Aula 55 - Abraão e as três religiões: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo*

Ciclo 2 - História:  Abraão -  Atividade: PH - 1- Abraão ou/e PH- 2 - Abraão 

Ciclo 3 - História: Abraão -  Atividade: PH- 3 - Abraão.

 

Dinâmica: Abraão.

Biografia: Abraão.

Sugestão de vídeo: Abraão e Isaac - Desenhos Bíblicos (Dica: pesquise no Youtube).

Sugestão de livro infantil:  Histórias Bíblicas Favoritas - Abraão. Editora Todolivro.  

 

Leitura da Bíblia: Romanos - Capítulo 4


4.1   Que diremos, pois, ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne?


4.2   Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus.


4.3   Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.


4.4   Ora, àquele que faz qualquer obra, não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida.


4.5   Mas, àquele que não pratica, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça.


4.6   Assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras, dizendo:


4.7   Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos.


4.8   Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado.


4.9   Vem, pois, esta bem-aventurança sobre a circuncisão somente ou também sobre a incircuncisão? Porque dizemos que a fé foi imputada como justiça a Abraão.


4.10   Como lhe foi, pois, imputada? Estando na circuncisão ou na incircuncisão? Não na circuncisão, mas na incircuncisão.


4.11   E recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé, quando estava na incircuncisão, para que fosse pai de todos os que creem (estando eles também na incircuncisão, a fim de que também a justiça lhes seja imputada),


4.12   e fosse pai da circuncisão, daqueles que não somente são da circuncisão, mas que também andam nas pisadas daquela fé de Abraão, nosso pai, que tivera na incircuncisão.


4.13   Porque a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo não foi feita pela lei a Abraão ou à sua posteridade, mas pela justiça da fé.


4.14   Pois, se os que são da lei são herdeiros, logo a fé é vã e a promessa é aniquilada.


4.15   Porque a lei opera a ira; porque onde não há lei também não há transgressão.


4.16   Portanto, é pela fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a posteridade, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé de Abraão, o qual é pai de todos nós


4.17   (como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí.), perante aquele no qual creu, a saber, Deus, o qual vivifica os mortos e chama as coisas que não são como se já fossem.


4.18   O qual, em esperança, creu contra a esperança que seria feito pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência.


4.19   E não enfraqueceu na fé, nem atentou para o seu próprio corpo já amortecido (pois era já de quase cem anos), nem tampouco para o amortecimento do ventre de Sara.


4.20   E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus;


 

Tópicos a serem abordados:

- Por volta de 1800 antes de Cristo, surge Abraão, considerado o primeiro patriarca (chefe de família) do povo hebreu.   A sua história é relatada no primeiro livro da Bíblia: Gênesis.

- Conta-se que Abraão vivia com sua família na cidade de Ur dos caldeus. E certo dia, Javé disse a ele:  ''Saia de sua terra, do meio de seus parentes e da casa de seu pai e vá para a terra que eu lhe mostrarei. Eu farei de você um grande povo, e o abençoarei.''

-  Javé (Jeová) era um Espírito superior, protetor de da raça hebraica, mas os antigos consideravam o próprio Deus.

- Então Abraão partiu, levando sua esposa sara, seu sobrinho Ló, todos os bens que havia adquirido, bem como animais e escravos. Foram para a terra de Canaã. Chegando lá, Abraão ergueu um altar, em Betel, para agradecer a Deus e depois foi para Negueb. Houve fome naquela região. Então, foram para o Egito e depois retornaram.   

- Abraão era muito rico, possuía muitos rebanhos, prata e ouro. Seu sobrinho Ló também possuía ovelhas, bois e tendas, de modo que não podiam viver juntos. A terra não era suficiente para todos, portanto, se separaram. Ló escolheu a região onde estavam localizadas as cidades como Sodoma e Gomorra e Abraão ficou em Canaã.

-  Abraão e sua esposa, já eram velhos, com idades avançada, mas Javé lhes prometeu que Ele seria pai de muitas nações: ''Erga os olhos ao céu e conte as estrelas, se puder''. E acrescentou: '' Assim será a sua descendência''. 

- Sara, mulher de Abraão, não lhe dava filhos, mas tinha uma escrava egípcia chamada Agar. Então Sara disse a Abraão: ''Javé não me deixa ter filhos: una-se à minha escrava para ver se ela me dá filhos''. ” Abraão aceitou a proposta.  No entanto, Sara sentindo-se menosprezada, maltratou a escrava, que fugiu para o deserto. Entretanto, no deserto, o anjo de Javé lhe apareceu  e disse: '' Volte para sua patroa e seja submissa a ela.'' E acrescentou: '' Eu farei a descendência de você tão numerosa que ninguém poderá contar. Você está grávida e vai dar a luz um filho e lhe dará o nome de Ismael.'' E isto se concretizou.

- Quando Abrão completou noventa e nove anos, Javé lhe apareceu e disse: ''Eu abençoarei a sua esposa Sara e ela vai lhe dar um filho, que se chamará Isaac. Dela nascerão nações e reis de povos.'' Então no tempo que Javé havia marcado, Sara concebeu e deu à luz um filho, conforme havia prometido.

-  O menino cresceu e foi desmamado, e neste dia Abraão deu uma grande festa.  Mas quando Sara viu que Ismael zombava de seu filho,  pediu para Abraão expulsá-lo junto com a escrava. Isto desagradou Abraão, pois este também era seu filho, mas Javé lhe disse: “Não te preocupes com o menino e com a tua escrava. Faz tudo o que Sara te pedir, pois é de Isaac que nascerá a sua descendência que terá o teu nome. Mas do filho da escrava também farei um grande povo, por ser de tua raça”. Então Abraão os mandou embora. O menino cresceu, morou no deserto e tornou-se um arqueiro.

