Aula 60 - Materialização e aparição de Jesus após sua morte

Ciclo 1 - História:  A Ressurreição -  Atividade: PH – Jesus – 28 – Ressurreição de Jesus.

Ciclo 2 - História:  A Estrada de Emaús -  Atividade: PH – Jesus – 29 – A caminho de Emaús.

Ciclo 3 - História: Mãe -  Atividade: PH – Jesus – 30 - Ressurreição de Jesus.

 

Dinâmica: Materialização.

Biografia: Willian Crookes.

Mensagens Espíritas: Ressurreição.

Sugestão de livro infantil: - A Estrada de Emaús. Públio Carísio de Paula. Editora Minas.

 

Leitura da Bíblia: João - Capítulo 20


20.11   Maria, entretanto, permanecia junto à entrada do túmulo, chorando. Enquanto chorava, abaixou-se, e olhou para dentro do túmulo,


20.12   e viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde o corpo de Jesus fora posto, um à cabeceira e outro aos pés.


20.13   Então, eles lhe perguntaram: Mulher, por que choras? Ela lhes respondeu: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram.


20.14   Tendo dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não reconheceu que era Jesus.


20.15   Perguntou-lhe Jesus: Mulher, por que choras? A quem procuras? Ela, supondo ser ele o jardineiro, respondeu: Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei.


20.16   Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, lhe disse, em hebraico: Raboni (que quer dizer Mestre)!


20.17   Recomendou-lhe Jesus: Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus.


20.18   Então, saiu Maria Madalena anunciando aos discípulos: Vi o Senhor! E contava que ele lhe dissera estas coisas.


 

Lucas - Capítulo 24


24.13   Naquele mesmo dia, dois deles estavam de caminho para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios.


24.14   E iam conversando a respeito de todas as coisas sucedidas.


24.15   Aconteceu que, enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e ia com eles.


24.16   Os seus olhos, porém, estavam como que impedidos de o reconhecer.


24.17   Então, lhes perguntou Jesus: Que é isso que vos preocupa e de que ides tratando à medida que caminhais? E eles pararam entristecidos.


24.18   Um, porém, chamado Cleopas, respondeu, dizendo: És o único, porventura, que, tendo estado em Jerusalém, ignoras as ocorrências destes últimos dias?


24.19   Ele lhes perguntou: Quais? E explicaram: O que aconteceu a Jesus, o Nazareno, que era varão profeta, poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo,


24.20   e como os principais sacerdotes e as nossas autoridades o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram.


24.21   Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel; mas, depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam.


24.22   É verdade também que algumas mulheres, das que conosco estavam, nos surpreenderam, tendo ido de madrugada ao túmulo;


24.23   e, não achando o corpo de Jesus, voltaram dizendo terem tido uma visão de anjos, os quais afirmam que ele vive.


24.24   De fato, alguns dos nossos foram ao sepulcro e verificaram a exatidão do que disseram as mulheres; mas não o viram.


24.25   Então, lhes disse Jesus: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram!


24.26   Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória?


24.27   E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras.


24.28   Quando se aproximavam da aldeia para onde iam, fez ele menção de passar adiante.


24.29   Mas eles o constrangeram, dizendo: Fica conosco, porque é tarde, e o dia já declina. E entrou para ficar com eles.


24.30   E aconteceu que, quando estavam à mesa, tomando ele o pão, abençoou-o e, tendo-o partido, lhes deu;


24.31   então, se lhes abriram os olhos, e o reconheceram; mas ele desapareceu da presença deles.


24.32   E disseram um ao outro: Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras?


24.33   E, na mesma hora, levantando-se, voltaram para Jerusalém, onde acharam reunidos os onze e outros com eles,


24.34   os quais diziam: O Senhor ressuscitou e já apareceu a Simão!


24.35   Então, os dois contaram o que lhes acontecera no caminho e como fora por eles reconhecido no partir do pão.


24.36   Falavam ainda estas coisas quando Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: Paz seja convosco!


24.37   Eles, porém, surpresos e atemorizados, acreditavam estarem vendo um espírito.


24.38   Mas ele lhes disse: Por que estais perturbados? E por que sobem dúvidas ao vosso coração?


24.39   Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho.


24.40   Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés.


