Aula 106 - A porta estreita

Ciclo 1 - História: Os gêmeos - Atividade: PH - Jesus - 66 -  Porta estreita.

Ciclo 2 - História: O aprendiz desapontado - Atividade: ESE - Cap. 18 - 2 - A porta estreita.

Ciclo 3 - História: No portal da luz - Atividade: PH - Jesus - 67 - Porta da salvação.

 

Dinâmicas: Porta estreita e porta larga; Por onde é mais fácil passar?; As portas de passagem.

Jogo : Jogo da trilha - Porta estreita e porta larga (Produzido por Simone Anastácio).

Mensagens espíritas: Porta  para salvação.

Sugestão de vídeos:

- História : Midinho - A porta estreita (Dica: Pesquise no Youtube)

- Música Espírita: Obesidade moral - Cancioneiro Espírita Volta. 1.  (Dica: pesquise no Youtube)

Sugestão de livros infantis:

- A vida fala III. O Aprendiz Desapontado. Editora FEB.

- O castelo . Dora S. Volk. Editora IDE.

 

Leitura da Bíblia: Mateus - Capítulo 7


7.13 Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela.


7.14 Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram.


 

Lucas - Capítulo 13


13. 23 Alguém lhe perguntou: "Senhor, serão poucos os salvos?"


13.24 "Esforcem-se para entrar pela porta estreita, porque eu digo a vocês que muitos tentarão entrar e não conseguirão.


13.25 Ele lhes disse: Quando o dono da casa se levantar e fechar a porta, vocês ficarão do lado de fora, batendo e pedindo: 'Senhor, abre-nos a porta'. "Ele, porém, responderá: 'Não os conheço, nem sei de onde são vocês'.


13.26 "Então vocês dirão: 'Comemos e bebemos contigo, e ensinaste em nossas ruas'.


13.27 "Mas ele responderá: 'Não os conheço, nem sei de onde são vocês. Afastem-se de mim, todos vocês, que praticam o mal!'


13.28 "Ali haverá choro e ranger de dentes, quando vocês virem Abraão, Isaque e Jacó e todos os profetas no Reino de Deus, mas vocês excluídos.


13.29 Pessoas virão do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e ocuparão os seus lugares à mesa no Reino de Deus.


13.30 De fato, há últimos que serão primeiros e primeiros que serão últimos".


 

 

Tópicos a serem abordados :

- Neste trecho do Evangelho, Jesus afirma que a porta larga leva a perdição e a porta estreita  conduz à salvação, porém são poucos que a encontram.  Mas o que seria a salvação da alma ? Conseguir salvar-se, significa  livrar-se da ruína ou perigo, a fim de prosseguirmos em paz, para construção da felicidade que desejamos. O Evangelho de Jesus  é o roteiro seguro para todos aqueles que querem preservar-se do mal e trilhar o caminho para a evolução. Depende unicamente de nós seguir o caminho do bem , que nos fará felizes; ou o do mal , que nos conduzirá ao sofrimento. Conforme a escolha que fizermos, entraremos por uma dessas portas.

- A porta simboliza o local de passagem entre dois mundos,  um conhecido e o outro desconhecido (1) . A porta estreita é a entrada para evolução espiritual; a porta larga é a entrada para ilusão material. A porta estreita é mais difícil de entrar, porque exige muito esforço para vencer as dificuldades do caminho , deixar as más tendências  e cultivar as virtudes que nos levam a perfeição.  A porta larga é fácil de ultrapassar   , porque não exige estudo ou trabalho, além disso, oferece uma série de diversões que nos levam aos vícios e atitudes ruins. É natural procurar o bem-estar e o lazer, Deus não o condena, mas não devemos viver uma vida sem utilidade,  pois há hora e lugar para nos divertirmos, com responsabilidade.

- Para compreendermos melhor estes ensinos do Mestre, poderíamos fazer a seguinte comparação: Quando nos predispomos a viajar de avião para um país vizinho, levamos conosco somente o necessário: roupas, calçados e um pouco de dinheiro. E mesmo que quiséssemos levar muita coisa em nossa bagagem, poderíamos ser impedidos, no aeroporto, por excesso de peso. E se estivéssemos empreendendo uma viagem para o outro lado da vida? O que deveríamos levar? Somente aquilo que fosse possível de ser passado pela porta estreita, ou seja,  deveríamos levar apenas os bens espirituais (1) .

-  Os que trabalham, praticam o amor, a caridade, a humildade, a tolerância, o desinteresse, a dedicação para com todos, bem cumprindo suas provas e resistindo as más tendências , através das diversas encarnações necessárias à sua purificação e ao seu progresso, são os que conseguem entrar pela porta estreita.

- A expressão "choro e ranger de dentes" ,utilizada para aqueles que não conseguiram entrar, é simbólica . Significa os sofrimentos morais que o Espírito endurecido , obrigatoriamente,  terá de passar, por ter optado pelo caminho do mal.  No entanto, a duração do castigo é proporcional à persistência do Espírito no erro. Deus, sendo soberanamente justo e bom, não condena suas criaturas a castigos eternos pelas faltas temporárias; oferece-lhes em qualquer ocasião meios de progredir e reparar a mal que elas praticaram.

