Aula 56 - A Palestina no tempo de Jesus

Ciclo 1 - História: A Palestina no tempo de Jesus - Atividade: PH - Jesus - 23- Profissão de Jesus.

Ciclo 2 - História:  A Palestina no tempo de Jesus  -  Atividade: PH - Jesus - 24 - A Palestina no tempo de Jesus.

Ciclo 3 - História: A Palestina no tempo de Jesus -  Atividade: PH - Jesus - 25 - A Palestina no tempo de Jesus.

 

Livro infantil e dinâmica: A Palestina no tempo de Jesus.

 

Leitura da Bíblia: Mateus - Capítulo 4


4.12   Ouvindo, porém, Jesus que João fora preso, retirou-se para a Galiléia;


4.13   e, deixando Nazaré, foi morar em Cafarnaum, situada à beira-mar, nos confins de Zebulom e Naftali;


4.14   para que se cumprisse o que fora dito por intermédio do profeta Isaías:


4.15   Terra de Zebulom, terra de Naftali, caminho do mar, além do Jordão, Galiléia dos gentios!


4.23   Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo.


4.24   E a sua fama correu por toda a Síria; trouxeram-lhe, então, todos os doentes, acometidos de várias enfermidades e tormentos: endemoninhados, lunáticos e paralíticos. E ele os curou.


4.25   E da Galiléia, Decápolis, Jerusalém, Judéia e dalém do Jordão numerosas multidões o seguiam.


 

Marcos - Capítulo 6


6.1   Tendo Jesus partido dali, foi para a sua terra, e os seus discípulos o acompanharam.


6.2   Chegando o sábado, passou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, se maravilhavam, dizendo: Donde vêm a este estas coisas? Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E como se fazem tais maravilhas por suas mãos?


6.3   Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E não vivem aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se nele.


 

Tópicos a serem abordados:

- Jesus nasceu na cidade de Belém, na Judéia  (o ano 1 marca o seu nascimento, porém há controvérsias), que fica localizada na Palestina, uma pequena faixa de terra (20 mil km²), entre o mar Mediterrâneo e o rio Jordão. Na Bíblia, esta região é conhecida pelo nome de Terra de Canaã.

- Habitavam a Palestina os israelitas, também chamados judeus ou hebreus. Descendiam de Abraão, o Patriarca. Jesus era descendente deste povo,  portanto era judeu. 

- A religião israelita foi a primeira que formulou, aos olhos dos homens, a idéia de um Deus espiritual. Através de Moisés foram revelados os Dez Mandamentos da Lei de Deus. Constantemente Deus enviava Profetas que, com suas pregações, procuravam mantê-los na observância fiel dos Preceitos Divinos. Desse modo, enquanto os outros povos foram caindo na idolatria (cultuavam outros deuses), a nação judaica conservou o culto ao Deus Único.

- Cerca de 63 anos antes de Cristo, a Palestina foi conquistada pelos romanos, quando então passou a ser governada pelo ambicioso e cruel Herodes, o Grande, que conseguiu ser proclamado rei, sob a supervisão de Roma. Foi quem assassinou as crianças de Belém, numa tentativa de encontrar e matar o menino Jesus. Herodes, o Grande, conhecia as Escrituras e sabia do valor das profecias. Assim, tinha medo de perder o seu trono e poder para aquele que seria o messias, o salvador da humanidade.

- No tempo de Jesus, a palestina era dividida em 4 províncias: Judéia, Samaria, Galiléia (contendo parte da Peréia) e Ituréia.  Após a morte de Herodes, foi partilhada entre os três filhos: Herodes-Filipe II (tetrarca da Ituréia),  Herodes- Ântipas (tetrarca da Galiléia e Peréia)  e Arquelau (foi indicado como etnarca da Judéia e da Samaria). Porém, após essa divisão, não tardou que Arquelau, pelas suas crueldades e desmandos, fosse demitido pelos romanos e exilado nas Gálias, passando a Judéia e Samaria a serem governadas por um Procurador do Império. Pôncio Pilatos foi  procurador romano da Judéia, responsável pela sentença de morte de Jesus.

-  Jesus passou os primeiros tempos de sua infância em Nazaré, na Galiléia, cidade onde seus pais moravam. Quando Jesus soube que João Batista fora preso, partiu para a Galiléia. E deixando Nazaré, foi morar em Cafarnaum, onde  vivia Pedro. Lá iniciou suas pregações e percorreu toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do Reino e curando todas as enfermidades e males entre o povo.

- A Palestina é dividida de alto a baixo por uma cadeia de montanhas.  As atividades que formam a base da economia no tempo de Jesus são duas: a agricultura (cultiva-se trigo, cevada, legumes, hortaliças, figo, uva, oliveiras) e a pecuária (criação de camelos, vacas, ovelhas e cabras), junto com a pesca de um lado, e o artesanato (cerâmica, trabalho em couro , carpintaria, fiação e tecelagem, aproveitando a lã dos carneiros) de outro.  Além desses artesãos, há também padeiros, barbeiros, açougueiros, carregadores, de água e escravos que trabalham tanto em atividades produtivas como em outros ofícios. Jesus é artesão (carpinteiro), vários discípulos são pescadores e um deles é cobrador de impostos .

