Aula 51 - Fundamentos da Doutrina Espírita *

Ciclo 2 - História: Fazer o bem, sem olhar a quem -  Atividade: LE - Introdução - item 6.   

Ciclo 3 - História: A indagação do inspetor -  AtividadePH - Allan Kardec - 2 - Fundamentos da Doutrina Espírita.

 

Dinâmica: Fundamentos da Doutrina Espírita.

Jogo: Dominó - Fundamentos da Doutrina Espírita. 

Biografia: Allan Kardec.

Sugestão de vídeo: História Espírita: Meu primeiro livro Espírita  (Dica: pesquise no Youtube).

Sugestão de livro infantil:  Volta às Aulas . Adeilson Salles. Editora FEB.

 

Tópicos a serem abordados:

- A Doutrina Espírita foi codificada por Allan Kardec, com o lançamento de ''O Livro dos Espíritos'', em 18 de abril de 1857, na França. Allan Kardec reuniu as comunicações fornecidas pelos Espíritos , estudou-as, pesquisou-as e colocou o resultado deste trabalho em livros, para que todo mundo pudesse conhecer e aprender.

- Não há um número específico dos fundamentos da Doutrina Espírita, ou seja, dos seus princípios básicos. Portanto, citaremos,  aqueles considerados mais importantes:

- 1. Existência em Deus: Há um único Deus, inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. A prova da existência de Deus está nesta evidência: Não há efeito sem causa. Para crer em Deus basta lançar os olhos sobre as obras da criação. O Universo existe; ele tem, pois uma causa. Deus é o criador do universo, que consiste na infinidade dos mundos que vemos e aqueles que não vemos, todos os seres animados (por exemplo: as plantas, os animais e os homens)  e inanimados (por exemplo: a água, o ar , os metais, os minerais, etc.)  todos os astros que se movem no espaço, assim como os fluidos que o enchem.

- 2. Imortalidade da Alma: O Espiritismo nos comprova pela experiência e observação que a alma ou Espírito é um  ser imaterial e individual que reside em nós e sobrevive ao corpo. É o princípio inteligente, isto é,  o ser pensante.  A alma foi criada por Deus e sua existência não possui fim, ou seja, é imortal.

- 3. Lei da Causa e Efeito: Todas as situações da nossa vida são regidas pelo princípio da lei de causa e efeito, segundo o qual a cada ação, boa ou má, corresponde uma reação equivalente e dirigida na direção do autor. Ou seja, o mal que fizermos retornará para nós, assim como o bem que tenhamos feito terá uma recompensa. Colhemos o que plantamos: se plantarmos o amor, receberemos o amor. 

- 4. Reencarnação: A reencarnação é o retorno da alma ou Espírito à vida corporal, mas em um outro corpo, formado novamente para ele, e que não tem nada em comum com o que se desintegrou. O objetivo da encarnação é evoluir para alcançarmos  a perfeição. Uma única encarnação não é suficiente para que alcancemos toda sabedoria e todo conhecimento necessário para nos tornarmos um Espírito puro (perfeito). Portanto, Deus nos concede a possibilidade de reencarnamos muitas vezes.

- 5. Pluralidade dos Mundos habitados: Existem diversos tipos de mundos no universo. Todos os mundos são habitados por seres corporais apropriados à constituição física de cada globo. Os mundos são diferentes uns dos outros, segundo o seu aspecto físico e moral dos habitantes que neles vivem.  Há mundos inferiores ao planeta Terra, física e moralmente; outros, da mesma condição que o nosso; e outros que lhe são mais ou menos superiores em todos os aspectos. Portanto, se o Espírito cumpriu seus deveres e progrediu, poderá viver num mundo melhor do que este.

- 6. Comunicabilidade dos Espíritos: Existem dois mundos que são paralelos, o material composto de espíritos encarnados e o espiritual formado pelos espíritos desencarnados. A possibilidade das comunicações entre os Espíritos (bons ou maus) e os homens foi demonstrada pela experiência. Chama-se mediunidade, o conjunto de faculdades que permitem ao ser humano comunicar-se com o mundo espiritual. A Doutrina Espírita surgiu devido aos ensinos que foram ditados pelos Espíritos superiores.

- 7. Fé Raciocinada: Ter fé é guardar no coração a luminosa certeza de que Deus existe, sabendo que Ele é um Pai Bondoso que não desampara nenhum de seus filhos. A fé pode ser raciocinada ou cega. A fé cega nada examina, aceitando sem controle o falso e o verdadeiro. Quando a fé está baseada no erro, cedo ou tarde desmorona.  E, para crer, não basta ver; é preciso, sobretudo, compreender. A fé raciocinada, por se apoiar nos fatos e na lógica, nenhuma obscuridade deixa. Ao invés de aceitar dogmas e mistérios, analisa os fatos através de uma observação direta, pelo estudo das leis naturais, assim como foi feito por Allan Kardec.

- 8. Evolução: O progresso (evolução) é uma lei da Natureza. A essa lei todos os seres da Criação, animados e inanimados, foram submetidos pela bondade de Deus. Ao mesmo tempo que todos os seres vivos progridem moralmente, progridem materialmente os mundos em que eles habitam. O objetivo da nossa existência é evoluir para alcançarmos a perfeição (Espírito puro).

- 9. Moral de Jesus: Jesus é um dos filhos de Deus que, há um tempo incalculável, atingiu a perfeição. Ele é o governador do nosso planeta e o modelo de perfeição que devemos seguir.  Os atos da sua vida e os seus ensinamentos morais estão contidos no Evangelho. Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, isto é, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinos, ele aponta essas duas virtudes como sendo as que conduzem à eterna felicidade.  

