Aula 71 - Maneira de orar

Ciclo 1 - História: Bolinhas de amor - Atividade:  PH – Jesus – 35 – Maneira de orar.

Ciclo 2 - História:  Aprendendo a orar -  Atividade:LE L3 - Cap. 2  - 1 – Objetivo da adoração ou/e  2 – Adoração Exterior.

Ciclo 3 - História:  As três orações -  Atividade: ESE – Cap. 27 – 4. Preces Inteligíveis ou/e 6 – Maneira de Orar.     

 

Dinâmicas: Maneira de orar; Prece inteligível.    

Mensagens Espíritas: Oração e prece.

Sugestão de vídeo: Música: Mestre Jesus com legendas Evangelizar é amar (Dica: pesquise no Youtube)

Sugestão de livro infantil: Coleção conte mais: A pandorga de sabu e As bota do carvoeiro. Editora Fergs. Obs.: Ler a história '' A pandorga de sabu''.

 

Leitura da Bíblia: Êxodo – Capítulo 20


20.4   Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.


20.5   Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem


20.6   e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos.


 

Mateus – Capítulo 6


6.5   E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.


6.6   Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.


6.7   E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos.


6.8   Não vos assemelheis, pois, a eles; porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais.


 

1Coríntios – Capítulo 14


14.11   Se eu, pois, ignorar a significação da voz, serei estrangeiro para aquele que fala; e ele, estrangeiro para mim.


14.12   Assim, também vós, visto que desejais dons espirituais, procurai progredir, para a edificação da igreja.


14.13   Pelo que, o que fala em outra língua deve orar para que a possa interpretar.


14.14   Porque, se eu orar em outra língua, o meu espírito ora de fato, mas a minha mente fica infrutífera.


14.15   Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente; cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente.


14.16   E, se tu bendisseres apenas em espírito, como dirá o indouto o amém depois da tua ação de graças? Visto que não entende o que dizes;


14.17   porque tu, de fato, dás bem as graças, mas o outro não é edificado.


 

Tópicos a serem abordados:

- Maneira de orar refere-se ao modo ou forma particular de que nos relacionamos com Deus. Sendo Deus um espírito, é pelo pensamento que devemos adorá-lo.

- Orar é o ato de dirigirmos nosso pensamento a Deus para adorá-lo, agradecer-lhe o bem que nos faz ou pedir-lhe o que necessitamos (1). No entanto, poucos sabem orar devidamente.

- Quando orarmos é bom escolher um lugar sossegado e, pensando firmemente em Deus, pronunciar a nossa prece. Entretanto, podemos orar em qualquer parte, porque Deus estando em todos os lugares sempre ouve a nossa prece (1).

- Não há horas para se fazer a prece, pode-se orar em qualquer momento. É bom, sem dúvida, elevar o nosso pensamento a Deus no início e no fim do dia.

- A oração deve ser feita com palavras simples e sinceras; Deus somente atende aos que oram com sinceridade e confiança. Não é pela quantidade das palavras que seremos escutados e nem pela quantidade de vezes que repetimos a oração. A prece não deve ser pronunciada através de uma leitura maquinal, puramente exterior, ou dita como uma simples fórmula decorada.

- Jesus nos ensinou como devemos orar.  Ele nos disse que quando orarmos não devemos nos colocar em evidência, para sermos vistos por outras pessoas, como faziam os escribas e fariseus na sua época. Mas devemos entrar no quarto, fechar a porta e orar em secreto. 

- A oração deve ser feita em língua compreensível para aquele que ora; deve ser dita de forma clara e sem frases inúteis. A prece só tem valor pelo pensamento que lhe é direcionado.O que não se compreende não pode tocar o coração. Para que a prece toque,  é preciso que cada palavra desperte uma idéia e, desde que não seja entendida, nenhuma idéia poderá despertar.

- Não é preciso fazer gestos para orar, pois não há rituais ou tradições na Doutrina Espírita. Não há uma posição específica para orar, não é preciso ajoelhar-se, juntar as mãos, nem fazemos o sinal da cruz. Também não deve-se cultuar imagens de santos ou utilizar velas e incensos. 

- Muitos oram por dever; alguns, mesmos, por obediência aos costumes, pois assim se julgam quites com Deus. No entanto, nosso pai celestial vê o que se passa no fundo dos nossos corações; lê o pensamento e percebe a sinceridade.

