Aula 108 - Parábola dos dois filhos - O dever

Ciclo 1 - História:  Parábola dos dois filhos - Atividade: PH - Jesus - 69 - Parábola dos dois filhos.

Ciclo 2 - História: Fazendo o bem - Atividade: ESE - Cap. 17 - 6 -O dever ou/e Cap. 17 - 9-O homem no mundo.

Ciclo 3 - História: Além do dever - Atividade: PH - Chico Xavier - 5 -O dever.

 

Dinâmica: Direitos e deveres; Direitos e deveres do cidadão; O dever.

Mensagens espíritas: Dever.

Sugestão de vídeos:

- Mensagem: Direitos e deveres 2016 (Dica: pesquise no Youtube)

- História: Parábola dos dois filhos - Desenho bíblico (Dica: pesquise no Youtube).

Sugestão de livro infantil:

- A tarefa de Gabriel. Mariana Frungilo. Editora IDE.

 

Leitura da Bíblia: Mateus - Capítulo 21


23. Tendo Jesus entrado no templo, e estando a ensinar, aproximaram-se dele os principais sacerdotes e os anciãos do povo, e perguntaram: Com que autoridade fazes tu estas coisas? e quem te deu tal autoridade?  


24. Respondeu-lhes Jesus: Eu também vos perguntarei uma coisa; se ma disserdes, eu de igual modo vos direi com que autoridade faço estas coisas.


25. O batismo de João, donde era? do céu ou dos homens? Ao que eles arrazoavam entre si: Se dissermos: Do céu, ele nos dirá: Então por que não o crestes?   


26. Mas, se dissermos: Dos homens, tememos o povo; porque todos consideram João como profeta.  


27. Responderam, pois, a Jesus: Não sabemos. Disse-lhe ele: Nem eu vos digo com que autoridade faço estas coisas.  


28. Mas que vos parece? Um homem tinha dois filhos, e, chegando- se ao primeiro, disse: Filho, vai trabalhar hoje na vinha. 


29. Ele respondeu: Sim, senhor; mas não foi.    


30. Chegando-se, então, ao segundo, falou-lhe de igual modo; respondeu-lhe este: Não quero; mas depois, arrependendo-se, foi.   


 31. Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram eles: O primeiro. Disse-lhes Jesus: Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus.    


32. Pois João veio a vós no caminho da justiça, e não lhe deste crédito, mas os publicanos e as meretrizes lho deram; vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para crerdes nele. 


 

Tópicos a serem abordados :

- Esta parábola define muito bem dois tipos de  trabalhadores espirituais. O filho mais velho, que disse sim ao pai, mas não foi, simboliza os indivíduos que aparentam muita decência, delicadeza e fé, mas, na realidade, são desobedientes à moral e à lei de Deus. Esses tais geralmente são bem vistos pela sociedade, são tidos  como pessoas muito educadas, entretanto, não correspondem ao chamado para o bom trabalho. Incluem-se neste número, todos os sacerdotes e religiosos ,que deveriam trazer os ensinos morais para humanidade;  mas interessados somente nas questões materiais,  se esqueceram da missão divina de que foram encarregados.  

- O menino caçula, que disse não, e depois foi, é o símbolo da alma que é habituada ao erro e aos maus costumes, à desobediência e à indelicadeza, mas, que reconhece seus erros, arrepende-se sinceramente, pede perdão de suas faltas e depois faz o que devia fazer, obedecendo à vontade de Deus e não aos seus caprichos.  Os publicanos  e as prostitutas  representam , neste caso, os grandes pecadores rejeitados pela sociedade, mas que arrependidos dos seus erros, começaram a trilhar o caminho correto.  Por isso, o Mestre declara que eles entrariam antes no reino dos céus do que outros que  já se consideravam “salvos”.

- A atitude do pai com relação aos dois filhos reflete claramente as condições em que os homens se acham em relação a Deus, o Pai comum de toda a humanidade. Ele dirigiu aos filhos um simples e natural chamamento, e o fez de modo que eles pudessem, sem constrangimento, aceitá-lo ou não. Ele disse: Vai, hoje, trabalhar na minha vinha, isto é, cumpre o teu dever; corrige-te, aperfeiçoa-te, procurando conhecer a ti mesmo.   Não faças a outrem o que não desejas que os outros te façam. Ama ao próximo como a ti mesmo, pois a cada um será dado segundo as suas obras , e não conforme a crença que adote, ou ainda, os rituais que pratique.  

- Todos nós temos deveres a cumprir. O dever é o conjunto das obrigações morais , é a regra de conduta do homem nas suas relações com seus semelhantes e com o Universo inteiro.  Existem diversos tipos de deveres. Há, primeiramente, o dever para conosco, que consiste em respeitar-nos, em fazer esforços para  eliminar os nossos vícios  e realizar apenas o que é digno, útil e belo. Há o dever escolar, que exige que cumpramos, com consciência, as nossas obrigações da escola.  Há o dever para com a família, que consiste em respeitar os parentes e ajudá-los.   Há o dever social, que nos convida a prática da caridade e amor ao próximo,  independente da sua crença, raça ou condição financeira  . Há também o dever para com Deus e para com a natureza, Sua obra divina. O dever não tem limites.

-   Jamais termina a obrigação moral da criatura para com Deus.   O homem que cumpre suas obrigações  ama a Deus mais do que as criaturas e ama as criaturas mais do que a si mesmo.  A prática constante do dever leva-nos ao aperfeiçoamento. Somente ele nos dá essa serenidade de espírito, essa calma interior, mais preciosa do que todos os bens da Terra . Feliz daquele que no fim do dia consegue dizer : "Fiz algo de útil, tive algum sucesso sobre mim mesmo, socorri, consolei infelizes, esclareci meus irmãos, trabalhei para torná-los melhores; cumpri meu dever!"