- 10. Prática da caridade: Não se pode amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se resumem nesta máxima: Fora da caridade não há salvação.
 

Perguntas para fixação:

1. Quem codificou a Doutrina Espírita?

2. Qual é o significado da palavra fundamento?

3. Quem ditou os princípios fundamentais da Doutrina Espírita?

4. Como é possível provar a existência de Deus?

5. Por que se diz que a alma é imortal?

6. Como funciona a lei de causa e efeito?

7. O que é a reencarnação?

8. Todos os mundos são habitados?

9. Como é possível se comunicar com os Espíritos?

10. O que é ter fé raciocinada?

11.  Por que é necessário a evolução?

12. Onde estão escritos os ensinamentos morais de Jesus?

13. Por que devemos praticar a caridade?

 

Subsídio para o Evangelizador:

            A doutrina foi codificada por Allan Kardec, com o lançamento de O Livro dos Espíritos, em 18 de abril de 1857, em Paris, França. Este foi o pseudônimo assumido pelo conhecido educador Hippolite Leon Denizard Rivail, que se dedicava ao estudo dos fenômenos espíritas sob a ótica científica.

            Foi o próprio Kardec quem definiu o Espiritismo como sendo a ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bem como suas relações com o mundo material.

            A codificação espírita, assentada em tríplice aspecto – científico, filosófico e religioso – está estabelecida em princípios fundamentais que constituem o seu alicerce e lhe dão autoridade.

            Embora não haja um número específico dos princípios básicos da doutrina espírita (uns falam em 5 pontos, outros em 7 e outros ainda falam em10) citaremos aqueles que, em nosso entender, são os mais importantes.

(Revista Cristã de Espiritismo nº 100. Artigo: Fundamentos básicos da Doutrina Espírita. Tadeu José Laurenti).

            José Benevides Cavalcante,  no livro '' Fundamentos da Doutrina Espírita '' apresenta os seguintes princípios básicos do Espiritismo:

            1 - Existência de Deus

            2 - Imortalidade da Alma

            3 - Lei da Causa e Efeito

            4 - Reencarnação

            5 - Pluralidade dos Mundos habitados

            6 - Comunicabilidade dos Espíritos

            7 - Fé Raciocinada

            8 - Evolução

            9 - Moral de Jesus. (Fundamentos da Doutrina Espírita. 2º Parte. José Benevides Cavalcante)

 1- Existência de Deus:

            Há um Deus, inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. A prova da existência de Deus temo-la neste axioma: Não há efeito sem causa. Vemos constantemente uma imensidade de efeitos, cuja causa não está na Humanidade, pois que a Humanidade é impotente para produzi-los, ou, sequer, para os explicar. A causa está acima da Humanidade. É a essa causa que se chama Deus, Jeová, Alá, Brama, Fo-Hi, Grande Espírito , etc. (Obras póstumas. Profissão de fé Espírita raciocinada. Item 1. Allan Kardec)

            Para crer em Deus basta lançar os olhos sobre as obras da criação. O Universo existe; ele tem, pois uma causa. Duvidar da existência de Deus seria negar que todo efeito tem uma causa, e adiantar que o nada pôde fazer alguma coisa (O Livro dos Espíritos. Questão 4 . Allan Kardec).

            (...) Deus é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom.

            Deus é eterno: Se tivesse tido começo, alguma coisa houvera existido antes dele, ou ele teria saído do nada, ou, então, um ser anterior o teria criado. É assim que, degrau a degrau, remontamos ao infinito na eternidade.

            É imutável : Se estivesse sujeito à mudança, nenhuma estabilidade teriam as leis que regem o Universo.

            É imaterial: Sua natureza difere de tudo o a que chamamos matéria, pois, do contrário, ele estaria sujeito às flutuações e transformações da matéria e, então, já não seria imutável.

            É único : Se houvesse muitos Deuses, haveria muitas vontades e, nesse caso, não haveria unidade de vistas, nem unidade de poder na ordenação do Universo.

            É onipotente , porque é único: Se ele não dispusesse de poder soberano, alguma coisa ou alguém haveria mais poderoso do que ele; não teria feito todas as coisas e as que ele não houvesse feito seriam obra de outro Deus.

            É soberanamente justo e bom: A sabedoria providencial das leis divinas se revela nas mais mínimas coisas como nas maiores e essa sabedoria não permite se duvide nem da sua justiça, nem da sua bondade.

            Deus é infinito em todas as suas perfeições.

            Se supuséssemos imperfeito um só dos atributos de Deus, se lhe tirássemos a menor parcela de  eternidade, de imutabilidade, de imaterialidade , de unidade , de onipotência, de justiça e de bondade , poderíamos imaginar um ser que possuísse o que lhe faltasse, e esse ser, mais perfeito do que ele, é que seria Deus.

            Deus é o criador de todas as coisas.

            Esta proposição é a consequência da prova da existência de Deus. (Obras póstumas. Profissão de fé Espírita raciocinada. Itens 2, 3 e 10. Allan Kardec)

            Criou o Universo que compreende todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais. Os seres materiais constituem o mundo visível ou corporal e os seres imateriais o mundo invisível ou espírita, quer dizer, dos Espíritos. (O Livro dos Espíritos. Introdução. Item VI. Allan Kardec).