-  Depois, certo dia, Abraão foi provado pela fé. Deus lhes disse: ''Abraão, Abraão!'' Ele respondeu: '' Estou aqui''. Deus disse: '' Tome seu filho, o seu único filho Isaac, a quem você ama,  vá à terra de Moriá e sacrifique-o como oferta a mim. Então Abraão levantou-se de madrugada, preparou seu jumento, cortou lenha para queimar a oferta, e juntamente com seu filho Isaque, foi para o lugar que Deus havia indicado. Chegando ao local, Abraão construiu um altar e pôs a lenha sobre ele. Amarrou seu filho sobre o altar e  pegou o facão para sacrificá-lo. Mas, neste momento o Anjo de Javé o chamou lá do céu e disse: '' Abraão, Abraão! Não faça mal ao menino. Agora sei que teme a Deus, pois não me recusou o seu único filho. Abraão olhou e viu atrás de si um cordeiro preso pelos chifres, entre os arbustos, pegou o cordeiro e o ofereceu em holocausto no lugar do seu filho.

- Por ter confiado no senhor, Abraão é considerado o pai da fé.    A partir dele também se desenvolveram três das maiores religiões monoteístas (crença em um único Deus) : o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo.

- O Judaísmo é a religião dos judeus (palavra que deriva de Judéia, nome de uma região da terra de Canaã, hoje chamada Palestina), que são descendentes do povo hebreu, de Isaque, filho legítimo de Abraão com sua esposa Sara. A história do povo hebreu está contido na Bíblia: De Isaque nasceu Jacó e este seria pai dos 12 filhos , que deu origem às 12 tribos. Um dos filhos de Jacó, chamado José, tornou-se vice-rei do Egito e por volta de 1700 a.C., o povo judeu migra para este país em razão da fome, onde é escravizado por aproximadamente 400 anos. Então surge o  profeta Moisés, que  liberta o povo, para retornar para Canaã. Durante a viagem à terra prometida, Moisés recebe os 10 mandamentos. Mais tarde, outros profetas anunciaram a vinda de um messias, o salvador. No entanto, os judeus não acreditaram que este era Jesus.  Eles seguem a Torá (o Pentateuco ou os cinco primeiro livros da Bíblia) e os profetas,  livros que estão no antigo testamento.

- O Cristianismo é a religião dos cristãos, aqueles que acreditam que Jesus seja o messias profetizado na Bíblia. A vida e os ensinamentos do divino mestre  estão nos 4 Evangelhos, no  Novo Testamento. Jesus nasceu em Belém, na Palestina. É descendente de Isaque, filho de Abraão.

-  O Islamismo teve origem na Arábia e é a religião dos mulçumanos. Eles seguem o  livro Alcorão, livro sagrado, que reúne as revelações do profeta Maomé (570 d.C.). Maomé é descendente de Ismael, filho de Abraão. Segundo o Espírito Emmanuel, sua missão era reunir todas as tribos árabes sob a luz dos ensinos cristãos. No entanto, devido a sua fraqueza moral, ele não conseguiu cumpri-la.  As obrigações religiosas dos muçulmanos são consideradas "os cinco pilares":  o credo: "Não há outro Deus senão Alá, e Maomé é seu Profeta."  ; a oração, repetida cinco vezes ao dia ; a caridade, que é uma taxa ou um imposto  sobre a riqueza e a propriedade; o jejum, de certos alimentos, e a peregrinação a Meca, onde está localizada a mesquita mais importante dos mulçumanos.

 

Perguntas para fixação:

1. Quem é considerado o primeiro patriarca do povo hebreu?

2. Qual é o nome do lugar onde Javé disse que Abraão deveria ir?

3. Atualmente como é chamada a terra de Canaã?

4. O que Javé lhe prometeu quando disse: ''Erga os olhos ao céu e conte as estrelas, se puder''?

5. Qual é o nome do primeiro filho que Abraão teve com a escrava Agar?

6. Qual é o nome do filho legítimo que Abraão teve com sua esposa Sara?

7. Por que Abraão é considerado o pai da fé?

8. Quais são as três religiões monoteístas que surgiram a partir de Abraão?

  

Subsídio para o Evangelizador:

            Abraão é um personagem bíblico citado no Livro do Gênesis a partir do qual se desenvolveram três das maiores vertentes religiosas da humanidade: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Abra%C3%A3o).

            As três são monoteístas. São também chamadas "abraâmicas", por sua fé no Deus Único, que teria se revelado ao primeiro dos patriarcas bíblicos: Abraão (c. 1800 a. C).

            JUDAÍSMO - A palavra judeu deriva de Judéia, nome de uma parte do antigo reino de Israel. Judaísmo reflete essa ligação. A religião é chamada ainda de "mosaica", já que se considera Moisés um de seus fundadores. (O Livro das religiões. Religiões surgidas no Oriente Médio: monoteísmo.  Victor Hellern. Henry Notaker. Jostein Gaarder )

            O povo de Israel acredita-se descendente dos patriarcas Abraão, Isaac (Isaque) (1) e Jacob (ou Jacó), e das matriarcas Sarah (Sarai ou Sara), Rebeca, Raquel e Lia, os quais teriam moldado os caracteres da raça pela aliança que fizeram com Deus.