- Nos povoados, o comércio é reduzido e o sistema é mais de troca. Toda atividade comercial é controlada por um sistema de imposto, sobre a compra e venda de todos os produtos.  Esses impostos são cobrados pelos publicanos (cobradores de impostos). O império romano também cobrava  o tributo pessoal e sobre as terras, uma contribuição anual para o sustento dos soldados romanos que ocupavam a Palestina. Esses impostos e taxas se tornaram insuportáveis no tempo de Jesus. Dai nasceram várias revoltas, fazendo-se do caso uma questão religiosa, por ser considerada esta prática contrária à Lei. E ainda existiam os impostos religiosos destinados ao templo, cobrados pelo Sinédrio.

- O Sinédrio é o Tribunal Supremo (criminal, político e religioso) e sua influência se estende sobre todos os judeus, mesmo os que vivem fora da Palestina. Como todas as províncias romanas, a Palestina possuía liberdade religiosa e judiciária, esta exercida pelo tribunal do Sinédrio, que somente não tinha poderes para decretar penas de morte, que eram de alçada dos romanos, representados pelo Procurador de César. Era composto de 72 membros,  entre os quais estava o sumo sacerdote (1).

- O Templo, era o centro vital da vida judaica. Um único templo havia na Judéia, o de Salomão, em Jerusalém, onde se celebravam as grandes cerimônias do culto (ofereciam sacrifícios de animais e oferendas na forma de incenso). Os judeus, todos os anos, lá iam em peregrinação para as festas. Por ocasião dessas festas é que Jesus também costumava ir lá. As outras cidades não possuíam templos, mas, apenas, sinagogas: edifícios onde os judeus se reuniam aos sábados, para fazer preces públicas, sob a chefia dos anciães, dos escribas, ou doutores da Lei. Nelas também se realizavam leituras dos livros sagrados, seguidas de explicações e comentários, atividades das quais qualquer pessoa podia participar. Por isso é que Jesus, sem ser sacerdote, ensinava aos sábados nas sinagogas. A lei era lida em hebraico nas sinagogas, as orações eram também nessa língua, tanto em particular como no templo. Mas na vida diária e ao ensinar Ele teria com certeza usado uma outra língua, o aramaico. Entretanto, no tempo de Jesus, o Templo tinha se transformado em mercado. E se torna o grande centro de exploração e dominação do povo.

- Jesus combatia a hipocrisia dos fariseus e dos escribas, que exerciam grande influência sobre o povo, a cujos olhos passavam por santas criaturas.

 

Comentário (1): Primícias do Reino. Respingos Históricos. Espírito Amélia Rodrigues. Divaldo P. Franco.

 

Perguntas para fixação:

1. Jesus nasceu em qual cidade?

2. Jesus é descendente de qual povo?

3. Na época de Jesus, qual era o império que dominava a Palestina?

4. Qual é o nome do rei que tentou matar Jesus, quando soube do seu nascimento?

5. Qual era a profissão de Jesus?

6. Qual é língua que Jesus utilizava para ensinar na sua vida diária?

7. Onde era realizado as grandes cerimônias de culto dos judeus?

8. Onde Jesus costumava ensinar aos sábados?

9. Qual é o nome do procurador romano responsável pela sentença de morte de Jesus?

10. Quais grupos da sociedade judaica Jesus costumava combater devido a hipocrisia (falsidade)?

 

      Subsídio para o Evangelizador:

            Jesus viveu na Palestina (1), pequena faixa de terra com área de 20 mil km², com 240 km de comprimento e máximo de 85 km de largura. Corresponderia aproximadamente á área do Estado de Sergipe. Do lado oeste, temos o mar Mediterrâneo. A leste, o rio Jordão.

            A Palestina é dividida de alto a baixo por uma cadeia de montanhas que muito influi no seu clima. Com efeito, na parte oeste, o vento frio do mar, ao chocar-se com a parte montanhosa, provoca chuvas freqüentes beneficiando toda a faixa costeira. O lado leste das montanhas, porém, não recebe o vento do mar e, conseqüentemente, apresenta clima quente e região mais árida. As terras cultiváveis estão na parte norte, da região da Galiléia e no vale do rio Jordão. A região da Judéia é montanhosa e se presta mais como pasto e cultivo de oliveira. ( Bíblia Sagrada Edição Pastoral - Edições Paulinas, 1990).

            Dividia-se em quatro províncias, a saber:

            A Itureia, a oriente do Jordão; a Galileia, contendo parte da Peréia, ao norte; ao centro a famosa Samaria, inimiga dos judeus, que levantara no Monte Garizim um enorme templo que rivalizava, em termos, com o de Jerusalém; e ao sul, a Judeia, berço dos judeus de raça pura e aristocrática. (O Redentor. Cap. 8. Edgard Armond).

            A Galiléia, antiga província da Palestina tem, por confronto, o Mediterrâneo e a Fenícia; de um lado o monte Líbano e o rio Leontes; de outro o Jordão e o lago Genesaré; a torrente de Keseu ao sul. Os seus montes eram o Carmelo, o Tabor, e Gelboe; as suas cidades principais são: Aco, Seforis, Nazaré, Caná, Betúlia, Cafarnaum. Compreende o território das tribos de Neftali, de Aser, de Zabulon e de Issachar.

