Aula 32 - Letargia, catalepsia, morte aparente - A ressurreição de Lázaro *

Ciclo 2 - História: A Ressurreição de Lázaro- Atividade: LE - L2 - Cap. 8 - 4 - Letargia, catalepsia, morte aparente.

Ciclo 3 - História: A Ressurreição de Lázaro ou/e  A filha de Jairo - Atividade: PH - Jesus - 8. Ressurreição de Lázaro ou/e 9. A filha de Jairo.

 

Dinâmica: Ressurreição de Lázaro.

Mensagens Espíritas: Ressurreição de Lázaro.

 

Leitura da Bíblia: João - Capítulo 11


11.1   Estava enfermo Lázaro, de Betânia, da aldeia de Maria e de sua irmã Marta.


11.2   Esta Maria, cujo irmão Lázaro estava enfermo, era a mesma que ungiu com bálsamo o Senhor e lhe enxugou os pés com os seus cabelos.


11.3   Mandaram, pois, as irmãs de Lázaro dizer a Jesus: Senhor, está enfermo aquele a quem amas.


11.4   Ao receber a notícia, disse Jesus: Esta enfermidade não é para morte, e sim para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ela glorificado.


11.5   Ora, amava Jesus a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro.


11.6   Quando, pois, soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava.


11.7   Depois, disse aos seus discípulos: Vamos outra vez para a Judéia.


11.8   Disseram-lhe os discípulos: Mestre, ainda agora os judeus procuravam apedrejar-te, e voltas para lá?


11.9   Respondeu Jesus: Não são doze as horas do dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo;


11.10   mas, se andar de noite, tropeça, porque nele não há luz.


11.11   Isto dizia e depois lhes acrescentou: Nosso amigo Lázaro adormeceu, mas vou para despertá-lo.


11.12   Disseram-lhe, pois, os discípulos: Senhor, se dorme, estará salvo.


11.13   Jesus, porém, falara com respeito à morte de Lázaro; mas eles supunham que tivesse falado do repouso do sono.


11.14   Então, Jesus lhes disse claramente: Lázaro morreu;


11.15   e por vossa causa me alegro de que lá não estivesse, para que possais crer; mas vamos ter com ele.


11.16   Então, Tomé, chamado Dídimo, disse aos condiscípulos: Vamos também nós para morrermos com ele.


11.17   Chegando Jesus, encontrou Lázaro já sepultado, havia quatro dias.


11.18   Ora, Betânia estava cerca de quinze estádios perto de Jerusalém.


11.19   Muitos dentre os judeus tinham vindo ter com Marta e Maria, para as consolar a respeito de seu irmão.


11.20   Marta, quando soube que vinha Jesus, saiu ao seu encontro; Maria, porém, ficou sentada em casa.


11.21   Disse, pois, Marta a Jesus: Senhor, se estiveras aqui, não teria morrido meu irmão.


11.22   Mas também sei que, mesmo agora, tudo quanto pedires a Deus, Deus to concederá.


11.23   Declarou-lhe Jesus: Teu irmão há de ressurgir.


11.24   Eu sei, replicou Marta, que ele há de ressurgir na ressurreição, no último dia.


11.25   Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá;


11.26   e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?


11.27   Sim, Senhor, respondeu ela, eu tenho crido que tu és o Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo.


11.28   Tendo dito isto, retirou-se e chamou Maria, sua irmã, e lhe disse em particular: O Mestre chegou e te chama.


11.29   Ela, ouvindo isto, levantou-se depressa e foi ter com ele,


11.30   pois Jesus ainda não tinha entrado na aldeia, mas permanecia onde Marta se avistara com ele.


11.31   Os judeus que estavam com Maria em casa e a consolavam, vendo-a levantar-se depressa e sair, seguiram-na, supondo que ela ia ao túmulo para chorar.


11.32   Quando Maria chegou ao lugar onde estava Jesus, ao vê-lo, lançou-se-lhe aos pés, dizendo: Senhor, se estiveras aqui, meu irmão não teria morrido.