- Nem tudo pode-se obter pela prece; muitos não sabem pedir. Inútil, pedir ao Senhor,  riquezas, alegrias e que desvie as difíceis provas. Lembremo-nos de que Deus atende aos nossos pedidos se estes pedidos forem justos e servirem para o nosso progresso ou para aliviar a dor dos que sofrem (1).   O que Deus nos concede sempre, se pedir com confiança, é a coragem, a paciência e a resignação. E o que ainda nos concede são os meios  para nos livrarmos das dificuldades, com a ajuda da idéia que são sugeridas pelos Bons Espíritos.


Observação (1): 52 Lições de Catecismo Espírita. Lição 3. A prece. Eliseu Rigonatti.


Perguntas para fixação:

1. De que modo podemos no comunicar com Deus?

2. Pode-se orar em qualquer lugar?

3. Que tipos de palavras devem ser usadas na prece?

4. De acordo com Jesus, como devemos orar?

5. Por que devemos orar numa língua conhecida?

6. É preciso fazer gestos para orar, como juntar as mãos?

7. É necessário dizer muitas palavras no momento da prece?

8. Adianta repetir  a oração do ‘’Pai Nosso’’ se não for dita do coração?

9. Por que nem tudo pode-se obter pela prece?

 

 

Subsídio para o Evangelizador:

             No capítulo VI do Sermão do Monte, segundo Mateus, versículo 5 a 15, ensinou Jesus a seus discípulos e à multidão que se apinhava para ouvir os seus ensinos, a maneira como se deveria orar; e aproveitou o ensejo para resumir num excelente e substancioso colóquio com Deus, a súplica que ao Poderoso Senhor devemos dirigir cotidianamente.

            O Mestre renegava as longas e intermináveis rezas que os escribas e fariseus do seu tempo proferiam, de pé nas sinagogas e nos cantos das ruas, para serem vistos pelos homens. Observou a seus ouvintes que tal não fizessem, mas que, fechada a porta do seu quarto, dirigissem, em secreto, a súplica ao Senhor. (Parábolas e ensinos de Jesus. Parábola do Credor Incompassivo. Cairbar Schutel)

             Jesus definiu claramente as qualidades da prece. Quando orardes, diz ele, não vos ponhais em evidência; antes, orai em secreto. Não afeteis orar muito, pois não é pela multiplicidade das palavras que sereis escutados, mas pela sinceridade delas. Antes de orardes, se tiverdes qualquer coisa contra alguém, perdoai-lhe, visto que a prece não pode ser agradável a Deus, se não parte de um coração purificado de todo sentimento contrário à caridade. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 27. Item 4. Allan Kardec).

            O dever primordial de toda criatura humana, o primeiro ato que deve assinalar a sua volta à vida ativa de cada dia, é a prece. Quase todos vós orais, mas quão poucos são os que sabem orar! Que importam ao Senhor as frases que maquinalmente articulais umas às outras, fazendo disso um hábito, um dever que cumpris e que vos pesa como qualquer dever?

            A prece do cristão, do espírita, seja qual for o seu culto, deve ele dizê-la logo que o Espírito haja retomado o jugo da carne; deve elevar-se aos pés da Majestade Divina com humildade, com profundeza, num ímpeto de reconhecimento por todos os benefícios recebidos até àquele dia; pela noite transcorrida e durante a qual lhe foi permitido, ainda que sem consciência disso, ir ter com os seus amigos, com os seus guias, para haurir, no contacto com eles, mais força e perseverança. Deve ela subir humilde aos pés do Senhor, para lhe recomendar a vossa fraqueza, para lhe suplicar amparo, indulgência e misericórdia. Deve ser profunda, porquanto é a vossa alma que tem de elevar-se para o Criador, de transfigurar-se, como Jesus no Tabor, a fim de lá chegar nívea e radiosa de esperança e de amor.

            A vossa prece deve conter o pedido das graças de que necessitais, mas de que necessitais em realidade. Inútil, portanto, pedir ao Senhor que vos abrevie as provas, que vos dê alegrias e riquezas. Rogai-lhe que vos conceda os bens mais preciosos da paciência, da resignação e da fé. Não digais, como o fazem muitos: "Não vale a pena orar, porquanto Deus não me atende." Que é o que, na maioria dos casos, pedis a Deus? Já vos tendes lembrado de pedir-lhe a vossa melhoria moral? Oh! não; bem poucas vezes o tendes feito. O que preferentemente vos lembrais de pedir é o bom êxito para os vossos empreendimentos terrenos e haveis com freqüência exclamado: "Deus não se ocupa conosco; se  ocupasse, não se verificariam tantas injustiças." Insensatos! Ingratos! Se descêsseis ao fundo da vossa consciência, quase sempre depararíeis, em vós mesmos, com o ponto de partida dos males de que vos queixais. Pedi, pois, antes de tudo, que vos possais melhorar e vereis que torrente de graças e de consolações se derramará sobre vós.