            Deus, acima de tudo justo, governa o universo por intermédio de princípios imutáveis e perfeitos conhecidos coletivamente como a Lei de Deus ou Lei Divina. Ela provê a ordem, corrigindo os abusos permitidos: a desordem é local e transitória, existindo como condições de uma ordem superior. A providência funciona para quem se coloca sob sua tutela, observando estritamente a Lei, e supera qualquer estrave quando há merecimento (daí dizer-se: “o impossível acontece”). A misericórdia existe na atenuação das provas e expiações quando méritos foram posteriormente adquiridos. (Evolução para o terceiro milênio. Cap. 10. Item 2. Carlos Toledo Rizzini).

2- Imortalidade da alma:

            Há no homem um princípio inteligente a que se chama ALMA ou ESPÍRITO, independente da matéria, e que lhe dá o senso moral e a faculdade de pensar. (Obras póstumas. Profissão de fé Espírita raciocinada. Item 4. Allan Kardec ).

            (...) Chamamos alma ao ser imaterial e individual que reside em nós e sobrevive ao corpo. (O Livro dos Espíritos. Introdução. Item II. Allan Kardec)

            O espírito humano sobrevive à morte do corpo, conservando a personalidade qual era antes, e preexiste ao nascimento do corpo. Poderá ou não se modificar ulteriormente. (Evolução para o Terceiro milênio. Cap. 10. Item 10. Carlos Rizzini).

            Os Espíritos têm fim? Compreende-se que seja eterno o princípio donde eles emanam, mas o que perguntamos é se suas individualidades têm um termo e se, em dado tempo, mais ou menos longo, o elemento de que são formados não se dissemina e volta à massa donde saiu, como sucede com os corpos materiais. É difícil de conceber-se que uma coisa que teve começo possa não ter fim.

            Há muitas coisas que não compreendeis, porque tendes limitada a inteligência. Isso, porém, não é razão para que as repilais. O filho não compreende tudo o que a seu pai é compreensível, nem o ignorante tudo o que o sábio apreende. Dizemos que a existência dos Espíritos não tem fim. É tudo o que podemos, por agora, dizer. (O Livro dos Espíritos. Questão 83. Allan Kardec).

            Os Espíritos revestem temporariamente um invólucro material perecível, cuja destruição pela morte lhes restitui a liberdade.

            Entre as diferentes espécies de seres corpóreo, Deus escolheu a espécie humana para a encarnação dos Espíritos que chegaram a certo grau de desenvolvimento, dando-lhe superioridade moral e intelectual sobre as outras.

            A alma é um Espírito encarnado, sendo o corpo apenas o seu envoltório.

            Há no homem três coisas: 1°, o corpo ou ser material análogo aos animais e animado pelo mesmo princípio vital; 2°, a alma ou ser imaterial, Espírito encarnado no corpo; 3°, o laço que prende a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o Espírito.

            Tem assim o homem duas naturezas: pelo corpo, participa da natureza dos animais, cujos “instintos lhe são comuns; pela alma, participa da natureza dos Espíritos. O laço ou perispírito, que prende ao corpo o Espírito, é uma espécie de envoltório semimaterial. A morte é a destruição do invólucro mais grosseiro. O Espírito conserva o segundo, que lhe constitui um corpo etéreo, invisível para nós no estado normal, porém que “pode tornar-se acidentalmente visível e mesmo tangível, como sucede no fenômeno das aparições. O Espírito não é, pois, um ser abstrato, indefinido, só possível de conceber-se pelo pensamento. É um ser real, circunscrito, que, em certos casos, se torna apreciável pela vista, pelo ouvido e pelo tato. (O Livro dos Espíritos. Introdução. Item VI. Allan Kardec).

             Qual a sede da alma?

            A alma não está, como geralmente se crê, localizada num ponto particular do corpo; ela forma com o perispírito um conjunto fluídico, penetrável, assimilando-se ao corpo inteiro, com o qual ela constitui um ser complexo, do qual a morte não é, de alguma sorte, mais que um  desdobramento. Podemos figuradamente supor dois corpos semelhantes na forma, um encaixado no outro, confundidos durante a vida e separados depois da morte. Nessa ocasião um deles é destruído, ao passo que o outro subsiste.

            Durante a vida a alma age mais especialmente sobre os órgãos do pensamento e do sentimento. Ela é, ao mesmo tempo, interna e externa, isto é, irradia exteriormente, podendo mesmo isolar-se do corpo, transportar-se ao longe e aí manifestar sua presença, como o provam a observação e os fenômenos sonambúlicos. ( O que é o Espiritismo. Cap. 3. Questão 108. Allan Kardec).

            Estabelecida a existência da alma, impõe-se desde logo o problema da imortalidade. Aí está uma questão da maior importância, pois a imortalidade é a única sanção que se oferece à lei moral, a única concepção a satisfazer nossas ideias de justiça e responder às mais elevadas esperanças da raça humana. (Depois da morte. Cap. 10. Leon Denis).

            3 - Lei da Causa e Efeito

            O destino, desgraçado ou feliz, da alma depois da morte depende do bem ou do mal praticados durante a vida terrena. Todas as situações aí possíveis são regidas pelo princípio de causa e efeito, segundo o qual a cada ação, boa ou má, corresponde uma reação equivalente e dirigida na direção do autor. Inferno e paraíso são estados de consciência, penosos ou agradáveis, dependentes das situações anteriores do espírito. Não há lugares circunscritos para sofrer nem para deleitar-se. Sofrimento e felicidade residem dentro do ser e acompanham-no esteja onde estiver, já que derivam da imperfeição ou adiantamento moral deste. (Evolução para o terceiro milênio. Cap. 10. Item 11. Carlos Toledo Rizzini).