11.33   Jesus, vendo-a chorar, e bem assim os judeus que a acompanhavam, agitou-se no espírito e comoveu-se.


11.34   E perguntou: Onde o sepultastes? Eles lhe responderam: Senhor, vem e vê!


11.35   Jesus chorou.


11.36   Então, disseram os judeus: Vede quanto o amava.


11.37   Mas alguns objetaram: Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer que este não morresse?


11.38   Jesus, agitando-se novamente em si mesmo, encaminhou-se para o túmulo; era este uma gruta a cuja entrada tinham posto uma pedra.


11.39   Então, ordenou Jesus: Tirai a pedra. Disse-lhe Marta, irmã do morto: Senhor, já cheira mal, porque já é de quatro dias.


11.40   Respondeu-lhe Jesus: Não te disse eu que, se creres, verás a glória de Deus?


11.41   Tiraram, então, a pedra. E Jesus, levantando os olhos para o céu, disse: Pai, graças te dou porque me ouviste.


11.42   Aliás, eu sabia que sempre me ouves, mas assim falei por causa da multidão presente, para que creiam que tu me enviaste.


11.43   E, tendo dito isto, clamou em alta voz: Lázaro, vem para fora!


11.44   Saiu aquele que estivera morto, tendo os pés e as mãos ligados com ataduras e o rosto envolto num lenço. Então, lhes ordenou Jesus: Desatai-o e deixai-o ir.


11.45   Muitos, pois, dentre os judeus que tinham vindo visitar Maria, vendo o que fizera Jesus, creram nele.


 

Marcos - Capítulo 5 (A filha de Jairo)


5.21   E, passando Jesus outra vez num barco para o outro lado, ajuntou-se a ele uma grande multidão; e ele estava junto do mar.


5.22   E eis que chegou um dos principais da sinagoga, por nome Jairo, e, vendo-o, prostrou-se aos seus pés


5.23   e rogava-lhe muito, dizendo: Minha filha está moribunda; rogo-te que venhas e lhe imponhas as mãos para que sare e viva.


5.24   E foi com ele, e seguia-o uma grande multidão, que o apertava.


5.35   Estando ele ainda falando, chegaram alguns do principal da sinagoga, a quem disseram: A tua filha está morta; para que enfadas mais o Mestre?


5.36   E Jesus, tendo ouvido essas palavras, disse ao principal da sinagoga: Não temas, crê somente.


5.37   E não permitiu que alguém o seguisse, a não ser Pedro, e Tiago, e João, irmão de Tiago.


5.38   E, tendo chegado à casa do principal da sinagoga, viu o alvoroço e os que choravam muito e pranteavam.


5.39   E, entrando, disse-lhes: Por que vos alvoroçais e chorais? A menina não está morta, mas dorme.


5.40   E riam-se dele; porém ele, tendo-os feito sair, tomou consigo o pai e a mãe da menina e os que com ele estavam e entrou onde a menina estava deitada.


5.41   E, tomando a mão da menina, disse-lhe: Talitá cumi, que, traduzido, é: Menina, a ti te digo: levanta-te.


5.42   E logo a menina se levantou e andava, pois já tinha doze anos; e assombraram-se com grande espanto.


5.43   E mandou-lhes expressamente que ninguém o soubesse; e disse que lhe dessem de comer.


 

Lucas  - Capítulo 7 (O filho da viúva de Naim)


7.11   E aconteceu, pouco depois, ir ele à cidade chamada Naim, e com ele iam muitos dos seus discípulos e uma grande multidão.


7.12   E, quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único de sua mãe, que era viúva; e com ela ia uma grande multidão da cidade.


7.13   E, vendo-a, o Senhor moveu-se de íntima compaixão por ela e disse-lhe: Não chores.


7.14   E, chegando-se, tocou o esquife (e os que o levavam pararam) e disse: Jovem, eu te digo: Levanta-te.


7.15   E o defunto assentou-se e começou a falar. E entregou-o à sua mãe.


7.16   E de todos se apoderou o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta se levantou entre nós, e Deus visitou o seu povo.


7.17   E correu dele esta fama por toda a Judeia e por toda a terra circunvizinha.


 

Tópicos a serem abordados:

- No Evangelho,  Lázaro é apresentado como irmão de Marta e Maria, residentes todos em Betânia, perto da cidade de Jerusalém. Jesus muito o amava, assim como as suas irmãs.