            Segundo as tradições, Abraão, um habitante da alta Mesopotâmia, deixou a cidade de Ur, em Harã — atualmente situada no sul do Iraque —, partindo com sua esposa Sara e Ló, um sobrinho e demais pessoas do seu clã, em buscada terra habitada pelos cananeus, onde criaria os seus filhos. Abraão teria recebido de Deus (2) a inspiração de estabelecer-se nesse país, fundando ali uma descendência, cumulada de favores por Deus e objeto de sua especial predileção (Genesis,12).  (Livro 1 - Estudo aprofundando da Doutrina Espírita. Cristianismo e Espiritismo. Roteiro 4. Marta Antunes de Oliveira Moura. FEB).

            Seu poder patriarcal passou a seu filho Isaac e deste para Jacob que depois o passou para seus doze filhos. (Isaac S. Algazi. Síntese da história judaica. Fonte: http://www.tryte.com.br/judaismo/coleção/br/livro2/sintese.htm.)

            Os doze filhos de Jacó, considerados os legítimos descendentes de Abraão formam as doze tribos judaicas. Um dos filhos de Jacó com  Raquel (Gênesis, 30:22-26), chamado José, foi vendido como escravo ao faraó egípcio, mas, em razão da fama e autoridade por ele conquistadas, tornou-se vice-rei do Egito.

            Por volta de 1700 a.C., o povo judeu migra para o Egito em razão da fome, onde é escravizado por aproximadamente 400 anos (Êxodo,1:1-14). A libertação do povo judeu ocorre por volta de 1300 a.C., seguida da fuga do Egito, comandada por Moisés — um judeu, criado por Termutis, irmã do faraó, após tê-lo recolhido das águas do rio Nilo. (Êxodo, 2:1-20).Saindo do Egito, os ex-cativos atravessam o Mar Vermelho, vivendo 40 anos no deserto e submetendo-se a todo tipo de dificuldades, próprias da vida nômade.

            O grande êxodo dos israelitas foi, segundo a Bíblia, de 603.550 homens(Números, 1:46)

            As Tábuas da Lei foram guardadas em uma arca — Arca da Aliança —, especialmente construída para abrigá-las. (Êxodo , 25: 10-16; 37: 1-5); haveria ainda um tabernáculo para a arca (Êxodo , 25:1-9); um propiciatório de ouro que deveria ser colocado acima da Arca (Êxodo,25: 17-22). e uma mesa de madeira de lei, coberta de ouro, contendo castiçais, também de ouro, e outros objetos necessários ao cerimonial religioso (Êxodo, 25: 23-40). A Arca e os Dez Mandamentos acompanharam os judeus durante o tempo em que permaneceram no deserto com Moisés. Antes de morrer, logo após ter localizado Canaã, Moisés nomeou Josué, filho de Num, seu sucessor, cumprindo, assim, a profecia de que encontraria a Terra Prometida antes de sua morte (Deuteronômio, 34:1-5).

            Josué foi inspirado a atravessar o rio Jordão, levando consigo os filhos de Israel à terra que lhe foi prometida por Deus, segundo relatos de suas escrituras (I Samuel , 1:20-28; 2:18-26). Do deserto, rio Jordão até o Líbano, daí até o rio Eufrates, abrangendo o território dos heteus, estendendo-se até o mar, em direção ao poente (Josué, 1: 4). Acontece que essa terra já era habitada por diferentes povos (cananeus, heteus, heveus, ferezeus, girgaseus, amorreus e os jebuseus), que foram dominados pelos judeus (Josué , 3:10; 5:1). Tudo isso aconteceu no século XIII a.C., aproximadamente. As terras conquistadas são divididas em doze partes e entregues a cada uma das tribos judaicas. Os cananeus e outros povos continuaram em luta com os judeus conquistadores por algum tempo, até serem contidos pelo representante da tribo de Judá (Juízes, 1:1-36).

            Após a morte de Josué, cada tribo é governada por juízes, como Samuel (ISamuel , 20-28; 2:18-26). Os juízes passaram a governar as tribos porque os judeus, abandonando o culto a Deus, passaram a adorar outros deuses, como Baal e Astarote (Juízes, 2:11-16). Posteriormente, os juízes foram substituídos por reis (I Samuel, 8: 1-6; 9-12) como Saul, da tribo de Benjamin (I Samuel, 10: 1-27), Davi (I Samuel, 16: 1; 10-13; II Samuel , 5: 1-4. I Reis, 2: 11) e Salomão (I Reis, 1:46-48), filho de Davi (II Samuel, 5:13-14; II Crônicas, 9: 30-31), que constrói o primeiro templo de Jerusalém, entre 970 e 931 a.C. Com a morte de Salomão, Roboão, seu filho, torna-se rei, mas no seu reinado acontece a revolta das tribos de Israel (II Crônicas, 10), separando-se a tribo de Davi (ou de Israel) das demais (II Crônicas, 10:18-19), definitivamente. (Livro 1 - Estudo aprofundando da Doutrina Espírita. Cristianismo e Espiritismo. Roteiro 4. Marta Antunes de Oliveira Moura. FEB).

            O reino foi então dividido em dois, um reino do Norte (Israel) e um do Sul (Judá), tendo Jerusalém como capital. Em 722 a. C, o reino do Norte foi devastado pelos assírios e a partir daí deixou de ter significado político e religioso. O reino do Sul foi conquistado pelos babilônios em 587 a.C. Grande parte da sua população foi deportada para o exílio na Babilônia. (O Livro das religiões. Religiões surgidas no Oriente Médio: monoteísmo.  Victor Hellern. Henry Notaker. Jostein Gaarder ).        

            (...) O grande Templo de Jerusalém, destruído durante a conquista babilônica de 587 a.C., foi reerguido em 516 a.C. (O Livro das religiões. Religiões surgidas no Oriente Médio: monoteísmo.  Victor Hellern. Henry Notaker. Jostein Gaarder )

            Em 63 a.C., Jerusalém é conquistada pelos romanos, sob o comando de Pompeu.