24.41   E, por não acreditarem eles ainda, por causa da alegria, e estando admirados, Jesus lhes disse: Tendes aqui alguma coisa que comer?


24.42   Então, lhe apresentaram um pedaço de peixe assado [e um favo de mel].


 

João - Capítulo 20 e 21


20.24   Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus.


20.25   Disseram-lhe, então, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele respondeu: Se eu não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, e ali não puser o dedo, e não puser a mão no seu lado, de modo algum acreditarei.


20.26   Passados oito dias, estavam outra vez ali reunidos os seus discípulos, e Tomé, com eles. Estando as portas trancadas, veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco!


20.27   E logo disse a Tomé: Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; chega também a mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente.


20.28   Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu e Deus meu!


20.29   Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram.


21.1   Depois disto, tornou Jesus a manifestar-se aos discípulos junto do mar de Tiberíades; e foi assim que ele se manifestou:


21.2   estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galiléia, os filhos de Zebedeu e mais dois dos seus discípulos.


21.3   Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Disseram-lhe os outros: Também nós vamos contigo. Saíram, e entraram no barco, e, naquela noite, nada apanharam.


21.4   Mas, ao clarear da madrugada, estava Jesus na praia; todavia, os discípulos não reconheceram que era ele.


21.5   Perguntou-lhes Jesus: Filhos, tendes aí alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não.


21.6   Então, lhes disse: Lançai a rede à direita do barco e achareis. Assim fizeram e já não podiam puxar a rede, tão grande era a quantidade de peixes.


21.7   Aquele discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: É o Senhor! Simão Pedro, ouvindo que era o Senhor, cingiu-se com sua veste, porque se havia despido, e lançou-se ao mar;


21.8   mas os outros discípulos vieram no barquinho puxando a rede com os peixes; porque não estavam distantes da terra senão quase duzentos côvados.


21.9   Ao saltarem em terra, viram ali umas brasas e, em cima, peixes; e havia também pão.


21.10   Disse-lhes Jesus: Trazei alguns dos peixes que acabastes de apanhar.


21.11   Simão Pedro entrou no barco e arrastou a rede para a terra, cheia de cento e cinqüenta e três grandes peixes; e, não obstante serem tantos, a rede não se rompeu.


 

Lucas - Capítulo 24


24.50   Então, os levou para Betânia e, erguendo as mãos, os abençoou.


24.51   Aconteceu que, enquanto os abençoava, ia-se retirando deles, sendo elevado para o céu.


24.52   Então, eles, adorando-o, voltaram para Jerusalém, tomados de grande júbilo;


24.53   e estavam sempre no templo, louvando a Deus.


 

Atos dos Apóstolos - Capítulo 1


1.3   A estes também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus.


1.4   E, comendo com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual, disse ele, de mim ouvistes.


1.5   Porque João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias.


 

1 Coríntios - Capítulo 15


15.6   Depois, foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria sobrevive até agora; porém alguns já dormem.


 

Tópicos a serem abordados:

- A morte não existe, pois o Espírito é um  ser imaterial que sobrevive ao corpo.
 Jesus provou isso, aparecendo aos seus discípulos, apóstolos  e  seguidores com seu corpo espiritual após a morte. Na Bíblia, essas aparições são chamadas de ressurreição.  

-  Jesus  foi sepultado no dia do martírio na cruz e depois no terceiro dia ressuscitou. Segundo o Evangelho de João (20:11-18), Ele apareceu primeiro a Maria Madalena  , quando foi procurá-lo no sepulcro. Nos demais Evangelhos relata-se que Ele apareceu também para outras mulheres. Depois disso, no mesmo dia ,  manifestou-se em outra forma a dois de seus discípulos que estavam a caminho de Emaús E, eles  anunciaram aos apóstolos o que tinha acontecido .E enquanto estavam falando, Jesus apareceu no meio deles,  e censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração. (Lucas 24:13-39).  Uma semana depois, se apresentou aos apóstolos novamente, mas Tomé que não o havia visto,  precisou tocá-lo para que pudesse acreditar nele. (João 20:24-2). E apresentou-se pela terceira vez aos apóstolos na margem do mar de Tiberíades enquanto estavam pescando (João 21:1-14).

-  O Espiritismo nos explica que a Ressurreição não é algo sobrenatural. Segundo as leis naturais, outros Espíritos também podem se tornar visíveis e se comunicarem após a morte.