- Quando Lázaro ficou ''doente'',  as suas irmãs mandaram dizer a Jesus: "Senhor, aquele a quem amas está doente". Ao ouvir isso, Jesus disse: "Essa doença não acabará em morte; é para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por meio dela". No entanto, quando ouviu a notícia, ficou mais dois dias onde estava.
- Jesus, conhecia a condição de seu amigo Lázaro. Através da dupla vista (vista da alma), que transpõe distâncias e não conhece barreiras,  verificou que Lázaro não fora atacado de uma doença física, mas que estava em estado de letargia, que têm o mesmo princípio da catalepsia. A catalepsia, tal como a letargia, não é uma doença física, mas uma faculdade mediunica incompreendida.   

-  A letargia e a catalepsia têm como característica a perda momentânea da sensibilidade e do movimento, por uma causa fisiológica ainda inexplicada.

Elas diferem entre si em que, na letargia a suspensão das forças vitais é geral, dando ao corpo todas as aparências da morte, e na catalepsia é localizada e pode afetar uma parte mais ou menos extensa do corpo, de maneira a deixar a inteligência livre para se manifestar, o que não permite confundi-la com a morte.

-- O fluído vital é essencial para a manter o funcionamento dos órgãos (tais como: o coração, o pulmão, o estômago, os rins, etc) e lhes dar o movimento.  Na letargia, o corpo não está morto, pois há funções vitais  que continuam a realizar-se, porém o fluido vital, que anima todos os seres vivos, encontra-se quase totalmente extinto. Os liames que ligam o perispírito ao corpo encontram-se enfraquecidos (frágeis), diz-se que a vida aí está por um fio. No entanto, o corpo ainda vive, enquanto estiver ligado pelo cordão fluídico. 

- Através do passe magnético é possível restituir ao corpo o fluido vital que lhe falta. Quando diz que Jesus ressuscitou Lázaro, ele não estava morto, pois o Espírito não pode retornar ao corpo morto, isto seria contrário as leis da natureza. Foi através do poder fluídico que Jesus possuía, , acionado por uma vontade forte que fez o Espírito de Lázaro voltar ao corpo, prestes a abandoná-lo.  

- Este fenômeno era muito comum naquela época e era dificilmente diagnosticado. Além da ressurreição de Lázaro, outros casos podem ser verificados no Evangelho,  tais como a filha de Jairo e o filho da  viúva de Naim, em que houve a intervenção do mestre Jesus.  

- A palavra ''Ressurreição'' possui três significados diferentes na Bíblia. Deve-se entender o termo ressurreição utilizado para este caso, como o retorno do Espírito ao corpo que não estava morto, mas em estado de letargia. Já no caso em que se diz que Jesus ressuscitou, significa que ele apareceu com o seu corpo espiritual após a morte (Lucas 24:13-49). E quando se diz, nas escrituras, que Elias ressuscitou como João Batista, quer dizer que ele reencarnou (Marcos 6:14-16; 9:11-13). 

 

Perguntas para fixação:

1. É possível um pessoa morta voltar a vida?

2. O que é a letargia?

3. Qual é a principal característica da letargia e da catalepsia?

4. O que Jesus doou para o Espírito de Lázaro retornar ao corpo?

5. De que maneira o fluído vital pode ser doado para um outra pessoa?

6. Quem mandou avisar Jesus que Lázaro estava ''doente''?

7. Quais eram os nomes das irmãs de Lázaro?

8. Qual é o significado da palavra ressurreição, quando diz que Lázaro ressuscitou?

9. Quais os três significados da palavra ressuscitar na Bíblia?

 

 

Subsídio para o Evangelizador:

            Segundo a medicina, a letargia é um estado patológico de sono profundo, sem paragem das funções vitais e de duração variável, podendo ser causado por infecções graves que afetam os centros nervosos; sono artificial provocado quer pela sugestão (hipnose) quer por um medicamento (narcose)  (http://www.infopedia.pt/lingua-portuguesa/letargia).