-  No entanto, o dever não é idêntico para todos. Varia segundo nossa condição e nosso saber. Aquele que  consegue compreender todo o alcance moral do ensino dos espíritos tem uma concepção mais elevada do dever.  Sabe que a responsabilidade é proporcional ao saber, que a posse do conhecimento espiritual lhe impõe a obrigação de trabalhar com mais energia no seu próprio melhoramento e no de seus irmãos. Chico Xavier, sabia disso, por isso nos disse: "Sei o que devo ser e ainda não sou, mas rendo graças a Deus por estar trabalhando, embora lentamente, por dentro de mim próprio, para chegar, um dia, a ser o que devo. "   

-  Mas como podemos mensurar o dever? Onde ele começa? Onde termina? Segundo o Espírito Lázaro:" O dever começa precisamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranqüilidade do vosso próximo e termina no limite que não gostaríeis de ver ultrapassado em relação a vós mesmos". Em outras palavras, isto quer dizer que o dever moral, nas relações humanas, consiste em evitar o mal e fazer o bem, ou seja, não causar prejuízo a ninguém. Devemos respeitar o espaço e os direitos alheios, da mesma maneira que queremos que os nossos sejam respeitados.

- Os direitos e deveres devem andar sempre juntos para serem legítimos.  Não existe direitos sem o cumprimento dos deveres. O nosso próprio bom senso diz que nenhum  aluno  poderá  exigir o direito de  permanecer na sala de aula, se agredir o seu professor ou o seu colega.    Nenhum empregado poderá exigir o pagamento, se não trabalhar conforme  o combinado.   Mas o que, infelizmente, vem ocorrendo, é que cada um só reclama seus direitos, relegando os deveres ao esquecimento (1).

Comentário 1: Redação do Momento Espírita . Direitos e deveres.  Fonte: http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=187&let=&stat=0. Data da consulta : 13-01-18.

 

 Perguntas para fixação :

1. Na parábola, qual dos filhos cumpriu o seu dever?

2.  O filho mais velho representa quais indivíduos?

3. O filho mais novo simboliza quais pessoas?

4. Por que Jesus disse que os publicanos e as prostitutas entrariam no reino dos céus antes dos sacerdotes ?

5. Que tipo de dever temos que ter para conosco?

6. Quais são os deveres que devemos cumprir na escola?

7.  Quais são os deveres que devemos realizar com relação a família?

8. Quais são os deveres que temos na sociedade?

9. Como permanece a consciência daqueles que cumprem seus deveres?

10. Haverá um dia em que não tenhamos mais que cumprir deveres?

11. Por que os sábios possuem maior dever?

12. O que podemos perder quando não cumprimos o dever?

 

 

Subsídio para o Evangelizador :

            Eis o conto evangélico em sua arrebatadora singeleza. Meditemo-lo. Comecemos analisando as personagens que nele figuram. Trata-se apenas de um pai e dois filhos. Aquele como imagem da Divindade, estes personificado os homens em geral. O pai dirige a ambos os filhos o mesmo apêlo: Ide, hoje, trabalhar na minha vinha. Um deles acode, favoravelmente, ao convite, prometendo atendê-lo, porém fica só na promessa. Outro, rejeitando de modo peremptório o chamamento paterno, declara abertamente que não irá; mais tarde, refletindo, arrepende-se e vai. Qual dos dois fez a vontade do pai? Tal a pergunta do Mestre. (Em busca do Mestre. Vinícius )

            O filho mais velho era um menino de bons modos, muito educado, atencioso, de finas maneiras. Era considerado por todos um modelo de perfeita educação. Respondia e falava sempre com muita cortesia e não magoava a ninguém com palavras. E assim procedeu para com seu pai, intimamente, porém, era um rebelde, que só fazia o que desejava, só gostava de atender à própria vontade e aos próprios caprichos. Respondeu com delicadeza ao pai, mas, não obedeceu a ele. Era um rebelde “invisível”.

            O segundo, o caçula, não tinha as maneiras polidas do irmão. Era, muitas vezes, áspero de linguagem, mas, no fundo, não era mau nem revoltado. Sabia reconhecer seus erros, pedia perdão de suas faltas e acabava fazendo a vontade de seu pai.

            No caminho de nossa perfeição espiritual devemos proceder como o segundo menino da história. De nada nos valerá conseguir a aparência de pessoa educada, caridosa e cristã, se interiormente não desejarmos fazer a vontade de Deus.

            O menino mais velho é o símbolo das pessoas que aparentam muita decência, delicadeza e fé, mas, praticamente são desobedientes à moral e à lei de Deus.

            O menino caçula é o símbolo da alma que é habituada ao erro e aos maus costumes, à desobediência e à indelicadeza, mas, que reconhece seus erros, arrepende-se sinceramente, pede perdão de suas faltas e depois faz o que devia fazer, obedecendo à vontade de Deus e não aos seus caprichos. (Histórias que Jesus contou. Cap. 8. Clóvis Tavares) 

            Esta parábola define muito bem as duas espécies de trabalhadores espirituais. O filho que disse não vou, e depois foi, personifica os filhos de Deus, que nunca cogitaram de trabalhar para o aprimoramento de suas almas e se entregaram às paixões inferiores, esquecidos de seus deveres para com o Pai Celestial. Mas um dia, tocados de arrependimento, voltam-se para Deus e procuram obedecer-lhe à vontade, trabalhando para o seu progresso espiritual e o de seus irmãos.

            O filho que diz eu vou, e não foi, simboliza os sacerdotes, que vieram expressamente para cuidarem do bem espiritual da humanidade e, uma vez aqui chegados, esqueceram-se da missão divina de que estão investidos, e somente se dedicam aos seus interesses materiais. ( Evangelho dos Humildes.  Cap. 21. Eliseu Rigonatti )

            Incluem-se neste número os mentores religiosos de todos os credos, que deveriam guiar os membros de suas igrejas ao conhecimento da verdade e, com seus exemplos, edificá-los na observância às Leis de Deus, mas que, ou por desídia, ou porque se achem, absorvidos em questões de interesse material, não cumprem a elevada missão de que estão investidos.

