Aula 59 - Reencarnação: João Batista é Elias*

Ciclo 2 - História:  João Batista é Elias -  Atividade: PH – Jesus – 26 – João Batista é Elias.

Ciclo 3 - História: A morte de João Batista -  Atividade: PH – Jesus – 27 -  João Batista é Elias ou/e ESE – Cap. 4  - 2 – Ressurreição e reencarnação (continuação).

 

Dinâmica:Reencarnação: João Batista é Elias.

 

Leitura da Bíblia: Isaías – Capítulo 40 (Vide: Mateus 3:3)


40.3   Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do SENHOR; endireitai no ermo vereda a nosso Deus.


 

Malaquias – Capítulo 3 e 4


3.1   Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; de repente, virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais, o Anjo da Aliança, a quem vós desejais; eis que ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos.


4.5   Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do SENHOR;


4.6   ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição.


 

Lucas – Capítulo 1


1.16   E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus.


1.17   E irá adiante do Senhor no espírito e poder de Elias, para converter o coração dos pais aos filhos, converter os desobedientes à prudência dos justos e habilitar para o Senhor um povo preparado.


 

Mateus – Capítulo 11 e 17


11.12   Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele.


11.13   Porque todos os Profetas e a Lei profetizaram até João.


11.14   E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Elias, que estava para vir.


17.10   Mas os discípulos o interrogaram: Por que dizem, pois, os escribas ser necessário que Elias venha primeiro?


17.11   Então, Jesus respondeu: De fato, Elias virá e restaurará todas as coisas.


17.12   Eu, porém, vos declaro que Elias já veio, e não o reconheceram; antes, fizeram com ele tudo quanto quiseram. Assim também o Filho do Homem* há de padecer nas mãos deles.


17.13   Então, os discípulos entenderam que lhes falara a respeito de João Batista.


 

Obs.*É evidente que a qualificação de Filho do homem quer aqui dizer: que nasceu do homem, por oposição ao que está fora da Humanidade. (...) Jesus dá a si mesmo essa qualificação com persistência notável, pois só em circunstâncias muito raras ele se diz Filho de Deus. Em sua boca, não pode ter ela outra significação, que não lembrar que também ele pertence à Humanidade, identificando-se desse modo aos profetas que o precederam e aos quais se comparou, aludindo à sua morte,quando disse: Jerusalém, que matas os profetas! (Obras Póstumas. Item 9. O Filho de Deus e o Filho do homem. Allan Kardec).

 

João - Capítulo 3


3.1   E havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, príncipe dos judeus.


3.2   Este foi ter de noite com Jesus e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és mestre vindo de Deus, porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele.


3.3   Jesus respondeu e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.


3.4   Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura, pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer?


3.5   Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus.



Tópicos a serem abordados:

- A reencarnação fazia parte da crença dos judeus, sob o nome de ressurreição. Só os saduceus (seita judaica), cuja crença era a de que tudo acaba com a morte, não acreditavam nisso. Eles acreditavam que um homem que vivera podia reviver, sem saberem precisamente de que maneira o fato poderia dar-se. Chamavam isto de ressurreição, o que o Espiritismo chama de reencarnação. A ressurreição dá idéia de voltar à vida o corpo que já está morto, o que a Ciência demonstra ser materialmente impossível. A reencarnação é a volta da alma ou Espírito à vida corpórea, mas em outro corpo especialmente formado para ele e que nada tem de comum com o antigo.

-  Em cada encarnação podemos aprender um pouquinho mais e ao mesmo tempo corrigimos os erros de nossas encarnações anteriores. Os conhecimentos adquiridos em cada existência não se perdem.  A cada nova existência, o Espírito parte de onde estava na existência anterior.

- João Batista é a reencarnação de Elias, ou seja, o Espírito de Elias reencarnou em outro corpo diferente do anterior. O retorno de Elias (cerca de 800 anos depois) foi anunciado por outros profetas no Velho Testamento. O profeta Malaquias, por volta de 400 a.C., disse: ‘‘Eis que eu vos envio o profeta Elias, antes que venha o dia grande e terrível do Senhor” .  João Batista  seria o precursor, o anunciador do Messias (Jesus). A vinda de Elias era um sinal, um código, para o povo de Israel.   Os hebreus sabiam que quando Elias voltasse, é porque tinha chegado a época da vinda do Messias, profetizado no Velho Testamento.

