Aula 123 - Parábola do credor incompassivo - Reconciliar com os adversários

Ciclo 1 - História: Tempo de pipas...Tempo de perdão - Atividade: ESE - Cap. 10 - 3 - O sacrifício mais agradável a Deus ou/e  L3 - Cap. 2 -  6 - Sacrifícios.

Ciclo 2 - História: O Chocolate - Atividade: ESE - Cap. 10 - 2 . Reconciliação com os adversários.

Ciclo 3 - História: A arte de resolver conflitos - Atividade: ESE - Cap.11 - 1. O mandamento maior  ou/e Pedir para que os evangelizandos escrevam num papel vários métodos para resolver conflitos, sem utilizar a violência (Ex.: Afastar-se do agressor,  ficar escondido  e fazer oração, conversar para tentar se reconciliar, imobilizar o adversário sem machucá-lo, etc). Depois deverão  expor suas ideias para a turma.

 

Dinâmicas: Encontrar o adversário para se reconciliar; Parábola do Credor incompassivo.

Mensagens espíritas: Reconciliação.

Sugestão de vídeos:

- Música espírita: Reconciliação e paz - Tim e Vanessa (Dica: pesquise no Youtube)

- História: A Parábola do Credor Incompassivo (Dica: pesquise no Youtube).

Sugestão de livros infantis:

- Coleção: Valores para a vida -  Irmão podia ser a pilha – Fraternidade . Cida Lopes. Editora Brasileitura.

-  Coleção: Parábolas - Ensinamentos de Jesus - O servo ingrato. Editora Bicho Esperto.

 

Leitura da Bíblia: Mateus - Capítulo 18


18.21 Então Pedro, aproximando-se dele, disse: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete?


18.22 Jesus lhe disse: Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete.


18.23 Por isso o reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quis fazer contas com os seus servos;


18.24 E, começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos;


18.25 E, não tendo ele com que pagar, o seu senhor mandou que ele, e sua mulher e seus filhos fossem vendidos, com tudo quanto tinha, para que a dívida se lhe pagasse.


18.26 Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei.


18.27 Então o Senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida.


18.28 Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem dinheiros, e, lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves.


18.29 Então o seu companheiro, prostrando-se a seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei.


18.30 Ele, porém, não quis, antes foi encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida.


18.31 Vendo, pois, os seus conservos o que acontecia, contristaram-se muito, e foram declarar ao seu senhor tudo o que se passara.


18.32 Então o seu senhor, chamando-o à sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste.


18.33 Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti?


18.34 E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que lhe devia.


18.35 Assim vos fará, também, meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas.


 

Mateus - Capítulo 5


5.23 Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti,


5.24 Deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta.


5.25 Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão.


5.26 Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil.



Tópicos a serem abordados:

- A Parábola do Credor Incompassivo (também conhecida como Servo impiedoso ou mau)  mostra a história  de um rei que foi piedoso com seu servo,  perdoando-lhe a imensa dívida, porém este servo não agiu da mesma maneira com seu companheiro, que lhe devia uma pequena quantia. Ele o colocou na prisão até pagar tudo o que lhe devia; entretanto, devido a sua falta de misericórdia, o servo depois foi punido da mesma forma pelo Rei.  Para que possamos compreender melhor esta parábola, devemos entender que o Rei representa Deus, Nossso Pai de infinita misericórdia e os Servos somos nós, Espíritos que possuem dívidas imensas perante a justiça divina, por causa da nossa rebeldia.

- O Pai celestial está sempre pronto a perdoar-nos, por maiores que sejam nossos pecados  para com ele. Deus, em sua misericórdia, não  desampara o filho ingrato, que não lhe reconhece os benefícios que recebeu. Deus perdoa tudo e tolera, dando-nos a  oportunidade  através de várias reencarnações para  expiar, reparar nossos erros  e nos aperfeiçoar.  Todavia, somos incapazes de perdoar do fundo do coração a menor falta que alguém comete contra nós. Queremos que Deus nos perdoe e nos tolere, mas não queremos perdoar, nem tolerar nossos semelhantes.

- Infelizmente, esta tem sido a regra geral da conduta humana. Há pessoas que estão sempre prontas para receber benefícios e defender os próprios interesses. Não procedem, porém, da mesma forma para com o próximo. Sabendo disso, o Mestre quis ensinar , com mais detalhes,  por meio desta  singela e expressiva parábola , qual o real significado  da palavra perdão.

-  O conceito de perdão, segundo o Espiritismo, é idêntico ao do Evangelho: perdoar é ter o nosso coração livre de ódios ou de qualquer ressentimento contra nossos irmãos ou contra si mesmo. É ajudar o ofensor, caso necessite. É ser compreensivo com as falhas alheias. Por isso, aquele que perdoa, recebe o perdão de Deus , isto é, não terá dívidas contra o vosso próximo e, portanto, nada terá que pagar no futuro. Mas quem não perdoa, não será perdoado, isto é, será devedor do mal que a sua vingança causou e será obrigado a saldar a dívida que contraíste. Portanto ,  não foi por acaso que Jesus incluiu na oração do “Pai Nosso” a seguinte sentença: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores” ,ou seja, seremos tratados da mesma maneira que agimos com o nosso irmão.  

- Na Lei Antiga, a figura do perdão é apresentada como uma conquista mediante retribuição. Quando se ofendia a Deus, os judeus ofereciam animais no altar do templo (prática conhecida por holocausto) para obter o perdão. No entanto,Jesus veio mostrar que o sacrifício mais agradável  a Deus é a reconciliação com o seu adversário. Antes de entrar no templo do Senhor, devemos deixar de fora todo sentimento de ódio e de rancor, todo mau pensamento contra o nosso irmão. Só então os anjos levarão nossa prece aos pés do Pai Eterno.

- Além do mais, o Espiritismo nos explica que, quando Jesus disse para reconciliar-se o mais depressa com o seu adversário, não era somente para acabar com as brigas durante a existência atual, mas para evitar que elas continuem nas existências futuras. A morte, como sabemos, não nos livra dos nossos inimigos. As desavenças  que não foram  resolvidas ou apaziguadas nesta existência atual poderão continuar nas próximas existências. E não sairemos deste mundo enquanto não fizermos as pazes e  repararmos todo  o mal que tenha sido feito.

- Portanto , irmãos , reconciliemos com os nossos adversários, de ontem  e de hoje, pois  o perdão incondicional, com o esquecimento de toda a falta, permite abrir  as portas , mais tarde, para adentrar no Santuário de Luz da Vida Infinita.  Aliás, a reconciliação com os  adversários nos proporciona uma série de benefícios na vida atual. Quem faz as pazes com os inimigos  possui paz na consciência,  ausência de inquietações e remorsos, sono tranquilo, equilíbrio espiritual, além disso, poderá  construir  preciosas amizades .