            Deveis orar incessantemente, sem que, para isso, se faça mister vos recolhais ao vosso oratório, ou vos lanceis de joelhos nas praças públicas. A prece do dia é o cumprimento dos vossos deveres, sem exceção de nenhum, qualquer que seja a natureza deles. Não é ato de amor a Deus assistirdes os vossos irmãos numa necessidade, moral ou física? Não é ato de reconhecimento o elevardes a ele o vosso pensamento, quando uma felicidade vos advém, quando evitais um acidente, quando mesmo uma simples contrariedade apenas vos roça a alma, desde que vos não esqueçais de exclamar: Sede bendito, meu Pai?! Não é ato de contrição o vos humilhardes diante do supremo Juiz, quando sentis que falistes, ainda que somente por um pensamento fugaz, para lhe dizerdes: Perdoai-me, meu Deus, pois pequei (por orgulho, por egoísmo, ou por falta de caridade); dai-me forças para não falir de novo e coragem para a reparação da minha falta?!

            Isso independe das preces regulares da manhã e da noite e dos dias consagrados. Como o vedes, a prece pode ser de todos os instantes, sem nenhuma interrupção acarretar aos vossos trabalhos. Dita assim, ela, ao contrário, os santifica. Tende como certo que um só desses pensamentos, se partir do coração, é mais ouvido pelo vosso Pai celestial do que as longas orações ditas por hábito, muitas vezes sem causa determinante e às quais apenas maquinalmente vos chama a hora convencional.( V. Monod. .Bordéus, 1862 – O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 27. Item 22. Allan Kardec)

            Há homens que maldizem a prece, que acham-na banal, ridícula. Esses nunca oraram ou nunca souberam orar. Ah! Sem dúvida, se se trata apenas de padre-nossos recitados sem-convicção, dessas recitações tão vãs quanto interminá­veis, de todas essas orações classificadas e numeradas, que os lábios balbuciam e onde o coração não toma parte, pode-se compreender suas críticas; mas não está aí a verdadeira prece. Rebaixá-la a fórmulas que se medem pelo comprimento à soma que trazem, torna-se uma profanação, quase um sacrilégio.

            (...) Nessas conversas da alma com a Potência Suprema, a linguagem não deve ser preparada, anotada com antecedên­cia; deve variar segundo as necessidades, o estado do espírito do ser humano. É um grito, um lamento, uma efusão ou um canto de amor, um ato de adoração, um inventário moral feito sob o olhar de Deus, ou, ainda, um simples pensamento, uma lembrança, um olhar levantado para os céus.

            Não há horas para a prece. É bom, sem dúvida, elevar seu coração a Deus no início e no fim do dia. Mas, se sentirem indispostos, não orem. Em compensação, quando sua alma for abrandada, transportada por um sentimento profundo, pelo espetáculo do Infinito, mesmo que seja à beira dos oceanos, sob a claridade do dia ou sob a cúpula cintilante das noites, no meio dos campos e dos bosques sombrios, no silêncio das florestas, orem, então; é boa e grande toda causa que molhe seus olhos de lágrimas, faça dobrar seus joelhos e jorrar do seu coração um hino de amor, um grito de adoração em direção à Potência Eterna que guia seus passos na beira dos abismos.

            Seria um erro acreditar que tudo podemos obter pela prece, que sua eficácia é bastante grande para desviar de nós as provações inerentes à vida. A lei de imutável justiça não poderia dobrar-se aos nossos caprichos. Alguns pedem a fortuna, ignorando que seria uma infelicidade para eles, dando um livre impulso às suas paixões. Outros querem afastar males que são, às vezes, a condição necessária aos seus progressos. Suprimi-los teria como efeito tornar sua vida estéril. Por outro lado, como Deus poderia atender a todos os desejos que os homens exprimem nas suas preces? A maioria é incapaz de discernir o que lhe convém, o que lhe seria mais proveitoso.