             A Galiléia foi o refúgio de muitas famílias que se conservaram fiéis à crença judaica. Antes disso era considerada uma terra de maldição pelos profetas. Primeiramente fazia parte do território das tribos revoltadas contra o herdeiro de Salomão, depois a invasão assíria despovoara o país e substituíra-se às populações deportadas para as margens do Eufrates. Acabada a dominação assíria, e devastada a Judéia, as antigas populações voltaram, misturando-se assim as raças e os cultos e dando à Galiléia uma espécie de liberdade de pensamento, estranha no Oriente. (Vida e ato dos Apóstolos. Cairbar Schutel).

            A história da Palestina é, antes de tudo, a história de um povo sofredor em luta angustiante pela sobrevivência e a paz.

            Escravo por longos séculos de egípcios, babilônios e outros povos, mais de uma vez, após esforços ingentes e sanguinolentos, conseguiu a reorganização comunitária em regime teocrático, experimentando quase sempre aflições inomináveis, para perder a liberdade logo depois. (Primícias do Reino. Respingos Históricos. Espírito Amélia Rodrigues. Divaldo P. Franco).

            A fase histórica teve início quando Abraão saiu da cidade de Ur, localizada no atual Sul do Iraque, por volta de 1800 a.C. O Gênesis relata que Deus disse a Abraão: "Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que te mostrarei. Eu farei de ti um grande povo". Esse povo ganhou um nome após a dramática batalha de Jacó, neto de Abraão, com um anjo de Deus. O anjo então lhe deu o nome de Israel (o que venceu a Deus). Mais tarde, os doze filhos de Jacó geraram as doze tribos de Israel.

            A história de José, um dos filhos de Jacó, narra como os israelitas foram parar no Egito, onde foram escravizados pelos faraós. A Bíblia conta de que maneira Moisés os tirou dali e, depois de quarenta anos errando no deserto, levou-os a Canaã, a Terra Prometida.

            Durante a travessia do deserto Deus — Javé — deu a Moisés, no monte Sinai, as duas tábuas da Lei com os dez mandamentos a que os israelitas deveriam obedecer. Dessa forma, fez-se um pacto segundo o qual os israelitas deveriam reconhecer a existência de um só Deus, e em troca se tornariam o povo escolhido de Deus. Receberiam sua ajuda e seu apoio, desde que cumprissem o que lhes cabia no acordo e obedecessem às leis de Deus.

            Por volta do ano 1200 a. C, os israelitas conquistaram parte de Canaã e por muito tempo viveram lado a lado com os habitantes não israelitas. Seus líderes políticos e religiosos eram os chamados "juizes", que procuravam cuidar de que o povo respeitasse as leis dadas por Deus. Foi também por causa da guerra contra os filisteus que surgiu a necessidade de um poder político centralizado.

            Saul introduziu a monarquia por volta do ano 1000 a. C, mas ela alcançou o apogeu durante os reinados de Davi e Salomão, quando Israel se tornou uma grande potência política. Davi, nascido em Belém, foi o grande rei que lutou contra os inimigos e uniu as doze tribos, sob sua liderança, em Jerusalém. A Arca da Aliança — uma arca contendo os dez mandamentos e que, segundo a tradição, os israelitas haviam trazido consigo do Sinai — foi então transportada para a nova capital. Ali, puseram-na no santuário interno do novo Templo, quando Salomão, filho e sucessor de Davi, o construiu no século X a. C.

            O grande Templo de Jerusalém incluía um recinto fechado, o Santo dos Santos, contendo oferendas de incenso e os pães da proposição, e um vestíbulo externo onde se faziam os sacrifícios. Os sacerdotes do Templo estavam encarregados desses sacrifícios, que poderiam ser oferendas de animais ou frutos da colheita. O culto era acompanhado por canções e hinos — os chamados Salmos de Davi, que podemos ler na Bíblia. Os sacrifícios, que eram em parte uma oferenda a Deus, em parte uma expiação pela culpa, deviam ser feitos segundo regras estritas.

            É possível que aos poucos as pessoas tenham começado a sentir tais sacrifícios como mecânicos, ao mesmo tempo que a liderança do país dava sinais de decadência moral e política. Isso provocou a severa condenação dos profetas. Entre eles, destaca-se Amós, profeta que viveu por volta de 750 a.C. Em suas prédicas ele atacava os males sociais, como, por exemplo, a opressão dos pobres pelos ricos. Além de Amos, vários outros profetas deram mais peso à justiça e aos ideais éticos do que às práticas rituais do culto sacrificial.

            Os profetas advertiam o povo do juízo e da punição de Deus, porque as pessoas não estavam vivendo de acordo com as leis divinas. Muitos profetas viam o declínio e a destruição do poder do país como um justo castigo para isso. O reino foi então dividido em dois, um reino do Norte (Israel) e um do Sul (Judá), tendo Jerusalém como capital. Em 722 a. C, o reino do Norte foi devastado pelos assírios e a partir daí deixou de ter significado político e religioso.

            O reino do Sul foi conquistado pelos babilônios em 587 a.C. Grande parte da sua população foi deportada para o exílio na Babilônia. Entretanto, em 539 a.C. os que desejavam voltar para a terra natal obtiveram permissão para isso, e daí em diante se tornaram conhecidos como judeus (palavra derivada de Judá e Judéia). Foi depois do retorno da Babilônia que começou a se desenvolver a religião que costumamos chamar de judaísmo.  (...) O grande Templo de Jerusalém, destruído durante a conquista babilônica de 587 a.C., foi reerguido em 516 a.C.  (... )Nessa época, os judeus caíram seguidas vezes sob o domínio político estrangeiro. ( O livro das religiőes. Religiões surgidas no Oriente Médio: monoteísmo. Jostein Gaarder. Victor Hellern. Henry Notaker)

           (...) Aproximadamente no ano 143 a.C., experimentando o jugo do império selêucida (2), que se encontrava, então, em lutas desenfreadas com partos, romanos, egípcios e outros povos, Simão Macabeu libertou a Judéia, fazendo-se eleger, de imediato, em assembléia popular, general e Sumo-Sacerdote, função esta que ficaria retida por hereditariedade na sua família: os asmoneus. (Primícias do Reino. Respingos Históricos. Espírito Amélia Rodrigues. Divaldo P. Franco).