-  Considerando que não é uma tarefa fácil, qual seria a melhor forma de aprender a perdoar? Segundo o Espírito André Luiz,  "A melhor maneira de aprender a desculpar os erros alheios é reconhecer que também somos humanos, capazes de errar talvez ainda mais desastradamente que os outros. O adversário, antes de tudo, deve ser entendido por irmão que se caracteriza por opiniões diferentes das nossas; (...)ou ainda, deve ser considerado apenas um doente necessitado de compreensão. Costumamos a dizer com muita frequência que os piores inimigos são os exteriores, mas, na realidade, os maiores obstáculos para o perdão e  a reconciliação são o egoísmo e o orgulho , que ainda possuímos em nós.
 

Perguntas para fixação:

1. Na Parábola do Credor Incompassivo,  quem devia uma grande quantia ao Rei?

2. Por que o servo era considerado impiedoso?

3. Quem representa o Rei na parábola?

4. Quem representa os Servos na parábola?

5. Por que temos uma imensa dívida perante a justiça divina?

6. De que maneira Deus costuma perdoar nossa dívida?

7. Por que se não perdoarmos, não seremos perdoados?

8. Qual é o sacrifício mais agradável a Deus?

9. Por que devemos nos reconciliar o mais depressa com o adversário?

10. Quais são os benefícios que a reconciliação sincera nos traz?

11. Qual é a melhor forma de aprender a perdoar?

12. Quais são os maiores obstáculos para o perdão e para a reconciliação?

 

Subsídio para o Evangelizador:

            No capítulo VI do Sermão do Monte, segundo Mateus, versículo 5 a 15, ensinou Jesus a seus discípulos e à multidão que se apinhava para ouvir os seus ensinos, a maneira como se deveria orar; e aproveitou o ensejo para resumir num excelente e substancioso colóquio com Deus, a súplica que ao Poderoso Senhor devemos dirigir cotidianamente.

            O Mestre renegava as longas e intermináveis rezas que os escribas e fariseus do seu tempo proferiam, de pé nas sinagogas e nos cantos das ruas, para serem vistos pelos homens. Observou a seus ouvintes que tal não fizessem, mas que, fechada a porta do seu quarto, dirigissem, em secreto, a súplica ao Senhor.

            A fórmula de oração que lhes deu encerra, ao mesmo tempo, pedidos e compromissos que teriam de assumir os suplicantes, e dos quais se destaca o que constitui objeto dos ensinos que se acham contidos na Parábola do Credor Incompassivo: “Perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.”

            Do cumprimento ou não desta obrigação, depende o deferimento ou indeferimento do nosso requerimento.

            Aquele que confessar, comungar, receber a unção, mas não perdoar os seus devedores, não será perdoado; ao passo que, o que perdoar será imediatamente perdoado, independentemente das demais praxes recomendadas pela Igreja de Roma, ou quaisquer outras Igrejas, como meio de salvação.

            Acontece ainda que o perdão, conforme o Cristo ensinou a Pedro, deve ser perpétuo, e não concedido uma, duas, ou sete vezes.

            Daí vem a Parábola explicativa da concessão que devemos fazer ao nosso próximo, para podermos receber de Deus o troco na mesma moeda. (Parábolas e ensinos de Jesus . Parábola do Credor Incompassivo.  Cairbar Schutel )

            A parábola faz referência a uma prática que existia na Antiguidade: as pessoas que não podiam pagar as suas dívidas transformavam-se em escravos, podendo ser vendidos, eles e seus familiares. Os bens materiais que possuíam como casa, terras, moedas, animais etc., eram transferidos para o novo proprietário. ( EADE — Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita. Livro 3 - Parte 2 . Roteiro 5. O Credor Incompassivo.  FEB)

            O primeiro servo era devedor da quantia de dez mil talentos, soma fabulosa, que, em nossa moeda, equivaleria hoje a uns duzentos milhões de cruzeiros.

            Esse devedor, vendo-se ameaçado de ser vendido, e mais a mulher, os filhos, e tudo quanto possuía, para resgate da  dívida, pediu moratória, isto é, um prazo para que pudesse satisfazer a tão vultoso compromisso, e o rei, compadecendo-se dele, deferiu-lhe o pedido.

            Pois bem, mal havia obtido tão generoso atendimento, eis que encontrou um companheiro que lhe devia uma bagatela, ou sejam, cem denários (aproximadamente quatrocentos cruzeiros) e, para reaver o seu dinheiro, não titubeou em usar de recursos violentos.

            Lamentavelmente, esta é, ainda em nossos dias, a norma de conduta de grande parte da Humanidade. Reconhece-se pecadora, não nega estar sobrecarregada de dividas perante Deus, cujas leis transgride a todo instante, mas, ao mesmo tempo que suplica e espera ser perdoada de todas as suas prevaricações, age, com relação ao próximo, de forma diametralmente oposta, negando-se a desculpar e a tolerar quaisquer ofensas, por mais mínimas que sejam.

            Continua a parábola dizendo que o rei, posto a par do que havia acontecido com o segundo servo, mandou vir o primeiro à sua presença e, em  nova disposição, após verberar-lhe a falta de comiseração para com o seu companheiro, determinou aos verdugos que o prendessem e o fizessem  trabalhar à força “até que pagasse tudo quanto lhe devia.”

            Este tópico da narrativa evangélica é de suma importância. Revela, claramente, que há sempre um limite no pagamento das dividas. Estas podem, algumas vezes, ser realmente muito vultosas, como no caso prefigurado —dez mil talentos! — mas, uma vez pago esse montante, o devedor fica com direito à quitação.

            Semelhantemente, o pagamento de dez mil pecados pode determinar longos períodos de sofrimento, muitas existências expiatórias, mas, uma vez restabelecido o equilíbrio na balança da Justiça Divina, ninguém pode ser coagido a ficar pagando eternamente aquilo de que já se quitou.

            Jesus finaliza, afirmando: “Assim também meu Pai celestial vos fará, se  cada um de vós, do íntimo do coração, não perdoar a seu irmão.”

            Disto se conclui que a vontade de Deus é que nos adestremos na prática do perdão e da indulgência, e, para estimular-nos à conquista dessas virtudes, a todos favorece com Sua longanimidade e inexcedível misericórdia.

            Àqueles, porém, que se mostram impiedosos e brutais nas atitudes que assumem contra os que os ofendem ou prejudicam, faz que conheçam, a seu turno, o rigor da Providência, a fim de que aprendam, por experiência própria, qual a melhor maneira de tratar seus semelhantes. (Parábolas Evangélicas. Cap. 6. Rodolfo Calligaris )

            Segundo Antônio Luiz Sayão, "a falta ou a recusa de perdão, de nossa parte, é egoísmo, secura ou dureza de coração, muitas vezes con­seqüência do orgulho, vícios e defeitos esses que cons­tituem não só casos de expiação e de reencarnações, como também um obstáculo a que o Espírito saia dos mundos inferiores, o que somente se dá, quando se há tornado capaz de perdoar sempre, incessantemente, do fundo dalma a seu irmão." (Elucidações Evangélicas.  Cap. 122. Antônio Luiz Sayão )

            Nosso desrespeito para com as leis divinas, tornou-nos grandes devedores de Deus. E no entanto, o Pai celestial está sempre pronto a perdoar-nos, por maiores que sejam nossos pecados para com ele. Deus, em sua misericórdia, não fulmina aquele que o nega; nem desampara o filho ingrato, que não lhe reconhece os benefícios. Tudo Deus perdoa e tolera, dando-nos, assim, o exemplo de como devemos proceder para com nossos irmãos.