- Jesus possui, com todos nós,  um corpo espiritual que permanece com seu Espírito após a morte. Este corpo fluídico, chamado de períspirito, pode ser modificado conforme o pensamento, pois ele é maleável. Em casos raros, ele pode condensar-se, tornar-se visível e tangível, isto é, ser visto e tocado. Assim como,  ocorreu com Tomé, que tocou as chagas do Cristo com a própria mão. Também pode aparecer e desaparecer, inesperadamente, como ocorreu com os dois discípulos, em Emaús.

- Do mesmo modo que vemos a água se apresentar em estado sólido, líquido ou gasoso, conforme seu grau de condensação, de igual modo a matéria do perispírito poderá apresentar-se em estado sólido, vaporoso visível, ou vaporoso invisível. No entanto, as aparições tangíveis só têm da matéria carnal as aparências, na realidade, não há nelas carne.

-  Existem diferenças fundamentais entre a  materialização e a aparição. Não é preciso ser médium para ver o Espírito materializado. Podemos abraçá-lo, sentir-lhe o calor da temperatura, ouvir-lhe as pulsações do coração e com ele conversar naturalmente. Entretanto, no caso da aparição, o Espírito é visto apenas por quem tiver a mediunidade de vidência.

- As aparições são frequentes, mas as materializações são fenômenos mais raros, apesar de existirem diversos casos registrados na história. Em especial, podemos citar o caso do Espírito de Katie King , que se materializou durante vários meses, em sessões na casa do cientista Willian Crookes. Deixava-se tocar, abraçar, escutar-lhe as pulsações do coração e fotografar. Depois , dissipava-se como um ligeiro nevoeiro.  

- Para ocorrer este fenômeno é necessário combinar uma parte do fluido universal com o fluido que o médium libera, conhecido por ectoplasma. Disso resulta uma modificação no perispírito, que lhe altera momentaneamente as propriedades, a ponto de torná-lo visível e, em certos casos, tangível.  Mas, é preciso que haja médiuns de efeitos físicos, voluntários ou involuntários, para que se produza este efeito.

- A emissão do fluido pode ser maior ou menor, conforme os médiuns sejam mais ou menos potentes. Isto independe do caráter e das qualidades morais da­queles que a possuem.

- Estas manifestações físicas, quando realizadas por Espíritos bons,  ocorrem com um fim útil.  Evidentemente, Jesus, diretor Espiritual do planeta, tornou-se visível para prestar amparo, revelando a imortalidade do seu Espírito.

 

Perguntas para fixação:

1. O que significa a  Ressurreição de Jesus?

2.  Com que tipo de corpo Jesus apareceu após a morte?

3. Jesus apareceu primeiramente para quem?

4. O que é uma aparição?

5. O que é o fenômeno de materialialização?

6. Qual dos apóstolos precisou tocar em Jesus para acreditar?

7. Quais fluídos são necessários para que ocorra a materialização ?

8. Com qual objetivo os Espíritos bons se materializam?

 

Subsídio para o Evangelizador:

            Materialização é o fenômeno pelo qual os Espíritos se corporificam, tornando-se visíveis a quantos estiverem no local das sessões. Não é preciso ser médium para ver o Espírito materializado. Materializando-se, corporificando-se, pode o Espírito ser visto, sentido e tocado.

            Podemos abraçá-lo, sentir-lhe o calor da temperatura, ouvir-lhe as pulsações do coração e com ele conversar naturalmente. Aparição é o fenômeno pelo qual o Espírito é visto apenas por quem tiver vidência.

            A materialização é um fenômeno objetivo e a aparição é um fenômeno subjetivo. Há, portanto, fundamental diferença entre uma e outra. (Estudando a mediunidade. Cap. 42. Martins Peralva).

            As aparições do Cristo são conhecidas e tiveram numerosos testemunhos. Apresentam flagrantes analogias com as que em nossos dias são observadas em diversos graus, desde a forma etérea, sem consistência, com que aparece a Maria Madalena e que não suportaria o mínimo contacto, até a completa materialização, tal como a pôde verificar Tomé, que tocou com a própria mão as chagas do Cristo. Daí esse contraste nas palavras de Jesus: “Não me toques” – diz ele à Madalena – ao passo que convida Tomé a pôr o dedo nos sinais dos cravos: “Chega também a tua mão e mete-a no meu lado”.