- Jesus afirmou que João Batista era Elias e deixa bem claro quando disse: ‘‘ (...) ele mesmo é Elias, que estava para vir. ‘‘E quando os discípulos o interrogaram: ” Por que dizem, pois, os escribas ser necessário que Elias venha primeiro? ” Jesus respondeu: ‘‘De fato, Elias virá e restaurará todas as coisas.  Eu, porém, vos declaro que Elias já veio, e não o reconheceram; antes, fizeram com ele tudo quanto quiseram. Assim também o Filho do Homem (Jesus)  há de padecer (morrer) nas mãos deles. ”

- Confirmando isto, podemos notar em João Batista a mesma rudeza, a mesma independência de palavras e atos e a mesma coragem de Elias. Comparando os trechos da Bíblia, podemos observar as semelhanças de características nas suas encarnações: 1. Uso de roupas parecidas: Elias e João Batista utilizavam roupa de pelos (2Reis 1:8/Marcos 1:6); 2. Mostra a sua coragem: Elias zombava dos profetas de Baal e João Batista criticava duramente os Fariseus e Saduceus, utilizando a expressão ‘‘ Raça de víboras’’ (1Reis 18:27/Mateus 3:7-8).  3. Mostra a perseguição que sofria: Elias era perseguido pelo rei Acab e a rainha Jezabel, pois ele combatia a adoração ao deus Baal, que eles cultuavam. E também por ter sido o responsável pela morte dos 450 profetas de Baal. João Batista era perseguido pelo rei Herodes e Herodíades, pois o profeta dizia que não era permitida a união deles, pois ela era mulher do seu irmão. Então devido a isto, foi preso e depois morto (decapitado) (1Reis 18:40, 19:2/ Marcos 6:18-20, Mateus 14:6-10).

- Em virtude da lei de causa e efeito, sabemos que não há efeito sem causa. Se João Batista sofreu  a pena de morte é porque ainda tinha dívidas de encarnações anteriores a pagar. Apesar do alto grau de espiritualidade que tinha alcançado, João teve que expiar, passando pela mesma pena que infligira aos outros, para se purificar.  Pois, na época em que viveu como Elias, mandou matar os profetas de Baal. É a Justiça Divina que se cumpre, nada deixando sem pagamento.

- O objetivo da encarnação é a melhoria progressiva da humanidade. O corpo é o instrumento que o Espírito usa para executar o serviço. Quando o corpo morre, toma outro corpo, ou outros corpos, tantos quantos sejam necessários para terminar a tarefa.  São necessárias diversas reencarnações para alcançarmos a perfeição, ou seja, para nos tornarmos um Espírito puro.

 

Perguntas para fixação:

1. Qual era o nome dado pelos judeus para a reencarnação?

2. O que é reencarnação, segundo o Espiritismo?

3. Quem é a reencarnação do profeta Elias?

4. O que o profeta Malaquias quis dizer com estas palavras:  ‘‘Eis que eu vos envio o profeta Elias, antes que venha o dia grande e terrível do Senhor” .

5. Jesus afirmou que Elias era João Batista?

6. Qual era o tipo de roupa que  Elias e João Batista costumavam utilizar?

7.  Qual foi a expiação de João Batista?

8. Qual é o objetivo da encarnação?

 

 

Subsídio para o Evangelizador:

            A reencarnação fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o nome de ressurreição. Só os saduceus, cuja crença era a de que tudo acaba com a morte, não acreditavam nisso. As idéias dos judeus sobre esse ponto, como sobre muitos outros, não eram claramente definidas, porque apenas tinham vagas e incompletas noções acerca da alma e da sua ligação com o corpo. Criam eles que um homem que vivera podia reviver, sem saberem precisamente de que maneira o fato poderia dar-se. Designavam pelo termo ressurreição o que o Espiritismo, mais judiciosamente, chama reencarnação. Com efeito, a ressurreição dá idéia de voltar à vida o corpo que já está morto, o que a Ciência demonstra ser materialmente impossível, sobretudo quando os elementos desse corpo já se acham desde muito tempo dispersos e absorvidos. A reencarnação é a volta da alma ou Espírito à vida corpórea, mas em outro corpo especialmente formado para ele e que nada tem de comum com o antigo. A palavra ressurreição podia assim aplicar-se a Lázaro, mas não a Elias, nem aos outros profetas. Se, portanto, segundo a crença deles, João Batista era Elias, o corpo de João não podia ser o de Elias, pois que João fora visto criança e seus pais eram conhecidos. João, pois, podia ser Elias reencarnado, porém, não ressuscitado.