            O homem é quase sempre o obreiro da sua própria infelicidade. Praticando a lei de Deus, a muitos males se forrará e proporcionará a si mesmo felicidade tão grande quanto o comporte a sua existência grosseira.

            Aquele que se acha bem compenetrado de seu destino futuro não vê na vida corporal mais do que uma estação temporária, uma como parada momentânea em péssima hospedaria. Facilmente se consola de alguns aborrecimentos passageiros de uma viagem que o levará a tanto melhor posição, quanto melhor tenha cuidado dos preparativos para empreendê-la. Já nesta vida somos punidos pela infrações, que cometemos, das leis que regem a existência corpórea, sofrendo os males conseqüentes dessas mesmas infrações e dos nossos próprios excessos. Se, gradativamente, remontarmos à origem do que chamamos as nossas desgraças terrenas, veremos que, na maioria dos casos, elas são a conseqüência de um primeiro afastamento nosso do caminho reto. Desviando-nos deste, enveredamos por outro, mau, e, de conseqüência em conseqüência, caímos na desgraça. (O Livro dos Espíritos. Questão 921. Allan Kardec).

            Paulo de Tarso disse: Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear isso também colherá. (Gálatas 6:7).

            Toda falta cometida, todo mal realizado é uma dívida contraída que deverá ser paga; se o não for em uma existência, sê-lo-á na seguinte ou seguintes, porque todas as existências são solidárias entre si. Aquele que se quita numa existência não terá necessidade de pagar segunda vez. (O céu e o inferno. Primeira parte. Cap. 7. Código penal da vida futura. Item 9. Allan Kardec).

            A expiação varia segundo a natureza e gravidade da falta, podendo, portanto, a mesma falta determinar expiações diversas, conforme as circunstâncias, atenuantes ou agravantes, em que for cometida.

            Não há regra absoluta nem uniforme quanto à natureza e duração do castigo: — a única lei geral é que toda falta terá punição, e terá recompensa todo ato meritório, segundo o seu valor.

            A duração do castigo depende da melhoria do Espírito culpado. (O céu e o inferno. Primeira parte. Cap. 7. Código penal da vida futura. Itens 9, 11, 12 e 13. Allan Kardec).

            O livre-arbítrio é um dos artigos da Lei Divina. Todavia, a liberdade existe antes de agir; emitido o pensamento ou lançada a ação, já não existe, pois o espírito não pode suspender a reação e terá de enfrentá-la, boa ou má. Assim, é o homem obrigado a reabsorver os efeitos das causas (as consequências dos atos) que originou e a passar pelo que fez outro sofrer; contudo, um esforço continuado no sentido do bem atrai a misericórdia da lei e alcança atenuação (e.g., se deve perder um braço, poderá ficar apenas sem um dedo).   (Evolução para o terceiro milênio. Cap. 10. Item 12. Carlos Toledo Rizzini).

4 - Reencarnação:

     Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Para uns, é expiação; para outros, missão. Mas, para alcançarem essa perfeição, têm que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal: nisso é que está a expiação. (O Livro dos Espíritos. Questão 132. Allan Kardec).

            A alma, depois de residir temporariamente no espaço, renasce na condição humana, trazendo consigo a herança, boa ou má, do seu passado; renasce criancinha, reaparece na cena terrestre para representar um novo ato do drama da sua vida, resgatar as dívidas que contraiu e conquistar novas capacidades que lhe hão de facilitar a ascensão, acelerar a marcha para a frente.

            A lei dos renascimentos explica e completa o princípio da imortalidade. A evolução do ser indica um plano e um fim. Esse fim, que é a perfeição, não pode realizar-se em uma única existência, por mais longa que seja. Devemos ver na pluralidade das vidas da alma a condição necessária de sua educação e de seus progressos. É à custa dos próprios esforços, de suas lutas, de seus sofrimentos, que ela se redime de seu estado de ignorância e de inferioridade e se eleva, de degrau a degrau, primeiramente na Terra e, em seguida, através das inumeráveis estâncias do céu estrelado.

            A reencarnação, afirmada pelas vozes de além-túmulo, é a única forma racional pela qual se pode admitir a reparação das faltas cometidas e a evolução gradual dos seres. Sem ela não se vê sanção moral satisfatória e completa, não há possibilidade de conceber a existência de um Ser que governe o universo com justiça. (O problema do ser, do destino e da dor. Segunda parte. Cap. 13. Leon Denis).

            Em cada existência, traz o espírito, em forma de aptidões e inclinações, todas as suas conquistas intelectuais e morais, bem como as imperfeições e vícios de que ainda não pode livrar-se. Justamente isto é que deve constituir sua preocupação máxima e será a razão das novas situações e trabalhos a superar. Vai adquirindo novos hábitos, cada vez melhores à medida que amadurece e esforça-se pela repetição de experiências, pensamentos e atos, e absorvendo novos conhecimentos se aplicar-se ao estudo.   (Evolução para o terceiro milênio. Cap. 10. Item 23. Carlos Toledo Rizzini).

            A encarnação dos Espíritos ocorre sempre na espécie humana: seria um erro acreditar que a alma ou Espírito possa se encarnar no corpo de um animal.

             As diferente existências corporais do Espírito são sempre progressivas e jamais retrógradas; mas a rapidez do progresso depende dos esforços que fazemos para atingir a perfeição. (O Livro dos Espíritos. Introdução. Item VI. Allan Kardec). 