            No ano 6 d.C., a Judéia torna-se uma província de Roma. Em 70 d.C. os romanos destroem o templo e, em 135, Jerusalém é arrasada. Com a destruição do templo de Jerusalém pela segunda vez, e da própria cidade, inicia-se o período da grande dispersão do povo judeu, conhecida como Diáspora. (Livro 1 - Estudo aprofundando da Doutrina Espírita. Cristianismo e Espiritismo. Roteiro 4. Marta Antunes de Oliveira Moura. FEB).

            Estima-se que 6 milhões de judeus foram exterminados nos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. Isso impulsionou a restabelecimento do Estado de Israel, o verdadeiro lar do povo judeu depois de quase 2000 anos em domínio estrangeiro. A diáspora terminou em 1948, com a tomada da Palestina, o que criou o Moderno Estado de Israel. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Di%C3%A1spora_judaica)

            A área correspondente à Palestina até 1948 encontra-se hoje dividida em três partes: uma parte integra o Estado de Israel; outra a atual Jordânia e duas outras (a Faixa de Gaza e a Cisjordânia), de maioria de árabes palestinos, deveriam integrar um estado palestino a ser criado - de acordo com a lei internacional, bem como as determinações das Nações Unidas, o Reino Unido. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Palestina).

            Existem atualmente cerca de 13 milhões de judeus em todo o mundo; 4,5 milhões vivem no Estado de Israel. (Livro 1 - Estudo aprofundando da Doutrina Espírita. Cristianismo e Espiritismo. Roteiro 4. Marta Antunes de Oliveira Moura. FEB).

            (...) O judaísmo não é apenas uma comunidade religiosa, mas também étnica. Historicamente, o termo judeu tem conotações raciais, porém estas são inexatas. Existem judeus de todas as cores de pele. (O Livro das religiões. Religiões surgidas no Oriente Médio: monoteísmo.  Victor Hellern. Henry Notaker. Jostein Gaarder )

            O livro sagrado dos judeus é a Bíblia, uma coleção de textos de natureza histórica, literária e religiosa. A Bíblia judaica equivale ao Antigo Testamento, porém é organizada de maneira um pouco diferente. O cânone judaico foi fixado por um concilio era Jabne por volta de 100 d.C. Compreende 24 livros, divididos em três grupos:

- A Lei (Torá) o Pentateuco, ou os cinco livros de Moisés

- Os profetas (Neviim) — os livros históricos e proféticos

- Os escritos (Ketuvim) — os demais livros

            (...)Além da Torá escrita, os judeus também tinham regras e mandamentos transmitidos oralmente ( registrados posteriormente no Talmud).

            (...) O credo judaico é: "Ouve, ó Israel: Iahweh nosso Deus é o único Iahweh!" (Deuteronômio 6,4). Esse credo, que é repetido pelos judeus devotos todas as manhãs e todas as noites de sua vida, mostra que o judaísmo é uma religião monoteísta. (O Livro das religiões. Religiões surgidas no Oriente Médio: monoteísmo.  Victor Hellern. Henry Notaker. Jostein Gaarder )

            A religião israelita foi a primeira que formulou, aos olhos dos homens, a idéia de um Deus espiritual. Até então os homens adoravam; uns, o Sol; outros, a Lua; aqui, o fogo; ali, os animais  (Revista Espírita. Setembro de 1861. Um espírito israelita a seus correligionários. Allan Kardec).

            Numa sinagoga não há imagens religiosas nem objetos no altar, pois as imagens são proibidas (é o segundo mandamento). O ponto focal de uma sinagoga judaica é, pois, a Arca, uma espécie de armário que fica na parede oriental, na direção de Jerusalém. Ali se guardam os rolos da Torá, escritos em pergaminho.

            (...)Além da leitura da Torá, o serviço contém orações, salmos e bênçãos, todos contidos num livro especial chamado Sidur. A oração mais importante são as Dezoito Bênçãos, que tem mais de 2 mil anos. Outro foco importante é o credo, o Shemá.

            Um cantor sacro, membro leigo da congregação, dirige o serviço. No entanto, o sermão e o ensino da Lei são responsabilidade do rabino, sempre um homem instruído e de alta escolaridade, que cada congregação nomeia separadamente. (O Livro das religiões. Religiões surgidas no Oriente Médio: monoteísmo.  Victor Hellern. Henry Notaker. Jostein Gaarder )

            O Judaísmo possui um calendário litúrgico ou religioso, conhecido como Círculo Sagrado, cujas festas principais são:

            Rosh Hashaná: Ano-novo (mais ou menos em setembro). É o dia da comemoração do aniversário da criação do mundo e o dia em que o eterno abre o livro da vida e da morte, escrevendo nele os atos que todos os viventes realizaram durante o ano.

            Yom Kippur : Dia da Expiação (também em setembro). Esse é o dia mais sagrado do ano. Os judeus adultos passam-no na Sinagoga, em orações e súplicas, observando um rigoroso jejum de 25 horas, buscando o perdão divino para os seus pecados. Reza a tradição que neste dia Deus fecha o livro da vida e da morte, selando o destino de cada indivíduo para o ano seguinte.

            Pessach : Páscoa. É celebrada aproximadamente em 14 de abril, no  início da primavera. Comemorando-se a libertação do povo de Israel  da escravidão no Egito. São oito dias de comemoração.