            A idéia de que João Batista era Elias e de que os profetas podiam reviver na Terra se nos depara em muitas passagens dos Evangelhos. Se fosse errônea essa crença, Jesus não houvera deixado de a combater, como combateu tantas outras. Longe disso, ele a sanciona com toda a sua autoridade e a põe por princípio e como condição necessária, quando diz: "Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo." E insiste, acrescentando: Não te admires de que eu te haja dito ser preciso nasças de novo. 

            Se o princípio da reencarnação, conforme se acha expresso em S. João, podia, a rigor, ser interpretado em sentido puramente místico, o mesmo já não acontece com esta passagem de S. Mateus, que não permite equívoco: ELE MESMO é o Elias que há de vir. Não há aí figura, nem alegoria: é uma afirmação positiva. -"Desde o tempo de João Batista até o presente o reino dos céus é tomado pela violência." Que significam essas palavras, uma vez que João Batista ainda vivia naquele momento? Jesus as explica, dizendo: "Se quiserdes compreender o que digo, ele mesmo é o Elias que há de vir." Ora, sendo João o próprio Elias, Jesus alude à época em que João vivia com o nome de Elias. "Até ao presente o reino dos céus é tomado pela violência": outra alusão à violência da lei moisaica, que ordenava o extermínio dos infiéis, para que os demais ganhassem a Terra Prometida, Paraíso dos hebreus, ao passo que, segundo a nova lei, o céu se ganha pela caridade e pela brandura. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 4. Itens  4, 6 e 11. Allan Kardec).

            Os judeus consideravam as calamidades, as dores morais e físicas como castigos que a cólera de Deus fazia cair sobre os que as experimentavam, os quais, por isso mesmo que sofriam, eram considerados culpados. Logicamente, os que nada sofriam eram tidos por inocentes. Jesus tratou de destruir essa crença errônea, mas sem entrar em explicações, que o levariam a falar das encar­nações e reencarnações, como meio de expiação, repa­ração e progresso, o que fora inconveniente, por não estar ainda a Humanidade apta a receber essas expli­cações.

            Acreditavam eles, os judeus, na volta do Espírito a uma nova existência terrena, mas unicamente com re­lação aos profetas, aos grandes enviados, qual Elias, por exemplo, que criam ter vindo depois como João, o Precursor.

            Entretanto, no colóquio que teve com Nicodemos (João, capítulo 3º), Jesus afirmou, ainda que veladamente, a realidade da lei natural da reencarnação e essa lei mos­tra que somos culpados todos os que nos achamos neste planeta, que todos a ele viemos para expiar e reparar não só as faltas de que temos consciência, como as de que nos não lembramos, cometidas em outras existên­cias. Todos, portanto, temos que fazer penitência, se não quisermos agravar as nossas culpas e tornar-nos passíveis de maiores “castigos”. Mas, que vem a ser penitência? Pode ela dispensar a expiação e a repa­ração?

            A lei das encarnações e reencarnações, cuja reali­dade, conforme acima dissemos, as palavras de Jesus a Nicodemos atestaram, nos dá solução satisfatória para muitos problemas, que permanecem insolúveis ante os ensinos do Catolicismo, por isso que este, em presença de qualquer dificuldade, logo apela para o dogma e para o milagre, em suma, para o sobrenatural. Assim, por exemplo, a desigualdade das condições sociais, que, se­gundo aquela lei, se explica com lógica e justiça, ele, nenhuma explicação podendo oferecer, a atribui ora ao pecado original, ora às faltas dos pais, sem atentar em que de tal modo nega um dos atributos de Deus — a justiça perfeita e misericordiosa — e em que os absur­dos impostos com a autoridade, de que se presume reves­tido, a outro resultado não conduzem senão a aumentar a descrença, a matar a fé nas almas que, atribuladas, buscam conforto e esperança.