            Na prece que dirige cada dia ao Eterno, o sábio não pede que seu destino seja feliz; não pede que a dor, as de­cepções, os reveses sejam afastados de si. Não! O que deseja é conhecer a lei para melhor cumpri-la; o que implora é a ajuda do Alto, o socorro dos espíritos benevolentes, a fim de suportar dignamente os maus dias. E os bons espíritos respondem ao seu apelo. Eles não procuram desviar o curso da justiça, entravar a execução dos divinos decretos. Sen­síveis aos sofrimentos humanos, que conheceram, suporta­ram, trazem aos seus irmãos da Terra, a inspiração que os sustenta contra as influências materiais; favorecem esses nobres e salutares pensamentos, esses impulsos do coração que, transportando-os para as altas regiões, livram-nos das tentações e das armadilhas da carne. A prece do sábio, feita num recolhimento profundo, fora de qualquer preocupação egoística, desperta nele essa intuição do dever, esse sen­timento superior do verdadeiro, do bem e do justo, que o guiam através das dificuldades da existência e o mantêm em comunhão íntima com a grande harmonia universal. (Depois da morte. Cap. 51. A prece. Léon Denis).

            O que Deus lhe concederá sempre, se ele o pedir com confiança, é a coragem, a paciência, a resignação. Também lhe concederá os meios de se tirar por si mesmo das dificuldades, mediante idéias que fará lhe sugiram os bons Espíritos, deixando-lhe dessa forma o mérito da ação. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 27. Item 7. Allan Kardec).

          Tem Deus preferência pelos que O adoram desta ou daquela maneira?

Deus prefere os que O adoram do fundo do coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal, aos que julgam honrá-Lo com cerimônias que os não tornam melhores para com os seus semelhantes.Todos os homens são irmãos e filhos de Deus. Ele atrai a Si todos os que lhe obedecem às leis, qualquer que seja a forma sob que as exprimam. É hipócrita aquele cuja piedade se cifra nos atos exteriores. Mau exemplo dá todo aquele cuja adoração é afetada e contradiz o seu procedimento. Declaro-vos que somente nos lábios e não na alma tem religião aquele que professa adorar o Cristo, mas que é orgulhoso, invejoso e cioso, duro e implacável para com outrem, ou ambicioso dos bens deste mundo. Deus, que tudo vê, dirá: o que conhece a verdade é cem vezes mais culpado do mal que faz, do que o selvagem ignorante que vive no deserto. E como tal será tratado no dia da justiça. Se um cego, ao passar, vos derriba, perdoá-lo-eis; se for um homem que enxerga perfeitamente bem, queixar-vos-eis e com razão. Não pergunteis, pois, se alguma forma de adoração há que mais convenha, porque eqüivaleria a perguntardes se mais agrada a Deus ser adorado num idioma do que noutro. Ainda uma vez vos digo: até Ele não chegam os cânticos, senão quando passam pela porta do coração. (O Livro dos Espíritos. Questão 654. Allan Kardec).

            O Espírito André Luiz nos orienta: Quanto possível, abandonar as fórmulas decoradas e a leitura maquinal das “preces prontas”, e viver preferentemente as expressões criadas de improviso, em plena emotividade, na exaltação da própria fé. Há diferença fundamental entre orar e declamar. Abster-se de repetir em voz alta as preces que são proferidas por amigos outros nas reuniões doutrinárias. A oração, acima de tudo, é sentimento. (Conduta Espírita. Cap. 26. André Luiz. Waldo Vieira)

            A prece só tem valor pelo pensamento que lhe está conjugado. Ora, é impossível conjugar um pensamento qualquer ao que se não compreende, porquanto o que não se compreende não pode tocar o coração. Para a imensa maioria das criaturas, as preces feitas numa língua que elas não entendem não passam de amálgamas de palavras que nada dizem ao espírito. Para que a prece toque, preciso se torna que cada palavra desperte uma idéia e, desde que não seja entendida, nenhuma idéia poderá despertar. Será dita como simples fórmula, cuja virtude dependerá do maior ou menor número de vezes que a repitam. Muitos oram por dever; alguns, mesmos, por obediência aos usos, pelo que se julgam quites, desde que tenham dito uma oração determinado número de vezes e em tal ou tal ordem. Deus vê o que se passa no fundo dos corações; lê o pensamento e percebe a sinceridade. Julgá-lo, pois, mais sensível à forma do que ao fundo é rebaixá-lo. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 27. Item 17. Allan Kardec). 