            Em 63 a.C., Jerusalém é conquistada pelos romanos, sob o comando de Pompeu. No ano 6 d.C., a Judéia torna-se uma província de Roma. (Livro 1 - Estudo aprofundando da Doutrina Espírita. Cristianismo e Espiritismo. Roteiro 4. Marta Antunes de Oliveira Moura. FEB).

            A conquista se deu quanto o país era governando pelo rei nativo Hircano, descendente dos Macabeus, mas, com a morte deste rei e após várias lutas internas, o ambicioso Herodes  – futuramente chamado O Grande – conseguiu proclamar-se rei dependente de Roma e governar despoticamente vários anos, até o dia de sua morte trágica.

            Seu pensamento era formar uma estirpe real do seu nome, e em seu testamento, dividiu o país em três partes e as legou a seus três filhos, com o mesmo título de reis; mas o Imperador romano negou tal desejo, concedendo-lhes somente o título de governadores. Assim, Arquelau foi indicado como etnarca da Judeia e da Samaria; Herodes Antipas, tetrarca (3) da Galileia, e Herodes Felipe, tetrarca da Itureia.

            Porém, após essa divisão, não tardou que Arquelau, o melhor aquinhoado, pelas suas crueldades e desmandos, fosse demitido pelos romanos e exilado nas Gálias, passando a Judeia e Samaria a serem governadas por um Procurador do Império (...) (O Redentor. Cap. 11. Edgard Armond).

            Jesus viveu sua infância como súdito de Herodes-Ântipas.

            Ao início do seu ministério público, a Palestina se encontrava sob a fiscalização da Síria, cujo legado era Pompônio Flaco e o procurador romano da Judéia era Pôncio Pilatos, o quinto na série de sucessão.

            Do seu palácio em Cesaréia Marítima, o procurador tudo dominava desde ''Don a Bethsabé'' (4). (Primícias do Reino. Respingos Históricos. Espírito Amélia Rodrigues. Divaldo P. Franco)

            As atividades que formam a base da economia no tempo de Jesus são duas: a agricultura e a pecuária (junto com a pesca) de um lado, e o artesanato, de outro.

            A agricultura é desenvolvida principalmente na Galiléia. Cultivam-se trigo, cevada, legumes, hortaliças, frutas (figo, uva), oliveiras. Das árvores de Jericó, na Judéia, extrai-se Bálsamo para perfumes. A pecuária efetua-se principalmente na Judéia: criação de camelos, vacas, ovelhas e cabras. A pesca é intensa no mar mediterrâneo, no lago Genesaré o no rio Jordão.

            Na agricultura, a maior parte da população é formada por pequenos proprietários. Ao lado desses, existem os grandes proprietários (anciãos) que geralmente vivem na cidade, deixando a direção de suas propriedades a cargo de administrador, e empregando a força de trabalho de diaristas e escravos. Muitas vezes, sucede que os pequenos proprietários em apuros financeiros tomam dinheiro emprestado dos grandes, e vêem seus bens hipotecados. Isso favorece cada vez mais o acúmulo de terras nas mãos de algumas famílias ricas. Por fim, existem os camponeses sem propriedades, que arredam terras e trabalham como meeiros.

            O artesanato desenvolve-se nas aldeias e nas cidades, principalmente em Jerusalém. Os ramos principais dessa atividade são: cerâmica (vasilhames e artigos de luxo), trabalho em couro (sapatos, peles curtidas), trabalho em madeira (carpintaria), fiação e tecelagem, aproveitando a lã de carneiros, abundantes na Judéia. O artesanato de luxo se concentra em Jerusalém, e serve para ser vendido como lembrança aos peregrinos.

            Esse trabalho é feito por autônomos, estruturados em torno de produção familiar, em que o ofício passa de pai para filho. Há também pequenas unidades artesanais, que reúnem número significativo de operários. Junto com os trabalhadores do campo, esses artesãos formam a mais importante classe trabalhadora da Palestina.

            Além desses artesãos, há também padeiros, barbeiros, açougueiros, carregadores, de água e escravos que trabalham tanto em atividades produtivas como em outros ofícios.

            A circulação de toda mercadoria produzida, tanto na agricultura como no artesanato, forma outra grande atividade econômica: o comércio. Este se desenvolve mais nas cidades e está na mão dos grandes proprietários de terras. Nos povoados, o comércio é reduzido e o sistema é mais de troca.

            Toda atividade comercial é controlada por um sistema de imposto. Essa política fiscal faz com que tanto o Estado judaico como o Estado romano se tornem monopolizadores da circulação das mercadorias, o que proporciona vultosas arrecadações. Esses impostos são cobrados pelos publicanos (cobradores de impostos). Há também taxas para se transportar mercadorias de uma cidade para outra e de um país para outro. Esses impostos e taxas se tornam insuportáveis no tempo de Jesus.