- O Espiritismo nos ensina que, cedo ou tarde, todos os Espíritos conquistarão o Reino de Deus.  Jesus disse: "Eis que os últimos serão os  primeiros e os primeiros serão os últimos " . Os primeiros são os espíritos que iniciaram a sua caminhada, mas não fizeram esforços para evoluir, então, retardaram-se e ficaram para trás.  Os últimos são aqueles que começaram depois destes a sua trajetória, mas por persistirem no bem,  alcaçaram primeiramente a perfeição .

Comentário (1): http://www.ceismael.com.br/artigo/porta-estreita.htm. Data da consulta : 10-12-2017.

 

Perguntas para fixação:

1.  Qual é a porta que poucos conseguem entrar?

2. Qual é a porta que a grande maioria consegue entrar?

3. O que seria a salvação da nossa alma?

4. As portas simbolizam a passagem para onde?

5. Por que a porta estreita é difícil de entrar?

6. Por que a porta larga é fácil de entrar?

7. Quais são as caracteristicas daqueles que entram pela porta estreita?

8. Qual será a conseqüência para aqueles que entraram pela porta larga?

9. O que significa a frase dita por Jesus "Eis que os últimos serão os  primeiros e os primeiros serão os últimos"?

 

 

Subsídio para o Evangelizador :

        Quando Jesus iniciou o Seu ministério, produziu um impacto jamais ocorrido em qualquer época, convidando todos à alteração de conduta para a misericórdia, a bondade e o amor...

        Abandonado, sistematicamente, o povo era instrumento das manobras políticas e da astúcia dos inescrupulosos sacerdotes e de outros esbirros do poder temporal, relegado ao desprezo e à indiferença.

        O Seu verbo quente e gentil traçava normativas de vida e de renovação, proporcionando dignidade e recuperação dos valores morais perdidos.

        Não eram as aquisições externas que importavam, mas as incomparáveis aquisições do Espírito, que o acompanhariam indefinidamente, o que proporcionava um sentido existencial de alta significação.

        Como, porém reverter o comportamento de submissão desse povo, considerando-se estar secularmente esmagado pelo poder temporal? Como despertar as consciências que foram bloqueadas nas suas mais elevadas reflexões sob o espezinhar dos dominadores? Como libertar da situação deplorável as vidas que se submetiam às injunções perversas e haviam perdido a capacidade de escolha, de discernimento, de decisão?

        Submetido ao mais baixo nível social, não podia, esse povo amargurado, conceber que existem valores preciosos que transcendem às aparências soberbas.

        Jesus compreendia a situação desastrosa da cultura de subserviência, de exploração, de iniquidade.

        Por isso, tomado de profunda compaixão, assumiu as suas dores, e transformou-as em cânticos de incomparável beleza.

Usando o valioso recurso das parábolas, ensinava-o a ver na escuridão, a escutar na balbúrdia, a viver no opróbrio, porém, dele saindo de imediato.

        O Seu fascínio tornou-se inevitável, e a Sua energia mudou para sempre a lamentável situação da ralé, acenando-Ihe com as possibilidades de elevação moral e espiritual.

        A questão tornara-se grave, porque a esse povo sofrido nenhuma bênção ou concessão de misericórdia era reservada, mesmo depois da morte do corpo...

        A religião fora transformada em recurso de exploração da ignorância, de usurpação dos últimos recursos daqueles que ainda sobreviviam e eram atirados à exclusão.

        Preces pagas, oferendas a Deus, mediante o sacrifício de aves e de animais, o formalismo exterior hipócrita, as superstições e os privilégios destinados aos ricos e abonados, aos triunfadores de um momento, não permitiam que surgisse lugar para os humildes lavradores, pescadores, trabalhadores braçais, embora indispensáveis, sobre os quais eram descarregados os mais terríveis flagícios...

        Jesus conseguiu demarcar de maneira vigorosa qual era o sacrifício mais agradável a Deus e quais os deveres para com Mamon e para com o Pai Celestial.

        Foi então, que num dia de júbilos da Boa Nova, quando seguia com os Seus a Jerusalém, alguém acercando-se dele, perguntou-Lhe:

        — (...) Senhor, são poucos os que se salvam? ( Lucas, 13:22 a 27).

        Tomando da palavra e iluminando-a com a Verdade, respondeu-lhe:

        — Porfiai por entrar pela porta estreita; porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão.

        E, solícito, explicou que um pai levantara-se e fechara a porta da casa, enquanto os que estavam do lado de fora, surpresos, solicitaram:

        — (...) Senhor, Senhor, abre-nos; e, respondendo ele, vos disse:

        — não sei de onde vós sois;

        Logo lhe disseram:

        — Temos comido e bebido na tua presença, e tu tens ensinado nas nossas ruas.

        Ele, porém, retrucou:

        — Digo-vos que não sei de onde vós sois; apartai-vos de mim, vós todos os que praticais a iniquidade.

        (...) E referiu-se às dores acerbas que aguardam os invigilantes, os irresponsáveis, aqueles que, embora havendo convivido com Ele, optaram pelos torpes comportamentos em que se compraziam.