            A parábola acima ilustra muito bem o que se passa entre a humanidade: todos estamos sobrecarregados de imensos débitos para com a Providência Divina; todos, continuamente, lhe suplicamos o perdão. Todavia, somos incapazes de perdoar do fundo do coração a menor falta que alguém cometer contra nós. Queremos que Deus nos perdoe e nos tolere, mas não queremos perdoar, nem tolerar nossos semelhantes. Por meio desta tão singela e tão expressiva parábola o Mestre nos ensina que devemos cobrir com o manto do perdão e do amor os erros, que são cometidos contra nós, porque se assim não o fizermos, compareceremos com nossos erros descobertos na presença de Deus, o qual nos tratará exatamente como tivermos tratado nossos irmãos. (O Evangelho dos Humildes. Cap. 18. Eliseu Rigonatti )

            Na prática do perdão, como, em geral, na do bem, não há somente um efeito moral: há também um efeito material. A morte, como sabemos, não nos livra dos nossos inimigos; os Espíritos vingativos perseguem, muitas vezes, com seu ódio, no além-túmulo, aqueles contra os quais guardam rancor; donde decorre a falsidade do provérbio que diz: "Morto o animal, morto o veneno", quando aplicado ao homem. O Espírito mau espera que o outro, a quem ele quer mal, esteja preso ao seu corpo e, assim, menos livre, para mais facilmente o atormentar, ferir nos seus interesses, ou nas suas mais caras afeições.             Nesse fato reside a causa da maioria dos casos de obsessão, sobretudo dos que apresentam certa gravidade, quais os de subjugação e possessão. O obsidiado e o possesso são, pois, quase sempre vítimas de uma vingança, cujo motivo se encontra em existência anterior, e à qual o que a sofre deu lugar pelo seu proceder.

            Deus o permite, para os punir do mal que a seu turno praticaram, ou, se tal não ocorreu, por haverem faltado com a indulgência e a caridade, não perdoando. Importa, conseguintemente, do ponto de vista da tranqüilidade futura, que cada um repare, quanto antes, os agravos que haja causado ao seu próximo, que perdoe aos seus inimigos, a fim de que, antes que a morte lhe chegue, esteja apagado qualquer motivo de dissensão, toda causa fundada de ulterior animosidade. Por essa forma, de um inimigo encarniçado neste mundo se pode fazer um amigo no outro; pelo menos, o que assim procede põe de seu lado o bom direito e Deus não consente que aquele que perdoou sofra qualquer vingança. Quando Jesus recomenda que nos reconciliemos o mais cedo possível com o nosso adversário, não é somente objetivando apaziguar as discórdias no curso da nossa atual existência; é, principalmente, para que elas se não perpetuem nas existências futuras. Não saireis de lá, da prisão, enquanto não houverdes pago até o último centavo, isto é, enquanto não houverdes satisfeito completamente a justiça de Deus. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 10. Item  6. Allan Kardec )

            Entre uma pessoa que acredita, simplesmente, numa única existência — com início no berço e término na sepultura —, e outra, crente na multiplicidade das vidas, a segunda terá, sem dúvida, maior facilidade para compreender e aproveitar o ensinamento do Mestre.

            Faze as pazes com o adversário enquanto dispões da oportunidade...

            O homem não reencarnacionista, supondo que a vida se resume no que aí está — nascer, viver, comer, procriar e morrer, indo, depois, para o céu, o inferno ou para o Nada — um homem nessas condições, inteiramente divorciado de qualquer programa superior, não compreenderá porque deva reconciliar-se com um inimigo.

            Dificilmente se lhe provará que deva ir ao encontro de um obscuro desafeto, pois que dele não necessita, dele nada espera, com ele não se incomoda.

            A não ser que possua espontânea sensibilidade, excepcionalmente o homem afortunado e poderoso concordaria em procurar o adversário humilde, pobrezinho, para com ele reconciliar-se, especialmente se considera que a razão está do seu lado.

            O orgulho, a vaidade, o amor próprio, enfim, levantarão, entre ambos, intransponível barreira.

            O argumento do homem orgulhoso, que não crê, nem cogita da vida futura, será, invariávelmente, este: “Não preciso de ninguém; logo, porque me hei-de humilhar?”

            Assim pensa, assim vive, assim age, lógicamente.

            Assim procede, porque só vê a vida presente.

            Não vislumbra, sequer, uma nesga do futuro — futuro que, para o Espírita sincero, é sempre sinônimo de Responsabilidade.

            O contrário acontece com o homem que acredita na imortalidade da alma e avança, ainda, um pouco mais: crê, uma crença firme, porque consciente, na Reencarnação.

            Crê no retorno a paisagem do mundo, por necessidade evolutiva, em experiências provacionais ou expiatórias, ou para a execução de tarefas em nome do Senhor.

            A doutrina reencarnacionista exerce salutar influência na vida, no destino, na felicidade do ser humano.

            A noção, consciente, das vidas sucessivas, implica, tacitamente, normalmente, na melhoria do comportamento individual.

            O reencarnacionista sabe que o Espírito eterno somente conhecerá a ventura definitiva, integral, plena, intransferível, se houver paz no seu coração, no receoso de sua alma, nos refolhos conscienciais, aquela paz que resulta da harmonia com o próximo, e, principalmente, da harmonia consigo mesmo, com  o seu mundo íntimo.

            O homem que acredita na lei das vidas sucessivas, e procede segundo esta crença, leva mais vantagem do que aquele que supõe comece a vida no berço e termine na sepultura.

            A desvantagem é para o que não crê no “pré” e no “pós” ensinados pelo Espiritismo: pré-existência e pós-encarnação.

            O bem que fizermos aos nossos adversários, favorecendo, assim, a reconciliação ainda neste mundo — enquanto estamos a caminho” — tem a faculdade de nos beneficiar relativamente ao passado, ao presente e ao futuro.

            De que maneira? — eis, por certo, a indagação.

            Normalmente — com a ressalva de que toda regra tem exceção — as inimizades de hoje têm sua origem no ontem.

            Ao nos defrontarmos com inimigos de outras vidas, antigas rivalidades se renovam.

            Remotas fogueiras voltam a crepitar, inflamando labaredas que o sopro da ignorância e do orgulho acendeu no pretérito.

            Não devemos lançar nessas fogueiras o combustível da intransigência e do  rancor.

            Atentos ao “reconcilia-te com o adversário”, do Celeste Benfeitor, e, ainda, considerando a necessidade inadiável do aperfeiçoamento espiritual, o reencarnacionista de boa vontade pode, hoje, mediante a prática do bem, interromper velhos antagonismos de ontem, evitando, assim, a propagação das fogueiras.

            Novas culpas, novos débitos, com o inevitável cortejo de sofrimento e lágrima, serão, portanto, evitados.