            Eis, a respeito, a opinião de São Paulo: “Se eu, pois, ignorar a significação da voz, serei estrangeiro para aquele que fala; e ele, estrangeiro para mim. – Porque, se eu orar em outra língua, o meu espírito ora de fato, mas a minha mente fica infrutífera. – E se tu bendisseres apenas em espírito, como dirá o indouto o amém depois da tua ação de graças? visto que não entende o que dizes. – Porque tu, de fato, dás bem as graças, mas o outro não é edificado.” (São Paulo, 1a Epístola aos Coríntios, capítulo 14, versículos, 11, 14, 16 e 17.)

            (...)Uma condição essencial da prece é, pois, segundo São Paulo, ser inteligível, a fim de que possa falar ao nosso espírito. Para isto não basta que seja dita em língua compreensível para aquele que ora; há preces em língua vulgar que não dizem muito mais ao pensamento do que se o fossem em língua estranha, e que, por isso mesmo, não vão ao coração; as raras idéias que encerram muitas vezes são abafadas pela superabundância de palavras e pelo misticismo da linguagem.

            A principal qualidade da prece é ser clara, simples e concisa, sem fraseologia inútil, nem luxo de epítetos, que não passam de falsos adereços; cada palavra deve ter o seu alcance, despertar um pensamento, agitar uma fibra; numa palavra, deve fazer refletir; só com esta condição a prece pode atingir o seu objetivo, do contrário não passa de ruído. Observai, também, com que ar distraído e com que volubilidade elas são ditas na maior parte do tempo. Vêem-se os lábios se movendo, mas, pela expressão da fisionomia e pelo tom da voz se reconhece um ato maquinal, puramente exterior, ao qual a alma fica indiferente.

            O mais perfeito modelo de concisão em matéria de prece é, indubitavelmente, a Oração dominical, verdadeira obra prima de sublimidade na sua simplicidade; sob a mais restrita forma, ela resume todos os deveres do homem para com Deus, para consigo mesmo e para com o próximo. Contudo, em razão de sua própria brevidade, o sentido profundo, encerrado nas poucas palavras de que se compõe, escapa à maioria; os comentários feitos a respeito nem sempre estão presentes à memória, ou, mesmo, são desconhecidos pela maioria. Eis por que geralmente a dizem sem digerir o pensamento sobre as aplicações de cada uma de suas partes. Dizem-na como uma fórmula, cuja eficácia é proporcional ao número de vezes que é repetida. Ora, é quase sempre um dos números cabalísticos três, sete ou nove, tirados da antiga crença na virtude dos números, e ainda em uso nas operações de magia. Pensai ou não no que dizeis, mas repeti a prece tantas vezes, que isto basta. Enquanto o Espiritismo repele expressamente toda eficácia atribuída às palavras, aos sinais e às fórmulas, a Igreja se intromete indevidamente ao acusá-lo de ressuscitar as velhas crenças supersticiosas.     

            Todas as religiões antigas e pagãs tiveram sua língua sagrada, língua misteriosa, inteligível apenas aos iniciados, mas cujo sentido verdadeiro era oculto ao vulgo, que a respeitava tanto mais quanto menos a compreendia. Isto podia ser aceito na época da infância intelectual das massas; mas hoje, que estão espiritualmente emancipadas, as línguas místicas não têm mais razão de ser e constituem um anacronismo; querem ver tão claro nas coisas da religião quanto nas da vida civil; não se pede mais para crer e orar, mas se quer saber por que se crê e o que se pede orando.

            O latim, de uso habitual nos primeiros tempos do Cristianismo, tornou-se para a Igreja a língua sagrada, e é por um resquício do antigo prestígio ligado a essas línguas, que a maioria dos que não o sabem recitam a oração dominical nessa língua, em vez de na sua própria. Dir-se-ia que ligam a isto tanto mais virtude quanto menos a compreendem. Por certo, não foi essa a intenção de Jesus quando a ditou, e tal não foi, igualmente, a de São Paulo, quando disse: “Se eu orar em outra língua, o meu espírito ora de fato, mas a minha mente fica infrutífera.” Ainda se, por falta de inteligência, o coração orasse sempre, haveria apenas um mal menor; infelizmente, muitas vezes o coração não ora mais que o espírito. Se o coração realmente orasse, não se veria tanta gente, entre os que rezam muito, aproveitar tão pouco, não ser nem mais benevolente, nem mais caridosa, nem menos maledicente para com o próximo. (Revista Espírita. Agosto de 1864. Suplemento ao Capítulo das Preces da Imitação do Evangelho. Allan Kardec)

            No livro libertação, o Espírito André Luiz, ao adentrar um templo católico, relata que muitos ainda oram de maneira indevida:  

        “Contemplando a formosa claridade dos nichos, perguntei ao nosso Instrutor:

        — Que vemos? não reza o segundo manda­mento, trazido por Moisés, que o homem não deve fazer imagens de escultura para representar a Pa­ternidade Celeste?