            Jesus aparece e desaparece instantaneamente. Penetra numa casa a portas fechadas. Em Emaús conversa com dois dos discípulos, que o não reconhecem, e desaparece repentinamente. Acha-se de posse desse corpo fluídico, etéreo, que há em todos nós, corpo sutil que é o invólucro inseparável de toda alma e que um alto

Espírito como o seu sabe dirigir, modificar, condensar, rarefazer à vontade. E a tal ponto o condensa, que se torna visível e tangível aos assistentes. (Cristianismo e Espiritismo. Cap. 5. Léon Denis).

            Pois, sendo Cristo as primícias do Espírito, como afirma o Apóstolo Paulo; estando nós certos de que Ele ressuscitou, apareceu, comunicou-se, porque não podem fazer o mesmo aqueles Espíritos que nos foram amigos, parentes, aqueles que viviam conosco, mantendo mútua afeição?

            Na Epístola aos Coríntios diz o Apóstolo da Luz: “Se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou e é vã a nossa fé.” (Parábolas e ensinos de Jesus. Nas pegadas de Jesus. Cairbar Schutel).

            Todos os evangelistas narram as aparições de Jesus, após sua morte, com circunstanciados pormenores que não permitem se duvide da realidade do fato. Elas, aliás, se explicam perfeitamente pelas leis fluídicas e pelas propriedades do perispírito e nada de anômalo apresentam em face dos fenômenos do mesmo gênero, cuja história, antiga e contemporânea, oferece numerosos exemplos, sem lhes faltar sequer a tangibilidade. Se notarmos as circunstâncias em que se deram as suas diversas aparições, nele reconheceremos, em tais ocasiões, todos os caracteres de um ser fluídico.

            Aparece inopinadamente e do mesmo modo desaparece; uns o vêem, outros não, sob aparências que não o tornam reconhecível nem sequer aos seus discípulos; mostra-se em recintos fechados, onde um corpo carnal não poderia penetrar; sua própria linguagem carece da vivacidade da de um ser corpóreo; fala em tom breve e sentencioso, peculiar aos Espíritos que se manifestam daquela maneira; todas as suas atitudes, numa palavra, denotam alguma coisa que não é do mundo terreno. Sua presença causa simultaneamente surpresa e medo; ao vê-lo, seus discípulos não lhe falam com a mesma liberdade de antes; sentem que já não é um homem.

            Jesus, portanto, se mostrou com o seu corpo perispirítico, o que explica que só tenha sido visto pelos que ele quis que o vissem. Se estivesse com o seu corpo carnal, todos o veriam, como quando estava vivo. Ignorando a causa originária do fenômeno das aparições, seus discípulos não se apercebiam dessas particularidades, a que, provavelmente, não davam atenção. Desde que viam o Senhor e o tocavam, haviam de achar que aquele era o seu corpo ressuscitado. (A Gênese. Cap. 15. Item 61. Allan Kardec).

            Tão alheios se achavam à verdadeira natureza de Jesus, que Tomé só se convenceu de que o Mestre reapa­recera, quando pôde verificá-lo com seus próprios olhos. (Elucidações Evangélicas. Cap. 190.  Antônio Luiz Sayão).

            Ao passo que a incredulidade rejeita todos os fatos que Jesus produziu, por terem uma aparência sobrenatural, e os considera, sem exceção, lendários, o Espiritismo dá explicação natural à maior parte desses fatos. Prova a possibilidade deles, não só pela teoria das leis fluídicas, como pela identidade que apresentam com análogos fatos produzidos por uma imensidade de pessoas nas mais vulgares condições. (A Gênese. Cap. 15. Item 62. Allan Kardec). 

            Crookes entregou-se durante quatro anos ao estudo das manifestações espíritas, construindo, para controlá-las cientificamente, instrumentos de uma precisão e de uma delicadeza inauditas.

            (...)Durante vários meses, o espírito de uma jovem e graciosa mulher, chamada Katie King, apareceu todas as tardes aos olhos dos investigadores, revestindo, por alguns instantes, toda a aparência de um corpo humano, dotado de órgãos e dos sentidos, entretinha-se com o Sr. e a Sra. Crookes e os assistentes, submetendo-se a todas as experiências exigi­das, deixando-se tocar, auscultar, fotografar; depois do que, dissipava-se como um ligeiro nevoeiro. (Depois da morte. Cap. 19. Léon Denis).