        O caminho áspero na Terra é a senda segura para alcançar-se o Reino.

        Não raro, as preocupações materiais com o êxito terreno anulam as realizações transcendentes, substituindo os ideais de enobrecimento.

        O véu da carne obscurece a lucidez mental, e o aprimoramento na organização fisiológica dá a sensação de perenidade, de que tudo sempre transcorrerá bem, sem obstáculos, sem conflitos.

        A realidade, porém, é bem diversa, enquanto no veículo da transitoriedade humana, pois que, a cada momento, sofre alterações que se transformam em fenômenos graves quando se é constrangido a enfrentar as doenças, os transtornos emocionais, a desencarnação.

        Sem qualquer dúvida, o ser humano tem o direito de usufruir os recursos formosos do corpo físico, especialmente aqueles que facultam viver em nível de alegria e de paz, dele utilizando-se para os investimentos imortalistas.

        A passagem do Mestre pela Terra, transformadora e eficiente, fincou raízes na psicosfera do Planeta e nas fibras mais íntimas daqueles que O ouviram, a fim de que pudessem repetir os Seus ensinamentos no curso da História, por todo o tempo porvindouro...

        Aqueles dias, de alguma forma assemelham-se a estes dias da sociedade iluminada pelo conhecimento e atormentada nos sentimentos, cambaleante e exausta do prazer ilusório, anelando pela paz e pela real significação existencial.

        Realmente, é estreita a porta da salvação, mas encontra-se acessível a todos quantos a desejem ultrapassar...(Vivendo com Jesus. Cap. 26. Caminhos estreitos e ásperos. Espírito Amélia Rodrigues. Divaldo Franco )

        Como entender a salvação da alma e como conquista-la?

        -Dentro das claridades espirituais que o Consolador vem espalhando nos bastidores religiosos e filosóficos do mundo de si mesma, a caminho das mais elevadas aquisições e realizações no Infinito. Considerando esse aspecto real do problema de “salvação da alma”, somos compelidos a reconhecer que, se a Providência Divina movimentou todos os recursos indispensáveis ao progresso material do homem físico na Terra, o Evangelho de Jesus é a dádiva suprema do Céu para a redenção do homem espiritual, em marcha para o amor e sabedoria universais.

        -Jesus é o Modelo Supremo.

        O Evangelho é o roteiro para a ascensão de todos os Espíritos em luta, o aprendizado na Terra para os planos superiores do Ilimitado. De sua aplicação decorre a luz do espírito.

        No turbilhão das tarefas de cada dia, lembrai a afirmativa do Senhor: - “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Se vos cercam as tentações de autoridade e poder, de fortuna e inteligência, recordai ainda as suas palavras: - “Ninguém pode ir ao Pai senão por mim”. E se vos sentis tocados pelo sopro frio da adversidade e da dor, se estais sobrecarregados de trabalhos no mundo, buscai ouvi-lo sempre no imo dalma:         - “Quem deseje encontrar o Reino de Deus tome a sua cruz e siga os meus passos”. (O Consolador. Questão 225. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier)

        Segundo o Espírito André Luiz, salvação significa : '' Libertação e preservação do espírito contra o perigo de maiores males, no próprio caminho, a fim de que se confie à construção da própria felicidade, nos domínios do bem, elevando-se a passos mais altos de evolução. (Livro: O Espírito da Verdade. Espírito André Luiz. Chico Xavier e Waldo Vieira)

        A salvação é contínuo trabalho de renovação e de aprimoramento. (No Mundo Maior. Cap. 15. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

        O caminho da salvação, por conseguinte, é o caminho do dever. Quem não o cumpre na medida de seus conhecimentos e de acordo com as injunções de sua consciência, não está trilhando a senda apertada; está perdido, perambula em vão, sem encontrar o senso da vida.

        O dever é, por sua natureza, complexo e gradativo. A quem muito é dado, muito é exigido. A elevação intelectual e moral traz grandes vantagens e benefícios, mas acarreta maior soma de deveres. Daí a luta constante travada entre o espírito e a carne. O Espírito compreende que é mister vencer a escabrosidade do carreiro estreito e pedregoso que conduz à vida, mas a carne propende para a estrada larga e cômoda que nenhuma dificuldade ou restrição oferece.

        Enquanto a carne tem ganho de causa, o espírito permanece escravizado ao mundo, às paixões e aos vícios. À proporção, porém, que ele vai adquirindo supremacia, são as paixões e os vícios que se rendem, vencidos pelo espírito que então se apossa da vida eterna.

        Tal é a verdadeira salvação, segundo o ensino transcendente do Evangelho de Jesus-Cristo. Por isso mesmo é que não a conseguimos com facilidade: é preciso porfiar muito através do caminho do dever que, como se sabe, é estreito e bordado de espinhos. E, por ser assim, poucos são os que acertam com ele. ( Nas pegadas do Mestre.  A porta Estreita. Vinícius)

        A Estrada da Evolução é apertada, poucos são os que acertam com ela, mas grande é o número dos que não querem acertar, pois ouviram dizer que ela é “apertada”.