        — Sim — concordou o orientador —, e deter­mina o Testamento que ninguém se deve curvar diante delas. Efetivamente, pois, André, é um erro criar ídolos de barro ou de pedra para simbolizar a grandeza do Senhor, quando nossa obrigação pri­mordial é a de render-lhe culto na própria cons­ciência; entretanto, a Bondade Divina é infinita e aqui nos achamos perante apreciável quantidade de mentes infantis.

        E sorrindo, acrescentou:

        — Quantas vezes, meu amigo, a criança aca­lenta bibelôs, a fim de preparar-se convenientemente para as responsabilidades da vida madura. Ainda existem na Terra tribos primitivas que ado­ram o Pai na voz do trovão e coletividades vizi­nhas da taba que fazem de vários animais objeto de idolatria. Nem por isso o Senhor as abandona. Vale-se dos impulsos elevados que elas lhe oferecem e socorre-lhes as necessidades educativas. Nesta casa de oração, os altares recebem as projeções de matéria mental sublimada dos crentes. Há quase um século, as preces fervorosas de milhares deles aqui envolvem os nichos e apetrechos do culto. É natural que resplandeçam. Através de semelhante material, os mensageiros celestes distribuem dá­divas espirituais com todos quantos sintonizem com o plano superior. A luz que oferecemos ao Céu serve sempre de base às manifestações do Céu para a Terra.

        Ante ligeira pausa, alonguei o olhar pela mul­tidão bem vestida.

        Quase todas as pessoas, ainda aquelas que ostentavam nas mãos delicados objetos de culto, revelavam-se mentalmente muito distantes da verdadeira adoração à Divindade, o halo vital de que se cercavam definia pelas cores o baixo padrão vibratório a que se acolhiam. Em grande parte, dominavam o pardo-escuro e o cinzento-carregado. Em algumas, os raios rubro-negros denunciavam cólera vingativa que, a nossos olhos, não conseguiriam disfarçar. Entidades desencarnadas, em deplorável situação, espalhavam-se em todos os re­cantos, nas mesmas características.

        Reconheci que os crentes elegantes, ainda mes­mo que desejassem orar com sinceridade, precisa­riam despender imenso esforço.

        A liturgia anunciou o inicio da cerimônia, mas, com grande assombro para mim, o sacerdote e os acólitos, não obstante se dirigirem para o campo de luz do altar-mor, envergando soberba vesti­menta, jaziam em sombras, sucedendo o mesmo aos assistentes. Entretanto, procedendo de mais alto, três entidades de sublime posição hierárquica se fizeram visíveis à santa mesa, com o evidente pro­pósito de ali semearem os benefícios divinos. Mag­netizaram as águas expostas, saturando-as de prin­cípios salutares e vitalizantes, como acontece nas sessões de Espiritismo Cristão, e, em seguida, pas­saram a fluidificar as hóstias, transmitindo-lhes energias sagradas à fina contextura.

        Admirado, voltei a observar a plateia religio­sa, mas os irmãos ignorantes que operavam no templo, sem corpo físico, tanto quanto ocorria aos encarnados, nem de longe registravam a presença dos nobres emissários espirituais que agiam em nome do Infinito Bem.

        Reparei, através do halo de muita gente, que determinado número de frequentadores se esforçava por melhorar a atitude mental na oração. Reflexos arroxeados, tendendo a vacilante brilho, apareciam aqui e acolá; contudo, os malfeitores desencarnados propositadamente se postavam ao pé dos que se candidatavam à fé renovadora e reverente, buscan­do conturbá-los.