            Por isso é que Jesus, dirigindo-se aos sacerdotes, escribas e anciães, cujos deveres eram precisamente esses, lhes disse, sem rebuços, que “os publicanos e as meretrizes lhes levariam a dianteira para o reino de Deus.”

            Publicanos e meretrizes simbolizam, aqui, os grandes pecadores, aos quais a sociedade tem como réprobos desprezíveis e indignos de qualquer auxilio divino.

            Não obstante, o Mestre declara que eles entrarão no reino dos céus antes daqueles que contam com a aprovação social e já se consideram “salvos”.

            É que esses pecadores, porque muito vêm a sofrer, adquirem sensibilidade, tornam-se acessíveis, e, quando tocados pelo amor, mudam de vida. Aproveitando, então, a experiência adquirida através de duras provas, alguns há que se tornam santos até, legando ao mundo exemplos admiráveis de verdadeiro renascimento espiritual. ( Parábolas evangélicas.  Cap. 8. Rodolfo Calligaris )

            Quando, pois, quisermos saber onde estão os cristãos, devemos procurá-los, não entre os que externamente se dizem tais, mas no meio daqueles cujos atos refutam o espírito de justiça, de tolerância, de renúncia e de fraternidade, únicos característicos que assinalam os verdadeiros discípulos de Jesus. É pelos frutos, e não pelas ramas e folhas, que se conhece a árvore. (Em busca do Mestre. Vinícius )

            Notemos bem a atitude do pai daqueles dois filhos, pois esta atitude reflete claramente as condições em que os homens se acham em relação a Deus, o Pai comum de toda a humanidade. Ele dirigiu aos filhos um simples e natural chamamento, e o fez de modo que eles pudessem, sem constrangimento, aceitá-lo ou não. Não prometeu recompensas e favores ao que o atendesse, nem punição ao que o desobedecesse. Concedeu-lhes plena liberdade de ação. Espelha-se aí, nitidamente, para os que têm olhos de ver, a relação em que estamos, nós os homens, em face da lei natural que rege os nossos destinos.

            A Lei é clara, serena e justa. Um apelo, apenas:  Vai, hoje, trabalhar na minha vinha, isto é, cumpre o teu dever; corrige-te, aperfeiçoa-te, procurando conhecer a ti mesmo.   Não faças a outrem o que não desejas que os outros te façam. Ama ao próximo como a ti mesmo, de vez que a cada um será dado segundo as suas obras , e não conforme a crença que adote, ou ainda, as cerimônias que pratique.  

            (...) Na sua serenidade, vê-se que ele conhece profundamente o temperamento dos filhos e sabe a maneira eficaz de conduzi-los. Conhece também as consequências, decorrentes da desobediência, que recairão sobre eles. Age, por isso, com onisciência e onipotência. Não tem pressa: confia e espera. Não ameaça com penalidades os desobedientes nem encena com prêmios e pagas para ser atendido e respeitado. Não quer servos nem lacaios: quer filhos que refutam o caráter e as qualidades paternas. Portanto, não coage nem humilha:  dá liberdade .

            (...) O seu objetivo é tornar o homem independente. Assim o entendeu São Paulo, quando disse: Onde há o Espírito do Cristo, aí há liberdade. No entanto, ao fazermos apologia da liberdade como direito natural, apressamo-nos em declarar que todo o direito nasce do dever.  Quem não cumpre os seus deveres, acabará perdendo os seus direitos.   Isto não só em relação ao indivíduo, como no que respeita aos povos e nações. Aqui se funda a assertiva do Mestre: Permanecendo nas minhas palavras, sereis realmente meus discípulos, e conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres. A verdade, no curso da vida, resume-se no dever de viver honestamente, honrando e dignificando a vida, tanto a própria como a de outrem, de vez que a vida é a suprema graça, a herança sagrada havida do Pai Celestial. A obediência só é virtude e, nesse caso, digna de ser cultivada, quando é espontânea, voluntária e natural, exatamente como no gesto de um dos protagonistas da parábola ora em estudo.  É essa obediência digna e nobre que devemos ao nosso Criador, a qual Ele sabe como conquistar.   ( Em busca do Mestre.  Vinícius )

            A vontade do Pai deve ser cumprida em qualquer setor de atividade humana. Fazer a vontade de Deus não é praticar meras formalidades ritualísticas, permanecer em constante estado de contemplação beatifica ou bater no peito como fervoroso adepto religioso. Não é também proferir orações, ou ladainhas, prolongadas e repetidas, praticar jejuns e abstinências.

            Fazer a vontade do Pai é amar a Deus sobre todas as coisas, em Espírito e verdade; amar o próximo como a si mesmo, praticando a verdadeira lei do amor, que consiste em dar sem esperar recompensas e ir ao encontro do necessitado sem submetê-lo a humilhações, e sem alardear as ajudas praticadas.

            Fazer a vontade do Pai consiste em não matar, porque somente a Deus cabe decidir sobre a destinação das almas, e da conveniência ou não de retirá-las do mundo; não roubar porque Deus não terá por inocente aquele que, pela sua ganância ou usura, vier a causar prejuízos a terceiros, ou for a causa do empobrecimento do próximo.

            Fazer a vontade de Deus é abster-se de adulterar, porque o adultério, praticado em qualquer uma das suas modalidades, abala a estrutura moral do indivíduo. Não é adúltero apenas aquele que se transvia na vida conjugal; adultera também o juiz que pratica a injustiça, o médico que mercantiliza com a Medicina, o negociante que se enriquece ilicitamente, o operário que se toma ocioso, o funcionário que apenas age a troco de propinas, o falsário, o subornador, o subornado, o usurpador, o causador de calúnias, o que presta falso testemunho, e outros tantos que deturpam o verdadeiro caráter da vida moral.

            Fazer a vontade do Pai é deixar de cobiçar as coisas alheias, porque, a cobiça e a inveja são vícios, tremendamente, degradantes.