            Eis aí os benefícios que a Reencarnação, com o seu natural incentivo à fraternidade, nos traz com vistas aos enganos do passado.

            Erros seculares desaparecem ante o abençoado milagre da reconciliação amorosa. (Estudando o Evangelho.  Cap. 15. Martins Peralva )

            “Concilia-te depressa com o teu adversário” – Essa é a palavra do Evangelho, mas se o adversário não estiver de acordo como bom desejo de fraternidade, como  efetuar semelhante conciliação?

            - Cumpra cada qual o seu dever evangélico, buscando o adversário para a  reconciliação precisa, olvidando a ofensa recebida. Perseverando a atitude rancorosa  daquele, seja a questão esquecida pela fraternidade sincera, porque o propósito de represália, em si mesmo, já constitui numa chaga viva para quanto o conservam no coração. (O Consolador. Questão 337. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            Chico Xavier conta uma história em que passados muitos anos certo adversário foi pedir desculpas ao injuriado, mas este percebeu que tinha perdido o seu tempo pensando no revide. Ele narra o fato da seguinte forma:

            "Certa vez, alguém me contou que havia sido perseguido e injuriado, por muitos anos, por um ferrenho adversário de suas ideias. Ele vivia sonhando com o dia em que o seu opositor, reconhecendo os equívocos cometidos, o procurasse para pedir perdão... Imaginava, finalmente, ter o referido adversário aos seus pés, dando a mão à palmatória. Acalentara essa ideia de triunfo em que justiça lhe seria feita.  Pois bem. Quando já estava com os cabelos quase todos brancos, o adversário de muito tempo, também de cabelos brancos, inesperadamente o procura para o tão aguardado entendimento. Confessou-lhe os seus excessos, pediu a ele que o desculpasse na inveja e no ciúme que sempre o haviam motivado no combate acirrado, falou de suas lutas pessoais e conflitos de ordem íntima semelhantes aos que exatamente criticara no companheiro... Conversaram longamente, sem ninguém por perto para testemunhar o diálogo.  O amigo injuriado, que tinha tantas respostas na ponta da língua, que havia decorado o que dizer justamente para quando chegasse a hora inevitável daquele confronto, percebeu, segundo ele próprio me confidenciou, que ele também inutilmente perdera tempo... De repente, sentiu que não havia qualquer razão para o revide... Ambos haviam envelhecido naquela disputa que ninguém saberia identificar como teria começado.

            —  “Chico — disse-me ele —, eu não tive vontade nenhuma de reagir; é verdade que ele se prevalecera de todas as artimanhas para me prejudicar, mas eu também mentalizara aquele momento, o dia em que, face a face comigo, ele se sentisse humilhado... Ele estava tendo a grandeza de me pedir perdão; se eu não o perdoasse, ele estaria triunfando sobre mim... Eu nunca teria ido a ele; ele é que estava tomando a iniciativa de vir a mim... Eu, que anelava fazer uma publicação no jornal, tornando pública aquela hora de retratação, não tive ânimo de contar isso a quem quer que fosse; você é a primeira pessoa que está sabendo — ele desencarnou há mais de um mês!... Hoje, sinto por ele uma afeição que não sei explicar. Reconheci que em muita coisa ele tinha razão a meu respeito...”

            Feliz daquele que, na hora de dar o troco, perde a vontade! Esses encontros com os nossos desafetos mais cedo ou mais tarde acontecerão; se não for nesta vida, será na Vida Espiritual. Os que nos perseguem, com razão ou sem razão, nos auxiliam a identificar o nosso próprio lugar... Às vezes, nos é muito mais útil um adversário sincero que um amigo bajulador." (O Evangelho de Chico Xavier.  Item 31 -O amigo injuriado. Carlos A. Baccelli )

            Os Espíritos de nossa convivência, na Terra, e que partem para o Além, sem  experimentar a luz do perdão, podem sofrer com as nossas opiniões acusatórias, relativamente aos atos de sua vida?

            - A entidade desencarnada, muito sofre com o juízo ingrato ou precipitado que, a seu respeito, se formula no mundo.

            Imaginai-vos recebendo o julgamento de um irmão de humanidade e avaliai como desejaríeis a lembrança daquilo que possuís de bom, a fim de que o mal não prevaleça em vossa estrada, sufocando-vos as melhores esperanças de regeneração.

            Em lembrando aquele que vos precedeu no túmulo, tende compaixão dos que erraram e sedes fraternos.

            Rememorar o bem é dar vida à felicidade. Esquecer o erro é exterminar o mal. Além de tudo, não devemos esquecer de que seremos julgados pela mesma medida com que julgarmos. (O Consolador. Questão 341. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            Perdão e esquecimento devem significar a mesma coisa?

            - Para a convenção do mundo, o perdão significa renunciar à vingança, sem que o ofendido precise olvidar plenamente a falta do seu irmão; entretanto, para o espírito evangelizado, perdão e esquecimento devem caminhar juntos, embora prevaleça para todos os instantes da existência a necessidade de oração e vigilância.

            Aliás, a própria lei da reencarnação nos ensina que só o esquecimento do passado pode preparar a alvorada da redenção. (O Consolador. Questão 340. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            Na Lei Antiga, a figura do perdão é apresentada como conquista mediante retribuição. Quando se ofende a Deus, em face dos comportamentos infelizes dúbios e dos gravames das deficiências morais, encontram-se estatuídos nos seus Códigos os instrumentos para impor reparação, no que eram hábeis os fariseus ao aplicá-los, utilizando sofismas e ardis, que culminavam nos sacrifícios de animais assim como através de outros recursos específicos que lhes eram rendosos.

            Jesus aceitou as injunções convencionais dos comportamentos atávicos, porém, acrescentou a essa política legal ancestral, necessária nos primórdios da cultura do povo hebreu, a ética do amor como mecanismo superior a quaisquer outras expressões de ordem material ou de imposição estabelecida pelos legisladores terrestres, nem sempre em condições de elaborar princípios nobres, por lhes faltarem valores de dignidade e exemplo, o que lhes retirava a autoridade para estabelecer condutas que não seguiam.

            A Lei de Amor origina-se em Deus, é natural, encontra-se em  toda parte como expressão de ordem e de valor, nunca se inclinando em favor de determinada pessoa ou grupo social específico, pairando soberana acima de todas as injunções humanas. Os seus árbitros não são homens susceptíveis de erro e de inclinações personalistas, de interesses inconfessáveis, mas a consciência de cada qual, que lhe haure a inspiração e tem  como modelo a de natureza cósmica.

            Desse modo, Jesus-Homem submeteu-se aos códigos arbitrários existentes, mas abriu espaço total para a nova ordem  que veio estabelecer, apresentando novas perspectivas de vida e de realização que dignificam o ser humano e o exaltam, facultando-lhe harmonia porque acima de todas as imposições transitórias do farisaísmo, sempre preocupado com a forma e distante da realidade do ser essencial. A aparência era-lhes, e ainda permanece sendo fundamental, compactuando com as concessões do século em detrimento das realizações espirituais transcendentes. ( Jesus e o Evangelho sob à luz da Psicologia Profunda. Cap. 11. Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo Pereira Franco )

            Quando diz: "Ide reconciliar-vos com o vosso irmão, antes de depordes a vossa oferenda no altar", Jesus ensina que o sacrifício mais agradável ao Senhor é o que o homem faça do seu próprio ressentimento; que, antes de se apresentar para ser por ele perdoado, precisa o homem haver perdoado e reparado (1) o agravo que tenha feito a algum de seus irmãos.