            Shavuot: Festa das Semanas (mais ou menos em maio). É a festa máxima do Judaísmo, pois comemora a entrega da Torá (feita por Deus) a Moisés, no monte Sinai. Ela também é conhecida como Hagha Bicurim (Festa das Primícias). (Livro 1 - Estudo aprofundando da Doutrina Espírita. Cristianismo e Espiritismo. Roteiro 4. Marta Antunes de Oliveira Moura. FEB).

            Durante milhares de anos os judeus esperaram um Messias que viria criar um reino de paz na Terra. (O Livro das religiões. Religiões surgidas no Oriente Médio: monoteísmo.  Victor Hellern. Henry Notaker. Jostein Gaarder ).

            (...)Para os judeus, a vinda do Messias à Terra, surgindo sobre  nuvens, com grande majestade, cercado de seus anjos e ao som de trombetas, tinha um significado muito maior do que a simples vinda de uma entidade investida apenas de poder moral. Por isso mesmo, os judeus, que esperavam no Messias um rei terreno, mais poderoso do que todos os outros reis, destinado a colocar-lhes a nação à frente de todas as demais e a reerguer o trono de Davi e o de Salomão, não quiseram reconhecê-lo no humilde filho de um carpinteiro, sem autoridade material. (Livro 1 - Estudo aprofundando da Doutrina Espírita. Cristianismo e Espiritismo. Roteiro 4. Marta Antunes de Oliveira Moura. FEB).

              A verdade, porém, é que Jesus, chegando ao mundo, não foi absolutamente entendido pelo povo judeu. (A caminho da luz. Cap. 7. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).

            CRISTIANISMO - O cristianismo é a filosofia de vida que mais fortemente caracteriza a sociedade ocidental. Há 2 mil anos permeia a história, a literatura, a filosofia, a arte e a arquitetura da Europa. Assim, conhecer o cristianismo é pré-requisito para compreender a sociedade e a cultura em que vivemos.

            A Bíblia é o livro mais lido do mundo, hoje e em toda a história humana. Nenhum outro livro teve maior influência literária. (O Livro das religiões. Religiões surgidas no Oriente Médio: monoteísmo.  Victor Hellern. Henry Notaker. Jostein Gaarder ).

            Os seguidores do cristianismo, conhecidos como cristãos, acreditam que Jesus seja o Messias profetizado na Bíblia Hebraica (a parte das escrituras comum tanto ao cristianismo quanto ao judaísmo). (...) Os cristãos chamam a mensagem de Jesus Cristo de Evangelho ("Boa Nova"), e por isto referem-se aos primeiros relatos de seu ministério como evangelhos. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Cristianismo).

            A genealogia de Jesus,  descrita na Bíblia, mostra que Ele é descendente de Abraão, pai de Isaac:   Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze gerações; e desde Davi até a deportação para a babilônia, catorze gerações; e desde a deportação para a babilônia até Cristo, catorze gerações. (Vide: Mateus 1: 1- 17).

            O Cristo nada escreveu. Suas palavras, disseminadas ao longo dos caminhos, foram transmitidas de boca em boca e, posteriormente, transcritas em diferentes épocas, muito tempo depois da sua morte. (Cristianismo e Espiritismo. Cap. 1.Léon Denis).

            Mateus, Marcos, Lucas e João são os autores dos únicos evangelhos aceitos pela maioria das denominações cristãs como legítimos e que portanto integram o Novo Testamento da Bíblia. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Evangelhos_can%C3%B4nicos).

              O maior ''milagre'' que Jesus operou, o que verdadeiramente atesta a sua superioridade, foi a revolução que seus ensinos produziram no mundo, apesar da  exigüidade dos seus meios de ação. Com efeito, Jesus, obscuro, pobre, nascido na mais humilde condição (manjedoura), no seio de um povo pequenino, quase ignorado e sem preponderância política, artística ou literária, apenas durante três anos prega a sua doutrina (Vide: Lucas 3:23) ; em todo esse curto espaço de tempo é desatendido e perseguido pelos seus concidadãos; vê-se obrigado a fugir para não ser lapidado; é traído por um de seus apóstolos (Judas), renegado por outro (Pedro), abandonado por todos no momento com que cai nas mãos de seus inimigos. Não fazia senão o bem e isso não o punha ao abrigo da malevolência, que dos próprios serviços que ele prestava tirava motivos para o acusar (A Gênese. Cap. 15. Item 63. Allan Kardec ). 

            Foi condenado por blasfêmia e executado pelos romanos como um líder rebelde. Seus seguidores enfrentaram dura oposição político-religiosa, tendo sido perseguidos e martirizados, pelos líderes religiosos judeus, e, mais tarde, pelo Estado Romano.

            (...) O cristianismo se iniciou como uma seita judaica  e, como tal, da mesma maneira que o próprio judaísmo ou o islamismo, é classificada como uma religião abraâmica. Após se originar no Mediterrâneo Oriental, rapidamente se expandiu em abrangência e influência, ao longo de poucas décadas; no século IV já havia se tornado a religião dominante no Império Romano. Durante a Idade Média a maior parte da Europa foi cristianizada, e os cristãos também seguiram sendo uma significante minoria religiosa no Oriente Médio, Norte da África e em partes da Índia. Depois da Era das Descobertas, através de trabalho missionário e da colonização, o cristianismo se espalhou para as Américas e pelo resto do mundo.

            No início do século XXI o cristianismo conta com entre 2,3 bilhões de fiéis, representando cerca de um quarto a um terço da população mundial, e é uma das maiores religiões do mundo (http://pt.wikipedia.org/wiki/Cristianismo).

            ISLAMISMO OU ISLÃ - O islã teve origem na Arábia e ainda hoje está intimamente relacionado à cultura árabe.  (O Livro das religiões. Religiões surgidas no Oriente Médio: monoteísmo.  Victor Hellern. Henry Notaker. Jostein Gaarder ).