            Fazer a vontade do Pai é honrar os nossos pais, porque a eles foi confiada a tarefa de nos educar e orientar nos caminhos da vida. A prática do amor deve começar no lar para com aqueles que receberam de Deus a missão de nos colocar no mundo, através da sacrossanta tarefa da maternidade e da paternidade. (As maravilhosas parábolas de Jesus.   Paulo Alves Godoy )
            (...)A  Vontade de Deus , na essência, é o dever em sua mais alta expressão traçado para cada um de nós, no tempo chamado “ hoje ”.  ( Vida e sexo.  Amor livre. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier )

            Jesus sempre propõe o dever, a ação; bem entender, a fim de melhor atuar.

            Ele não induz ninguém à alienação da reali­dade objetiva do mundo. Ele estabelece uma escala de valores que devem ser respeitados, me­recendo primazia os mais relevantes, que se tor­nam a pauta de conquistas do homem de bem, que cumpre com o seu dever.

            Diante dEle, estagnação é morte e esta é cri­me cometido contra o “reino de Deus” que está dentro do próprio homem, necessitando de ser conquistado.

            Todas as parábolas que Ele nos ofereceu es­tão plenas de ação, sem impositivos externos, antes como resultado de espontânea lucidez da consciência desperta. (Jesus e  atualidade. Cap. 8. Espírito Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo Franco )

            Como decifrar o dever? De que maneira observar o dever íntimo impresso na consciência, diante de tantos deveres sociais, profissionais e afetivos que muitas vezes nos impõem caminhos divergentes?

            Efetivamente, nasceste e cresceste apenas para ser único no mundo. Em lugar algum existe alguém igual a tua maneira de ser; portanto, não podes perder de vista essa verdade, para encontrar o dever que te compete diante da vida.

            Teu primordial compromisso é contigo mesmo, e tua tarefa mais importante na Terra, para a qual és o único preparado, é desenvolver tua individualidade no transcorrer de tua longa jornada evolutiva.

            A preocupação com os deveres alheios provoca teu distanciamento das próprias responsabilidades, pois não concretizas teus ideais nem deixas que os outros cumpram com suas funções. Não nos referimos aqui à ajuda real, que é sempre importante, mas à intromissão nas competências do próximo, impedindo-o de adquirir autonomia e vida própria.

            Assumir deveres dos outros é sabotar os relacionamentos que poderiam ser prósperos e duradouros. Por não compreenderes bem teu interior, é que te comparas aos outros, esquecendo-te de que nenhum de nós está predestinado a receber, ao mesmo tempo, os mesmos ensinamentos e a fazer as mesmas coisas, pois existem inúmeras formas de viver e de evoluir. Lembra-te de que deves importar-te somente com a tua maneira de ser.

            Não podemos nos esquecer de que aquele que se compara com os outros acaba se sentindo elevado ou rebaixado. Nunca se dá o devido valor e nunca se conhece verdadeiramente.

            Teus empenhos íntimos deverão ser voltados apenas para tua pessoa, e nunca deverás tentar acomodar pontos de vista diversos, porque, além de te perderes, não ajustarás os limites onde começa a ameaça à tua felicidade, ou à felicidade do teu próximo.

            Muitos acreditam que seus deveres são corrigir e reprimir as atitudes alheias.

            Vivem em constantes flutuações existenciais por não saberem esperar o fluxo da vida agir naturalmente.

            Asseveram sempre que suas obrigações são em ―nome da salvação‖ e, dessa forma, controlam as coisas ou as forçam acontecer, quando e como querem.

            Dizem: ―Fazemos isso porque só estamos tentando ajudar‖. Forçam eventos, escrevem roteiros, fazem o que for necessário para garantir que os atores e as cenas tenham o desempenho e o desenlace que determinaram e acreditam, insistentemente, que seu dever é salvar almas, não percebendo que só podem salvar a si próprios.

            Nosso dever é redescobrir o que é verdadeiro para nós e não esconder nossos sentimentos de qualquer pessoa ou de nós mesmos, mas sim ter liberdade e segurança em nossas relações pessoais, para decidirmos seguir na direção que escolhemos. Não ―devemos ser o que nossos pais ou a sociedade querem nos impor ou definir como melhor. Precisamos compreender que nossos objetivos e finalidades de vida têm valor unicamente para nós; os dos outros, particularmente para eles.

            Obrigação pode ser conceituada como sendo o que deveríamos fazer para agradar as pessoas, ou para nos enquadrar no que elas esperam de nós; já o dever é um processo de auscultar a nós mesmos, descortinando nossa estrada interior, para, logo após, materializá-la num processo lento e constante.

            Ao decifrarmos nosso real dever, uma sensação de auto-realização toma conta de nossa atmosfera espiritual, e passamos a apreciar os verdadeiros e fundamentais valores da vida, associados a um prazer inexplicável.

            Lembremo-nos da afirmação do espírito Lázaro em ―O Evangelho Segundo o Espiritismo: ―O dever é a obrigação moral, diante de si mesmo primeiro, e dos outros em seguida.( Renovando atitudes. Cap. 4. Espírito Hammed. Psicografado por Francisco do Espírito Santo Neto )

            O dever é a lei da vida. Com ele deparamos nas mais ínfimas particularidades, como nos atos mais elevados. Quero aqui falar apenas do dever moral e não do dever que as profissões impõem.

            Na ordem dos sentimentos, o dever é muito difícil de cumprir-se, por se achar em antagonismo com as atrações do interesse e do coração. Não têm testemunhas as suas vitórias e não estão sujeitas à repressão suas derrotas. O dever íntimo do homem fica entregue ao seu livre-arbítrio. O aguilhão da consciência, guardião da probidade interior, o adverte e sustenta; mas, muitas vezes, mostra-se impotente diante dos sofismas da paixão. Fielmente observado, o dever do coração eleva o homem; como determiná-lo, porém, com exatidão? Onde começa ele? onde termina? O dever principia, para cada um de vós, exatamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranqüilidade do vosso próximo; acaba no limite que não desejais ninguém transponha com relação a vós.