        A Estrada da Degradação é larga, muitos são os que por ela passam e dela não querem sair, por ser espaçosa e facultar-lhes uma série considerável de diversões.

        A Estrada do Progresso vê-se com os olhos da alma, e a alma a deseja, ardentemente, para a aquisição de seus destinos felizes; a da Degradação proporciona no presente os gozos efêmeros do mundo e o homem material por ela caminha preso a essas delícias perecíveis.

        A Estrada do Progresso, por ser apertada, exige conhecimentos, reclama atenção, critério, raciocínio, para que não se decline para a direita ou para a esquerda.

        A Estrada da Degradação é guarnecida de todos os atrativos, festejada com todas as músicas: nela os cinco sentidos humanos se fascinam, embriagam-se pelas sensações exteriores, aniquilando o Espírito que fala à consciência, adormecendo a alma que deixa de agitar a razão. ( Parábolas e Ensinos de Jesus. As duas estradas e as duas portas. Cairbar Schutel )

        A porta estreita revela o acerto espiritual que nos permite marchar na senda evolutiva, com o justo aproveitamento das horas.

        A porta larga expressa-nos o desequilíbrio interior, com que somos forçados à dor da reparação, com lastimáveis perdas de tempo.

        (...) A travessia de uma das portas é ação compulsória para todas as criaturas.

        Porta larga – entrada na ilusão – saída pelo reajuste...

        Porta estreita – saída do erro – entrada na renovação...(O Espírito da verdade. Cap. 14. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier e Waldo Vieira )

        Larga é a porta da perdição, porque são numerosas as paixões más e porque o maior número envereda pelo caminho do mal. E estreita a da salvação, porque a grandes esforços sobre si mesmo é obrigado o homem que a queira transpor, para vencer suas más tendências, coisa a que poucos se resignam. É o complemento da máxima: "Muitos são os chamados e poucos os escolhidos."  ( O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 18. Item 5. Allan Kardec )

        A porta estreita e o caminho espaçoso indicam os esforços que o Espírito falido tem que fazer, assim como as fadigas, as dores e aflições que deve suportar, para alcançar a vida eterna, esforços objetivando despojar-se de seus vícios e imperfeições morais e fadigas resultantes dos que empregue por tomar o caminho do bem e por fazer que lhe nasçam no coração os sentimentos opostos àqueles vícios.

        Os que trabalham, praticam o amor, a caridade, a humildade, a tolerância, o desinteresse, a dedicação para com todos, bem cumprindo suas provas e resistindo aos maus instintos, às tendências más, através das sucessivas encarnações necessárias à sua purificação e ao seu progresso, esses são os que encontram a porta estreita e o caminho apertado.

        A porta larga e o caminho espaçoso, que conduzem à perdição e pela qual em tão grande número entram os homens, são o orgulho, o egoísmo, a ambição, com todos os seus derivados: a cupidez, a avareza, a inveja, a luxúria, a intemperança, a cólera, a preguiça, o materialismo, a incredulidade, a intolerância, o fanatismo; de modo geral — a maldade, pela palavra ou pelos atos, sob todas as formas e em todos os graus.

        Eu sou a porta; aquele que entrar por mim será salvo, disse Jesus (João, capítulo 10º, versículo 9). Por ser o conjunto de todas as perfeições, Jesus se apresentou como a personificação da porta estreita, a fim de que, por uma imagem objetiva, melhor os homens compreendessem o que significa entrar por essa porta, para alcançar a vida eterna.

        Assim falando, usou Ele de uma figura, que tem de certo modo o seu símile em Mara, lugar a que chegou sequioso o povo hebreu, conduzido por Moisés, depois de haver atravessado o Mar Vermelho e o deserto de Sur, e onde não pôde matar a sede que o devorava por serem amargosas as águas, que, no entanto, se tornaram doces, logo que Moisés lançou nelas o lenho que o Senhor lhe mostrou. A partir daí é que aquele sítio se ficou chamando Mara, que quer dizer — amargura (Êxodo, capítulo 15º, versículos 23 ao 25). São amarguras que depuram e purificam o Espírito, preparando-o para o gozo da bem-aventurança. Nos momentos de aflição e angústia, é que mais esplende a fé. Na cruz, é que a paciência e a esperança se firmam.

        Procurando seguir a Jesus, toparemos com muitos veios de amargosas águas. Não murmuremos, porém, nem desanimemos, porqüanto, perto de cada Mara a que chegarmos, encontraremos, se obedecermos às vozes do Senhor, a nossa Elim, com as suas fontes de água deliciosa e as suas umbrosas palmeiras (Êxodo, capítulo 15º, versículo 27), onde acamparemos felizes e nos refaremos de todos os cansaços da jornada.

        O cálice é amargo para um coração terno, porém o Cristo pode torná-lo de grande doçura. Eu sou, eu mesmo sou o que apago as tuas iniqüidades por amor de mim e não me lembrarei de teus pecados. (ISAÍAS, capítulo 43º, versículo 25).