            Conforme o grau de condensação do fluido perispirítico, a aparição é às vezes vaga e vaporosa; doutras vezes, mais nitidamente definida; doutras, enfim, com todas as aparências da matéria tangível. Pode, mesmo, chegar, até, à tangibilidade real, ao ponto de o observador se enganar com relação à natureza do ser que tem diante de si.

            São freqüentes as aparições vaporosas, forma sob a qual muitos indivíduos, depois de terem morrido, se apresentam às pessoas que lhes são afeiçoadas. As aparições tangíveis são mais raras, se bem haja delas numerosíssimos casos, perfeitamente autenticados. Se o Espírito quer dar-se a conhecer, imprime ao seu envoltório todos os sinais exteriores que tinha quando vivo.

            É de notar-se que as aparições tangíveis só têm da matéria carnal as aparências; não poderiam ter dela as qualidades. Em virtude da sua natureza fluídica, não podem ter a coesão da matéria, porque, em realidade, não há nelas carne. Formam-se instantaneamente e instantaneamente desaparecem, ou se evaporam pela desagregação das moléculas fluídicas. Os seres que se apresentam nessas condições não nascem, nem morrem, como os outros homens. São vistos e deixam de ser vistos, sem que se saiba donde vêm, como vieram, nem para onde vão. Ninguém os poderia matar, nem prender, nem encarcerar, visto carecerem de corpo carnal. Atingiriam o vácuo os golpes que se lhes desferissem.

            Tal o caráter dos agêneres, com os quais se pode confabular, sem suspeitar de que eles o sejam, mas que não demoram longo tempo entre os humanos e não podem tornar-se comensais de uma casa, nem figurar entre os membros de uma família.

            Ao demais, denotam sempre, em suas atitudes, qualquer coisa de estranho e de insólito que deriva ao mesmo tempo da materialidade e da espiritualidade: neles, o olhar é simultaneamente vaporoso e brilhante, carece da nitidez do olhar através dos olhos da carne; a linguagem, breve e quase sempre sentenciosa, nada tem do brilho e da volubilidade da linguagem humana; a aproximação deles causa uma sensação singular e indefinível de surpresa, que inspira uma espécie de temor; e quem com eles se põe em contacto, embora os tome por indivíduos quais todos os outros, é levado a dizer involuntariamente: Ali está uma criatura singular. (A Gênese. Cap. 14. Item 35 e 36. Allan Kardec).

            Assim, do mesmo modo que vemos um corpo se nos apresentar em estado sólido, líquido ou gasoso, conforme seu grau de condensação, de igual modo a matéria do perispírito poderá apresentar-se em estado sólido, vaporoso visível, ou vaporoso invisível. (Revista Espírita. Maio de 1858. Teoria das Manifestações físicas. Primeiro artigo. Allan Kardec)

            Agora, como se operam, na matéria eterizada, as modificações que vão torná-la perceptível e tangível? Deixemos, primeiro, que falem os Espíritos, a quem interrogamos a respeito desse assunto, acrescentando depois os nossos próprios comentários. As respostas seguintes foram dadas pelo Espírito São Luís; concordam com o que nos havia sido dito anteriormente por outros Espíritos.

            1. Como pode um Espírito aparecer com a solidez de um corpo vivo?

            Resp. – Ele combina uma parte do fluido universal com o fluido

que o médium libera, próprio a esse efeito. À sua vontade, esse fluído toma a forma que o Espírito deseja; mas em geral a forma é impalpável.

            2. Qual é a natureza desse fluido?

            Resp. – Fluido; está dito tudo.

            3. Esse fluido é material?

            Resp. – Semimaterial.

            4. É esse fluido que compõe o perispírito?

            Resp. – Sim, é a ligação do Espírito à matéria.