            Por essa visão geral da economia da Palestina já podemos perceber: Jesus é artesão (carpinteiro), vários discípulos são pescadores e um deles é cobrador de impostos .

           O aparelho de Estado em Jerusalém exerce forte controle sobre a economia de todo o país. Além de pólo de atração da capital nacional, o Estado é o maior empregador (restauração do Templo, construção de palácios, monumentos, aquedutos, muralhas etc.). Nisso tudo, o Templo tem papel central:

        - Coleta de impostos, através da qual boa parte da produção do país volta para o Estado.

        - Comércio: para atenderá necessidade dos peregrinos e, principalmente, para manter o sistema de sacrifícios e ofertas do próprio Templo.

        - O Tesouro do Templo, administrado pelos sacerdotes, é o tesouro do Estado.

            Além de toda essa centralização econômica, o Templo emprega mão-de-obra qualificada, principalmente artesãos.

            Assim, o Templo se torna o grande centro de exploração e dominação do povo.

            Mas a exploração e dominação não se restringem á economia interna, pois a Palestina é colônia do império romano. Este também cobra uma série de impostos: o tributo (imposto pessoal e sobre as terras), uma contribuição anual para o sustento dos soldados romanos que ocupavam a Palestina, e um imposto sobre a compra e venda de todos os produtos.

            (...) O centro do poder político interno da Judéia e Samaria é a cidade de Jerusalém. ( Bíblia Sagrada Edição Pastoral - Edições Paulinas, 1990).

             Os judeus, todos os anos, lá iam em peregrinação para as festas principais, como as da Páscoa, da Dedicação e dos Tabernáculos. Por ocasião dessas festas é que Jesus também costumava ir lá. As outras cidades não possuíam templos, mas, apenas, sinagogas: edifícios onde os judeus se reuniam aos sábados, para fazer preces públicas, sob a chefia dos anciães, dos escribas, ou doutores da Lei. Nelas também se realizavam leituras dos livros sagrados, seguidas de explicações e comentários, atividades das quais qualquer pessoa podia participar. Por isso é que Jesus, sem ser sacerdote, ensinava aos sábados nas sinagogas. Desde a ruína de Jerusalém e a dispersão dos judeus, as sinagogas, nas cidades por eles habitadas, servem-lhes de templos para a celebração do culto. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Introdução. Allan Kardec)

            A lei era lida em hebraico nas sinagogas, as orações eram também nessa língua, tanto em particular como no templo. Os doutores da lei ensinavam em hebraico. (...) Não existe qualquer dúvida de que Jesus conhecia perfeitamente essa língua: no evangelho de Lucas nós vemos lendo na sinagoga: '' Então lhe deram o livro do profeta Isaías e abriram o livro ele leu, aparentemente sem a menor dificuldade. Mas na vida diária e ao ensinar Ele teria com certeza usado uma outra língua, o aramaico.   (A vida diária nos tempos de Jesus. Henri Daniel Rops).

            As sinagogas, como se vê, não eram lugares de culto, mas sim escolas, onde todos aprendiam as Escrituras e até as crianças, em dias determinados, aprendiam a ler. O governo das sinagogas era constituído de anciãos, sendo os principais denominados, como se lê em Lucas, capítulos 7 e 13, príncipes ou chefes. Enfim, eram pequenas assembléias destinadas ao ensino religioso.

            O Templo de Jerusalém obedecia, mais ou menos, à mesma orientação, com acréscimo do culto, e culto exterior, parecido com o que se vê nas igrejas de Roma; esse culto foi degenerando, aos poucos, em vil mercancia de sacramentos, como se verifica atualmente nas igrejas. ( O Espírito do Cristianismo. Cap. 32. Cairbar Schutel).

            Com efeito, é do Templo que o sumo sacerdote governa, assessorado por um Sinédrio de 71 membros, composto de sacerdotes, anciões e escribas ou doutores da lei.  

            O Sinédrio é o Tribunal Supremo (criminal, político e religioso) e sua influência se estende sobre todos os judeus, mesmo os que vivem fora da Palestina.

            Nas cidades também existe pequeno aparato político (conselhos locais), dominado de início pelos grandes proprietários de terras e, mais tarde, pelos escribas ou doutores da Lei. Da mesma forma, nos povoados encontramos um conselho de anciãos que se reuni tanto para se decidir sobre questões comunitárias como para casos de litígio ou transgressão de lei, funcionando como tribunal. Além disso, no campo, as relações de autoridade permanente são as relações familiares.  ( Bíblia Sagrada Edição Pastoral - Edições Paulinas, 1990).

            Os líderes espirituais do povo não eram, na realidade, os sumo-sacerdotes, como seria natural que fosse, mas sim os rabis, os intérpretes da Lei que, normalmente, usavam vestes franjadas e cintas de couro na testa e nos braços. Levavam o povo para onde queriam, sendo seguidos fanaticamente e, por isso mesmo, sempre vigiados pelo Sinédrio.

            Os sumo-sacerdotes eram aristocratas, quase sempre da corrente dos saduceus, enquanto os rabis eram fariseus, homens do povo, sem ligações partidárias, que se limitavam à interpretação da Lei consignada na Tora. Enquanto os rabis encarnavam os sentimentos religiosos predominantes, os sacerdotes representavam o poder político.