            Deus criou todos os homens iguais para a dor. Pequenos ou grandes, ignorantes ou instruídos, sofrem todos pelas mesmas causas, a fim de que cada um julgue em sã consciência o mal que pode fazer. Com relação ao bem, infinitamente vário nas suas expressões, não é o mesmo o critério. A igualdade em face da dor é uma sublime providência de Deus, que quer que todos os seus filhos, instruídos pela experiência comum, não pratiquem o mal, alegando ignorância de seus efeitos.

            O dever é o resumo prático de todas as especulações morais; é uma bravura da alma que enfrenta as angústias da luta; é austero e brando; pronto a dobrar-se às mais diversas complicações, conserva-se inflexível diante das suas tentações. O homem que cumpre o seu dever ama a Deus mais do que as criaturas e ama as criaturas mais do que a si mesmo. E a um tempo juiz e escravo em causa própria.

            O dever é o mais belo laurel da razão; descende desta como de sua mãe o filho. O homem tem de amar o dever, não porque preserve de males a vida, males aos quais a Humanidade não pode subtrair-se, mas porque confere à alma o vigor necessário ao seu desenvolvimento.

            O dever cresce e irradia sob mais elevada forma, em cada um dos estágios superiores da Humanidade. Jamais cessa a obrigação moral da criatura para com Deus. Tem esta de refletir as virtudes do Eterno, que não aceita esboços imperfeitos, porque quer que a beleza da sua obra resplandeça a seus próprios olhos. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap.  17. Item 7. Allan Kardec.  Lázaro. Paris, 1863.)

            Dever é a série de lições a que fomos chamados pela Eterna Sabedoria no livro da vida, de cujo aprendizado dependerá sempre o nosso avanço para a Infinita Luz.

            Superficialmente, por vezes, é uma coleção de serviços menos agradáveis, induzindo-nos a pequeninas renúncias, contudo, esses serviços são vínculos espirituais que nos sustentam a ligação com a Paternidade de Deus — de Deus, que através da Lei que nos rege — no-los traça como obrigações beneméritas e providenciais ao nosso próprio aperfeiçoamento. ( Tocando o barco.  Cap. 13. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier )

            Segundo o dicionário Michaelis a palavra " Dever" significa : 1  Obrigação de fazer alguma coisa imposta por lei, pela moral, pelos usos e costumes ou pela própria consciência; encargo. 2   Em sentido absoluto, conjunto das obrigações de uma pessoa:   Ser fiel ao dever. 3   Em sentido particular, uma regra de ação específica ou uma obrigação definida. 4   Trabalho ou exercício que um aluno deve fazer fora da escola; lição de casa.    (http://michaelis.uol.com.br/busca?id=45Kp)

            O dever é o conjunto das prescrições da lei moral, a regra de conduta do homem nas suas relações com seus semelhantes e com o Universo inteiro. Figura nobre e santa, o dever plana acima da Humanidade, inspira os grandes sacrifícios, os puros devotamentos, os belos entusiasmos. Risonho para uns, temível para outros, sempre inflexível, ergue-se diante de nós e nos mostra essa escada do progresso, cujos degraus se perdem nas alturas incomensuráveis.

            O dever não é idêntico para todos. Varia segundo nossa condição e nosso saber. Quanto mais nos elevamos, mais ele adquire aos nossos olhos grandeza, majestade, extensão. Seu culto, porém, é sempre agradável ao sábio, e a submissão às suas leis é fértil de alegrias íntimas, às quais nada pode se igualar.

            Por mais obscura que seja a condição do homem, por mais humilde que seja sua sorte, o dever domina e enobrece sua vida. Somente ele nos dá essa serenidade de espírito, essa calma interior, mais preciosa do que todos os bens da Terra e que todos nós podemos experimentar, até no meio das provações e dos reveses. Não somos senhores para mudar os acontecimentos e nosso destino deve seguir sua linha rigorosa; mas podemos sempre, mesmo em meio às tormentas, assegurarmos a paz de consciência, o contentamento de nós mesmos, que proporciona o cumprimento do dever.

            O sentimento do dever lança raízes profundas em todo espírito elevado que percorre sua estrada sem-esforços; por uma tendência natural, resultado dos progressos adquiridos, afasta as coisas vis e orienta para o bem os impulsos do seu ser. O dever torna-se, portanto, uma obrigação de todos os instantes, a condição mesma da existência, uma potência à qual se sente indissoluvelmente ligado, na vida como na morte.

            O dever tem formas múltiplas. Há o dever para conosco, que consiste em respeitar-nos, em governarmo-nos com sabedoria, a querer, a realizar apenas o que é digno, útil e belo. Há o dever profissional, que exige que cumpramos, com consciência, as obrigações a nosso cargo. Há o dever social, que nos convida a amar os homens, a trabalhar por eles, a servir ao nosso país e à Humanidade. Há o dever para com Deus. O dever não tem limites. Pode-se sempre fazer melhor, e é na imolação de si mesmo que o ser encontra o meio mais seguro de se engrandecer e de se depurar.

            A honestidade é a essência mesma do homem moral.

            Desde que daí se desvie, fica infeliz. O homem bom faz o bem pelo bem, sem procurar nem aprovação, nem recompensa. Ignorando o ódio, a vingança, esquece as ofensas e perdoa seus inimigos. É benevolente com todos, protetor dos humildes. Em cada homem vê um irmão, não importa qual seja seu país, qual seja sua fé. Cheio de tolerância, respeita as crenças sinceras, desculpa os defeitos dos outros, ressalta-lhes as qualidades e nunca maldiz. Usa com moderação os bens que a vida lhe concede, consagra-os ao melhoramento social, na pobreza, não inveja e não sente ciúmes de ninguém.

            A honestidade perante o mundo nem sempre é a honestidade segundo as leis divinas. A opinião pública tem seu preço; torna mais agradável a prática do bem, mas não se poderia considerá-la infalível. O sábio não a desdenha, sem dúvida; mas, quando é injusta ou insuficiente, vai além e pauta seu dever por uma regra mais segura. O mérito, a virtude são, às vezes, desconhecidos na Terra e os julgamentos da multidão são frequentemente influenciados pelas suas paixões e seus interesses materiais. O homem bom procura, antes de tudo, sua própria estima e o consentimento de sua consciência.