        Perguntai a Daniel, atirado à ferocidade dos leões; aos prisioneiros, lançados na fornalha ardente; a Paulo, no cárcere, a todos os gloriosos Espíritos que esgotaram o cálice do martírio, se algum amargor lhe acharam. Todos decerto responderão que nada de amargo tinha, porque com eles estava Jesus.

        Todos nós amargas águas sorvemos neste mundo. Doces, no entanto, elas se tornarão, desde que, abraçados à cruz fincada no cimo do Calvário, plenamente confiemos no Pai de infinita misericórdia, que a nenhum de seus filhos esquece, pensando nos que pelo sacrifício se redimiram do pecado e alcançaram a glória eterna. Os que vieram de uma grande tribulação e lavaram suas roupas e as embranqueceram no sangue do Cordeiro, o Cordeiro, que está no meio do trono, os guardará e os levará às fontes das águas da vida e enxugará Deus toda a lágrima dos olhos deles. (Apocalipse, capítulo 7º, versículo 17). (Elucidações Evangélicas. Cap. 39. Antônio Luiz Sayāo )

        É árduo, escabroso, cheio de espinhos e urzes, o caminho que nos leva à Casa do Pai.

        Muitos recuam dele, amedrontados com os obstáculos que terão de superar. Esses são os que não podem passar pela porta estreita. Aquele, porém, que segue sempre a senda que a sua consciência lhe traça, ouvindo-lhe os conselhos e pondo-os em prática, esse transpõe facilmente a porta da salvação, por mais estreita que pareça. Ao aproximar-se dela, verá que se torna ampla e aberta de par em par, a fim de deixá-lo passar.

        Muitos procurarão passar e não poderão. São os que tentam, mas não perseveram. Os espíritas devem tomar para si essas palavras. Muitos, de fato, são os que, vendo entreaberta a porta, para ela se encaminham, mas com passo incerto e hesitante, levando consigo o cortejo de vícios, fraudes e impurezas que os acompanha. O caminho, entretanto, cada vez se lhes alonga mais e a porta volta gradualmente a fechar-se. Quer isso dizer que só uma consciência pura nos pode conduzir até essa porta e fazer que a transponhamos.

        (...) Não basta que o homem se intitule profitente, desta ou daquela religião; é preciso que pratique a moral, que toda se contém, como o disse Jesus, no duplo mandamento: Amar a Deus e amar ao próximo. Não basta dizer: Senhor! Senhor! É preciso fazer a vontade do Pai, que está nos céus.(Elucidações Evangélicas. Cap. 40. Antônio Luiz Sayāo )

        Jesus prescreveu: "Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça; tudo o mais vos será dado por acréscimo." Os homens, invertendo este preceito, fazem exatamente o contrário: buscam tudo o mais, e esperam que o reino de Deus lhes seja dado por acréscimo à última hora.

        (...) Os homens fogem espavoridos do caminho estreito do dever, fogem das lutas e das porfias na formação do caráter, na obra do aperfeiçoamento próprio, para enveredarem pela estrada larga e cômoda da hipocrisia, das fraudes e das prevaricações. São partidários incondicionais da vida fácil, onde vicejam os vícios e as paixões bastardas; e são adversários da vida simples, modesta e laboriosa onde medra a virtude e onde se alcança a sabedoria.

        Como estranhar, pois, que o homem se debata no meio de angústias e de aflições e verta lágrimas através de guerras, de pestes, fome e calamidades de toda a espécie, uma vez que ele inverte completamente os preceitos da moral evangélica; uma vez que ele age em tudo e por tudo em flagrante e afrontoso antagonismo com a lei divina, que é a lei natural revelada pelo Cristo de Deus? (Em torno do Mestre. Inversões fatais. Vinícius )

        Tal o estado da Humanidade terrena, porque, sendo a Terra mundo de expiação, nela predomina o mal. Quando se achar transformada, a estrada do bem será a mais freqüentada.

        Aquelas palavras (ditas por Jesus) devem, pois, entender-se em sentido relativo e não em sentido absoluto. Se houvesse de ser esse o estado normal da Humanidade, teria Deus condenado à perdição a imensa maioria das suas criaturas, suposição inadmissível, desde que se reconheça que Deus é todo justiça e bondade.

        Mas, de que delitos esta Humanidade se houvera feito culpada para merecer tão triste sorte, no presente e no futuro, se toda ela se achasse degredada na Terra e se a alma não tivesse tido outras existências? Por que tantos entraves postos diante de seus passos? Por que essa porta tão estreita que só a muito poucos é dado transpor, se a sorte da alma é determinada para sempre, logo após a morte? Assim é que, com a unicidade da existência, o homem está sempre em contradição consigo mesmo e com a justiça de Deus. Com a anterioridade da alma e a pluralidade dos mundos, o horizonte se alarga; faz-se luz sobre os pontos mais obscuros da fé; o presente e o futuro tornam-se solidários com o passado, e só então se pode compreender toda a profundeza, toda a verdade e toda a sabedoria das máximas do Cristo. ( O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 18. Item 5. Allan Kardec )