            Só então a sua oferenda será bem aceita, porque virá de um coração expungido de todo e qualquer pensamento mau. Ele materializou o preceito, porque os judeus ofereciam sacrifícios materiais; cumpria--lhe conformar suas palavras aos usos ainda em voga. O cristão não oferece dons materiais, pois que espiritualizou o sacrifício. Com isso, porém, o preceito ainda mais força ganha. Ele oferece sua alma a Deus e essa alma tem de ser purificada.

            Entrando no templo do Senhor, deve ele deixar fora todo sentimento de ódio e de animosidade, todo mau pensamento contra seu irmão. Só então os anjos levarão sua prece aos pés do Eterno. Eis aí o que ensina Jesus por estas palavras: "Deixai a vossa oferenda junto do altar e ide primeiro reconciliar-vos com o vosso irmão, se quiserdes ser agradável ao Senhor." (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 10. Item  8. Allan Kardec )

            Remonta à mais alta antigüidade o uso dos sacrifícios humanos. Como se explica que o homem tenha sido levado a crer que tais coisas pudessem agradar a Deus?

            Principalmente, porque não compreendia Deus como sendo a fonte da bondade. Nos povos primitivos a matéria sobrepuja o espírito; eles se entregam aos instintos do animal selvagem. Por isso é que, em geral, são cruéis; é que neles o senso moral, ainda não se acha desenvolvido. Em segundo lugar, é natural que os homens primitivos acreditassem ter uma criatura animada muito mais valor, aos olhos de Deus, do que um corpo material. Foi isto que os levou a imolarem, primeiro, animais e, mais tarde, homens. De conformidade com a falsa crença que possuíam, pensavam que o valor do sacrifício era proporcional à importância da vítima. Na vida material, como geralmente a praticais, se houverdes de oferecer a alguém um presente, escolhê-lo-eis sempre de tanto maior valor quanto mais afeto e consideração quiserdes testemunhar a esse alguém. Assim tinha que ser, com relação a Deus, entre homens ignorantes. (O Livro dos Espíritos.  Questão 669. Allan Kardec )

            Então, de acordo com a explicação que vindes de dar, não foi de um sentimento de crueldade que se originaram os sacrifícios humanos?

            Não; originaram-se de uma idéia errônea quanto à maneira de agradar a Deus. Considerai o que se deu com Abraão. Com o correr dos tempos, os homens entraram a abusar dessas práticas, imolando seus inimigos comuns, até mesmo seus inimigos particulares. Deus, entretanto, nunca exigiu sacrifícios, nem de homens, nem, sequer, de animais. Não há como imaginar-se que se Lhe possa prestar culto, mediante a destruição inútil de Suas criaturas. (O Livro dos Espíritos.  Questão 669 b). Allan Kardec )

            A oferenda feita a Deus, de frutos da terra, tinha a Seus olhos mais mérito do que o sacrifício dos animais?

            Já vos respondi, declarando que Deus julga segundo a intenção e que para Ele pouca importância tinha o fato. Mais agradável evidentemente era a Deus que Lhe oferecessem frutos da terra, em vez do sangue das vítimas. Como temos dito e sempre repetiremos, a prece proferida do fundo da alma é cem vezes mais agradável a Deus do que todas as oferendas que lhe possais fazer. Repito que a intenção é tudo, que o fato nada vale. (O Livro dos Espíritos.  Questão 672. Allan Kardec )

            Não seria um meio de tornar essas oferendas agradáveis a Deus consagrá-las a minorar os sofrimentos daqueles a quem falta o necessário e, neste caso, o sacrifício dos animais, praticado com fim útil, não se tornaria meritório, ao passo que era abusivo quando para nada servia, ou só aproveitava aos que de nada precisavam? Não haveria qualquer coisa de verdadeiramente piedoso em consagrar-se aos pobres as primícias dos bens que Deus nos concede na Terra?

            Deus abençoa sempre os que fazem o bem. O melhor meio de honrá-Lo consiste em minorar os sofrimentos dos pobres e dos aflitos. Não quero dizer com isto que Ele desaprove as cerimônias que praticais para lhe dirigirdes as vossas preces. Muito dinheiro, porém, aí se gasta que poderia ser empregado mais utilmente do que o é. Deus ama a simplicidade em tudo. O homem que se atém às exterioridades e não ao coração é um Espírito de vistas acanhadas. Dizei, em consciência, se Deus deve atender mais à forma do que ao fundo. (O Livro dos Espíritos.  Questão 673. Allan Kardec )

            Poderemos utilmente pedir a Deus que perdoe as nossas faltas?

            Deus sabe discernir o bem do mal; a prece não esconde as faltas. Aquele que a Deus pede perdão de suas faltas só o obtém mudando de proceder. As boas ações são a melhor prece, por isso que os atos valem mais que as palavras. (O Livro dos Espíritos.  Questão 661. Allan Kardec )

            À luz da Psicologia Profunda, o perdão é superação do sentimento perturbador do desforço, das figuras de vingança e de ódio através da perfeita integração do ser em si mesmo, sem deixar-se ferir pelas ocorrências afugentes dos relacionamentos interpessoais.

            Tem um significado mais que periférico ou de aparência social, representando a permanência da tranquilidade interna ante os impactos desgastantes externos, que sempre aturdem quando o indivíduo não está forrado de segurança nas próprias realizações, nem confiante na correta execução dos programas que exigem desafios através de provas compreensíveis diante dos obstáculos que se encontram pela frente.

            Quando alguém se detém na mágoa ou na queixa, ressumando amargura ou desconforto moral por ocorrências desagradáveis que dizem respeito à sua forma de comportar-se espiritualmente, em fidelidade aos princípios abraçados, encontra-se distante da própria mensagem que lhe deveria impregnar de tal forma que não haveria campo para a instalação desses conflitos morbosos.

            A autoconsciência identifica todas essas ocorrências e supera-as, por significarem reações de pessoas e grupos psicologicamente na infância dos seus interesses, ainda vinculados aos jogos da ilusão, disputando-se primazias e projeções sem qualquer sentido profundo.

            Nesse aspecto do perdão, projetam-se os resultados dos ressentimentos para outras experiências fora da matéria ou em  futuras reencarnações, quando os litigantes continuam  imantados uns aos outros, sem que se facultem oportunidade de libertação, enfermando-se reciprocamente ou permanecendo em  pesados conflitos intérminos quão sacrificiais e inúteis.

            Não raro, na gênese de muitas psicopatologias encontramos a presença de cobradores espirituais que, embora desvestidos da roupagem física, permanecem em lamentável situação de vingança, em terrível transtorno mental, gerando dilacerações psíquicas naqueles que os ofenderam e não tiveram tempo em  oportunidade ou interesse para se reabilitarem.