            (...)Quando o Espírito está encarnado, a substância do perispírito se acha mais ou menos ligada intimamente à matéria do corpo, mais ou menos aderente, se assim nos podemos exprimir. Em algumas pessoas há uma espécie de emanação desse fluido, em conseqüência de sua organização, e é isso que constitui propriamente os médiuns de efeitos físicos. Emanando do corpo, esse fluido se combina, segundo leis que nos são desconhecidas, com o fluido que forma o envoltório semimaterial de um Espírito estranho. Disso resulta uma modificação, uma espécie de reação molecular que lhe altera momentaneamente as propriedades, a ponto de torná-lo visível e, em certos casos, tangível. Esse efeito pode produzir-se com ou sem o concurso da vontade do médium; é isso que distingue os médiuns naturais dos médiuns facultativos. A emissão do fluido pode ser mais ou menos abundante: daí os médiuns mais ou menos potentes; e como tal emissão não é permanente, fica explicada a intermitência daquele poder. Enfim, se levar em conta o grau de afinidade que pode existir entre o fluido do médium e o de tal ou qual Espírito, conceber-se-á que sua ação possa exercer-se sobre uns e não sobre outros. (Revista Espírita. Junho de 1858. Teoria das Manifestações Físicas. Segundo Artigo. Allan Kardec).

            No livro '' Nos domínios da mediunidade'' o Espírito André Luiz relata, em maiores detalhes, como ocorre o fenômeno da materialização:

         ''Correspondendo à atuação magnética dos men­tores responsáveis, desdobrou-se o médium, afastando-se­ do veículo físico, de modo tão perfeito que o ato em si mais se me afigurava a própria desencarnação, porque o corpo jazia no leito, como se fora um casulo de carne, largado e inerte.

            O  veículo físico, assim prostrado, sob o domí­nio dos técnicos do nosso plano, começou a expelir o ectoplasma, qual pasta flexível, à maneira de uma geléia viscosa e semilíquida, através de todos os poros e, com mais abundância, pelos orifícios naturais, particularmente da boca, das narinas e dos ouvidos, com elevada percentagem a exterio­rizar-se igualmente do tórax e das extremidades dos dedos. A substância, caracterizada por um cheiro especialíssimo, que não conseguimos descre­ver, escorria em movimentos reptilianos, acumu­lando-se na parte inferior do organismo medianí­mico, onde apresentava o aspecto de grande massa protoplásmica, viva e tremulante.

            (...) O ectoplasma está em si tão associado ao pensamento do médium, quanto as forças do filho em formação se encontram ligadas à mente ma­ternal. Em razão disso, toda a cautela é indispen­sável na assistência ao medianeiro.

            (...) A materializa­ção de criaturas e objetos de nosso plano, para ser mais perfeita, exige mais segura desmaterialização do médium e dos companheiros encarnados que o assistem, porque, por mais nos consagremos aos trabalhos dessa ordem, estamos subordinados à cooperação dos amigos terrestres, assim como a água, por mais pura, permanece submetida às qualidades felizes ou infelizes do canal por onde se escoa.

            (...) o pensamento mediúnico pode influir nas formas materializadas, mesmo quando essas formas se encontrem sob rigoroso controle de ami­gos da nossa esfera...

            (...) Essa força materializante é como as outras manipuladas em nossas tarefas de intercâmbio. Independe do caráter e das qualidades morais da­queles que a possuem, constituindo emanações do mundo psicofísico, das quais o citoplasma é uma das fontes de origem. Em alguns raros indivíduos, encontramos semelhante energia com mais alta per­centagem de exteriorização, contudo, sabemos que ela será de futuro mais abundante e mais facil­mente abordável, quando a coletividade humana atingir mais elevado grau de maturação.

            (...) Em derredor, grande massa de substância ecto­plásmica leitosa-prateada, da qual se destacavam alguns fios escuros e cinzentos, amontoava-se, abun­dante.

            Técnicos de nosso plano manipulavam-na, com atenção.