        Se a existência atual fosse única e devesse decidir sozinha sobre o futuro da alma para a eternidade, qual seria o destino das crianças que morrem em tenra idade? Não tendo feito nem bem nem mal, elas não merecem nem recompensas nem punições. Segundo a palavra do Cristo, sendo cada um recompensado segundo suas obras, elas não têm direito à felicidade perfeita dos anjos, nem merecem ser dela privadas. Diga-se que poderão, em uma outra existência, realizar o que não puderam naquela que foi abreviada, e não há mais exceções.  (O Espiritismo em Sua Expressão Mais Simples. Resumo do ensinamento dos espíritos. Item 25. Allan Kardec )

        Pelo mesmo motivo, qual seria a sorte dos cretinos, idiotas? Não tendo nenhuma consciência do bem e do mal, não têm nenhuma responsabilidade por seus atos. Deus seria justo e bom tendo criado almas estúpidas para destiná-las a uma existência miserável e sem compensações? Admita- se, pelo contrário, que a alma do idiota e do cretino é um Espírito em punição dentro de um corpo impróprio para exprimir seu pensamento, onde ele é como um homem fortemente aprisionado por laços, e não se terá mais nada que não seja conforme com a justiça de Deus. (O Espiritismo em Sua Expressão Mais Simples. Resumo do ensinamento dos espíritos. Item 26. Allan Kardec )

        A encarnação não foi imposta ao Espírito, no princípio, como uma punição; ela é necessária ao seu desenvolvimento e para a realização das obras de Deus, e todos devem resignar-se a ela, tomem o caminho do bem ou do mal; só que os que seguem o caminho do bem, avançando mais rapidamente, demoram menos a chegar ao fim e lá chegam em condições menos penosas. (O Espiritismo em Sua Expressão Mais Simples. Resumo do ensinamento dos espíritos. Item 9. Allan Kardec )

        O Espírito culpado é punido pelos sofrimentos morais no mundo dos Espíritos, e pelas penas físicas na vida corpórea. Suas aflições são conseqüências de suas faltas, quer dizer, de sua infração à lei de Deus; de modo que constituem simultaneamente uma expiação do passado e uma prova para o futuro é assim que o orgulhoso pode ter uma existência de humilhação, o tirano uma vida de servidão; o rico mau uma encarnação de miséria. (O Espiritismo em Sua Expressão Mais Simples. Resumo do ensinamento dos espíritos. Item 17. Allan Kardec )

        Deus, sendo soberanamente justo e bom, não condena suas criaturas a castigos perpétuos pelas faltas temporárias; oferece-lhes em qualquer ocasião meios de progredir e reparar a mal que elas praticaram. Deus perdoa, mas exige o arrependimento, a reparação e o retorno ao bem, de modo que a duração do castigo é proporcional à persistência do Espírito no mal; conseqüentemente, o castigo seria eterno para aquele que permanecesse eternamente na mau caminho, mas, assim que um sinal de arrependimento entra no coração do culpado, Deus estende sobre ele sua misericórdia. A eternidade das penas deve assim ser entendida no sentido relativo, e não no sentido absoluto. (O Espiritismo em Sua Expressão Mais Simples. Resumo do ensinamento dos espíritos. Item 20. Allan Kardec )

        Por que o homem faz idéias tão grosseiras e absurdas das penas e dos gozos da vida futura? Inteligência ainda não suficientemente desenvolvida. A criança   compreende da mesma maneira que o adulto ? Aliás, isso depende também do   que se lhe tenha ensinado: é nesse ponto que há necessidade de uma reforma.   Vossa linguagem é muito imperfeita para exprimir o que existe além do vosso   alcance. Por isso, foi necessário fazer comparações, sendo essas imagens e   figuras tomadas como a própria realidade. Mas à medida que o homem se esclarece, seu pensamento compreende as coisas que a sua linguagem não   pode traduzir. ( O livro dos Espíritos. Questão 966. Allan Kardec )

        Os Instrutores Espirituais, com a sabedoria e a clareza de sempre, ensinam: não há tormentos eternos para os pecadores, mas, sim, “homens infernais criando infernos para si mesmos”. (Estudando o Evangelho. Cap. 50. Martins Peralva )

        Na realidade não há para o Espírito mais que duas alternativas, a saber: punição temporária e proporcional à culpa, e recompensa graduada segundo o mérito. Repele o Espiritismo a terceira alternativa, da eterna condenação. O inferno reduz-se à figura simbólica dos maiores sofrimentos cujo termo é desconhecido. O purgatório, sim, é a realidade. A palavra purgatório sugere a ideia de um lugar circunscrito: eis por que mais naturalmente se aplica à Terra do que ao Espaço infinito onde erram os Espíritos sofredores, e tanto mais quanto a natureza da expiação terrena tem os caracteres da verdadeira expiação. (O céu e o inferno. Primeira parte.  Cap. 5. Item 9. Allan Kardec )

        As locuções — choro, ranger de dentes — são empregadas em sentido alegórico. Exprimem as torturas morais por que forçosamente tem de passar o Espírito endurecido e consciente de que esse endurecimento é a causa única de seu sofrer.