            Esses combates insanos arrastam-se por dezenas de anos a fio, sem lhes ocorrer que, enquanto afligem se infelicitam, prolongando a situação dolorosa sem qualquer benefício pessoal...

            Tais fenômenos obsessivos são muito mais expressivos e complexos do que parecem na visão das doutrinas psíquicas modernas que teimam por encontrar no cérebro e nos mecanismos orgânicos apenas, a psicogênese dessas enfermidades mentais, comportamentais, psicológicas...

            Felizmente, a moderna Psicologia Profunda, mediante a visão transpessoal, eliminando toda sombra do indivíduo e da coletividade, identifica as causas reais desses distúrbios decorrentes de processos mentais enfermiços que a morte não eliminou.

            Sem nenhuma dúvida, em face dos processos que decorrem das ações morais, o ser se faz herdeiro da necessidade de superar os erros e agressões às Leis, insculpindo nos refolhos íntimos os mecanismos reparadores, entre os quais se encontram as alienações mentais, não obstante também inscrevam os delitos contra outras vidas que passam na sua insânia a exigir reparações pelo sofrimento, impondo-lhes perseguições impiedosas, qual ocorre nas paisagens terrestres entre aqueles que se odeiam.

            A morte do corpo não libera o Espírito das paixões nobres ou inferiores que lhe tipificam a conduta natural. Antes amplia-lhe o campo de vivência, porque, desvestindo-o dos limites impostos pelo corpo, concede mais espaço para as ações que são compatíveis com o seu nível evolutivo.

            Deus o permite como ensinamento para algozes e vítimas, que se devem amar antes que se agredir, desculpar e conceder ensejo à reparação, sem permitir o domínio da sombra que aturde e infelicita.

            Jesus-Homem sempre enfrentou situações de tal monta, procurando esclarecer o perseguidor e dignificar o perseguido, impondo a este último a necessidade de conduta correta, a fim de que não lhe acontecesse nada pior.

            Na perspectiva da Psicologia Profunda, aquele que permanece em clima de desforço ata-se aos elos dos renascimentos inferiores, não conseguindo libertar-se do ir e vir, por não luzir-lhe interiormente o amor, que é o único recurso propiciador de felicidade e de depuração.

            O ódio aprisiona aquele que o mantém em relação a quem lhe padece a injunção penosa. Sendo recíproco, torna-se cadeia cruel para ambos. Caso, no entanto, algum dos envolvidos na situação perturbadora consiga superar os sentimentos doentios, evidentemente sairá dessa cela escura planando em outro espaço de claridade e vida. E isso se dá mediante o resgate pelo amor ao seu próximo, àquele mesmo a quem feriu, impensadamente ou não, procurando reabilitar-se.

            Deus sempre faculta ao livre-arbítrio do ser a melhor maneira de reparar os erros, impondo-lhe, quando a falência de propósitos e atos se faz amiúde, recursos mais vigorosos que são ao mesmo tempo terapêuticos para o Espírito rebelde.

            A Sua justiça estabelece parâmetros que não podem ser violados insensatamente, proporcionando meios valiosos de harmonia e plenitude mediante os quais o amor é sempre o árbitro de todas as ocorrências.

            Merece ter-se em mente sempre que toda situação embaraçosa e infeliz defrontada deve ser regularizada antes da ocorrência da morte física, a fim de que não sejam transferidos de plano os fenômenos da reparação e da paz.

            Jesus exemplificou sempre e incessantemente tal necessidade, perdoando mesmo aos mais impenitentes adversários que O sitiavam, deixando com as suas consciências o resultado da insídia, que os algemaria na prisão terrestre até que se depurassem das atitudes adotadas.

            Desse modo, cumpre a cada consciência a prática do perdão indistinto, porquanto assim não ocorrendo, qual informou o Mestre - daí (do cárcere carnal) não saireis, enquanto não houverdes pago o último ceitil — facultando ao seu próximo todos os direitos que lhe são concedidos pelas Soberanas Leis da Vida conforme gostaria que a si mesmo fossem facultados. ( Jesus e o Evangelho sob à luz da Psicologia Profunda. Cap. 11. Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo Pereira Franco )

            Relativamente à vida presente, a reconciliação com os adversários proporciona uma série de inapreciáveis benefícios.

            Paz na Consciência — o maior tesouro que o homem pode desejar no mundo.

            Ausência de inquietações e remorsos — patrimônio que ajuda na aquisição do equilíbrio interior.

            Sono tranquilo — assegurando bem-estar espiritual enquanto o corpo descansa.

            Despertar sereno — premiando o coração que se enriqueceu de experiências novas, no contacto com benfeitores desencarnados.

            Construção de preciosas amizades, nesta e na vida extrafísica — o que é fundamental para todos nós, especialmente os imortalistas-reencarnacionistas.

            A inimizade é uma brasa no coração humano. Queima, fere, abre chagas profundas. Faz sangrar por muito tempo.

            Quando nos dispusermos a compreender e seguir o conselho do Mestre — “Os meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem” —, nossos corações inundar-se-ão de um júbilo diferente.

            De um júbilo sublime, que nenhum tesouro do mundo pode substituir ou compensar.

            Feliz a criatura que diariamente, após honesto exame de consciência, pode dizer:

            “A minha alma está virgem de ressentimentos! Não sinto, dentro de mim, nem ódio, nem rancor, nem desejos de vingança!

            Não tenho inimigos! A todos estimo, a todos prezo, a todos desejo o bem!

            Podem existir criaturas que não me compreendam as atitudes, o idealismo, mas eu as compreendo!”

            Como se vê, a Reencarnação, fazendo luz sobre a palavra evangélica, é, realmente, benéfica e construtiva.

            Favorece a extinção não só dos antagonismos do pretérito, em geral promovidos por nós mesmos, como também ajuda a dissolver as inimizades que a nossa invigilância forjou no presente.

            Com vistas ao Amanhã, a confraternização com os adversários, em outras palavras, a reconciliação com os inimigos, aconselhada por Jesus, apresenta vantagens, de natureza espiritual, imprescindíveis ao nosso progresso.

            Assegura-nos, hoje, aquela euforia que nos dará, amanhã, em definitivo, a verdadeira felicidade.

            A maioria das obsessões resulta de ódios que se fixaram, no Tempo e no Espaço, na poeira dos séculos e milênios, pela incapacidade do perdão recíproco.

            Conhecemos casos de vingança que atravessaram a noite escura dos tempos, desceram ao abismo dos milênios, levando hoje à alucinação e à delinquência almas que praticaram ou se acumpliciaram em crimes hediondos...

            A estima fraternal garante, para o porvir de nossas lutas evolutivas, reencarnações liberadas de penosos compromissos e dolorosas consequências.

            O desatamento de laços hostis, ou, simplesmente, antipáticos, que muita vez distanciam companheiros de jornada, abre aos nossos Espíritos sublimes oportunidades de construirmos, em vez de apenas reconstruirmos.