            Pois que não há efeito sem causa, alguma ou algu­mas forçosamente existem para aquela desigualdade, bem como para as dores e sofrimentos de que é pródiga a vida terrena. A lei das encarnações e reencarnações, apresentando-nos essa vida como a continuação de outra precedentemente vivida, esta como a seqüência de uma anterior e assim por diante, nos aponta, nas culpas, nos erros e nos crimes praticados nas pretéritas existências corpóreas, as causas das vicissitudes em que se nos trans­corre a atual. Demonstra-nos ela, assim, que as nossas vidas sucessivaS no mundo são solidárias entre si. (Elucidações Evangélicas. Cap. 21. Antônio Luiz Sayão).

            A expiação varia segundo a natureza e gravidade da falta, podendo, portanto, a mesma falta determinar expiações diversas, conforme as circunstâncias, atenuantes ou agravantes, em que for cometida.

            Não há regra absoluta nem uniforme quanto à natureza e duração do castigo:  a única lei geral é que toda falta terá punição, e terá recompensa todo ato meritório, segundo o seu valor.

            A duração do castigo depende da melhoria do Espírito culpado. Nenhuma condenação por tempo determinado lhe é prescrita. O que Deus exige por termo de sofrimentos é um melhoramento sério, efetivo, sincero, de volta ao bem. Deste modo o Espírito é sempre o árbitro da própria sorte, podendo prolongar os sofrimentos pela pertinácia no mal, ou suavizá-los e anulá-los pela prática do bem. O arrependimento, conquanto seja o primeiro passo para a regeneração, não basta por si só; são precisas a expiação e a reparação. (O Céu e o Inferno. 1ª Parte. Cap. 7. Código penal da vida futura. Itens 10 a 17.  Allan Kardec).

            (...) Temos assim que, à falta, se sobrevém o arrependi­mento, se segue o perdão e, a este, o resgate, depois a provação, que representa a contraprova da firmeza dos propósitos de regeneração, e, finalmente, a reparação, que testifica a conversão definitiva ao bem, através de tantas encarnações sucessivas, quantas forem necessárias.

            Não é de fácil inteligência, bem o reconhecemos, este ponto, um dos mais transcendentes da Doutrina Cristã, compreendida à luz dos ensinos dados ao mundo pelo Paracleto, ou Consolador prometido pelo divino Mes­tre. Por isso mesmo, insistimos nele, repetindo o que nos disse o nosso bom Guia e Mestre: Expiação, prova­ção, reparação, palavras são estas que exprimem idéias completamente distintas. A expiação é a primeira con­seqüência da falta ou crime praticado, mediante a qual a consciência do criminoso acaba por despertar para o arrependimento; este o conduz a buscar a provação, com que efetua, conscientemente, o resgate da sua dívida, ao mesmo tempo que demonstra ser decisiva a sua resolução de emendar-se. Vem, finalmente, a reparação, pela qual, como a própria palavra o indica, ele repara o mal que haja feito, praticando todo o bem que lhe seja possível e atestando desse modo haver tomado o caminho da rege­neração. Como é fácil de perceber-se, o sofrimento, sob modalidades diversas, constitui a característica dessas três fases da depuração espiritual.

            (...) Perdoado, em virtude da sinceridade do seu arre­pendimento, que implica a lealdade dos seus propósitos e promessas de regeneração, o próprio Espírito é que se submete espontaneamente às provações ou provas que lhe ratificarão o arrependimento e o mostrarão digno do perdão recebido de seu Deus. Muitos exemplos corrobo­ram estas nossas asserções. (Elucidações Evangélicas. Cap. 21. Antônio Luiz Sayão).

            A reencarnação das almas, dissemos noutro capítulo, é a glorificação da Justiça Divina, ao passo que a doutrina da vida única destrói todos os atributos do Criador. Além disso, essa doutrina salienta as qualidades boas ou más, como peculiares ao Espírito e não ao corpo e diz que, pelo progresso, os bons ficarão ainda melhores e os maus se tornarão bons, dependendo essas aquisições do trabalho que cada um de nós desenvolva para benefício próprio. O corpo não é mais que um agente, um instrumento para a manifestação dessas qualidades. Ao deixar o corpo, o Espírito leva consigo tudo o que tem de bom ou de mau, e, durante as sucessivas encarnações, ele se depura, expurgando a maldade e aperfeiçoando-se na bondade.