            Todos os povos adoram arte, ciência, esporte, lutas, riquezas, glórias mundanas, mas os judeus, nesse tempo, desprezavam tudo isto e somente adoravam seu Deus Jeová. Isso, aliás, lhes vinha de sua destinação de povo escolhido, com aliança remota, obtida por seu ancestral Abraão, seu primeiro patriarca, com o deus nacional.

            Como já dissemos, o Templo era o centro vital da vida judaica, tanto para os habitantes da Palestina, como da Diáspora, e os sumo-sacerdotes eram os senhores do Templo, com plenos poderes sobre seus súditos.

            Como todas as províncias romanas, a Palestina gozava de liberdade religiosa e judiciária, esta exercida pelo tribunal do Sinédrio; somente não tinha poderes para decretar penas de morte, que eram de alçada dos romanos, representados pelo Procurador de César.

            O Sinédrio escorchava o povo com tributos de toda sorte, que eram pagos religiosamente, além daqueles que eram devidos aos romanos invasores e aos reis locais (O Redentor. Cap. 11. Edgard Armond).

            Na sociedade do tempo de Jesus podemos distinguir vários grupos, que se diferenciam no modo de se relacionar com a política, economia e religião, e que têm grande importância no quadro social da época. ( Bíblia Sagrada Edição Pastoral - Edições Paulinas, 1990).

            Escribas - Nome dado, a princípio, aos secretários dos reis de Judá e a certos intendentes dos exércitos judeus. Mais tarde, foi aplicado especialmente aos doutores que ensinavam a lei de Moisés e a interpretavam para o povo. Faziam causa comum com os fariseus, de cujos princípios partilhavam, bem como da antipatia que aqueles votavam aos inovadores. Daí o envolvê-los Jesus na reprovação que lançava aos fariseus.

            Essênios ou esseus - Também seita judia fundada cerca do ano 150 antes de Jesus-Cristo, ao tempo dos macabeus, e cujos membros, habitando uma espécie de mosteiros, formavam entre si uma como associação moral e religiosa. Distinguiam-se pelos costumes brandos e por austeras virtudes, ensinavam o amor a Deus e ao próximo, a imortalidade da alma e acreditavam na ressurreição. Viviam em celibato, condenavam a escravidão e a guerra, punham em comunhão os seus bens e se entregavam à agricultura. Contrários aos saduceus sensuais, que negavam a imortalidade; aos fariseus de rígidas práticas exteriores e de virtudes apenas aparentes, nunca os essênios tomaram parte nas querelas que tornaram antagonistas aquelas duas outras seitas. Pelo gênero de vida que levavam, assemelhavam-se muito aos primeiros cristãos, e os princípios da moral que professavam induziram muitas pessoas a supor que Jesus, antes de dar começo à sua missão pública, lhes pertencera à comunidade. E certo que ele há de tê-la conhecido, mas nada prova que se lhe houvesse filiado, sendo, pois, hipotético tudo quanto a esse respeito se escreveu.

            Fariseus (do hebreu parush, divisão, separação) - A tradição constituía parte importante da teologia dos judeus. Consistia numa compilação das interpretações sucessivamente dadas ao sentido das Escrituras e tomadas artigos de dogma. Constituía, entre os doutores, assunto de discussões intermináveis, as mais das vezes sobre simples questões de palavras ou de formas, no gênero das disputas teológicas e das sutilezas da escolástica da Idade Média. Daí nasceram diferentes seitas, cada uma das quais pretendia ter o monopólio da verdade, detestando-se umas às outras, como sói acontecer. Entre essas seitas, a mais influente era a dos fariseus, que teve por chefe Hillel (2), doutor judeu nascido na Babilônia, fundador de uma escola célebre, onde se ensinava que só se devia depositar fé nas Escrituras. Sua origem remonta a 180 ou 200 anos antes de Jesus-Cristo.

            (...)Tomavam parte ativa nas controvérsias religiosas. Servis cumpridores das práticas exteriores do culto e das cerimônias; cheios de um zelo ardente de proselitismo, inimigos dos inovadores, afetavam grande severidade de princípios; mas, sob as aparências de meticulosa devoção, ocultavam costumes dissolutos, muito orgulho e, acima de tudo, excessiva ânsia de dominação. Tinham a religião mais como meio de chegarem a seus fins, do que como objeto de fé sincera. Da virtude nada possuíam, além das exterioridade e da ostentação; entretanto, por umas e outras, exerciam grande influência sobre o povo, a cujos olhos passavam por santas criaturas.

            Daí o serem muito poderosos em Jerusalém. Acreditavam, ou, pelo menos, fingiam acreditar na Providência, na imortalidade da alma, na eternidade das penas e na ressurreição dos mortos. (Cap. IV, nº. 4.) Jesus, que prezava, sobretudo, a simplicidade e as qualidades da alma, que, na lei, preferia o espírito, que vivifica,a' letra, que mata, se aplicou, durante toda a sua missão, a lhes desmascarar a hipocrisia, pelo que tinha neles encarniçados inimigos. Essa a razão por que se ligaram aos príncipes dos sacerdotes para amotinar contra ele o povo e eliminá-lo.