            A ciência moderna oficial, a Medicina, conhece a catalepsia e a letargia, classifica-as, mas não se inte­ressa por elas, talvez percebendo não ser da sua alçada o fato de curá-las. A ciência psíquica, no entanto, assim também a Doutrina Espírita, não só as conhecem como se interessam grandemente por elas, pois que as estu­dam, tirando delas grandes ensinamentos e revelações em torno da alma humana, e por isso podem curá-las e até evitá-las, ao mesmo tempo que também poderão provocá-las, contorná-las, dirigi-las, orientá-las e delas extrair conhecimentos esplendentes para a instrução científico-transcendente a benefício da Humanidade. (Recordações da mediunidade. Cap. 1 . Ivonne A. Pereira).

            A letargia e a catalepsia derivam do mesmo princípio, que é a perda temporária da sensibilidade e do movimento (1), por uma causa fisiológica ainda inexplicada. Diferem uma da outra em que, na letargia, a suspensão das forças vitais é geral e dá ao corpo todas as aparências da morte; na catalepsia, fica localizada, podendo atingir uma parte mais ou menos extensa do corpo, de sorte a permitir que a inteligência se manifeste livremente, o que a torna inconfundível com a morte. A letargia é sempre natural; a catalepsia é por vezes magnética. (O Livro dos Espíritos. Questão 424. Allan Kardec).

            A catalepsia, tal como a letargia, não é uma enfer­midade física, mas uma faculdade que, como qualquer outra faculdade medianímica insipiente ou incompreen­dida, ou ainda descurada e mal orientada, se torna pre­judicial ao seu possuidor. Como as demais faculdades suas companheiras, a catalepsia e a letargia também poderão ser exploradas pela mistificação e pela obsessão de inimigos e perseguidores invisíveis, degenerando então em um estado mórbido do chamado perispírito, tendên­cia viciosa das vibrações perispirituais para o aniquila­mento, as quais se recolhem e fecham em si mesmas como a planta sensitiva ao ser tocada, negando-se às expansões necessárias ao bom funcionamento do con­sórcio físico-psíquico, o que arrasta uma como neutralidade do fluido vital, dando em resultado o estado de anestesia geral ou parcial, a perda da sensibilidade, quando todos os sintomas da morte e até mesmo o iní­cio da decomposição física se apresentam, e sômente a consciência estará vigilante, visto que esta, fagulha da Mente Divina animando a criatura, jamais se deterá num aniquilamento, mesmo temporário. (Recordações da mediunidade. Cap. 1 . Ivonne A. Pereira).

            Os letárgicos e os catalépticos, em geral, vêem e ouvem o que em derredor se diz e faz, sem que possam exprimir que estão vendo e ouvindo. É pelos olhos e pelos ouvidos que têm essas percepções?

            “Não; pelo Espírito. O Espírito tem consciência de si, mas não pode comunicar-se.”

             Por quê?

            Porque a isso se opõe o estado do corpo. E esse estado especial dos órgãos vos prova que no homem há alguma coisa mais do que o corpo, pois que, então, o corpo já não funciona e, no entanto, o Espírito se mostra ativo. ( O Livro dos Espíritos. Questão 422. Allan Kardec).

            Na letargia, pode o Espírito separar-se inteiramente do corpo, de modo a imprimir-lhe todas as aparências da morte e voltar depois a habitá-lo?

            Na letargia, o corpo não está morto, porquanto há funções que continuam a executar-se. Sua vitalidade se encontra em estado latente, como na crisálida, porém não aniquilada. Ora, enquanto o corpo vive, o Espírito se lhe acha ligado. Em se rompendo, por efeito da morte real e pela desagregação dos órgãos, os laços que prendem um ao outro, integral se torna a separação e o Espírito não volta mais ao seu envoltório. Desde que um homem, aparentemente morto, volve à vida, é que não era completa a morte. (O Livro dos Espíritos. Questão 423. Allan Kardec). 

            Por meio de cuidados dispensados a tempo, podem reatar-se laços prestes a se desfazerem e restituir-se à vida um ser que definitivamente morreria se não fosse socorrido?

            Sem dúvida e todos os dias tendes a prova disso. O magnetismo, em tais casos, constitui, muitas vezes, poderoso meio de ação, porque restitui ao corpo o fluido vital que lhe falta para manter o funcionamento dos órgãos. ( O Livro dos Espíritos. Questão 424. Allan Kardec).

            Contrário seria às leis da Natureza e, portanto, milagroso, o fato de voltar à vida corpórea um indivíduo que se achasse realmente morto. Ora, não é necessário recorrer a essa ordem de fatos, para ter-se a explicação das ressurreições que Jesus operou.

            (...) O próprio Jesus declara positivamente, com relação à filha de Jairo: Esta menina, disse ele, não está morta, está apenas adormecida.

            Dado o poder fluídico que ele possuía, nada de espantoso há em que esse fluido vivificante, acionado por uma vontade forte, haja reanimado os sentidos em torpor; que haja mesmo feito voltar ao corpo o Espírito, prestes a abandoná-lo, uma vez que o laço perispirítico ainda se não rompera definitivamente. Para os homens daquela época, que consideravam morto o indivíduo desde que deixara de respirar, havia ressurreição em casos tais; mas, o que na realidade havia era rara e não ressurreição (2), na acepção legítima do termo.

            "Essas mortes aparentes sempre ocorreram, principalmente no passado quando os estados catalépticos eram dificilmente diagnosticados. A técnica de diagnóstico da morte era muito empírica, normalmente através da respiração e dos batimentos cardíacos. Hoje, graças ao electroencefalógrafo, pode-se detectar com maior profundidade o momento da paragem cardíaca definitiva e da morte real..''.( Divaldo Pereira Franco, em entrevista concedida a José Carlos Lucas . Fonte: http://regeneracaoplanetaria.com.br/index.php/entrivistas/divaldo-p-franco-responde/).

    A ressurreição de Lázaro (3), digam o que disserem, de nenhum modo infirma este princípio. Ele estava, dizem, havia quatro dias no sepulcro; sabe-se, porém, que há letargias que duram oito dias e até mais. Acrescentam que já cheirava mal, o que é sinal de decomposição. Esta alegação também nada prova, dado que em certos indivíduos há decomposição parcial do corpo, mesmo antes da morte, havendo em tal caso cheiro de podridão. A morte só se verifica quando são atacados os órgãos essenciais à vida. ( A Gênese. Cap. 15 . Itens 39 e 40. Allan Kardec).

            Essa “moléstia” era muito comum na Judéia, onde os enterramentos eram imediatos.

            Vemos, por exemplo, no capítulo V, versículo 5 e seguintes de Atos dos Apóstolos, que tendo Ananias e sua mulher Safira retido parte da importância de uma propriedade que venderam e deveria ser entregue aos Apóstolos, só pelo fato de Pedro repreendê-los severamente, caíram ambos mortos e em menos de 3 horas foram enterrados.

            Nestes dois exemplos vemos não se tratar de morte real, mas de simples casos de sincope ou letargia.

            Assim foi, certamente, o que aconteceu a Lázaro.

            Vitimado por uma letargia, imediatamente fizeram-no enterrar, permanecendo no túmulo durante a crise cataléptica.

            Jesus, conhecendo a natureza de seu amigo Lázaro e as crises a que ele estava sujeito; dotado ainda, o Mestre, como era, dessa vista dupla, ou clarividência, que transpõe distâncias e não conhece barreiras, verificou que Lázaro não fora atacado de uma enfermidade física, mas que a sua moléstia era toda de ordem psíquica, como se observa nos casos de sonambulismo, catalepsia; letargia. Foi isto que o fez demorar 4 dias para chegar a Betânia. Ele tinha certeza de que não houvera ruptura dos laços fluídicos que ligam o Espírito ao corpo.

            E tanto é assim, que o despertou com voz alta e imperiosa: Lázaro, sai para fora, operando a ressurreição do seu amigo. (Parábolas e ensinos de Jesus. A ressurreição de Lázaro. Cairbar Schutel).

      Aí vemos um estado cataléptico superagudo, porque espontâneo, relaxamento dos elos vitais pela de­pressão cansada por uma enfermidade, fato patológico, portanto, provando o desejo incontido que o espírito encarnado tinha de deixar a matéria para alçar-se ao infinito, e onde o próprio fluido vital, que anima os organismos vivos, ao encontrava quase totalmente ex­tinto, e cujos liames magnéticos do perispírito em dire­ção à carne se encontravam de tal forma frágeis, dani­ficados pelo enfraquecimento das vibrações e da vontade.

            (...) Neste, as mesmas forças vitais se encontravam já em desorganização adiantada, e não fora o concurso dos liames magnéticos ainda aprovei­táveis e as reservas vitais conservadas pelo perispírito nas constituições físicas robustas (o perispírito age qual reservatório de forças vitais e os laços magnéticos são os agentes transmissores que suprem a organização física) e se não fôssem aquelas reservas Jesus não se abalaria à cura porque esta seria impossível.

             Porque então tal coisa é possível sob as vistas da harmoniosa lei da Criação? Que culpa tem o homem de sofrer tais ou quais acidentes se não é ele quem os provoca e que se realizam, muitas vezes, à revelia da sua vontade?

            Tais acidentes são próprios do carreiro da evolução, e enquanto o homem não se integrar de boamente na sua condição de ser divino, vibrando satisfatória-mente no âmbito das expansões sublimes da Natureza, mecânicamente estará sujeito a esse e demais distúrbios.

            (...) De outro modo, sendo a catalepsia e a letargia uma faculdade, patrimônio psíquico da criatura e não própriamente uma enfermidade, compreender-se-á que nem sem­pre a sua ação comprova inferioridade do seu possuidor, pois que, uma vez adestradas, ambas poderão prestar excelentes serviços à causa do bem, tais como as demais faculdades mediúnicas, que, não adestradas, servem de pasto a terríveis obsessões, que infelicitam a sociedade, e quando bem compreendidas e dirigidas atingirão feição sublime.

             Um espírito encarnado, por exemplo, já evolvido, ou apenas de boa vontade, senhor das próprias vibra­ções, poderá cair em transe letárgico, ou cataléptico, voluntàriamente (4), alçar-se ao Espaço para desfrutar o consolador convívio dos amigos espirituais mais inten­samente, dedicar-se a estudos profundos, colaborar com o bem e depois retornar à carne, reanimado e apto a excelentes realizações. Não obstante, homens comuns ou inferiores poderão cair nos mesmos transes, conviver com entidades espirituais inferiores como eles e retornar obsidiados, predispostos aos maus atos e até inclinados ao homicídio e ao suicídio.

                Todavia, repe­timos, tanto a catalepsia como a letargia, uma vez bem compreendidas e dirigidas, quer pelos homens quer pelos Espíritos Superiores, transformar-se-ão em faculdades preciosas, conquanto raras e mesmo perigosas, pois que ambas poderão causar o desenlace físico do seu paciente se uma assistência espiritual poderosa não o resguardar de possíveis acidentes. A letargia, contudo, presta-se mais à ação do seu possuidor no plano espiritual. Ao despertar, o paciente trará apenas intuições, às vezes úteis e preciosas, das instruções que recebeu e sua apli­cação nos ambientes terrenos. É faculdade comum aos gênios e sábios, sem contudo constituir privilégio, agindo sem que eles próprios dela se apercebam, porque se efetivam durante o sono e sob vigilância de Espíritos prepostos ao caso.   (Recordações da mediunidade. Cap. 1 . Ivonne A. Pereira).

 

           

Comentário (1): A matéria inerte é insensível; o fluido perispirítico igualmente o é, mas transmite a sensação ao centro sensitivo, que é o Espírito. As lesões dolorosas do corpo repercutem, pois, no Espírito, qual choque elétrico, por intermédio do fluido perispiritual, que parece ter nos nervos os seus fios condutores. É o influxo nervoso dos fisiologistas que, desconhecendo as relações desse fluido com o princípio espiritual, ainda não puderam achar explicação para todos os efeitos.

            A interrupção pode dar-se pela separação de um membro, ou pela secção de um nervo, mas, também, parcialmente ou de maneira geral e sem nenhuma lesão, nos momentos de emancipação, de grande sobreexcitação ou preocupação do Espírito. Nesse estado, o Espírito não pensa no corpo e, em sua febril atividade, atrai a si, por assim dizer, o fluido perispiritual que, retirando-se da superfície, produz aí uma insensibilidade momentânea. Poderse-ia também admitir que, em certas circunstâncias, no próprio fluido perispiritual uma modificação molecular se opera, que lhe tira temporariamente a propriedade de transmissão. É por isso que, muitas vezes, no ardor do combate, um militar não percebe que está ferido e que uma pessoa, cuja atenção se acha concentrada num trabalho, não ouve o ruído que se lhe faz em torno. Efeito análogo, porém mais pronunciado, se verifica nalguns sonâmbulos, na letargia e na catalepsia. Finalmente, do mesmo modo também se pode explicar a insensibilidade dos convulsionários e de muitos mártires.

            A paralisia já não tem absolutamente a mesma causa: aí o efeito é todo orgânico; são os próprios nervos, os fios condutores que se tornam inaptos à circulação fluídica; são as cordas do instrumento que se alteraram. ( A Gênese. Cap. 14. Item 29. Allan Kardec).

 

Comentário (2): Ressurreição é termo que pode ser empregado sob o ponto de vista material e espiritual. Quando dizemos que tal indivíduo “ressuscitou”, afirmamos que ele reapareceu, porque “ressuscitar” quer dizer “reaparecer”. Esse reaparecimento se pode dar em corpo carnal ou em Espírito. Por exemplo: Lázaro “ressuscitou”, reapareceu com seu corpo carnal, que todos já julgavam morto. Mas os “mortos” também ressuscitam em corpo espiritual. Foi assim que Moisés e Elias ressuscitaram no Tabor, assim Samuel ressuscitou no Endor, assim Jesus Cristo ressuscitou em Jerusalém e circunvizinhanças. Destes” morreram os corpos carnais, mas eles ressuscitaram em seus corpos espirituais. A Imortalidade não é apanágio do corpo material, mas sim do corpo fluídico, celeste, espiritual. A Ressurreição de Lázaro foi uma manifestação física do poder de Jesus; a Ressurreição de Jesus foi uma graça psíquica da Sabedoria Divina. (Parábolas e ensinos de Jesus. A ressurreição de Lázaro. Cairbar Schutel).

 

Comentário (3): Na Betânia, pequena cidade perto de Jerusalém, situada no sopé do monte das Oliveiras, na estrada geral de Jericó, próximo à de Betfagé, ficava a aldeia onde vivia Lázaro. Jesus muito o amava, assim como às suas irmãs Marta e Maria. A afeição que Jesus consagrava a esses irmãos constituía um ensino, um exemplo da predileção que merecem aqueles que caminham pela estrada que conduz ao Se­nhor Todo Poderoso. Lázaro era um dos Espíritos devotados que haviam encarnado para cooperar no desempenho da missão ter­rena do divino Mestre, bem como Marta e Maria, que encarnaram para assisti-lo e ajudá-lo. Jesus os distinguia com a sua amizade. (Elucidações Evangélicas. Cap. 148. Antônio Luiz Sayão).

 

Comentário (4): Esses transes são comuns à noite, durante o repouso do sono, e muitas vezes o próprio paciente não se apercebe deles, ou se apercebe vagamente. Entre os espiritualistas orientais torna-se fato comum, conforme é sabido, dado que os mesmos cultivam carinhosamente os poderes da própria alma. (Recordações da mediunidade. Cap. 1 . Ivonne A. Pereira).

 

 

Bibliografia:

- O Livro dos Espíritos. Questões 422, 423, 424. Allan Kardec.

- A Gênese. Cap. 14, item 29. Cap. 15, itens 39 e 40. Allan Kardec.

- Parábolas e ensinos de Jesus. A ressurreição de Lázaro. Cairbar Schutel.

-  Recordações da mediunidade. Cap. 1 . Ivonne A. Pereira.

- Elucidações Evangélicas. Cap. 148. Antônio Luiz Sayão.

- Sites:  http://www.infopedia.pt/lingua-portuguesa/letargia; http://regeneracaoplanetaria.com.br/index.php/entrivistas/divaldo-p-franco-responde. Data da consulta: 05/11/14.