            Muçulmanos ou islamitas  são pessoas que professam o Islamismo. Podem ser árabes, de origem árabe ou de qualquer outra etnia. (Livro 1 - Estudo aprofundando da Doutrina Espírita. Cristianismo e Espiritismo. Roteiro 24. Marta Antunes de Oliveira Moura. FEB).

            O Islamismo é uma religião monoteísta, supostamente revelada por Deus, ou Allah, ao profeta Maomé, cujos ensinamentos estão contidos no livro Alcorão. Ao contrário do que se pensa, o Islã (ou Islam) não foi enviado a um só povo, os árabes. As suras 21:107 e 7:158 dizem: “E não lhe enviamos, senão como misericórdia para a Humanidade. digo, ó gentes, eu sou o mensageiro de Allah para todos vocês’’.

            (...) Mahommad ou Maomé: nome que significa “o altamente louvado”, representa sumo-profeta dos muçulmanos. Descende de Ismael, filho de Abraão com a escrava árabe Hagar. Nasceu por volta de 570 d.C., em Meca, importante centro comercial de Hedjaz — região da Península Arábica, situada ao longo do Mar Vermelho. (...) Na época em que Maomé recebeu a revelação Islã, a região era habitada por povos nômades, organizados em estirpes, por sua vez dividas em tribos, linhagens (clãs) e famílias poligâmicas.

            Aos 40 anos sentiu a necessidade de se refugiar nas grutas de Meca para meditar sobre os destinos do homem, uma vez que se encontrava insatisfeito com a prática politeísta da religião de sua família.

            (...)A história do Islã nos informa que, certa vez, Maomé meditava na caverna do monte Hira, no início do ano 610 d.C., quando o anjo Gabriel lhe apareceu e disse: “Tu és o escolhido’’. Em seguida, lhe transmitiu os primeiros versículos da revelação corânica. O instante do contato de Maomé com o anjo é chamado de Noite do Poder, porque, segundo a tradição islâmica, nessa noite foi possível “ouvir o ato crescer e as árvores falando, e as pessoas que presenciaram essas coisas enxergavam pelos olhos de Deus”. (Livro 1 - Estudo aprofundando da Doutrina Espírita. Cristianismo e Espiritismo. Roteiro 24. Marta Antunes de Oliveira Moura. FEB).

            O Corão é o livro sagrado dos muçulmanos e reúne as revelações de Maomé. Assim, os muçulmanos,do mesmo modo que os judeus e os cristãos, passaram a ter um texto sagrado. (O Livro das religiões. Religiões surgidas no Oriente Médio: monoteísmo.  Victor Hellern. Henry Notaker. Jostein Gaarder ).

            (...) Teria sido revelado por Alá a Maomé por intermédio do anjo Gabriel. Após a revelação, Maomé passou a ser reconhecido pelos mulçumanos como o maior dos profetas, o último mensageiro divino. O Corão foi documentado, durante a vida do profeta, por cerca de 43 escribas, que receberam o título de califas.

            (...) O Corão possui 114 suratas ou suras — semelhantes a capítulos bíblicos —, cada uma delas contendo um número variável de versículos. Nas suratas encontramos relatos da história dos povos antigos; leis que regulamentam a vida do muçulmano; fatos científicos; previsões sobre a vida futura, e várias explicações para entender o Criador. (Livro 1 - Estudo aprofundando da Doutrina Espírita. Cristianismo e Espiritismo. Roteiro 24. Marta Antunes de Oliveira Moura. FEB).

            Depois de sua revelação, Maomé começou a pregar em Meca. Ele se proclamou profeta ou mensageiro de Deus, o que foi visto pelas famílias poderosas de Meca como uma tentativa de usurpar a autoridade política da cidade. Grupos importantes também se opuseram a suas afirmações de que Alá era o único e verdadeiro Deus. (O Livro das religiões. Religiões surgidas no Oriente Médio: monoteísmo.  Victor Hellern. Henry Notaker. Jostein Gaarder ).

            Os primeiros convertidos à nova fé foram Cadija, sua mulher; Ali, seu filho adotivo, de dez anos; Zeid, Varaka e Abu-Becr, seu mais íntimo amigo, que devia ser o seu sucessor. Tinha quarenta e dois anos quando começou a pregar publicamente e desde esse momento realizou-se a predição que lhe havia feito Varaka. Sua religião, fundada na unidade de Deus e na reforma de certos abusos, sendo a ruína da idolatria e dos que dela viviam, os coraicitas, guardas da Caaba e do culto nacional, levantaram-se contra ele. A princípio o trataram de louco; depois o acusaram de sacrilégio; amotinaram o povo; perseguiram-no e a perseguição tornou-se tão violenta que, por duas vezes, seus partidários tiveram de buscar refúgio na Abissínia. Entretanto, aos ultrajes ele sempre opunha a calma, o sangue-frio e a moderação. Sua seita crescia e seus adversários, vendo que não a podiam reduzir pela força, resolveram desacreditá-la pela calúnia. (...)Como ele resistisse a tudo, seus inimigos, enfim, recorreram aos complôs para o matar e ele só escapou pela fuga ao perigo que o ameaçava. Foi então que se refugiou em Yathrib, depois chamada Medina (Medinet-en-Nabi, cidade do Profeta), no ano 622, e é dessa época que data a Hégira, ou era dos muçulmanos.

            Ele tinha mandado antecipadamente, a essa cidade, em pequenas tropas para não provocar suspeitas, todos os seus partidários de Meca, retirando-se por último, com Abu-Becr e Ali, seus discípulos mais devotados, quando soube que os outros estavam em segurança.