            A passagem dos Espíritos pela vida corporal é necessária para que eles possam cumprir, por meio de uma ação material, os desígnios cuja execução Deus lhes confia. É-lhes necessária, a bem deles, visto que a atividade que são obrigados a exercer lhes auxilia o desenvolvimento da inteligência. Sendo soberanamente justo, Deus tem de distribuir tudo igualmente por todos os seus filhos; assim é que estabeleceu para todos o mesmo ponto de partida, a mesma aptidão, as mesmas obrigações a cumprir e a mesma liberdade de proceder. Qualquer privilégio seria uma preferência, uma injustiça. Mas, a encarnação para todos os Espíritos, é apenas um estado transitório. E uma tarefa que Deus lhes impõe, quando iniciam a vida, como primeira experiência do uso que farão do livre-arbítrio. Os que desempenham com zelo essa tarefa transpõem rapidamente e menos penosamente os primeiros graus da iniciação e mais cedo gozam do fruto de seus labores. Os que, ao contrário, usam mal da liberdade que Deus lhes concede retardam a sua marcha e, tal seja a obstinação que demonstrem, podem prolongar indefinidamente a necessidade da reencarnação e é quando se torna um castigo. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 4. Item 25. Allan Kardec).

            A doutrina da reencarnação, isto é, a que consiste em admitir para o Espírito muitas existências sucessivas, é a única que corresponde à idéia que formamos da justiça de Deus para com os homens que se acham em condição moral inferior; a única que pode explicar o futuro e firmar as nossas esperanças, pois que nos oferece os meios de resgatarmos os nossos erros por novas provações. A razão no-la indica e os Espíritos a ensinam. (O Livro dos Espíritos. Questão 171. Allan Kardec).

            5 - Pluralidade dos Mundos habitados:

            Os Espíritos encarnados habitam os diferentes globos do Universo. (O Livro dos Espíritos. Introdução VI. Allan Kardec).

            O Universo compreende a infinidade dos mundos que vemos e aqueles que não vemos, todos os seres animados e inanimados, todos os astros que se movem no espaço, assim como os fluidos que o enchem. (O Livro dos Espíritos. Livro I. Cap. III. Allan Kardec).

            Jesus disse: Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. (João 14:1-2).

            A casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito e oferecem, aos Espíritos que neles encarnam, moradas correspondentes ao adiantamento dos mesmos Espíritos. Independente da diversidade dos mundos, essas palavras de Jesus também podem referir-se ao estado venturoso ou desgraçado do Espírito na erraticidade. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 3. item 2. Allan Kardec).

            São habitados todos os globos que se movem no espaço?

            Sim e o homem terreno está longe de ser, como supõe, o primeiro em inteligência, em bondade e em perfeição. Entretanto, há homens que se têm por espíritos muito fortes e que imaginam pertencer a este pequenino globo o privilégio de conter seres racionais. Orgulho e vaidade! Julgam que só para eles criou Deus o Universo.” Deus povoou de seres vivos os mundos, concorrendo todos esses seres para o objetivo final da Providência. Acreditar que só os haja no planeta que habitamos fora duvidar da sabedoria de Deus, que não fez coisa alguma inútil. Certo, a esses mundos há de ele ter dado uma destinação mais séria do que a de nos recrearem a vista. Aliás, nada há, nem na posição, nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa induzir à suposição de que ela goze do privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de milhões de mundos semelhantes. ( O Livro dos Espíritos. Questão. 55. Allan Kardec).

            Do ensino dado pelos Espíritos, resulta que muito diferentes umas das outras são as condições dos mundos, quanto ao grau de adiantamento ou de inferioridade dos seus habitantes. Entre eles há-os em que estes últimos são ainda inferiores aos da Terra, física e moralmente; outros, da mesma categoria que o nosso; e outros que lhe são mais ou menos superiores a todos os respeitos. Nos mundos inferiores, a existência é toda material, reinam soberanas as paixões, sendo quase nula a vida moral. A medida que esta se desenvolve, diminui a influência da matéria, de tal maneira que, nos mundos mais adiantados, a vida é, por assim dizer, toda espiritual.

            Nos mundos intermédios, misturam-se o bem e o mal, predominando um ou outro, segundo o grau de adiantamento da maioria dos que os habitam. Embora se não possa fazer, dos diversos mundos, uma classificação absoluta, pode-se contudo, em virtude do estado em que se acham e da destinação que trazem, tomando por base os matizes mais salientes, dividi-los, de modo geral, como segue: mundos primitivos, destinados às primeiras encarnações da alma humana; mundos de expiação e provas, onde domina o mal; mundos de regeneração, nos quais as almas que ainda têm o que expiar haurem novas forças, repousando das fadigas da luta; mundos ditosos, onde o bem sobrepuja o mal; mundos celestes ou divinos, habitações de Espíritos depurados, onde exclusivamente reina o bem. A Terra pertence à categoria dos mundos de expiação e provas, razão por que aí vive o homem a braços com tantas misérias. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 3. Itens 3 e 4. Allan Kardec).

            6 - Comunicabilidade dos Espíritos:

            Sendo admitidas a existência, a sobrevivência e a individualidade  da alma, o Espiritismo reduz-se a uma só questão principal:  Serão possíveis  as comunicações entre as almas e os viventes?

            Essa possibilidade foi demonstrada pela experiência, e uma vez estabelecido o fato das relações entre os mundos visível e invisível, bem como conhecidos a natureza, o princípio e o modo dessas relações, abriu-se um novo campo à observação e encontrou-se a chave de grande número de problemas.