            Aulus fixou a paisagem de trabalho ativo e explicou-nos:

            — Aí temos o material leve e plástico de que necessitamos para a materialização. Podemos dividi-lo em três elementos essenciais, em nossas rápidas noções de serviço, a saber — fluidos “A”, representando as forças superiores e sutis de nos­sa esfera, fluidos “B”, definindo os recursos do médium e dos companheiros que o assistem, e fluidos “C”, constituindo energias tomadas à Natureza ter­restre. Os fluidos “A” podem ser os mais puros e os fluidos “C” podem ser os mais dóceis; no entanto, os fluidos “B”, nascidos da atuação dos companheiros encarnados e, muito notadamente, do médium, são capazes de estragar-nos os mais nobres projetos. Nos círculos, aliás raríssimos, em que os elementos “A” encontram segura colaboração das energias “B”, a materialização de ordem elevada assume os mais altos característicos, raiando pela sublimidade dos fenômenos; contudo, onde predominarn os elemen­tos “B”, nosso concurso é consideravelmente reduzi­do, porqüanto nossas maiores possibilidades pas­sam a ser canalizadas na dependência das forças inferiores do nosso plano, que, afinadas aos poten­ciais dos irmãos encarnados, podem senhorear-lhes os recursos, invadindo-lhes o campo de ação e in­clinando-lhes as experiências psíquicas no rumo de lastimáveis desastres.'' (Nos domínios da mediunidade. Cap. 28. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).        

            A duração dessa aparência está submetida a condições que nos são desconhecidas; depende, sem dúvida, da vontade do Espírito, que a pode produzir ou fazê-la cessar à vontade, embora dentro de certos limites, que nem sempre tem liberdade de transpor. Interrogados a respeito, bem como sobre todas as intermitências de quaisquer manifestações, os Espíritos sempre disseram que agiam em virtude de uma permissão superior.

            Se, para certos Espíritos, é limitada a duração da aparência corporal, podemos dizer que, em princípio, ela é variável, podendo persistir mais ou menos tempo; pode produzir-se a qualquer tempo e a toda hora. Um Espírito cujo corpo fosse assim visível e palpável teria, para nós, toda a aparência de um ser humano; poderia conversar conosco e sentar-se em nosso lar qual se fora uma pessoa qualquer, pois o tomaríamos como um de nossos semelhantes.

            (...)O fato a seguir, que se passou ultimamente em Paris, parece pertencer a esta categoria: Uma pobre mulher estava na igreja de São Roque e rogava a Deus que a auxiliasse em sua aflição. À saída, na rua Saint-Honoré, encontra um senhor que a aborda e lhe diz: “Boa mulher, ficaríeis contente se arranjasses trabalho?” – “Ah! meu bom senhor” – responde ela – “peço a Deus que me conceda esse favor, porque estou muito necessitada.” – “Pois bem! Ide a tal rua, número tanto. Procurai a senhora T...: ela vos dará trabalho.” Então continuou seu caminho. A pobre mulher dirigiu-se sem demora ao endereço indicado. – “Com efeito, tenho um trabalho para mandar fazer” – diz a senhora em questão – “mas como não o dissera a ninguém, como pôde a senhora vir me procurar?” Então a pobre indigente, avistando um retrato suspenso à parede, respondeu: – “Senhora, foi esse cavalheiro que me enviou aqui.” – “Esse cavalheiro!” – replicou espantada a senhora – “Mas isso não é possível; este é o retrato de meu filho, morto há três anos.” – “Não sei como pode ser isto, mas vos asseguro que foi esse senhor que acabei de encontrar ao sair da igreja, onde tinha ido pedir a Deus que me assistisse. Ele me abordou e foi ele mesmo que me mandou aqui.”         

            Conforme o que acabamos de ver, nada haveria de surpreendente em que o Espírito do filho daquela senhora, a fim de prestar um serviço à pobre mulher, da qual sem dúvida ouvira a prece, lhe tivesse aparecido sob a forma corpórea para indicar-lhe o endereço da própria mãe. Em que se transformou depois? Sem dúvida no que era antes: um Espírito, a menos que, continuando seu passeio, tenha julgado conveniente mostrar-se a outras pessoas sob a mesma aparência. Essa mulher teria, assim, encontrado um agênere, com o qual havia conversado. Mas, então – dirão – por que não se teria apresentado à sua mãe? Nessas circunstâncias os motivos determinantes dos Espíritos nos são completamente desconhecidos. Agem como bem lhes pareça, ou melhor, como  disseram, em virtude de uma permissão sem a qual não podem revelar sua existência de modo material. Compreende-se, ademais, que sua visão poderia causar à mãe perigosa emoção. E quem sabe se não se apresentou a ela durante o sono ou de qualquer outro modo? E, aliás, não terá sido um meio de lhe revelar sua existência? É muito provável que tenha testemunhado aquela conversa entre as duas senhoras.

