungitivas angústias da aflição.

            O Senhor apôs o seu selo em todos os que nele crêem. O Cristo vos disse que com a fé se transportam montanhas e eu vos digo que aquele que sofre e tem a fé por amparo ficara sob a sua égide e não mais sofrerá. Os momentos das mais fortes dores lhe serão as primeiras notas alegres da eternidade. Sua alma se desprenderá de tal maneira do corpo, que, enquanto se estorcer em convulsões, ela planará nas regiões celestes, entoando, com os anjos, hinos de reconhecimento e de glória ao Senhor. Ditosos os que sofrem e choram! Alegres estejam suas almas, porque Deus as cumulará de bem-aventuranças. ( Santo Agostinho. Paris, 1863. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 5. Item 19. Allan Kardec)

            O sofrimento é a moeda com a qual pagamos as faltas e os erros que, em nossa ignorância, cometemos em encarnações passadas; e com ele compramos nossa felicidade futura; porque os que sofrem têm contas a ajustar com a Justiça Divina.

            As lágrimas do sofrimento, quando suportado resignadamente, lavam as manchas da consciência e purificam o espírito. (O Evangelho dos Humildes. Cap. 5. Eliseu Rigonatti)

            Por estas palavras: Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados, Jesus aponta a compensação que hão de ter os que sofrem e a resignação que leva o padecente a bendizer do sofrimento, como prelúdio da cura.

            Também podem essas palavras ser traduzidas assim: Deveis considerar-vos felizes por sofrerdes, visto que as dores deste mundo são o pagamento da dívida que as vossas passadas faltas vos fizeram contrair; suportadas pacientemente na Terra, essas dores vos poupam séculos de sofrimentos na vida futura. Deveis, pois, sentir-vos felizes por reduzir Deus a vossa dívida, permitindo que a saldeis agora, o que vos garantirá a tranqüilidade no porvir.

            O homem que sofre assemelha-se a um devedor de avultada soma, a quem o credor diz: "Se me pagares hoje mesmo a centésima parte do teu débito, quitar-te-ei do restante e ficarás livre; se o não fizeres, atormentar-te-ei, até que pagues a última parcela." Não se sentiria feliz o devedor por suportar toda espécie de privações para se libertar, pagando apenas a centésima parte do que deve? Em vez de se queixar do seu credor, não lhe ficará agradecido?

            Tal o sentido das palavras: "Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados." São ditosos, porque se quitam e porque, depois de se haverem quitado, estarão livres. Se, porém, o homem, ao quitar-se de um lado, endivida-se de outro, jamais poderá alcançar a sua libertação. Ora, cada nova falta aumenta a dívida, porquanto nenhuma há, qualquer que ela seja, que não acarrete forçosa e inevitavelmente uma punição. Se não for hoje, será amanhã; se não for na vida atual, será noutra. Entre essas faltas, cumpre se coloque na primeira fiada a carência de submissão à vontade de Deus.      

              Logo, se murmurarmos nas aflições, se não as aceitarmos com resignação e como algo que devemos ter merecido, se acusarmos a Deus de ser injusto, nova dívida contraímos, que nos faz perder o fruto que devíamos colher do sofrimento. E por isso que teremos de recomeçar, absolutamente como se, a um credor que nos atormente, pagássemos uma cota e a tomássemos de novo por empréstimo.

            Ao entrar no mundo dos Espíritos, o homem ainda está como o operário que

comparece no dia do pagamento. A uns dirá o Senhor: "Aqui tens a paga dos teus dias de trabalho"; a outros, aos venturosos da Terra, aos que hajam vivido na ociosidade, que tiverem feito consistir a sua felicidade nas satisfações do amor-próprio e nos gozos mundanos: "Nada vos toca, pois que recebestes na Terra o vosso salário. Ide e recomeçai a tarefa."

             O homem pode suavizar ou aumentar o amargor de suas provas, conforme o modo por que encare a vida terrena. Tanto mais sofre ele, quanto mais longa se lhe afigura a duração do sofrimento. Ora, aquele que a encara pelo prisma da vida espiritual apanha, num golpe de vista, a vida corpórea. Ele a vê como um ponto no infinito, compreende-lhe a curteza e reconhece que esse penoso momento terá presto passado. A certeza de um próximo futuro mais ditoso o sustenta e anima e, longe de se queixar, agradece ao Céu as dores que o fazem avançar. Contrariamente, para aquele que apenas vê a vida corpórea, interminável lhe parece esta, e a dor o oprime com todo o seu peso. Daquela maneira de considerar a vida, resulta ser diminuída a importância das coisas deste mundo, e sentir-se compelido o homem a moderar seus desejos, a contentar-se com a sua posição, sem invejar a dos outros, a receber atenuada a impressão dos reveses e das decepções que experimente. Dai tira ele uma calma e uma resignação tão úteis à saúde do corpo quanto à da alma, ao passo que, com a inveja, o ciúme e a ambição, voluntariamente se condena à tortura e aumenta as misérias e as angústias

da sua curta existência. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 5. Item 12. Allan Kardec).

             Até agora, raros aflitos da Terra conseguiram merecer as bem-aventuranças do Céu, porque, realmente, com amor puro, somente o Grande Aflito da Cruz se entregou ao sacrifício total pelos próprios verdugos, rogando perdão para a ignorância deles e voltando das trevas do túmulo para socorrer e salvar, com a sua ressurreição e com o seu devotamento à Humanidade inteira. (Através do tempo. Item 30. André Luiz. Psicografado por Chico Xavier)

           

Observação (1): Jugo: 1 Barra ou armação de madeira, pela qual dois animais de tiro, especialmente bois, são unidos pelo pescoço ou cabeça, para o trabalho; canga. 2 Junta de bois. 3 Antig Dispositivo curvo colocado ao pescoço dos vencidos. 4 Símbolo de submissão, que consistia numa lança posta horizontalmente sobre duas outras cravadas no solo e sob a qual os antigos romanos faziam passar os seus inimigos vencidos. 5 Agente opressivo que reduz à sujeição, submissão ou servidão. 6 Sujeição, opressão. 7 Dominação. 8 Domínio moral. (http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=jugo)

 

Bibliografia:

- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 5, itens 3, 12, 18 e 19. Cap. 6, Item 2.  Cap. 28, item 30. Allan Kardec.

- O Evangelho dos Humildes. Cap. 5 e 11.  Eliseu Rigonatti.

- Elucidações Evangélicas. Cap. 76. Antônio Luiz Sayão.

- Parábolas e ensinos de Jesus. Nas pegadas de Jesus. Cairbar Schutel.

- Jesus e o Evangelho à luz da psicologia profunda. Cap. 7. O jugo leve. Espírito Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo P. Franco.

- Pão Nosso. Cap. 130. Onde estão?. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- Através do tempo. Item 30. André Luiz. Psicografado por Chico Xavier.

- Os Mensageiros. Cap. 47. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier.

- Site: http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=jugo. Data da consulta: 19/08/15.