            (...)O que faz nascer na mente de muitas pessoas a dúvida sobre a possibilidade das comunicações de além-túmulo, é a ideia falsa que fazem do estado da alma depois da morte. Figuram ser ela um sopro, uma fumaça, uma coisa vaga, apenas apreensível ao pensamento, que se evapora e vai não se sabe para onde, mas para lugar tão distante que se custa a compreender que ela possa tornar à Terra. Se, ao contrário, a considerarmos ainda unida a um corpo fluídico, semimaterial, formando com ele um ser concreto e individual, as suas relações com os viventes nada têm de incompatível com a razão.

            Vivendo o mundo invisível no meio do visível, com o qual está em contato perpétuo, dá em resultado uma incessante reação de cada um deles sobre o outro, e bem assim demonstra que, desde que houve homens, houve também Espíritos, e que se estes têm o poder de manifestar-se, de-viam tê-lo feito em todas as épocas e entre todos os povos. ( O que é o Espiritismo. Cap. 2. Itens 22, 23 e 24. Allan Kardec). 

            Os Espíritos exercem incessante ação sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico. Atuam sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das potências da Natureza, causa eficiente de uma multidão de fenômenos até então inexplicados ou mal explicados e que não encontram explicação racional senão no Espiritismo.

            As relações dos Espíritos com os homens são constantes. Os bons Espíritos nos atraem para o bem, nos sustentam nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação. Os maus nos impelem para o mal: é-lhes um gozo ver-nos e assemelhar-nos a eles. (O Livro dos Espíritos. Introdução. Item VI. Allan Kardec).

             Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?

            Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem. (O Livro dos Espíritos. Questão 459. Allan Kardec).

            Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos. Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns. Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva. (O Livro dos Médiuns. Cap. 14. Item 159. Allan Kardec).

            As comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. As ocultas se verificam pela influência boa ou má que exercem sobre nós, à nossa revelia. Cabe ao nosso juízo discernir as boas das más inspirações. As comunicações ostensivas se dão por meio da escrita, da palavra ou de outras manifestações materiais, quase sempre pelos médiuns que lhes servem de instrumentos. (O Livro dos Espíritos. Introdução. Item VI. Allan Kardec).

            Os Espíritos podem manifestar-se de muitas maneiras diferentes: pela vista, pela audição, pelo tato, produzindo ruídos e movimentos de corpos, pela escrita, desenho, música etc.

            Às vezes, os Espíritos se manifestam espontaneamente por pancadas e ruídos; é muitas vezes um meio que empregam para atestar sua presença e chamar sobre si a atenção, tal como nós, quando batemos para avisar que está alguém à porta.

            Alguns não se limitam a ruídos moderados, mas produzem

bulhas imitando louças que se quebram, caindo, portas que se abrem e fecham com estrondo, móveis lançados ao chão, e alguns chegam mesmo a causar uma perturbação real e verdadeiros estragos.

            Ainda que invisível para nós no estado normal, o perispírito é matéria etérea. Em certos casos, o Espírito pode fazê-lo sofrer uma espécie de modificação molecular que o torna visível e mesmo tangível; é como se produzem as aparições — fenômeno que não é mais extraordinário que o do vapor que, invisível quando muito rarefeito, se torna visível por condensação.

            Os Espíritos que se tornam visíveis apresentam-se, quase sempre, com as aparências que tinham em vida e que os podem tornar conhecidos.

 ( O que é o Espiritismo. Cap. 2. Itens26 , 27 e 28. Allan Kardec). 

            Os médiuns atuais - pois que também os apóstolos tinham mediunidade igualmente receberam de Deus um dom gratuito: o de serem intérpretes dos Espíritos, para instrução dos homens, para lhes mostrar o caminho do bem e conduzi-los à fé, não para lhes vender palavras que não lhes pertencem, a eles médiuns, visto que não são fruto de suas concepções, nem de suas pesquisas, nem de seus trabalhos pessoais. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 26. item 7. Allan Kardec).

7 - Fé Raciocinada:

            Poder-se-á definir o que é ter fé?

            Ter fé é guardar no coração a luminosa certeza em Deus, certeza que ultrapassou o âmbito da crença religiosa, fazendo o coração repousar numa energia constante de realização divina da personalidade.

            Conseguir a fé é alcançar a possibilidade de não mais dizer “eu creio”, mas afirmar “eu sei”, com todos os valores da razão tocados pela luz do sentimento. Essa fé não pode estagnar em nenhuma circunstância da vida e sabe trabalhar sempre, intensificando a amplitude de sua iluminação, pela dor ou pela responsabilidade, pelo esforço e pelo dever cumprido.

            Traduzindo a certeza na assistência de Deus, ela exprime a confiança que sabe enfrentar todas as lutas e problemas, com a luz divina no coração, e significa a humildade redentora que edifica no íntimo do espírito a disposição sincera do discípulo, relativamente ao “faça-se no escravo a vontade do Senhor”. (O Consolador. Questão 354. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).

            Será fé acreditar sem raciocínio?

            Acreditar é uma expressão de crença, dentro da qual os legítimos valores da fé em si mesma. Admitir as afirmativas mais estranhas, sem um exame minucioso, é caminhar para o desfiladeiro do absurdo, onde os fantasmas dogmáticos conduzem as criaturas a todos os despautérios. Mas também interferir nos problemas essenciais da vida, sem que a razão esteja iluminada pelo sentimento, é buscar o mesmo declive onde os fantasmas impiedosos da negação conduzem as almas a muitos crimes. (O Consolador. Questão 355. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).