            Dessa época data também para Maomé uma nova fase em sua existência; de simples profeta que era, foi constrangido a fazer-se guerreiro. (Revista Espírita. Agosto de 1866. Maomé e o Islamismo. Allan Kardec).

            Maomé foi, pois, guerreiro pela força das circunstâncias, muito mais que por seu caráter, e terá sempre o mérito de não ter sido o provocador. Uma vez iniciada a luta, tinha de vencer ou morrer; só com esta condição poderia ser aceito como o enviado de Deus; era preciso que os seus inimigos fossem abatidos para se convencerem da superioridade de seu Deus sobre os ídolos que adoravam.

            Com exceção de um dos primeiros combates, onde foi ferido, e os muçulmanos derrotados em 625, suas armas foram constantemente vitoriosas, submetendo à sua lei, no espaço de alguns anos, a Arábia inteira. Quando viu sua autoridade consolidada e a idolatria destruída, entrou triunfalmente em Meca, após dez anos de exílio, seguido de quase cem mil peregrinos, aí realizando a célebre peregrinação dita do adeus, cujos ritos os muçulmanos conservaram escrupulosamente. Morreu no mesmo ano, dois meses depois de seu regresso a Medina, no dia 8 de junho de 632, com sessenta e dois anos de idade.

            Até a idade de cinqüenta anos, e enquanto viveu sua primeira mulher Cadija, quinze anos mais velha que ele, seus costumes foram irreprocháveis; mas desde esse momento suas paixões não conheceram nenhum freio e foi, incontestavelmente, para justificar o abuso que delas fez, que consagrou a poligamia em sua religião. Foi o seu mais grave erro, porque foi a barreira que ergueu entre o islamismo e o mundo civilizado; por isso sua religião não pôde, após doze séculos, transpor os limites de certas raças. É também o lado pelo qual o seu fundador mais se rebaixa aos nossos olhos. Os homens de gênio perdem sempre o seu prestígio quando se deixam dominar pela matéria; ao contrário, crescem tanto mais quanto mais se elevam acima das fraquezas da Humanidade.

            (...) Permitindo quatro mulheres legítimas, Maomé não pensou que, para que sua lei se tornasse a da universalidade dos homens, seria preciso que o sexo feminino fosse ao menos quatro vezes mais numeroso que o masculino.

            A despeito de suas imperfeições, o islamismo não deixou de ser um grande benefício para a época em que surgiu e para o país onde nasceu, porque fundou o culto da unidade de Deus sobre as ruínas da idolatria. Era a única religião possível para esses povos bárbaros, aos quais não era preciso pedir grandes sacrifícios às suas idéias e costumes. ( Revista Espírita. Novembro de 1866. Maomé e o Islamismo. Allan Kardec). 

            O islã não proíbe que se desfrute a vida na terra, mas lembra que se deve ter sempre em mente o fato de que esta não passa de uma preparação para a vida que começará depois do julgamento divino. Essa outra vida — seja no céu ou no inferno — é descrita em detalhes no Corão, mas há discordâncias quanto a sua interpretação, que pode ser literal ou metafórica.

            A crença num julgamento final após a morte — tão significativa nas pregações de Maomé — é necessária, segundo muitos muçulmanos, para que o homem assuma a responsabilidade sobre seus atos. A idéia de um julgamento cria um senso moral de dever que é relevante para a comunidade.

            (...) As obrigações religiosas dos muçulmanos são consideradas "os cinco pilares":  o credo; a oração; a caridade; o jejum, e a peregrinação a Meca.

            "Não há outro Deus senão Alá, e Maomé é seu Profeta." Esse credo é repetido pelos fiéis várias vezes todos os dias e proclamado do alto dos minaretes nas horas de oração.

            (...)A caridade é, na verdade, uma taxa ou um imposto formal sobre a riqueza e a propriedade. Está fixada em 1/40, ou seja, 2,5%, mas as pessoas são incentivadas a dar mais. De acordo com Maomé, essa taxa deve ser tirada dos ricos e dada aos pobres. (O Livro das religiões. Religiões surgidas no Oriente Médio: monoteísmo.  Victor Hellern. Henry Notaker. Jostein Gaarder ).

            Quanto ao culto, consiste na prece, repetida cinco vezes por dia, os jejuns e as mortificações do mês de ramadã, e em certas práticas, das quais diversas tinham um fim higiênico, tais as abluções quotidianas, a abstenção do vinho, dos licores inebriantes, da carne de certos animais, e que os fiéis consideram um caso de consciência observar escrupulosamente. A sexta-feira foi adotada como o dia santo da semana e Meca indicada como o ponto para o qual todo muçulmano deve voltar-se ao orar. O serviço público nas mesquitas consiste em preces em comum, sermões, leitura e explicação do Alcorão. A circuncisão não foi instituída por Maomé, mas por ele conservada; era praticada entre os árabes desde tempos imemoriais. A proibição de reproduzir pela pintura ou pela escultura qualquer ser vivo, homens e animais, foi feita visando destruir a idolatria, e impedir que ela tornasse a crescer. Enfim, a peregrinação a Meca, que todo fiel deve realizar ao menos uma vez na vida, é um ato religioso; mas tinha outro objetivo na época, um objetivo político, o de aproximar, por um laço fraternal, as diversas tribos inimigas, reunindo-as num comum sentimento de piedade, num mesmo lugar consagrado.