            Publicanos - Eram assim chamados, na antiga Roma, os cavalheiros arrendatários das taxas públicas, incumbidos da cobrança dos impostos e das rendas de toda espécie, quer em Roma mesma, quer nas outras partes do Império. Eram como os arrendatários gerais e arrematadores de taxas do antigo regímen na França e que ainda existem nalgumas legiões. Os riscos a que estavam sujeitos faziam que os olhos se fechassem para as riquezas que muitas vezes adquiriam e que, da parte de alguns, eram frutos de exações e de lucros escandalosos. O nome de publicano se estendeu mais tarde a todos os que superintendiam os dinheiros públicos e aos agentes subalternos. Hoje esse termo se emprega em sentido pejorativo, para designar os financistas e os agentes pouco escrupulosos de negócios. Diz-se por vezes: “Ávido como um publicano, rico como um publicano", com referência a riquezas de mau quilate.

            Saduceus - Seita judia, que se formou por volta do ano 248 antes de Jesus-Cristo e cujo nome lhe veio do de Sadoc, seu fundador. Não criam na imortalidade, nem na ressurreição, nem nos anjos bons e maus. Entretanto, criam em Deus; nada, porém, esperando após a morte, só o serviam tendo em vista recompensas temporais, ao que, segundo eles, se limitava a providência divina. Assim pensando, tinham a satisfação dos sentidos tísicos por objetivo essencial da vida. Quanto às Escrituras, atinham-se ao texto da lei antiga. Não admitiam a tradição, nem interpretações quaisquer. Colocavam as boas obras e a observância pura e simples da Lei acima das práticas exteriores do culto. Eram, como se vê, os materialistas, os deístas e os sensualistas da época. Seita pouco numerosa, mas que contava em seu seio importantes personagens e se tornou um partido polftico oposto constantemente aos fariseus.

            Samaritanos - Após o cisma das dez tribos, Samaria se constituiu a capital do reino dissidente de Israel. Destruída e reconstruída várias vezes, tomou-se, sob os romanos, a cabeça da Samaria, uma das quatro divisões da Palestina. Herodes, chamado o Grande , a embelezou de suntuosos monumentos e, para lisonjear Augusto, lhe deu o nome de Augusta,em grego Sebaste.

            Os samaritanos estiveram quase constantemente em guerra com os reis de Judá. Aversão profunda, datando da época da separação, perpetuou-se entre os dois povos, que evitavam todas as relações recíprocas. Aqueles, para tornarem maior a cisão e não terem de vir a Jerusalém pela celebração das festas religiosas, construfram para si um templo particular e adotaram algumas reformas. Somente admitiam o Pentateuco, que continha a lei de Moisés, e rejeitavam todos os outros livros que a esse foram posteriormente anexados. Seus livros sagrados eram escritos em caracteres hebraicos da mais alta antigüidade. Para os judeus ortodoxos, eles eram heréticos e, portanto, desprezados, anatematizados e perseguidos. Ó antagonismo das duas nações tinha, pois, por fundamento único a divergência das opiniões religiosas; se bem fosse a mesma a origem das crenças de uma e outra. Eram os protestantes desse tempo. ( O Evangelho Segundo o Espiritismo. Introdução. Allan Kardec).

            Zelotes, ou zeladores - (...) Eram os remanescentes da seita nacionalista fundada por Jesus de Gamala – o gaulonita – e vinham numa linha direta dos Macabeus, os mais nacionalistas de todos os chefes e reis da antiguidade nacional.

            Mais tarde esta seita adquiriu extraordinária importância na vida política dos país, porque dela vieram os elementos que mais decisiva e definitivamente concorreram para o desencadeamento das revoltas de 70 e 117 a.C. contra os romanos invasores e que tiveram como resultado primeiramente o cerco e a destruição de Jerusalém e do Templo e, mais tarde, o epílogo desastroso do extermínio em massa da população, e consequentemente expatriação dos que sobreviveram às represálias romanas. (O Redentor. Cap. 12. Edgard Armond).

            Em toda a Palestina a sociedade era dividida em homens “puros e impuros”: cultos, de genealogia pura, cumpridores exatos da Lei, denominados chaverins; e incultos, rústicos, homens da terra, de genealogia obscura, confusa, misturada a raças impuras, denominados amharets.

            Na Galileia predominavam os homens da terra, os impuros, mas era ela a região mais bela da Palestina.

            Até a fala dos galileus era diferente e tida como bárbara. Tão diferente que Simão Pedro, no pátio de Hanan, à beira do fogo, naquela noite fria e triste em que o Mestre estava sendo julgado, tentou negar ser seu discípulo, quando interpelado por uma mulher do serviço da casa, mas foi por ela imediatamente desmascarado quando ela disse: “Tu és também dessa gente, pois te reconheço pela fala”. (O Redentor. Cap. 11. Edgard Armond)

            O povo (Am Ha-aretz - ''pessoas da terra'') resultado da fusão entre mendigos, tecelões, trabalhadores braçais, artesãos de todas as procedências e pequenos agricultores, reduzidos à extrema miséria pelos impostos exagerados, constituía o denominado '' proletariado'' (como em Roma eram chamados os proletários). Este, o povo, era odiado pelas outras classes, sendo que o Am Ha-aretz, detestado, era mesmo perseguido e desdenhado.