            Do ponto de vista religioso, a fé consiste na crença em dogmas especiais, que constituem as diferentes religiões. Todas elas têm seus artigos de fé. Sob esse aspecto, pode a fé ser raciocinada ou cega. Nada examinando, a fé cega aceita, sem verificação, assim o verdadeiro como o falso, e a cada passo se choca com a evidência e a razão. Levada ao excesso, produz o fanatismo. Em assentando no erro, cedo ou tarde desmorona; somente a fé que se baseia na verdade garante o futuro, porque nada tem a temer do progresso das luzes, dado que o que é verdadeiro na obscuridade, também o é à luz meridiana. Cada religião pretende ter a posse exclusiva da verdade; preconizar alguém a fé cega sobre um ponto de crença é confessar-se impotente para demonstrar que está com a razão.

            (...)A resistência do incrédulo, devemos convir, muitas vezes provém menos dele do que da maneira por que lhe apresentam as coisas. A fé necessita de uma base, base que é a inteligência perfeita daquilo em que se deve crer. E, para crer, não basta ver; é preciso, sobretudo, compreender. A fé cega já não é deste século , tanto assim que precisamente o dogma da fé cega é que produz hoje o maior número dos incrédulos, porque ela pretende impor-se, exigindo a abdicação de uma das mais preciosas prerrogativas do homem: o raciocínio e o livre-arbítrio. É principalmente contra essa fé que se levanta o incrédulo, e dela é que se pode, com verdade, dizer que não se prescreve. Não admitindo provas, ela deixa no espírito alguma coisa de vago, que dá nascimento à dúvida. A fé raciocinada, por se apoiar nos fatos e na lógica, nenhuma obscuridade deixa. A criatura então crê, porque tem certeza, e ninguém tem certeza senão porque compreendeu. Eis por que não se dobra. Fé inabalável só o é a que pode encarar de frente a razão, em todas as épocas da Humanidade. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 19. itens 6 e 7. Allan Kardec).

8 - Evolução:

            O progresso é lei da Natureza. A essa lei todos os seres da Criação, animados e inanimados, foram submetidos pela bondade de Deus, que quer que tudo se engrandeça e prospere. A própria destruição, que aos homens parece o termo final de todas as coisas, é apenas um meio de se chegar, pela transformação, a um estado mais perfeito, visto que tudo morre para renascer e nada sofre o aniquilamento.

            Ao mesmo tempo que todos os seres vivos progridem moralmente, progridem materialmente os mundos em que eles habitam. Quem pudesse acompanhar um mundo em suas diferentes fases, desde o instante em que se aglomeraram os primeiros átomos destinados e constituí-lo, vê-lo-ia a percorrer uma escala incessantemente progressiva, mas de degraus imperceptíveis para cada geração, e a oferecer aos seus habitantes uma morada cada vez mais agradável, à medida que eles próprios avançam na senda do progresso. Marcham assim, paralelamente, o progresso do homem, o dos animais, seus auxiliares, o dos vegetais e o da habitação, porquanto nada em a Natureza permanece estacionário. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 3. Item 19. Allan Kardec).

            O mineral é atração. O vegetal é sensação. O animal é instinto. O homem é razão. O anjo é divindade. Busquemos reconhecer a infinidade de laços que nos unem nos valores gradativos da evolução e ergamos em nosso íntimo o santuário eterno da fraternidade universal. ( O Consolador. Questão. 79. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).

          A finalidade da alma é o desenvolvimento de todas as faculdades a ela inerentes. Para consegui-lo, ela é obrigada a encarnar grande número de vezes, na Terra, a fim de acendrar suas faculdades morais e intelectuais, enquanto aprende a se­nhorear e governar a matéria. É mediante uma evolução ininterrupta, a partir das formas de vida mais rudimentares, até  à condição humana, que o princípio pensante conquista, lentamente, a sua individualidade. Chegado a esse estágio, cumpre­-lhe fazer eclodir a sua espiritualidade, dominando os instintos remanescentes da sua passagem pelas formas inferiores, a fim de elevar-se, na série das transformações, para destinos sempre mais altos. (A evolução anímica. Introdução. Gabriel Dellane).

            Pode o homem retrogradar para o estado natural?

            Não, o homem tem que progredir incessantemente e não pode retornar ao estado de infância. Desde que progride, é porque Deus assim o quer. Pensar que possa retrogradar à sua primitiva condição fora negar a lei do progresso. (O Livro dos Espíritos. Questão 778. Allan Kardec).

            Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto é, sem saber. A cada um deu determinada missão, com o fim de esclarecê-los e de os fazer chegar progressivamente à perfeição, pelo conhecimento da verdade, para aproximá-los de si. Nesta perfeição é que eles encontram a pura e eterna felicidade. Passando pelas provas que Deus lhes impõe é que os Espíritos adquirem aquele conhecimento. Uns aceitam submissos essas provas e chegam mais depressa à meta que lhes foi assinada. Outros só a suportam murmurando e, pela falta em que desse modo incorrem, permanecem afastados da perfeição e da prometida felicidade. (O Livro dos Espíritos. Questão 115. Allan Kardec).

            Quando, em um mundo, os Espíritos hão realizado a soma de progresso que o estado desse mundo comporta, deixam-no para encarnar em outro mais adiantado, onde adquiram novos conhecimentos e assim por diante, até que, não lhes sendo mais de proveito algum a encarnação cm corpos materiais, passam a viver exclusivamente da vida espiritual, em a qual continuam a progredir, mas noutro sentido e por outros meios. Chegados ao ponto culminante do progresso, gozam da suprema felicidade. Admitidos nos conselhos do Onipotente, conhecem-lhe o pensamento e se tornam seus mensageiros, seus ministros diretos no governo dos mundos, tendo sob suas ordens os Espíritos de todos os graus de adiantamento. (A Gênese. Cap. 11. Item 28. Allan kardec).