        Não longe, fixei a atenção numa senhora que acompanhava o sacerdote com o mani­festo desejo de receber a bênção celestial; os olhos úmidos e os tênues raios de luz, que se lhe projetavam da mente, diziam da sincera aspiração àvida superior que, naquele instante, lhe banhava o pensamento devoto; entretanto, dois transviados da esfera inferior, percebendo-lhe a esperança cons­trutiva, tentavam anular-lhe a atenção e, segundo o que me foi permitido verificar, lhe sugeriam reminiscências de baixo teor, inutilizando-lhe a ten­tativa.

        Voltei-me para o orientador, que prestimosa-mente explicou:

        — A história de gênios satânicos, atacando os devotos de variados matizes, é, no fundo, absolutamente verdadeira. As inteligências pervertidas, in­capazes de receber as vantagens celestes, transfor­mam-se em instrumentos passivos das inteligências rebeladas, que se interessam pela ignorância das massas, com lastimável menosprezo pela espiritua­lidade superior que nos governa os destinos. A aquisição de fé, por isto mesmo, demanda trabalho individual dos mais persistentes. A confiança no bem e o entusiasmo de viver que a luz religiosa nos infunde modificam-nos a tonalidade vibratória. Lucramos infinitamente com a imersão das forças interiores no sublimado idealismo da crença santi­ficante, a que nos afeiçoamos; todavia, o serviço real que nos cabe não se resume só a palavras. A profissão de fé não é tudo. A experiência da alma no corpo denso destina-se, de maneira fun­damental, ao aprimoramento do indivíduo. É nos atritos da marcha que o ser se desenvolve, se apura e ilumina. Não obstante, a tendência dos crentes, em geral, é a de fugir aos conflitos da senda. Pessoas existem que depois de servirem ao ideal religioso, durante dois anos, pretendem o repouso de vinte séculos. Em todas as casas de fé, os mensageiros do Senhor distribuem favores e bênçãos compatíveis com as necessidades de cada um; entretanto, é imprescindível que se prepare o coração nas linhas do mérito, a fim de recolhê-los. Entre emissão e recepção, prevalece o imperativo da sintonia. Sem esforço preparatório, é impossí­vel ambientar o benefício. Embalde imporíamos, de imediato, ao homem selvagem a vida num pa­lácio erguido pela cultura moderna. Aos acordes de nossa música, preferiria ele os ruidos da ven­tania, e um cabaz de flechas lhe pareceria mais valioso que um dos nossos mais perfeitos parques industriais. Portanto, para que alguém se coloque a caminho das eminências sociais, é indispensável seja educado, de boa vontade, aceitando as suges­tões de melhoria e serviço.

        Gúbio (o orientador) espraiou o olhar através da multidão que presenciava a cerimônia, aparentemente contrita, e acentuou:

        — Em verdade, a missa é um ato religioso tão venerável quanto qualquer outro em que os corações procuram identificar-se com a Proteção Divina; no entanto, raros são aqueles que trazem até aqui o espírito efetivamente inclinado à assi­milação do auxilio celestial. E para a formação de semelhante clima interior, cada crente, além do serviço de purificação dos sentimentos, necessitará também combater a influência dispersiva e pertur­badora que procede dos companheiros desencarna­dos que lhe buscam arrefecer o fervor. (Libertação. Espírito André Luiz. Cap. 9. Psicografado por Chico Xavier).

        (...) A oração é o mais eficiente antídoto do vampirismo. A prece não é movimento mecânico de lábios, nem disco de fácil repetição no aparelho da mente. É vibração, energia, poder. A criatura que ora, mobilizando as próprias forças, realiza trabalhos de inexprimível significação. Semelhante estado psíquico descortina forças ignoradas, revela a nossa origem divina e coloca-nos em contacto com as fontes superiores. Dentro dessa realização, o Espírito, em qual quer forma, pode emitir raios de espantoso poder. (Missionários da Luz. Cap. 6. André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

 

Bibliografia:

- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 27. Itens 4, 7, 17, 22. Allan Kardec.

- O Livro dos Espíritos. Questão 654. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Agosto de 1864. Suplemento ao Capítulo das Preces da Imitação do Evangelho. Allan Kardec.

- Conduta Espírita. Cap. 26. André Luiz. Waldo Vieira.

- Libertação. Espírito André Luiz. Cap. 9. Psicografado por Chico Xavier.

- Missionários da Luz. Cap. 6. André Luiz. Psicografado por Chico Xavier.

- Parábolas e ensinos de Jesus. Parábola do Credor Incompassivo. Cairbar Schutel.

- Depois da morte. Cap. 51. A prece. Léon Denis.