            Aquele que soube compreender todo o alcance moral do ensino dos espíritos tem uma concepção mais elevada ainda do dever. Sabe que a responsabilidade é proporcional ao saber, que a posse dos segredos de além-túmulo lhe impõe a obrigação de trabalhar com mais energia em seu melhoramento e no de seus irmãos. As vozes do Alto nele fizeram vibrar ecos, despertaram forças que dormiam na maioria dos homens; solicitam-no poderosamente na sua marcha ascensional. Um nobre ideal estimula-o e tormenta-o simultaneamente, faz dele motivo de risadas dos maus, mas não o trocaria por todos os tesouros de um império. A prática da caridade tornou-se-lhe fácil. Ensinou-lhe a desenvolver suas sensibilidades e suas qualidades afetivas. Compassivo e bom, sofre todos os males da Humanidade; quer espalhar sobre todos seus companheiros de infortúnio as esperanças que o sustentam; gostaria de enxugar todas as lágrimas, pensar todas as chagas, suprimir todas as dores.

            A prática constante do dever leva-nos ao aperfeiçoamento. Para acelerá-lo, convém, primeiro, estudar a nós mesmos com atenção, submeter nossos atos a um controle escrupuloso. Não se poderia remediar o mal sem conhecê-lo.

            Podemos até estudar-nos nos outros homens. Se algum vício, algum defeito deplorável neles choca-nos, procuremos, com cuidado, saber se não existe em nós um gérmen idêntico e, descobrindo-o em nós, apliquemo-nos em extirpá-lo.

            Consideremos nossa alma naquilo que, realmente, ela é, quer dizer, uma obra admirável, mas muito imperfeita, cujo dever é o de embelezá-la e orná-la incessantemente.

            Esse pensamento de nossa imperfeição tornar-nos-á mais modestos, afastará de nós a presunção, a tola vaidade.

            Submetamo-la a uma disciplina rigorosa. Como se dá ao arbusto a forma e a direção convenientes, podemos, também, regular as tendências do nosso ser moral. O hábito do bem torna sua prática fácil. Apenas os primeiros esforços são penosos. Aprendamos, antes de tudo, a nos dominar. As impressões são fugidias e passageiras; a vontade é o fundamento sólido da alma. Saibamos governar essa vontade, dominar nossas impressões, jamais deixarmo-nos dominar por elas.

            O homem não deve isolar-se de seus semelhantes. Importa, todavia, escolher suas relações, seus amigos, procurar viver num meio honesto e puro, onde só reinem boas influências, onde só irradiem fluidos calmos e benévolos.

            Evitemos as conversações frívolas, os propósitos ociosos, que levam à maledicência. Qualquer que possa ser o resultado, digamos sempre a verdade. Retemperemo-nos, com frequência, no estudo e no recolhimento. A alma, nele, encontra novas forças e novas luzes. Possamos dizer-nos ao final de cada dia: Fiz algo de útil, tive algum sucesso sobre mim mesmo, socorri, consolei infelizes, esclareci meus irmãos, trabalhei para torná-los melhores; cumpri meu dever! ( Depois da morte. Cap. 43. León Denis)

            Poderemos receber um novo ensino sobre os deveres que competem aos espiritistas?

            -Não devemos especificar os deveres do espiritista cristão, porque palavra alguma poderá superar a exemplificação do Cristo, que todo discípulo deve tomar como roteiro da sua vida.

            Que o espiritista, nas suas atividades comuns, dispense o máximo de indulgência para com os seus semelhantes, sem nenhuma para consigo mesmo, porque antes de cogitar da iluminação dos outros, deverá buscar a iluminação de si mesmo, no cumprimento de suas obrigações. ( O Consolador. Questão 362. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            O médium Chico Xavier disse: Sei o que devo ser e ainda não sou, mas rendo graças a Deus por estar trabalhando, embora lentamente, por dentro de mim próprio, para chegar, um dia, a ser o que devo.   Creio que, quando cada um de nós estiver cumprindo os deveres que nos competem, perante Deus e diante da vida à frente dos outros e ante a nossa própria consciência, alcançaremos a paz duradoura. (O Evangelho de Chico Xavier.  Item 40 e 41. Chico Xavier / Carlos A. Bacelli )

            Também desempenham função útil no Universo os Espíritos inferiores e imperfeitos?

            “Todos têm deveres a cumprir. Para a construção de um edifício, não concorre tanto o último dos serventes de pedreiro, como o arquiteto?” ( O Livro dos Espíritos.  Questão 559. Allan Kardec )

            É muito comum ouvirmos, aqui e acolá, este estribilho: "Se eu fosse rico, bem sei o que faria: ao pé de mim jamais haveria necessitados. Mas, sou pobre, nada posso fazer."

            "Se eu tivesse instrução, se soubesse falar, discorrer com acerto e precisão, defenderia com denodo e coragem a causa do Bem e do Direito, da Verdade e da Justiça.

            Mas, não tenho saber algum, vi-me impossibilitado, por isto ou por aquilo, de estudar e de me instruir; portanto, que posso fazer?"

            "Se eu fosse médico, ocupar-me-ia de preferência em atender com carinho e solicitude aos enfermos pobres, esses desfavorecidos da fortuna, que vivem desprezados, e sucumbem inúmeras vezes à míngua de assistência. Mas, não sei curar, ignoro de todo a ciência de Esculápio, que hei-de fazer?"

            "Se eu ocupasse posição saliente na sociedade, se tivesse prestígio perante os que governam; muitas iniquidades eu saberia evitar, muitos abusos saberia prevenir; mas não tenho influência alguma, que posso, logo, fazer?"