            Tais considerações, formuladas à base do raciocínio palingenésico, demonstram a sabedoria de Jesus, quando afirmou que o Espírito de Verdade restauraria os Seus ensinamentos.

            Quanta lógica e quanto bom-senso!

            Quanta claridade nos conceitos evangélicos, Se interpretados à luz do Espiritismo!

            O nosso coração se enriquece, a nossa alma se torna feliz, a nossa consciência se ilumina, por havermos aceito esta fortuna, este patrimônio inavaliável que o Cristo de Deus, através da personalidade missionária de Allan Kardec, legou à Humanidade planetária .

            Reconciliemo-nos, pois, com os adversários, de ontem  e de hoje, se os tivermos, na certeza inabalável de que o perdão irrestrito, com o esquecimento de toda a falta, abrir-nos-á a porta que nos introduzirá, mais tarde, no Santuário de Luz da Vida Infinita.

            E não esqueçamos, a benefício da nossa própria felicidade, agora e sempre, a suave advertência de Nosso Senhor Jesus-Cristo: — “Os meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem.” (Estudando o Evangelho. Cap. 26. Martins Peralva )

            Amemos aos inimigos externos que nos desafiam à prática do bem, ao exercício da renúncia, ao trabalho da paciência e à realização da caridade, mas tenhamos cautela contra os sicários (inimigos) escondidos em nós mesmos que, expressando sentimentos indignos de nosso conhecimento e de nossa evolução, nos escravizam à angustia, e nos algemam à dor, enclausurando-nos a vida em miséria e perturbação.  (Através do Tempo. Inimigos que não devemos acalentar. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).
            Mencionamos, com muita freqüência, que os inimigos exteriores são os piores expoentes de perturbação que operam em nosso prejuízo. Urge, porém, olhar para dentro de nós, de modo a descobrir que os adversários mais difíceis são aqueles de que não nos podemos afastar facilmente, por se nos alojarem no cerne da própria alma.

        Dentre eles, os mais implacáveis são:

        - o egoísmo, que nos tolhe a visão espiritual, impedindo vejamos as necessidades daqueles que mais amamos;

        - o orgulho, que não nos permite acolher a luz do entendimento, arrojando-nos a permanente desequilibrio;

        - a vaidade, que nos sugere a superestimação do próprio valor, induzindo-nos a desprezar o merecimento dos outros;

        - o desânimo, que nos impele aos precipícios da inércia;

        - a intemperança mental, que nos situa na indisciplina;

        - o medo de sofrer, que nos subtrai as melhores oportunidades de progresso, e tantos outros agentes nocivos que se nos instalam no Espírito, corroendo-nos a energias e depredando-nos a estabilidade mental.

            Para a transformação dos adversários exteriores contamos, geralmente, com o amparo de amigos que nos ajudam a revisar relações, colaborando conosco na constituição de novos caminhos; entretanto, para extirpar os que moram em nos, vale tão-somente o auxilio de DEUS, com o laborioso esforço de nós mesmos.

            Reportando-nos aos inimigos externos, advertiu-nos JESUS que e preciso perdoar as ofensas setenta vezes sete vezes, e decerto que para nos descartarmos dos inimigos internos – todos eles nascidos na trevas da ignorância – prometeu-nos o Senhor: “conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres”, o que equivale dizer que só estaremos a salvo de nossas calamidades interiores, através de árduo trabalho na oficina da educação. (Alma e Coração. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier)

            Desde os primeiros impulsos da inteligência até as momentosas construções da intuição, o Espírito ou Self é o construtor das ocorrências que lhe dizem respeito, gerando e desenvolvendo os instrumentos hábeis para o crescimento e amplitude das aspirações de felicidade e de paz que lhe jazem em latência, porque procedente de Deus.

            Desse modo, nele se insculpem os programas que elaboram  alegria ou tristeza, saúde ou doença, todos transitórios no rumo  da sua suprema realização espiritual. (Triunfo pessoal.  Cap. 7. Distúrbios Coletivos. Joanna de Ângelis.  Psicografado por Divaldo Pereira Franco )

            O notável psiquiatra Carl G. Jung definiu o Self como: "a totalidade da psique consciente e inconsciente", acrescentando que: "essa totalidade transcende a nossa visão porque, na medida em que o inconsciente existe, não é definível; sua existência é um  mero postulado e não se pode dizer absolutamente nada a respeito de seus possíveis conteúdos?

            Nada obstante a sua muito bem-elaborada conceituação, se o consideramos como o Espírito imortal que precede à concepção e sobrevive à dissolução carnal, teremos, nos depósitos profundos do seu envoltório semimaterial, que é o períspirito, o mero postulado que é o inconsciente pessoal, no qual estão arquivadas as experiências ancestrais resultantes de todas as reencarnações ao longo do processo evolutivo a que se encontra submetido. Esse arquétipo, imagem original ou imago Dei que vige no ser humano e concede-lhe a abrangência da consciência e da inconsciência, respondendo pela sua totalidade, procede do Arquétipo Primordial, Consciência Cósmica, Deus ou Causalidade Absoluta.

            Toda atividade consciente ou não do ser humano deve dirigir-se para a perfeita identificação do Si-mesmo, integrando os conteúdos psíquicos remanescentes das memórias pretéritas -extratos das reencarnações ínsitos no inconsciente pessoal —com o ego, de maneira que a sua seja a busca desse Arquétipo Primordial, de modo a conseguir a harmonização de natureza cósmica, que deverá ser a fatalidade do processo evolutivo.

            Nessa jornada de integração dos conteúdos psíquicos com a realidade do Eu, os valores éticos se destacam propondo o equilíbrio do ser, que se liberta das fixações perturbadoras que dão curso aos distúrbios neuróticos, assim como aos conflitos que procedem dos erros cometidos, e que se impõem como necessidades reparadoras em forma de transtornos de diferentes graus.

            A autoconsciência se lhe afirma à medida que descobre o objetivo essencial da existência humana, que é a autoidentificação, percebendo todos os valores que se lhe encontram em latência aguardando o desenvolvimento das possibilidades para torná-los vibrantes e participantes da vida.

            Os remanescentes conflitivos cedem, então, lugar à saúde emocional, a pouco e pouco, substituídos pela segurança de conduta, pelas realizações enobrecedoras, pela superação dos tormentos da consciência bem como da culpa, permitindo-se crescer sem fronteiras ou limites, desbravando todo o potencial inconsciente que jaz ignorado, não obstante seja portador de tesouros incalculáveis, e não somente de angústias e perturbações que ressumam periodicamente em forma de desequilíbrios.

            O ser humano é o protótipo máximo do processo evolutivo até o momento, cabendo-lhe descortinar horizontes grandiosos e avançar com decisão para conquistá-los.

            Para quem se empenha nessa luta, não existem limites que não possam ser conseguidos, desde que as dificuldades e os desafios sejam considerados como estímulos e possibilidades por alcançar.

            O hábito da reflexão e o exame dos conteúdos espirituais que procedem das diferentes épocas do pensamento tornam-se valiosos contributos para a conscientização do Self, que supera os automatismos anteriores a que se vê compelido para agir com  acerto e consciência nos variados cometimentos que lhe dizem  respeito.