            O Espírito é semelhante a um operário que empreita uma obra, e o corpo é o instrumento que ele usa para executar o serviço. Quando perde ou quebra a ferramenta, o operário adquire outra ou outras, até executar a obra; o Espírito, quando o corpo morre, toma outro corpo, ou outros corpos, tantos quantos sejam necessários para terminar a tarefa.

            O Supremo Artífice do Universo dá a seus operários tantos instrumentos, tantos corpos quantos sejam necessários para que eles cumpram suas missões. (Parábolas e ensinos de Jesus. Reencarnação ou pluralidade das Existências corpóreas. Cairbar Schutel).

            O Espírito encarnado conserva algum traço das percepções que teve e dos conhecimentos que adquiriu em suas existências anteriores?

          Ele possui uma vaga lembrança, que lhe dá o que se chama de idéias inatas. (O Livro dos Espíritos. Questão 218. Allan Kardec).

          A teoria das idéias inatas não é, portanto, uma fantasia?

          Não, os conhecimentos adquiridos em cada existência não se perdem. O Espírito, liberto da matéria, sempre os conserva. Durante a encarnação, pode esquecê-los em parte, momentaneamente, mas a intuição que conserva deles o ajuda em seu adiantamento. Sem isso, teria sempre que recomeçar. A cada nova existência, o Espírito parte de onde estava na existência anterior (O Livro dos Espíritos. Questão 218 - A. Allan Kardec).

            (...)Cada um de nós revela o que foi; por isso uns nascem com disposição para o bem, outros para o mal. O “pecado-original” consiste nos erros e faltas de nossa passada encarnação, erros que precisamos corrigir para obtermos a felicidade que desejamos. E Deus nos concede sempre meios e tempo para esse trabalho de aperfeiçoamento. O Senhor não apaga, a quem quer que seja, a lâmpada da esperança; os nossos trabalhos, as nossas dores, as nossas fadigas nunca são esquecidos pelo bom Deus. (Parábolas e ensinos de Jesus. Reencarnação ou pluralidade das Existências corpóreas. Cairbar Schutel).

            Reencarnou-se o espírito de Elias e com o novo corpo material chamou-se João Batista. Confirmando isto,  podemos notar em João Batista a mesma rudeza, a mesma independência de palavras e atos e a mesma coragem de Elias. (O Evangelho dos Humildes. Cap. 11. Eliseu Rigonatti).

            Comparando os trechos da Bíblia, podemos observar as semelhanças de características nas suas encarnações:

           

ELIAS

JOÃO BATISTA

Elias usava roupa de pelos:

 

Era homem vestido de pêlos, com os lombos cingidos de um cinto de couro. (2Reis 1:8).

João Batista também usava roupa de pelos:

 

As vestes de João eram feitas de pêlos de camelo; ele trazia um cinto de couro e se alimentava de gafanhotos e mel silvestre. (Marcos 1:6)

Elias era destemido:

 

Ao meio-dia, Elias zombava deles, dizendo: Clamai em altas vozes, porque ele é deus; pode ser que esteja meditando, ou atendendo a necessidades, ou de viagem, ou a dormir e despertará. (1Reis 18:27)

João Batista também era destemido:

 

E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?

Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento (Mateus 3:7-8)

Elias foi perseguido por uma mulher(Jezabel) e por um rei (Acab):

 

Disse-lhes Elias: Lançai mão dos profetas de Baal, que nem um deles escape. Lançaram mão deles; e Elias os fez descer ao ribeiro de Quisom e ali os matou. (1Reis 18:40)

 

Então, Jezabel mandou um mensageiro a Elias a dizer-lhe: Façam-me os deuses como lhes aprouver se amanhã a estas horas não fizer eu à tua vida como fizeste a cada um deles. (1Reis 19:2)

 

 

João Batista foi perseguido por uma mulher (Herodíades)  e por um rei (Herodes):

 

Pois João lhe dizia: Não te é lícito possuir a mulher de teu irmão.

E Herodias o odiava, querendo matá-lo, e não podia.

Porque Herodes temia a João, sabendo que era homem justo e santo, e o tinha em segurança. E, quando o ouvia, ficava perplexo, escutando-o de boa mente. (Marcos 6:18-20)

 

Ora, tendo chegado o dia natalício de Herodes, dançou a filha de Herodias diante de todos e agradou a Herodes.

Pelo que prometeu, com juramento, dar-lhe o que pedisse.