            "Se eu dispusesse de tempo, ocupar-me-ia das coisas espirituais. Procuraria educar, desenvolver as faculdades de meu espírito. Investigaria o campo infinito do ignoto; e, de todos os conhecimentos que conquistasse, faria co-participantes o maior número possível de pessoas. Mas, infelizmente, não tenho tempo!"

            "Se eu fosse industrial ou comerciante, tornaria os operários e caixeiros em meus interessados; mas, ai de mim! vivo lutando pela vida."

            "Se eu fosse profeta— alega ainda um derradeiro —, procederia com o máximo escrúpulo, obraria prodígios em benefício da Humanidade."

            E onde iríamos parar se continuássemos a declinar o enfadonho estribilho da condicional — "se eu fosse", "se eu tivesse"?

            Porque será que todos se julgam deslocados, quando se reportam à prática do bem, ao cumprimento do dever moral? Porque não tem o rico vontade de socorrer os pobres?

            Porque não se compadecem os médicos dos enfermos indigentes? E o homem culto, porque não pugna pelos ideais elevados e nobres, dando-lhes o melhor de sua inteligência e saber? E o industrial, e o comerciante prósperos, porque não interessam em seus gordos lucros os operários e auxiliares honestos e diligentes? E o profeta, porque desdenha e avilta o dom que o céu lhe outorga? Porque todos querem fazer o que não podem, e deixar de fazer o que podem? Porque não faz cada um o bem onde está, e como se acha? Porque enxergam o dever alheio, e não vêem o seu próprio dever? Porque pretendem alterar a ordem que o destino de cada um tem estabelecido? Porque lamentam com jeremiadas "o não fazer" por "não poder", quando descuram daquilo que podem e devem fazer? Porventura Deus vai julgar o homem pelo que ele deixou de fazer por não poder, ou antes o julgará por aquilo que deixou de fazer podendo fazê-lo? Que nos importa, pois, o que não podemos fazer? Antes o que nos importa, e muito, é o que podemos fazer. Portanto, antes de nos lamentarmos do que não podemos fazer, façamos, desde logo, o que podemos, seja lá o que for. E a verdade é que todos podem alguma coisa, muita coisa mesmo, desde que queiram. As lamúrias são filhas do subterfúgio, do sofisma, da má vontade, do egoísmo numa palavra.

            O dever de cada um é o dever simples, é o dever imediato. Faça cada um o que pode e o que deve, no momento. Ulteriormente, à medida que lhe seja possível, fará o mais e o melhor.

            Há pais que abandonam seus lares e seus filhos, e andam pregando moral às massas. Insensatos! pretendem fazer o mais sem fazer o menos. Pretendem atingir o dever longínquo, antes de haverem cumprido o dever imediato.

            Evangelizadores há que pretendem doutrinar homens e espíritos, sem curar dos seus próprios defeitos. Loucos! querem aperfeiçoar a outrem sem primeiramente se aperfeiçoarem a si mesmos. Querem dar antes de possuir. ( Nas pegadas do Mestre. O estribilho fatal. Vinícius )

            (...) Quantos pretextos são inventados pelas criaturas terrestres por fugir ao testemunho da verdade divina, nas tarefas que lhes são próprias. Os mordomos da responsabilidade alegam excesso de deveres, os servidores da obediência afirmam ausência de ensejo. Os que guardam possibilidades financeiras montam guarda ao patrimônio amoedado, os que receberam a bênção da pobreza de recursos monetários aconselham-se com a revolta. Os moços declaram-se muito jovens para cultivar as realidades sublimes, os mais idosos afirmam-se inúteis para servi-las. Os casados reclamam quanto à família, os solteiros queixam-se da ausência dela. Dizem os doentes que não podem, comentam os sãos que não precisam. Raros companheiros encarnados conseguem viver sem a contradição. (Os Mensageiros.  Cap. 28. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier )

            O Espírito  André Luiz relata que "a maioria dos homens encarnados está simplesmente ensaiando o espírito de serviço e aprendendo a trabalhar nos diversos setores da vida humana. Por isso mesmo, é imprescindível fixar as remunerações terrestres com maior atenção. Todo o ganho externo do mundo é lucro transitório. Vemos trabalhadores obcecados pela questão de ganhar, transmitindo fortunas vultosas à inconsciência e à dissipação; outros amontoam expressões bancárias que lhes servem de martírio pessoal e de ruína à família. Por outro lado, é indispensável considerar que setenta por cento dos administradores terrenos não pesam os deveres morais que lhes competem e que a mesma porcentagem pode ser adjudicada a quantos foram chamados à subordinação. Vivem, quase todos, a confessar ausência do impulso vocacional, recebendo embora os proventos comuns aos cargos que ocupam." ( Nosso lar. Cap. 22. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier )

            Quando o espírito reencarna, promete cumprir o programa de serviços do Pai; entretanto, ao recapitular experiências no planeta, é muito difícil fazê-lo, para só procurar o que lhe satisfaça ao egoísmo. (  Nosso lar. Cap. 12. Espírito André Luiz.  Psicografado por Chico Xavier )

            O Espírito André Luiz relata que grande parte dos cooperadores de “Nosso Lar” fracassam nas missões da mediunidade e da doutrinação:

            “Desde as primeiras tarefas do Espiritismo renovador, Nosso Lar tem enviado diversas turmas ao trabalho de disseminação de valores educativos.

            Centenas de companheiros partem daqui anualmente, aliando necessidades de resgate ao serviço redentor; mas ainda não conseguimos os resultados desejáveis. Alguns alcançaram resultados parciais nas tarefas a desenvolver, mas a maioria tem fracassado ruidosamente. Nossos institutos de socorro debalde movimentam medidas de assistência indispensável. Raríssimos conquistam algum êxito nos delicados misteres da mediunidade e da doutrinação.

            “Outras colônias de nossa esfera providenciam tarefas da mesma natureza, mas pouquíssimos são os que se lembram das realidades eternas, no outro lado do véu... A ignorância domina a maioria das consciências encarnadas.