            Se, por acaso, algum distúrbio lhe tisna, por momentos, a claridade do discernimento, compreende que se trata de uma herança perturbadora que deve ser ultrapassada, diluindo-a, mediante a autoconsciência, que permite encontrar o melhor recurso a ser utilizado. Ante as investidas neuróticas, defluentes de fatores endógenos ou exógenos, que fazem parte do processo evolutivo, aceita-as e enfrenta-as com lucidez mental e compreensão emocional, permitindo-se novas experiências saudáveis que se sobrepõem ao conflito, eliminando-o.

            Ninguém atravessa a existência sem essas heranças perturbadoras, que se encontram na própria essência do ser.

            Apesar disso, a consciência do Si ajuda-o a enfrentar os aparentes impedimentos, insculpindo novos valores que se desenvolverão lentamente, conquistando os espaços antes ocupados pelos temores injustificáveis ou culpas superáveis.

            Fobias, ansiedades, amarguras, fixações torpes, encontram-se no inconsciente pessoal, resultantes das experiências variadas que não foram eliminadas por-catarses indispensáveis à sua eliminação. Para tanto, os processos psicoterapêuticos têm por meta, além de os sanar, integrar o ser nos valores profundos do Self, na sua consciência divina, onde pulsam as vibrações cósmicas do amor, encarregadas da sustentação da vida e de todos os seus atributos.

            Quanto maior for a conscientização do Self, mais fáceis se lhe tornam os avanços no desdobramento dos inimagináveis tesouros de conhecimentos, belezas e harmonias, que estão adormecidos nos seus refolhos mais delicados e profundos.

            A adoção de um comportamento rico de religiosidade, sem  temor nem ansiedade, sem transferência da realidade objetiva para as fugas subjetivas, superados os mecanismos conflitivos que induzem à busca da fé religiosa somente para fugir dos desafios mundanos, constitui uma metodologia preciosa e saudável para o mister de integração plena e tranquila nos superiores objetivos existenciais.

            Na condição de Psicoterapeuta por excelência, Jesus, analisando os conflitos que atormentam o ser humano, exarou com sabedoria, conforme as anotações de Mateus, no capítulo cinco do seu Evangelho, no versículo vinte e cinco: "Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com  ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao guarda, e sejas lançado na prisão."

            Inevitavelmente percebe-se que o adversário é interno, são as paixões dissolventes que aturdem o ser, e que, em desalinho, encarceram a consciência nos conflitos, gerando os tormentos a que se entregam todos aqueles que se deixam vencer pela culpa, transformada em fobia, ou em angústia, ou em ansiedade, ou em  insegurança, ou em transtorno neurótico de outro porte qualquer.

            Logo depois, no versículo vinte e seis do mesmo capítulo, Ele aduziu: "Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil."

            A oportuna referência tem um caráter terapêutico, lecionando que se faz necessária para a paz íntima, a reconciliação com o adversário — os referidos hábitos mórbidos, perturbadores, transformando-os em agentes de progresso e de renovação, mediante os quais se instalam o equilíbrio, o bem-estar, a saúde, o Reino dos Céus na Terra transitória.

            Essa salutar identificação dos valores do Self, a perfeita integração nele, constituem uma das bem-aventuranças, aquela que faculta ao homem a felicidade terrena, prelúdio da vida espiritual futura a que está destinado. (Triunfo pessoal. Encontro com o Self.  Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo Pereira Franco )

            Em trabalho pelo nosso aprimoramento espiritual, Jesus não exige sacrifício de nossa parte; exige simplesmente que façamos o que estiver ao alcance de nossas forças. Como somos espíritos imortais, Jesus aguarda com paciência que cada um de nós lhe assimile as lições e depois que as pratique para atingirmos a perfeição espiritual. Para isso ele conta com nossas encarnações.

            O que não fizermos em uma encarnação, faremos noutra. Todavia, cumpre que trabalhemos diligentemente para realizar o mais que nos for possível nesta encarnação. Assim evitaremos acúmulo de trabalhos para as futuras reencarnações. Todo o trabalho protelado numa encarnação se tornará pesada carga para a seguinte.

            Se Jesus é um Mestre paciente, é também um credor compassivo, que sabe esperar até o dia em que o devedor estiver em condições de saldar a divida.

            Chega, porém o dia em que estamos preparados para o resgate; é quando já somos estudantes do Evangelho e começamos a compreender as leis divinas.

            Então não mais poderemos alegar ignorância; só nos resta atender ao chamado do Mestre e ativar nosso progresso espiritual. (O Evangelho dos Humildes. Cap. 9.  Eliseu Rigonatti)

            Observação (1): A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem se havia feito o mal. Quem não repara os seus erros numa existência, por fraqueza ou má vontade, achar-se-á numa existência ulterior em contato com as mesmas pessoas que de si tiverem queixas, e em condições voluntariamente escolhidas, de modo a demonstrar-lhes reconhecimento e fazer-lhes tanto bem quanto mal lhes tenha feito. Nem todas as faltas acarretam  prejuízo direto e efetivo; em tais casos a reparação se opera, fazendo-se o que se deveria fazer e foi descurado; cumprindo os deveres desprezados, as missões não preenchidas; praticando o bem em compensação ao mal praticado, isto é, tornando-se humilde se foi orgulhoso, amável se foi austero, caridoso se foi egoísta, benigno se foi perverso, laborioso se foi ocioso, útil se foi inútil, frugal se foi intemperante, trocando em suma por bons os maus exemplos perpetrados. E desse modo progride o Espírito, aproveitando-se do próprio passado. (O céu e o inferno. Primeira parte.  Cap. 7. Item  17. Allan Kardec )

 

Bibliografia:

- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 10. Item  6 e 8. Allan Kardec.

- O Livro dos Espíritos.  Questão 661,  669, 669 -b), 672, 673. Allan Kardec .

- O céu e o inferno. Primeira parte.  Cap. 7. Item  17. Allan Kardec.

-  Através do Tempo. Inimigos que não devemos acalentar. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.
- O Consolador. Questões 337, 340, 341. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- Parábolas e ensinos de Jesus . Parábola do Credor Incompassivo.  Cairbar Schutel.

-  EADE — Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita. Livro 3 - Parte 2 . Roteiro 5. O Credor Incompassivo.  FEB.

- Parábolas Evangélicas. Cap. 6. Rodolfo Calligaris.

- Elucidações Evangélicas.  Cap. 122. Antônio Luiz Sayão.

- O Evangelho dos Humildes. Cap. 9 e 18. Eliseu Rigonatti.

- Estudando o Evangelho.  Cap. 15 e 26. Martins Peralva.

- O Evangelho de Chico Xavier.  Item 31 -O amigo injuriado. Carlos A. Baccelli.

- Jesus e o Evangelho sob à luz da Psicologia Profunda. Cap. 11. Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo Pereira Franco.

- Triunfo pessoal.  Cap. 7. Distúrbios Coletivos. Joanna de Ângelis.  Psicografado por Divaldo Pereira Franco.