            Do ponto de vista histórico, a religião muçulmana admite o Antigo Testamento por inteiro, até Jesus-Cristo, inclusive, que reconhece como profeta. Segundo Maomé, Moisés e Jesus eram enviados de Deus para ensinar a verdade aos homens; o Evangelho, assim como a lei do Sinai, é a palavra de Deus; mas os cristãos lhe alteraram o sentido. Declara, em termos explícitos, que não traz crenças novas, nem culto novo, mas que vem restabelecer o culto do Deus único professado por Abraão.

            (...)Tendo suas raízes no Antigo e no Novo Testamento, o Islamismo é uma derivação deles. Pode-se considerá-lo como uma das numerosas seitas nascidas das dissidências que surgiram desde a origem do Cristianismo, no que respeita à natureza do Cristo, com a diferença que o Islamismo, formado fora do Cristianismo, sobreviveu à maioria dessas seitas e conta hoje cem milhões de sectários.

            (...) Conquanto censurasse os cristãos, Maomé não tinha por eles sentimentos hostis e no próprio Alcorão recomenda respeito para com eles, mas o fanatismo os englobou na proscrição geral dos idólatras e dos infiéis, cuja presença não deve macular os santuários do islamismo, razão por que a entrada nas mesquitas, em Meca e nos lugares santos lhes é interdita. Deu-se o mesmo em relação aos judeus, e se Maomé os castigou rudemente em Medina, foi por se haverem coligado contra ele. Aliás, em parte alguma no Alcorão se encontra a exterminação dos judeus e dos cristãos instituída como um dever, como geralmente se crê. Seria, pois, injusto imputar-lhe os males causados por um zelo ininteligente e pelos excessos de seus sucessores. ( Revista Espírita. Novembro de 1866. Maomé e o Islamismo. Allan Kardec). 

            Segundo o Espírito Emmanuel, ''sua missão era reunir todas as tribos árabes sob a luz dos ensinos cristãos, de modo a organizar-se na Ásia um movimento forte de restauração do Evangelho do Cristo, em oposição aos abusos romanos, nos ambientes da Europa. Maomé, contudo, pobre e humilde no começo de sua vida, que deveria ser de sacrifício e exemplificação, torna-se rico após o casamento com Khadidja e não resiste ao assédio dos Espíritos da Sombra, traindo nobres obrigações espirituais com as suas fraquezas. Dotado de grandes faculdades mediúnicas inerentes ao desempenho dos seus compromissos, muitas vezes foi aconselhado por seus mentores do Alto, nos grandes lances da sua existência, mas não conseguiu triunfar das inferioridades humanas. É por essa razão que o missionário do Islã deixa entrever, nos seus ensinos, flagrantes contradições. A par do perfume cristão que se evola de muitas das suas lições, há um espírito belicoso, de violência e de imposição; junto da doutrina fatalista encerrada no Alcorão, existe a doutrina da responsabilidade individual, divisando-se através de tudo isso uma imaginação superexcitada pelas forças do bem e do mal, num cérebro transviado do seu verdadeiro caminho. Por essa razão o Islamismo, que poderia representar um grande movimento de restauração do ensino de Jesus, corrigindo os desvios do Papado nascente, assinalou mais uma vitória das Trevas contra a Luz e cujas raízes era necessário extirpar. ''  (A caminho da luz. Cap. 17. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier ).

 

Observação (1): Sabe-se, porém, que o primeiro filho de Abraão não foi Isaque, este  era filho que teve com Sara, sua esposa (Gênesis , 21:1-8), gerado após o nascimento do primogênito Ismael com a escrava egípcia Hagar ou Agar (Gênesis , 16:1-16). Após a morte de Sara, Abraão casa com Quetura que lhe geraram seis filhos: Zinrã, Jocsã, Meda, Mídia, Isbaque e Suá (Gênesis , 25: 1-7). Abraão, entretanto, considerou o seu herdeiro  legítimo apenas Isaque (Gênesis, 25: 5) (Livro 1 - Estudo aprofundando da Doutrina Espírita. Cristianismo e Espiritismo. Roteiro 24. Marta Antunes de Oliveira Moura. FEB).

 

Observação (2): Jeová era o espírito protetor de Israel, que se apresentava como Deus, porque a mentalidade dos povos do tempo era mitológica, e os espíritos eram considerados deuses. (Visão Espírita da Bíblia. Cap. 9. J. Herculano Pires).

 

Bibliografia:

- A Gênese. Cap. 15. Item 63. Allan Kardec.

-  Revista Espírita. Setembro de 1861. Um espírito israelita a seus correligionários. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Agosto de 1866. Maomé e o Islamismo. Novembro de 1866. Maomé e o Islamismo. Allan Kardec.

- Bíblia Sagrada.

- O Livro das religiões. Religiões surgidas no Oriente Médio: monoteísmo.  Victor Hellern. Henry Notaker. Jostein Gaarder.

- Livro 1 - Estudo aprofundando da Doutrina Espírita. Cristianismo e Espiritismo. Roteiro 4 e 24. Marta Antunes de Oliveira Moura. FEB.

- A caminho da luz. Cap. 7 e 17. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- Cristianismo e Espiritismo. Cap. 1.Léon Denis.

- Visão Espírita da Bíblia. Cap. 9. J. Herculano Pires.

- Sites: http://pt.wikipedia.org/wiki/Abra%C3%A3o; http://www.tryte.com.br/judaismo/coleção/br/livro2/sintese.htm. http://pt.wikipedia.org/wiki/Di%C3%A1spora_judaica; http://pt.wikipedia.org/wiki/Cristianismo; http://pt.wikipedia.org/wiki/Evangelhos_can%C3%B4nicos; http://pt.wikipedia.org/wiki/Palestina. Data da consulta: 29/04/15.