            E a ignorância é mãe das misérias, das fraquezas, dos crimes. Grandes instrutores, nos fluidos da carne, amedrontam-se por sua vez, diante dos atritos humanos, e se recolhem, indevidamente, na concepção que lhes é própria.

            Esquecem-se de que Jesus não esperou que os homens lhe atingissem as glórias magnificentes e que, ao invés, desceu até ao plano dos homens para amar, ensinar e servir. Não exigiu que as criaturas se fizessem imediatamente iguais a Ele, mas fez-se como os homens, para ajudá-los na subida áspera”.

            E, com profundo brilho no olhar, Telésforo acentuou, depois de pequeno Intervalo:

            – “Se o Mestre Divino adotou essa norma, que dizer das nossas obrigações de criaturas falidas? Abstraindo-nos das necessidades imensas de outros grupos, procuremos identificar as falhas existentes naqueles que nos são afins. Em derredor de nós mesmos, os laços pessoais constituem extenso campo de atividade para o testemunho. Cesse, para nós outros, a concepção de que a Terra é o vale tenebroso, destinado a quedas lamentáveis, e agasalhemos a certeza de que a esfera carnal é uma grande oficina de trabalho redentor.

            Preparemo-nos para a cooperação eficiente e indispensável. Esqueçamos os erros do passado e lembremo-nos de nossas obrigações fundamentais.

            “A causa geral dos desastres mediúnicos é a ausência da noção de responsabilidade e da recordação do dever a cumprir.

            “Quantos de vós fostes abonados, aqui, por generosos benfeitores que buscaram auxiliar-vos, condoídos de vosso pretérito cruel? Quantos de vós partistes, entusiastas, formulando enormes promessas? Entretanto, não soubestes recapitular dignamente, para aprender a servir, conforme os desígnios superiores do Eterno. Quando o Senhor vos enviava possibilidades materiais para o necessário, regressáveis à ambição desmedida; ante o acréscimo de misericórdia do labor intensificado, agarrastes a ideia da existência cômoda; junto às experiências afetivas, preferistes os desvios sexuais; ao lado da família, voltastes à tirania doméstica, e aos interesses da vida eterna sobrepusestes as sugestões inferiores da preguiça e da vaidade.

            Destes-vos, na maioria, à palavra sem responsabilidade e à indagação sem discernimento, amontoando atividades inúteis. Como médiuns, muitos de vós preferíeis a inconsciência de vós mesmos; como doutrinadores, formuláveis conceitos para exportação, jamais para uso próprio.

            “Que resultado atingimos? Grandes massas batem às fontes do Espiritismo sagrado, tão só no propósito de lhe mancharem as águas. Não são procuradores do Reino de Deus os que lhe forçam, desse modo, as portas, e sim caçadores dos interesses pessoais. São os sequiosos da facilidade, os amigos do menor esforço, os preguiçosos e delinquentes de todas as situações, que desejam ouvir os Espíritos desencarnados, receosos da acusação que lhes dirige a própria consciência. O fel da dúvida invade o bálsamo da fé, nos corações bem intencionados. A sede de proteção indevida azorraga os seguidores da ociosidade. A ignorância e a maldade entregam-se às manifestações inferiores da magia negra.

            “Tudo porque, meus irmãos? Porque não temos sabido defender o sagrado depósito, por termos esquecido, em nossos labores carnais, que Espiritismo é revelação divina para a renovação fundamental dos homens. Não atendemos, ainda, como se faz indispensável, à construção do Reino de Deus em nós.

            “Contudo, não abandonemos nossos deveres a meio da tarefa. Voltemos ao campo, retificando as semeaduras. O Ministério da Comunicação vem incentivando esse movimento renovador. Necessitamos de servidores de boa vontade, leais ao espírito da fé. Não serão admitidos os que não desejarem conhecer a glória oculta da cruz do testemunho, nem atendem aqui os que se aproximem com objetivos diferentes...

            “Aqui estamos todos, companheiros da Comunicação, endividados com o mundo, mas esperançosos de êxito em nossa tarefa permanente. Levantemos o olhar. O Senhor renova diariamente nossas benditas oportunidades de trabalho, mas, para atingirmos os resultados precisos, é imprescindível sejamos seguidores da renunciação ao inferior. Nenhum de nós, dos que aqui nos encontramos, está livre do ciclo de reencarnações na Crosta. Todos, portanto, somos sequiosos de Vida Eterna. Não olvidemos, desse modo, o Calvário de Nosso Senhor, convictos de que toda saída dos planos mais baixos deve ser uma subida para a esfera superior. E ninguém espere subir, espiritualmente, sem esforço, sem suor e sem lágrimas!...” ( Os Mensageiros. Cap. 6. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier )

 

Bibliografia :

-  O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap.  17. Item 7. Allan Kardec.

-  O Livro dos Espíritos.  Questão 559. Allan Kardec.

- Histórias que Jesus contou. Cap. 8. Clóvis Tavares.

- Evangelho dos Humildes.  Cap. 21. Eliseu Rigonatti .

- Parábolas evangélicas.  Cap. 8. Rodolfo Calligaris .

  Renovando atitudes. Cap. 4. Espírito Hammed. Psicografado por Francisco do Espírito Santo Neto .

- Depois da morte. Cap. 43. León Denis.

- Jesus e  atualidade. Cap. 8. Espírito Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo Franco.

- As maravilhosas parábolas de Jesus.   Paulo Alves Godoy.

- Vida e sexo.  Amor livre. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier .

- Os Mensageiros.  Cap. 6 e 28. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier.

- Nosso lar. Cap. 12 e 22. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier.

- Tocando o barco.  Cap. 13. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier .

- O Consolador. Questão 362. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier .

- O Evangelho de Chico Xavier.  Item 40 e 41. Chico Xavier / Carlos A. Bacelli .

- Nas pegadas do Mestre. O estribilho fatal. Vinícius .

- Em busca do Mestre. Vinícius .

- Site: http://michaelis.uol.com.br/busca?id=45Kp. Data de consulta: 15-01-18