Então, ela, instigada por sua mãe, disse: Dá-me, aqui, num prato, a cabeça de João Batista.

Entristeceu-se o rei, mas, por causa do juramento e dos que estavam com ele à mesa, determinou que lha dessem; e deu ordens e decapitou a João no cárcere. (Mateus 14:6-10)

 

            Qual o fim objetivado com a reencarnação?

            Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isto, onde a justiça? (O Livro dos Espíritos. Questão 167. Allan Kardec). 

            João Batista é o símbolo do cristão que se sacrifica pela Verdade. Todavia João Batista não sofreu unicamente pela Verdade que pregava. Em virtude da lei de causa e efeito, sabemos que não há efeito sem causa. Por conseguinte, para que João Batista sofresse a pena de decapitação é porque ainda tinha dívidas de encarnações anteriores a pagar. Apesar do alto grau de espiritualidade que tinha alcançado, João teve de passar pela mesma pena que infligira aos outros. De fato, se João Batista era a reencarnação de Elias, poderemos ver nessa decapitação o saldo da dívida que tinha contraído quando, como Elias, mandou decapitar os sacerdotes de Baal. É a Justiça Divina que se cumpre, nada deixando sem pagamento.  Deus, porém, sempre une a Justiça à Misericórdia e assim permitiu que João resgatasse o passado, trabalhando também pelo seu futuro espiritual, com o desempenho de sua tarefa de abrir caminho a Jesus. Também a nós é dada essa oportunidade: espíritos devedores que somos, se bem soubermos aproveitar nossa encarnação, iremos liquidando o passado culposo e construindo um futuro feliz. (O Evangelho dos Humildes. Cap. 14. Eliseu Rigonatti).

         (...) Jesus amava João Batista, mas a lei cármica funcionou para o prenunciador dos novos tempos. É assim que a morte de Batista deve ser interpretada?

            R –Conforme ensinamentos da Espiritualidade Superior, sempre que estejamos em função da justiça devemos exercê-la com misericórdia. Cremos sinceramente que João Batista, o Precursor, era Elias reencarnado. O respeito devido ao Evangelho não nos permite anatomizar o problema da morte de João Batista. Mas, perguntamos a nós mesmos, na intimidade de nossas orações, se ele não se teria exonerado do rigor do carma caso agisse com misericórdia no exercício do que era considerada justiça para com a família de Herodes. É um ponto em minhas reflexões na veneração com que cultivo o amor pelos vultos inesquecíveis do Cristianismo. (Encontros no tempo. Deus, evolução e vida. Questão. 5. Espírito Emmanuel. Chico Xavier)

            A lei da prova e da expiação é inflexível? Os tribunais da justiça humana, apesar de imperfeitos, por vezes não comutam as penas e não beneficiam os delinqüentes com o “sursis” (1)?

            A inflexibilidade e a dureza não existem para a misericórdia divina, que, conforme a conduta do Espírito encarnado, pode dispensar na lei, em benefício do homem quando a sua existência já demonstre certas expressões do amor que cobre a multidão dos pecados.(O Consolador. Questão 247. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier). 

 

Observação (1): Sursis é uma suspensão condicional da pena, aplicada à execução da pena privativa de liberdade, não superior a dois anos, podendo ser suspensa, por dois a quatro anos, desde que:  o condenado não seja reincidente em crime doloso;  a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias autorizem a concessão do benefício; e  não seja indicada ou cabível a substituição por penas restritivas de direitos. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Sursis).


Bibliografia:

- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 4. Itens  4, 6 e 11. Allan Kardec.

- Elucidações Evangélicas. Cap. 21. Antônio Luiz Sayão.

- O Céu e o Inferno. 1ª Parte. Cap. 7. Código penal da vida futura. Itens 10 a 17.  Allan Kardec.

- Parábolas e ensinos de Jesus. Reencarnação ou pluralidade das Existências corpóreas. Cairbar Schutel.

- O Livro dos Espíritos. Questões 167, 218 e 218-A. Allan Kardec

- O Evangelho dos Humildes. Cap. 11 e 14. Eliseu Rigonatti.

- Encontros no tempo. Deus, evolução e vida. Questão. 5. Espírito Emmanuel. Chico Xavier.

- O Consolador. Questão 247. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier. 

- Site: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sursis. Data da consulta: 27/05/15.