        Conosco vivem de novo, presentemente, na Terra, dentre os Espíritos que acompanharam a Jesus, muitos que progrediram quanto à inteligência e ao saber, mas que, por desgraça deles, nenhum progresso fizeram, quanto à simplicidade do coração. Julgam possuir tudo; entretanto, chegados que seja o dia, verão a nudez de suas almas.(Elucidações Evangélicas. Cap. 40. Antônio Luiz Sayāo )

Segundo o espírito de  Platão, "Chegará o dia em que todos os homens, pelo arrependimento, se revistam da túnica da inocência e desde esse dia deixará de haver gemidos e ranger de dentes. " ( O Livro dos Espíritos. Questão 1009. Allan Kardec )

        Quando Jesus disse: "Do Oriente e do Ocidente, do Setentrião e do Meio-dia virão os que se hão de sentar à mesa no reino de Deus "(Lucas 13:29), faz alusão à comunhão de pensamentos e crenças, que reinará entre os homens, ao tempo da regeneração.

Alusão igualmente aos Espíritos depurados que virão de diversos outros planetas à Terra, quando também esta já se achar depurada, isto é, na época em que Jesus, Espírito da Verdade, baixará de novo ao nosso globo, de conformidade com o que nos está predito e anunciado.

        E eis que serão os últimos os que eram os primeiros e os primeiros serão os que eram os últimos. Os que primeiro se puseram a caminho, demandando a casa do Pai, mas não tiveram a perseverança necessária, retardaram-se e ficaram para trás dos que começaram depois a jornada e nela perseveraram. Aqueles são, em geral, os que, tomados de orgulho, se fiam em si exclusivamente. O mesmo orgulho lhes torna tardos os passos.

        Para Deus nada é o tempo que o Espírito gaste na realização do seu progresso. Para ele, o arrependimento e as virtudes são tudo. Assim o Espírito que tardiamente entrou na senda do bem, mas que por ela caminha com perseverança e atividade, pode não só alcançar, como ainda passar adiante do Espírito preguiçoso, senão culpado, que nenhum esforço faz, mesmo que tenha começado mais cedo a sua rota ascensional. (Elucidações Evangélicas. Cap. 40. Antônio Luiz Sayāo)

        Segundo  o Espírito de Joanna de Ângelis, "os primeiros, nas convenções sociais, são sempre aqueles que se esforçam, que triunfam, que conseguem romper as barreiras impeditivas do desenvolvimento convencional, granjeando fama e recebendo honrarias. Os últimos, são os desclassificados, os fracos, os incapazes de sobreporem às próprias deficiências o valor moral e suas manifestações de dignidade e de caráter.

Somente se poderá entender que os últimos são os primeiros, quando se analise outra proposta não menos perturbadora do Seu convite, informando que a porta é estreita, aquela que conduz à salvação, à libertação dos atavismos perniciosos e dos vícios, enquanto a do mundo é larga, prazerosa, de resposta imediata, porque totalmente aberta às sensações que se fazem insaciáveis, portanto, profundamente desgastantes, não compensadoras.

        A eleição da porta estreita, aquela que é resultado da luta intrapsíquica em favor das virtudes do equilíbrio, da sensatez, da perseverança nos ideais de enobrecimento, faculta que o candidato permaneça em último lugar na competitividade do mundo, a fim de ser o primeiro em espírito de paz, realizador do Reino dos Céus internamente, onde frui bem-estar e tem dilatados os horizontes das percepções extracorpóreas.

        Essas reflexões adaptam-se perfeitamente ao convite em torno do muitos são os chamados e poucos os escolhidos, considerando-se que se trata de um investimento especial na conquista de si mesmo, no desvelamento do Self, na superação dos caprichos egoicos.

        Em um estudo convencional, todos os seres encontram-se convidados ao triunfo interior, às conquistas externas, ao equilíbrio emocional, às realizações sociais, à harmonia de comportamento, às atividades edificantes no grupo em que se movimentam. Apesar disso, somente poucos cidadãos conseguem a identificação com todos esses compromissos. Não raro, uns se afadigam pelas posses, pelo conforto em detrimento da vida interior. Outros fogem do mundo e da sua convivência, perseguindo o silêncio e a interiorização, aturdidos, no entanto, com as paisagens conflitivas do inconsciente e os desejos infrenes do prazer não experienciado.

        Esse labor levaria à conquista e à união da anima com o animus, qual conseguiu Jesus, por isso mantendo-se sempre em sã conduta e saudável convivência com todos, sem qualquer tipo de tormento íntimo nem desajustamentos emocionais como pessoa e cidadão, inclusive recomendando que fosse pago o tributo a César, enquanto pregava e difundia o Reino de Deus.

        Nunca se permitiu o conflito dos dois mundos em litígio. Havia escolhido o melhor e, portanto, comportava-se de maneira equilibrada nesse de menor significado, mas igualmente importante.

        Desse modo, quando alguém elege o Reino de Deus, transforma-se interiormente, intentando alcançar o objetivo que tem em mente. A esses se pode aplicar o conceito de Jesus:

        — Porque muitos são os chamados e poucos os escolhidos.

        Em uma análise psicológica profunda, o escolhido é aquele que consegue o triunfo sobre a inferioridade moral, entregando-se com fidelidade à opção realizada, que o compensa interiormente com a alegria do bem que insculpe nos sentimentos.