9 - Moral de Jesus:

            Jesus é um dos filhos de Deus que, há um tempo incalculável, atingiu a perfeição. É, consequentemente, nosso irmão, segundo no-lo declarou formalmente em pessoa, no Evangelho.

            Foi distinguido por Deus com o governo da Terra. Logo, é o nosso guia supremo ou, como Ele disse, o Mestre. A Ele coube presidir a formação do planeta e orientar o curso da evolução material e espiritual.

            Em certo momento, veio pessoalmente ao orbe trazer, de viva voz, os ensinamentos éticos e religiosos que, com os seus atos, constituem o Evangelho; este acha-se transcrito em quatro livretos denominados Evangelhos. A perfeitíssima concordância de sua vida pública com as lições orais (visto aquela ser uma completa expressão destas) é a melhor garantia da validade e aplicabilidade dos ensinamentos doados.

            Dada a universalidade e generalidade dos princípios enunciados por Jesus, o Evangelho deve ser definido como código divino que rege a evolução espiritual. (Evolução para o terceiro milênio. Cap. 10. Itens 34, 35, 36 e 37 . Carlos Toledo Rizzini).

            Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, isto é, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinos, ele aponta essas duas virtudes como sendo as que conduzem à eterna felicidade (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 15. Item 3. Allan Kardec).

            A moral dos Espíritos superiores se resume, como a do Cristo, nesta máxima evangélica: Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem, isto é, fazer o bem e não o mal. Neste princípio encontra o homem uma regra universal de proceder, mesmo para as suas menores ações.

            Ensinam-nos que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade são paixões que nos aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria; que o homem que, já neste mundo, se desliga da matéria, desprezando as futilidades mundanas e amando o próximo, se avizinha da natureza espiritual; que cada um deve tornar-se útil, de acordo com as faculdades e os meios que Deus lhe pôs nas mãos para experimentá-lo; que o Forte e o Poderoso devem amparo e proteção ao Fraco, porquanto transgride a Lei de Deus aquele que abusa da força e do poder para oprimir o seu semelhante. Ensinam, finalmente, que, no mundo dos Espíritos, nada podendo estar oculto, o hipócrita será desmascarado e patenteadas todas as suas torpezas, que a presença inevitável, e de todos os instantes, daqueles para com quem houvermos procedido mal constitui um dos castigos que nos estão reservados; que ao estado de inferioridade e superioridade dos Espíritos correspondem penas e gozos desconhecidos na Terra.

            Mas, ensinam também não haver faltas irremissíveis, que a expiação não possa apagar. Meio de consegui-lo encontra o homem nas diferentes existências que lhe permitem avançar, conformemente aos seus desejos e esforços, na senda do progresso, para a perfeição, que é o seu destino final.

             Este o resumo da Doutrina Espírita, como resulta dos ensinamentos dados pelos Espíritos superiores. ( O Livro dos Espíritos. Introdução VI. Allan Kardec).

            Além dos nove fundamentos da Doutrina Espírita, sugeridos por  José Benevides Cavalcante, acrescentaria o 10°:  Prática da caridade.

            Caridade e humildade, tal a senda única da salvação. Egoísmo e orgulho, tal a da perdição. Este princípio se acha formulado nos seguintes precisos termos: "Amarás a Deus de toda a tua alma e a teu próximo como a ti mesmo; toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos." E, para que não haja equívoco sobre a interpretação do amor de Deus e do próximo, acrescenta: “E aqui está o segundo mandamento que é semelhante ao primeiro” , isto é, que não se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar o próximo, nem amar o próximo sem amar a Deus. Logo, tudo o que se faça contra o próximo o mesmo é que fazê-lo contra Deus. Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se resumem nesta máxima: FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO. ( O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 15. Item 5. Allan Kardec).

             

 

Bibliografia:

- O Livro dos Espíritos. Introdução. Item VI . Livro I, cap. III. Questões: 4, 83, 115, 132, 171, 778,  921 . Allan Kardec.

- Obras póstumas. Profissão de fé Espírita raciocinada. Itens 1, 2, 3, 4 e 10. Allan Kardec.

- A Gênese. Cap. 11. Item 28. Allan kardec.

- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 3, itens 2, 3 , 4, 19. Cap. 4, item 25. Cap. 15. Itens 3 e 5. Cap. 19, itens 6 e 7. Cap. 26. item 7. Allan Kardec.

- O que é o Espiritismo. Cap. 2, itens 22, 23 e 24, 26, 27 e 28.  Cap. 3. Questão 108. Allan Kardec.

- O Livro dos Médiuns. Cap. 14. Item 159. Allan Kardec.

- O céu e o inferno. Primeira parte. Cap. 7. Código penal da vida futura. Itens 9, 11, 12 e 13. Allan Kardec.

- Depois da morte. Cap. 10. Leon Denis.                   

- O problema do ser, do destino e da dor. Segunda parte. Cap. 13. Leon Denis.

- O Consolador. Questões 79,  355 e 354. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- A evolução anímica. Introdução. Gabriel Dellane.

- Fundamentos da Doutrina Espírita. 2º Parte. José Benevides Cavalcante.

- Evolução para o terceiro milênio. Cap. 10. Itens 2, 10, 11, 12, 34, 35, 36 e 37. Carlos Toledo Rizzini.

- Revista Cristã de Espiritismo nº 100. Artigo: Fundamentos básicos da Doutrina Espírita. Tadeu José Laurenti.

-  Bíblia:Gálatas 6:7; João 14:1-2.