            Sem qualquer direito, estigmatizado pelo ódio generalizado, os Am Ha-aretz que enchiam os campos e as cidades (Jerusalém rivalizava com Roma, no que diz respeito aos sem-trabalho, com a agravante de que em Roma estes recebiam o pão e circo propriciados pelo Imperador, que assim os entretinha e alimentava), se uniram num partido: o dos fanáticos, que mais tarde se dividiu em zelotas e sicários que, insurretos, perseguiam os próprios judeus simpatizantes dos romanos, aos quis apunhalavam, às vezes, na praça pública. Espalhando o terror, conclamavam à rebelião, destruindo, em consequência, aldeias e povoados que se negavam segui-los.  

            Os fariseus, por comodidade, procuram unir-se aparentemente aos romanos, embora os detestassem, e , por sua vez, fossem detestados.

            Roma, através dos seus diversos procuradores, insistia em colocar no Templo de Jerusalém os símbolos do seu poder: a águia dominadora ou a estátua do Imperador, motivando reações sangrentas .

            Nesse ínterim, as lutas perderam a aparência política e assumiram caráter religioso, quando Teudas, um misto de Messias e libertador, conduziu o povo ao Jordão e procurou repetir a façanha de Moisés, no Mar Vermelho, gerando uma chacina violenta por parte dos opressores que, inclusive, mataram o pseudo Messias...

            Em 66 d.C., irrompeu nova onda de libertação, com poucos resultados, para os judeus. Novamente batidos e derrotados, a paz foi comprada pelo rabino fariseu Jochanan ben Sakkai, ensejando a muitos ricos a salvação. Os pequenos comerciantes, artesãos e ''homens da Terra'', porém, inconformados, refugiaram-se no palácio real, que foi saqueado, e lutaram até a destruição total do Templo, em 70, quando Tito mandou matar mais de 600.000 rebeldes em toda a Palestina.

            Pelos fins de 132 da nossa era, sob o comando de Simeão Bar Cocheba, que se dizia o Redentor, os judeus tentaram novo levante e foram definitivamente destruídos, morrendo Cocheba, em Bithar. Os romanos mataram mais de 500.000 judeus, destruindo mais de 900 aldeias, descendo o ''preço de um israelita, como escravo, a menos do valor de um cavalo''.

            Adriano, em todo o Império, proibiu qualquer ato religioso ou civil judeu, e o ''povo eleito'' sofreu a dispersão dolorosa, passando séculos sem poder recuperar-se do desastre de Bar Cocheba.

            Nos sítios de Jerusalém, foi levantada a cidade pagã de Aélia Capitolina, onde predominavam os hábitos e costumes romanos...

            Jamais um povo sofreu tão longo e cruel exílio!

            Neste clima de ódios de toda a espécie, entre os sofrimentos mais diversos, Jesus disseminou o amor, a liberdade, a paz, conclamando ao Reino de Deus e pregando a ''não-violência'' até o próprio sacrifício. Sintetizando os objetivos da vida no '' amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo'', fez esse legado de amor, em torrentes luminosas e soberanas.   (Primícias do Reino. Respingos Históricos. Espírito Amélia Rodrigues. Divaldo P. Franco).

           

Observação (1): Se as pessoas que viviam na Palestina nos tempos de Jesus não chamavam a mesma por este nome, qual era então o nome que lhe davam? Nos contextos cerimoniais , religiosos e históricos, diziam Terra de Canaã. A expressão é usada quase cem vezes na Bíblia, significando uma nação ou um país. Esta também é uma situação surpreendente, pois os cananeus, o povo de Canaã, tinham sido igualmente inimigos dos hebreus. 

(A vida diária nos tempos de Jesus. Henri Daniel Rops).

 

Observação (2): A dinastia dos Selêucidas foi fundada por Seleuco I, na Pérsia, em 312 a.C. Por volta do ano 200 a.C., os selêucidas conquistaram a Síria e os povos circunjacentes quando, então, a Palestina lhes caiu sob o domínio. (Nota da Autora espiritual - Primícias do Reino. Respingos Históricos. Amélia Rodrigues. Divaldo Pereira Franco). 

 

Observação (3): O termo tetrarca era título dado ao príncipe que governava a quarta parte de um reino desmembrado... (O Redentor. Cap. 6. Edgard Armond)

 

Observação (4): Para governar esse povo de 2.000.000 de habitantes à época (calculava-se que em Jerusalém viviam 100.000 judeus), Roma matinha 3.000 homens divididos em 3 coortes de infantaria, 1 ala de cavalaria e auxiliares diversos recrutados entre sírios, samaritanos, gregos e árabes. (Nota da Autora espiritual - Primícias do Reino. Respingos Históricos. Amélia Rodrigues. Divaldo Pereira Franco). 

 

Bibliografia:

 - O Evangelho Segundo o Espiritismo. Introdução. Allan Kardec.

- Bíblia Sagrada Edição Pastoral - Edições Paulinas, 1990.

- O Redentor. Capítulos 6, 8, 11.  Edgard Armond.

- Vida e ato dos Apóstolos. Cairbar Schutel.

- Primícias do Reino. Respingos Históricos. Espírito Amélia Rodrigues. Divaldo P. Franco.

- Livro 1 - Estudo aprofundando da Doutrina Espírita. Cristianismo e Espiritismo. Roteiro 4. Marta Antunes de Oliveira Moura. FEB.

- O Espírito do Cristianismo. Cap. 32. Cairbar Schutel.

- A vida diária nos tempos de Jesus. Henri Daniel Rops.

- O livro das religiőes. Religiões surgidas no Oriente Médio: monoteísmo. Jostein Gaarder. Victor Hellern. Henry Notaker.