        Quando essa disposição se estabelece e passa a governar o destino do ser, desaparecem-lhe as ambições do triunfo externo, porque compreende a sua desvalia, ou pelo menos não lhes atribui o significado hedonista de gozo exaustivo, que deixa sempre laivos de amargura e de frustração, sem compensar o esforço despendido pelo conseguir.

        Desaparece, por sua vez, o egoístico instinto de competitividade, que rende estipêndios para o orgulho, não preenchendo os vazios existenciais. O ser descobre que há prazeres mais significativos e reconfortantes que aqueles que se derivam da posse, da ostentação e do orgulho. Essas expressões do primarismo da consciência, o seu lado escuro, banham-se, por fim, de expressiva claridade com o discernimento daquilo que é importante em detrimento do que tem um sentido transitório, que satisfaz por um momento e não mais atende posteriormente.

        Essa é a grande luta da criatura humana educada para esmagar, para vencer os outros, mesmo que sob os camartelos dos conflitos internos que aturdem e degradam, levando-a ao desequilíbrio e à loucura.

        Em uma sociedade construída conforme os padrões do pensamento do Homem-Jesus, não vicejam as lutas pelos lugares proeminentes, porque aqueles que são portadores da hierarquia real, aquela que os distingue interiormente dos demais, sem os humilhar nem ferir, não estão realmente interessados no destaque comunitário nem na dominação das outras pessoas.

        Preocupam-se exclusivamente com a sua realidade de ser imortal, conscientes de que o descer da cortina é também o dealbar da madrugada perene.

        Em todos os cometimentos humanos, são muitos aqueles que se encontram convidados para realizações nobilitantes; no entanto, vestidos pela sombra, facilmente se desinteressam de prosseguir por falta da resposta compensadora aos vazios do ego, que se preocupa com o entulhar-se de preocupações e de lutas pela conquista da primazia.

        Há convites por toda parte, e nem todos os indivíduos têm olhos para ver nem ouvidos para ouvir, concitando-os à conquista de significados existenciais que os preencham de harmonia, direcionando os seus passos para os rumos melhores, aqueles que não frustram, nem levam a desesperos dispensáveis.

        O ser humano se encontra na Terra envolto em batalhas iluminativas cada vez mais severas. Superadas aquelas que tinham a ver com a existência física, e que remanescem nas guerras urbanas ou entre as nações, enfrenta as lutas no lar, no grupo social, no trabalho, mediante as quais adquire sabedoria e aprende a conquistar os altiplanos interiores.

        A medida que se robustece emocionalmente, mais desafiadores se tornam os combates, porque se transferem para o campo íntimo onde permanecem as heranças do processo de evolução já conquistada.

        Mediante a identificação com os objetivos que deseja alcançar, autoilumina-se e, recorrendo à oração, que é fonte inexaurível de energia, abastece-se e renova-se sem cessar, de modo a triunfar sobre as dificuldades que já não lhe obstaculizam o passo.

        Aqueles, portanto, que no mundo são tidos como ultrapassados, ingênuos, não credores da consideração mentirosa do convívio social doentio, são os últimos, apesar disso, perfeitamente integrados nos objetivos superiores da vida, tornam-se os primeiros no Reino dos Céus.

Indispensável considerar-se que no jogo das ilusões e na busca da realidade, caracterizam-se os seres psicologicamente infantis e os amadurecidos, que optam pelo melhor e perene, que souberam eleger aquilo que lhes é mais importante, em detrimento do convencional e aceito, imposto pelo convívio terrestre.

        Dessa forma, o esclarecimento de Jesus é relevante e deve ser meditado profundamente, porque muitos são os chamados e poucos os escolhidos." (Jesus e o Evangelho a luz da psicologia profunda. Cap. 25. Espírito Joana de Ângelis. Divaldo Franco )

 

Bibliografia :

- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 18. Item 5. Allan Kardec .

- O livro dos Espíritos. Questão 966 e 1009. Allan Kardec.

-  O céu e o inferno. Primeira parte.  Cap. 5. Item 9. Allan Kardec .

- O Espiritismo em Sua Expressão Mais Simples. Resumo do ensinamento dos espíritos. Item 9, 17, 20, 25 e 26. Allan Kardec. 

- Vivendo com Jesus. Cap. 26. Caminhos estreitos e ásperos. Espírito Amélia Rodrigues. Divaldo Franco .

- Jesus e o Evangelho a luz da psicologia profunda. Cap. 25. Espírito Joana de Ângelis. Divaldo Franco.

- O Consolador. Questão 225. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- O Espírito da verdade. Cap. 14. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier e Waldo Vieira .

- No Mundo Maior. Cap. 15. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier.

- Nas pegadas do Mestre.  A porta Estreita. Vinícius.

- Em torno do Mestre. Inversões fatais. Vinícius .

- Parábolas e Ensinos de Jesus. As duas estradas e as duas portas. Cairbar Schutel .

- Elucidações Evangélicas. Cap. 40. Antônio Luiz Sayāo.

- Estudando o Evangelho. Cap. 50. Martins Peralva.

- Bíblia: João 10:9