            (...)Pedimos ao Espírito São Luís que nos esclarecesse sobre esses diferentes pontos, dignando-se responder às nossas perguntas:

            4. Esses seres pertencem à classe dos Espíritos inferiores ou superiores?

            Resp. – Podem pertencer às duas; são fatos raros. Deles tendes exemplos na Bíblia.

            5. Raros ou não, basta a sua possibilidade para merecer a nossa atenção. O que aconteceria se, tomando semelhante ser por um homem comum, lhe fizessem um ferimento mortal? Seria morto?

            Resp. – Desapareceria subitamente, como o jovem de Londres. [Ver o número de dezembro de 1858 – Fenômenos de bicorporeidade.]

            6. Eles têm paixões?

            Resp. – Sim; como Espíritos têm as paixões dos Espíritos, conforme sua inferioridade. Se algumas vezes tomam um corpo aparente é para fruir as paixões humanas; se são elevados, é com um fim útil que o fazem.

            7. Podem procriar?

            Resp. – Deus não o permitiria. Seria contrário às leis que estabeleceu na Terra e elas não podem ser derrogadas.

            8. Se um ser semelhante se nos apresentasse, haveria um meio de o reconhecer?

            Resp. – Não, a não ser que o seu desaparecimento se fizesse de modo inesperado. Seria o mesmo que o transporte de móveis de um para outro andar, fatos que lestes anteriormente.

            9. Qual o objetivo que pode levar certos Espíritos a tomar esse estado corporal? É antes o mal do que o bem?

            Resp. – Freqüentemente o mal; os Espíritos bons têm a seu favor a inspiração; agem pela alma e pelo coração. Como o sabeis, as manifestações físicas são produzidas por Espíritos inferiores, e aquelas são desse número. Entretanto, como disse, os Espíritos bons podem igualmente tomar essa aparência corporal com um fim útil. Falei de maneira geral.

            10. Nesse estado podem eles tornar-se visíveis ou invisíveis à vontade?

            Resp. – Sim, pois que podem desaparecer quando bem entenderem.

            11. Têm eles um poder oculto superior ao dos demais homens?

            Resp. – Só têm o poder que lhes faculta a sua posição como Espírito.

            12. Têm necessidade real de alimento?

            Resp. – Não; o corpo não é real.

            13. Entretanto, embora não tivesse um corpo real, o jovem de Londres (1) almoçava com seus amigos e apertou-lhes a mão. Em que se teria transformado o alimento absorvido?

            Resp. – Antes de apertar a mão, onde estavam os dedos que apertavam? Compreendeis que o corpo desapareça? Por que não quereis compreender que a matéria também desapareça? O corpo do rapaz de Londres não era uma realidade, visto estar em Boulogne. Era, pois, uma aparência; o mesmo ocorre com a nutrição que ele parecia absorver. (Revista Espírita. Fevereiro de 1859. Os Agêneres. Allan Kardec).

 

           

Observação (1): A história do jovem de Londres, relatada em nosso número de dezembro, é um fato de bicorporeidade, ou, melhor dizendo, de dupla presença, que difere essencialmente daquele de que tratamos. O agênere não tem corpo vivo na Terra; apenas seu perispírito toma uma forma palpável. O jovem de Londres estava perfeitamente vivo. Enquanto seu corpo dormia em Boulogne, seu Espírito, envolto pelo perispírito, foi a Londres, onde tomou uma aparência tangível. (Revista Espírita. Fevereiro de 1859. Os Agêneres. Allan Kardec).

             

Bibliografia:

- A Gênese. Cap. 14, item 35 e 36.  Cap. 15, itens 61 e 62. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Maio de 1858. Junho de 1858. Teoria das Manifestações Físicas. Primeiro e Segundo Artigo. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Fevereiro de 1859. Os Agêneres. Allan Kardec.

- Estudando a mediunidade. Cap. 42. Martins Peralva

- Cristianismo e Espiritismo. Cap. 5. Léon Denis.

- Parábolas e ensinos de Jesus. Nas pegadas de Jesus. Cairbar Schutel.

- Elucidações Evangélicas. Cap. 190.  Antônio Luiz Sayão.

- Depois da morte. Cap. 19. Léon Denis.

- Nos domínios da mediunidade. Cap. 28. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier.