Aula 27 - Desigualdade das aptidões - Parábola dos talentos

Ciclo 1 - História: Pequena História - Atividade: LE – L3 – Cap. 9 – 2 – Desigualdade de Aptidões.     

Ciclo 2 - História: A valorização do esforço - Atividade: PH – Jesus – 4 – Parábola dos Talentos.    

Ciclo 3 - História: O legado - Atividade: Desenho livre: Desenhe um talento que você tem.

 

Dinâmica: Talentos.

Mensagens Espíritas: Talentos; Aptidão.

Sugestão de Vídeo: A parábola dos talentos (Dica: pesquise no Youtube).

Sugestão de livros infantis: - Coleção Parábolas Ensinamentos de Jesus. Os talentos. Guilherme M. dos Santos.  Starke Design Editora.

-  A Joaninha, o Grilo e a Maria-Maravilhosa. Josmar Estação. Editora Ide.

 

Leitura da Bíblia: Mateus 25


25.14   Pois será como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens.


25.15   A um deu cinco talentos, a outro, dois e a outro, um, a cada um segundo a sua própria capacidade; e, então, partiu.


25.16   O que recebera cinco talentos saiu imediatamente a negociar com eles e ganhou outros cinco.


25.17   Do mesmo modo, o que recebera dois ganhou outros dois.


25.18   Mas o que recebera um, saindo, abriu uma cova e escondeu o dinheiro do seu senhor.


25.19   Depois de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles.


25.20   Então, aproximando-se o que recebera cinco talentos, entregou outros cinco, dizendo: Senhor, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei.


25.21   Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.


25.22   E, aproximando-se também o que recebera dois talentos, disse: Senhor, dois talentos me confiaste; aqui tens outros dois que ganhei.


25.23   Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.


25.24   Chegando, por fim, o que recebera um talento, disse: Senhor, sabendo que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste,


25.25   receoso, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu.


25.26   Respondeu-lhe, porém, o senhor: Servo mau e negligente, sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei?


25.27   Cumpria, portanto, que entregasses o meu dinheiro aos banqueiros, e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu.


25.28   Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem dez.


25.29   Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.


25.30   E o servo inútil, lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes.


 

Tópicos a serem abordados:

- A palavra ‘‘talento’’ possui dois significados: 1. Habilidade ; aptidão natural ou adquirida; 2. Unidade de medida; peças ou barras de metal de ouro ou prata, utilizada na antiguidade.

-   Cada um de nós temos uma tarefa para cumprir no planeta Terra, maior ou menor, segundo a capacidade de cada alma. 

- Na parábola contada por Jesus, o senhor é Deus; os servos somos nós, a Humanidade; os talentos são os bens e recursos que a divina providência nos concede para serem utilizados em benefício próprio e dos  nossos semelhantes; o tempo dado para o seu uso é a existência terrena.

- A distribuição de talentos em quantidades desiguais (a um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um) ao contrário do que possa parecer, nada tem de injusta: baseia-se na capacidade de cada um, adquirida antes da presente encarnação, ou seja, em outras vidas.

- Deus criou os Espíritos todos iguais, simples e ignorantes, mas uns já viveram mais tempo do que outros e portanto, possuem maior ou menor experiência. Uns se aperfeiçoam mais rápidos do que os outros, o que lhes dá aptidões diversas. É necessário uma variedade de aptidões (tais como, aptidões para poesia, música, pintura, ciências exatas, etc.) a fim de que cada um possa auxiliar nos desígnios da Providência. O que um não faz, o outro realiza. Assim é que cada qual tem seu papel útil a desempenhar.

- Os nossos talentos vão se desenvolvendo à medida que nós vamos exercitando nossas habilidades e a nossa inteligência.

- Os talentos concedidos por Deus podem ser, por exemplo, o conhecimento espírita, o poder, o dinheiro, a fama, etc.  Tudo que você possui ou sabe é um talento que Deus confiou a ti, a fim de que seu coração e sua inteligência o multipliquem em favor dos pobres, dos sofredores e dos necessitados do mundo.

-  Deus quer que nós multipliquemos os nossos talentos e não que os enterremos, como fez o servidor preguiçoso. Não negue sua cooperação, quando puder prestar um favor. Não deixe de ajudar a mãe nos serviços domésticos. Não negue um auxílio honesto a um colega de estudo. Não gaste todo o seu dinheirinho em gulodices, mas, lembre-se dos orfãozinhos, dos pobres, dos doentes e comece a socorrê-los com suas moedinhas. Existem mil pequeninos serviços de bondade e de delicadeza, mil pequenas tarefas de caridade e de compaixão que você pode realizar na vida, cumprindo sua missão de ovelhinha de Jesus (1).

- “Dar-se-á aos que já têm e esses ficarão acumulados de bens”, significa que todo aquele que cumpre o seu dever e corresponde à confiança do Senhor, receberá auxilio e proteção para que possa aumentar as virtudes que já possui.

- “Ao que não tem, tirar-se-lhe-á até o que parece ter,” quer dizer que, aquele que não se esforçar para acrescentar alguma coisa àquilo que recebe da misericórdia divina, expiará, em futuras reencarnações de sofrimentos.

 

Comentário (1): Histórias que Jesus contou.Cap. 12. A parábola dos talentos. Clóvis Tavares.

 

Perguntas para fixação:

1. O que era o talento na antiguidade?

2. Qual é o significado simbólico do talento na parábola?

3. Quem representa o senhor na parábola?

4. Quem representa os servos na parábola?

5. Por que uns receberam mais talentos do que os outros?

7. Por que Jesus diz que se dará mais aos que já têm?

8. O que acontecerá com aquele não utilizou bem os seus talentos?

 

Subsídio para o Evangelizador:

         A palavra talento possui dois significados, segundo o dicionário Aurélio a palavra ‘‘ talento’’ significa:   1.Aptidão natural ou adquirida;  Engenho, disposição, habilidade.  2. Peso da antiga Grécia e de outros povos orientais;  Unidade monetária da antiga Grécia, representando o valor de uma quantia em ouro ou prata do peso de um talento. (http://www.dicionariodoaurelio.com/talento)

            Talento (do latim: talentum, do grego antigo:  talanton, significando "escala", "balança") era uma unidade da antiga Mesopotâmia para grandes quantidades de massa, sendo criada na Suméria, e consolidada por volta do Século XXIII a.C.. Foi usado em toda a Antiguidade com poucas variações de peso: Grécia, Roma, Egito, Israel, Babilônia, Suméria e Acádia. O talento já era usado na mesopotâmia e em Israel, mas foi a partir da introdução do talento na Grécia Antiga e posterior adaptação para o sistema romano, é que essa unidade se disseminou para o mundo mediterrâneo. (...)Como era uma unidade de massa, confundia seu significado com moedas, pois era usado para designar grandes quantidades de ouro ou prata. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Talento_%28moeda%29).

            Por que não outorgou Deus as mesmas aptidões a todos os homens?

            Deus criou iguais todos os Espíritos, mas cada um destes vive há mais ou menos tempo, e, conseguintemente, tem feito maior ou menor soma de aquisições. A diferença entre eles está na diversidade dos graus da experiência alcançada e da vontade com que obram, vontade que é o livre-arbítrio. Daí o se aperfeiçoarem uns mais rapidamente do que outros, o que lhes dá aptidões diversas. Necessária é a variedade das aptidões, a fim de que cada um possa concorrer para a execução dos desígnios da Providência, no limite do desenvolvimento de suas forças físicas e intelectuais.

        O que um não faz, fá-lo outro. Assim é que cada qual tem seu papel útil a desempenhar. Demais, sendo solidários entre si todos os mundos , necessário se torna que os habitantes dos mundos superiores, que, na sua maioria, foram criados antes do vosso, venham habitá-lo, para vos dar o exemplo. (O Livro dos Espíritos. Questão 804. Allan Kardec).

        Nesse Reino, que abrange o Universo inteiro, cada alma, por mais pobre e pequenina que seja, tem uma determinada tarefa ou missão. Deus dá a cada um de nós (pai, mãe, jovem ou criança) uma tarefa, maior ou menor, segundo a capacidade de cada alma. (Histórias que Jesus contou.Cap. 12. A parábola dos talentos. Clóvis Tavares).

            Está visto que o senhor, aí, é Deus; os servos somos nós, é a Humanidade; os talentos são os bens e recursos que a Providência nos outorga para serem empregados em benefício próprio e no de nossos semelhantes; o tempo concedido para a sua movimentação é a existência terrena.

            A distribuição de talentos em quantidades desiguais, ao contrário do que possa parecer, nada tem de arbitrária nem de injusta: baseia-se na capacidade de cada um, adquirida antes da presente encarnação, em outras jornadas evolutivas. (Parábolas Evangélicas. Parábola dos Talentos. Rodolfo Calligaris)

            Não há privilégios nem exclusões para o Senhor; e se cada qual, cônscio do que possui e compenetrado de seus deveres agisse de acordo com os preceitos da Lei Divina, estamos certos de que ninguém teria razão de queixar-se da sorte ou de clamar contra a “má situação” em que a maioria se diz achar. (Parábolas e ensinos de Jesus. Parábolas dos talentos e das minas. Cairbar Schutel)

            Os que recebem cinco talentos são espíritos já mais experimentados, mais vividos, que aqui reencarnam para missões de repercussão social; os que recebem dois, são destinados a tarefas mais restritas, de âmbito familiar; e os que recebem um, não têm outra responsabilidade senão a de promoverem o  progresso espiritual de si mesmos, mediante a, aquisição de virtudes que lhes  faltam. ..(Parábolas Evangélicas. Parábola dos Talentos. Rodolfo Calligaris)

            Passando de um mundo superior a outro inferior, conserva o Espírito, integralmente, as faculdades adquiridas?

            Sim, já temos dito que o Espírito que progrediu não retrocede. Poderá escolher, no estado de Espírito livre, um invólucro mais grosseiro, ou posição mais precária do que as que já teve, porém tudo isso para lhe servir de ensinamento e ajudá-lo a progredir.

            Assim, a diversidade das aptidões entre os homens não deriva da natureza íntima da sua criação, mas do grau de aperfeiçoamento a que tenham chegado os Espíritos encarnados neles. Deus, portanto, não criou faculdades desiguais; permitiu, porém, que os Espíritos em graus diversos de desenvolvimento estivessem em contacto, para que os mais adiantados pudessem auxiliar o progresso dos mais atrasados e também para que os homens, necessitando uns dos outros, compreendessem a lei de caridade que os deve unir. (O Livro dos Espíritos. Questão 805. Allan Kardec).

            No ato da reencarnação, as faculdades do Espírito não ficam apenas entorpecidas por uma espécie de sono momentâneo, conforme se dá quando do regresso à vida espiritual; todas, sem exceção, passam ao estado de latência. A vida corpórea tem por fim desenvolvê-las mediante o exercício, mas nem todas se podem desenvolver simultaneamente, porque o exercício de uma poderia prejudicar o de outra, ao passo que, por meio do desenvolvimento sucessivo, umas se firmam nas outras. Convém, pois, que algumas fiquem em repouso, enquanto outras aumentam. Esta a razão por que, na sua nova existência, pode o Espírito apresentar-se sob aspecto muito diferente, sobretudo se pouco adiantado for, do que tinha na existência precedente.

            Num, a faculdade musical, por exemplo, será mais ativa; ele conceberá, perceberá e, portanto, fará tudo o que for necessário ao desenvolvimento dessa faculdade; noutra existência, tocará a vez à pintura, às ciências exatas, à poesia, etc. Enquanto estas novas faculdades se exercitarem, a da música estará latente, mas conservando o progresso que realizou. Resulta daí que quem foi artista numa existência, poderá ser um sábio, um homem de estado, ou um estrategista noutra, sendo nulo do ponto de vista artístico e reciprocamente.

            O estado latente das faculdades na reencarnação explica o esquecimento das existências precedentes, enquanto que, por ocasião da morte, achando-se as faculdades em estado de sono pouco durável, a lembrança da vida que acaba de transcorrer é completa, ao despertar o Espírito na vida espiritual.

            As faculdades que se manifestam estão naturalmente em relação com a posição que o Espírito tem de ocupar no mundo e com as provas que haja escolhido. Entretanto, acontece muitas vezes que os preconceitos sociais o desloquem, o que faz que certas pessoas estejam intelectual e moralmente acima ou abaixo da posição que ocupam. Esse deslocamento, pelos entraves que acarreta, faz parte das provas; cessará com o progresso. Numa ordem social avançada, tudo se regula de acordo com a lógica das leis naturais e aquele que apenas tiver aptidão para fabricar sapatos não será, por direito de nascimento, chamado a governar os povos.

            Voltemos à criança. Até ao nascer, todas as faculdades se lhe encontram em estado latente, nenhuma consciência de si mesmo tem o Espírito. As que devam desenvolver-se não desabrocham de súbito no ato de nascer; o desenvolvimento delas acompanha o dos órgãos que terão de servir para as suas manifestações; por meio da atividade íntima em que se põem, elas impulsionam o desenvolvimento dos órgãos que lhes correspondem, do mesmo modo que o broto, ao nascer, força a casca da árvore. Daí resulta que, na primeira infância, o Espírito não goza em plenitude de nenhuma de suas faculdades, não só como encarnado, mas também como Espírito livre. Ele é verdadeiramente infantil, como o corpo a que se acha ligado, sem, contudo, estar neste comprimido penosamente. A não ser assim, Deus houvera feito da encarnação um suplício para todos os Espíritos, bons ou maus.

            O mesmo, porém, não acontece com o idiota ou o cretino. Nestes, não se tendo os órgãos desenvolvido paralelamente às faculdades, o Espírito acaba por achar-se na posição de um homem preso por laços que lhe tiram a liberdade dos movimentos. Tal a razão por que se pode evocar o espírito de um idiota e obter respostas sensatas, ao passo que o de uma criança de muito pouca idade, ou que ainda não veio à luz, é incapaz de responder.

            Todas as faculdades, todas as aptidões se encontram em gérmen no Espírito, desde a sua criação, mas em estado rudimentar, como todos os órgãos no primeiro filete do feto informe, como todas as partes da árvore na semente. O selvagem que mais tarde se tornará homem civilizado possui, pois, em si os germens que, um dia, farão dele um sábio, um grande artista, ou um grande filósofo.

            À medida que esses germens chegam à maturidade, a Providência lhes dá, para a vida terrestre , um corpo apropriado às suas novas aptidões. É assim que o cérebro de um europeu é organizado de modo mais completo, provido de maior número de teclas, do que o do selvagem. ( Obras póstumas. Primeira parte. A morte espiritual. Allan Kardec). 

           Todos somos filhos de Deus: o Pai reparte igualmente suas dádivas entre todos os seus filhos; faz levantar o Sol para bons e maus e descer as chuvas para justos e injustos; mas exige que essas dádivas sejam acrescentadas por todos. Os que obedecem a Seus preceitos têm o mérito de suas obras; os que desobedecem, o demérito, e são responsáveis pela falta de observância de seus sagrados deveres.

            O dinheiro não nos foi dado para volúpias nem a sabedoria para estufar; assim como os dons espirituais não nos foram concedidos senão para serem proveitosos à Fé, à Esperança e à Caridade.

            Mais servos houvesse e mais subsídios lhes fossem concedidos, ainda não bastariam para mal empregarem o seu tempo, esbanjando a fortuna que lhes fora concedida, a eles, meros depositários, e da qual terão de prestar severas contas. (Parábolas e ensinos de Jesus. Parábolas dos talentos e das minas. Cairbar Schutel).

            Nota-se, aqui, a aplicação daquele outro ensino do Mestre: “Muito será pedido  a quem muito foi dado.” Ao que recebeu cinco talentos foram reclamados outros cinco; ao que recebeu dois, outros dois; e ao que recebeu um, a exigência foi de apenas um.

            Os servos que fizeram que os talentos se multiplicassem representam os homens que sabem cumprir a vontade de Deus, empregando bem  a fortuna, a cultura, o poder, a saúde ou os dons com que foram aquinhoados. O servo que deixou improdutivo o talento, falhando na incumbência que lhe fora cometida, simboliza os homens que perdem as oportunidades ensejadas pela Providência para o seu adiantamento espiritual, oportunidades essas que lhes chegam através de uma enfermidade a ser sofrida com paciência, de um grande dissabor a ser recebido sem desespero, de um filho estróina ou rebelde a ser tratado com especial atenção e carinho, de uma injustiça a ser tolerada sem revolta, de um inimigo gratuito a ser conquistado com amor, de uma deslealdade ou traição a ser suportada com largueza de ânimo, de uma condição adversa a ser superada com esforço e perseverança, etc.

            Nesse terceiro servo vemos posto em relevo o mau vezo de certos homens, que, para encobrirem suas faltas ou justificarem suas fraquezas, não hesitam em atribuir deméritos puramente imaginários aos outros.

            “Dar-se-á aos que já têm e esses ficarão acumulados de bens”, significa que todo aquele que diligencia por corresponder à confiança do Senhor, receberá auxilio e proteção para que possa aumentar as virtudes que já possui.

            “Ao que não tem, tirar-se-lhe-á até o que parece ter, e seja esse servidor inútil lançado nas trevas exteriores , onde haverá choro e ranger de dentes”, quer dizer que, aquele que não se esforçar para acrescentar alguma coisa àquilo que recebe da misericórdia divina, expiará, em futuras reencarnações de sofrimentos, a incúria, a preguiça, a má vontade de que deu provas, quando se  verá privado até do pouco que teve, por empréstimo.  (Parábolas Evangélicas. Parábola dos Talentos. Rodolfo Calligaris).

            Consolai-vos, pois, vós todos que sofreis, esquecidos na sombra de males cruéis, e vós que sois desprezados por causa da vossa ignorância e das vossas faculdades acanhadas. Sabeis que entre vós se acham Espíritos eminentes, que abandonaram por, algum tempo as suas faculdades brilhantes, aptidões e talentos, e quiseram reencarnar como ignorantes para se humilharem. Muitas inteligências estão veladas pela expiação, mas, no momento da morte, esses véus cairão, deixando eclipsados os orgulhosos que antes as desdenhavam. Não devemos desprezar pessoa alguma. Sob humildes e disformes aparências, mesmo entre os idiotas e os loucos, grandes Espíritos ocultos na matéria expiam um passado tenebroso. (Depois da morte. Cap. 50. Resignação na adversidade. Leon Denis).

           Encaremos agora a parábola sob o ponto de vista espírita.

            Ela dirige-se justamente àqueles que tiveram a felicidade de receber os talentos e as minas dos conhecimentos espíritas!

            Ora, é muito sabido que estes conhecimentos quando, bem entendidos e bem aplicados, são uma fonte perene de felicidade, e, ao contrário, quando mal entendidos e mal aplicados, são como que setas de remorsos cravadas nas consciências desviadas do bem e da verdade.

            Aqueles que recebem a Doutrina e ainda os dons espirituais, e os aplicam em proveito próprio e alheio, com o fim especial de tornar conhecida a Palavra de Deus, são os que receberam 2 e 5 talentos, 5 e 10 minas; à última hora do trabalho, quando chamados ao ajuste de contas, lhes será dito: “Servos bons e diligentes! Fostes fiéis no pouco, também o sereis no muito; confiar-vos-ei o muito; entrai no gozo do vosso Senhor”. Ou então: “Servo bom, porque foste fiel no pouco, terás autoridade sobre dez cidades, sobre cinco cidades, de acordo, cada um, com os talentos e as minas que recebeu.”

            Aqueles que recebem a Doutrina e os dons espirituais e não os observam, ou os aplicam mal, prejudicando a Causa que deviam zelar, são semelhantes aos que enterraram o talento e as minas. (Parábolas e ensinos de Jesus. Parábolas dos talentos e das minas. Cairbar Schutel).

            Os atributos medianímicos são como os talentos do Evangelho. Se o patrimônio divino é desviado de seus fins, o mal servo torna-se indigno da confiança do Senhor da seara da verdade e do amor. Multiplicados no bem, os talentos mediúnicos crescerão para Jesus, sob as bênçãos divinas; todavia, se sofrem os insultos do egoísmo; do orgulho; da vaidade ou da exploração inferior, podem deixar o intermediário do invisível entre as sombras pesadas do estacionamento, nas mais dolorosas perspectivas de expiação, em vista do acréscimo de seus débitos irrefletidos ( O Consolador. Espírito Emmanuel. Questão 389. Psicografado por Chico Xavier).

 

Bibliografia:

- O Livro dos Espíritos. Questões 804 e 805. Allan Kardec.

- Obras póstumas. Primeira parte. A morte espiritual. Allan Kardec.

- Consolador. Espírito Emmanuel. Questão 389. Psicografado por Chico Xavier.

- Depois da morte. Cap. 50. Resignação na adversidade. Leon Denis.

- Histórias que Jesus contou.Cap. 12. A parábola dos talentos. Clóvis Tavares.

- Parábolas Evangélicas. Parábola dos Talentos. Rodolfo Calligaris.

- Parábolas e ensinos de Jesus. Parábolas dos talentos e das minas. Cairbar Schutel.

- Sites: http://www.dicionariodoaurelio.com/talento; http://pt.wikipedia.org/wiki/Talento_%28moeda%29; Data da consulta: 09/10/14