Aula 104 - O sal da terra e a luz do mundo - Os bons Espíritas*

Ciclo 2 - História: A força do exemplo - Atividade: ESE - Cap. 17 - 3 -  Os bons espíritas.

Ciclo 3 - História: O cartaz - Atividade: PH - Jesus - 64 - O sal da terra.

 

Dinâmicas: Sal da terra; Espíritas.

Mensagens espíritas: Espíritas.
Biografia: Jerônimo Mendonça (O gigante deitado).
Sugestão de vídeo: - Música Espírita: Brilhai - Cancioneiro Espírita (Dica:pesquise no Youtube)
Sugestão de livro infantil: - Gigante deitado. A história de Jerônimo Mendonça. Alex Guimarães. Editora Solidum.

 

Leitura da Bíblia:  Mateus - Capítulo  5 (Lucas 14:34-35)

5.13 Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.


5.14 Vós sois a luz do mundo.


5:16 Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus".


 

Salmos - Capítulo 82


82.6 Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo.


 

João - Capítulo 10


10.32 mas Jesus lhes disse: "Eu mostrei muitas boas obras da parte do Pai. Por qual delas vocês querem me apedrejar?"


10. 33 Responderam os judeus: "Não vamos apedrejá-lo por nenhuma boa obra, mas pela blasfêmia, porque você é um simples homem e se apresenta como Deus".


10.34 Jesus lhes respondeu: "Não está escrito na Lei de vocês: 'Eu disse: Vocês são deuses'?


10.35 Se ele chamou 'deuses' àqueles a quem veio a palavra de Deus (e a Escritura não pode ser anulada),


10.36 que dizer a respeito daquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo? Então, por que vocês me acusam de blasfêmia porque eu disse: Sou Filho de Deus?


 

Tópicos a serem abordados :

-Jesus disse:"Vós sois o sal da terra e a luz do mundo".Mas que relação haverá entre o sal e os discípulos do Senhor? Que pretendia o Mestre dizer com essas palavras? O sal é um mineral precioso, nós o vemos em grande quantidade na natureza. Ele é importante para manter nosso corpo físico em equilíbrio e além disso, possibita conservar certos alimentos, impedindo a decomposição deles. 

-A Química nos ensina que onde quer que o encontremos, seja na terra ou no mar, ele é sempre o mesmo:inalterável. O sal, além de se conservar puro, mantém-se incorruptível.O sal nunca recebe: sempre dá. Se o misturar com açúcar; este receberá a essência daquele, tornando-se salgado, porém, o sal jamais ficará doce recebendo a influência do açúcar.

- Jesus quer que os seus discípulos matenham o coração puro, incorruptível, que não receba má influência, assim como o sal matém suas qualidades preservadas. Os atuais discípulos de Jesus são os espíritas e, particularmente, os médiuns, chamados a trazer a novamente a luz no mundo: os ensinos do Evangelho.

-  O bom Espírita, que nada mais é do que o verdadeiro cristão, deve ser bom no meio dos maus; justo no meio da injustiça, honesto no meio dos desonestos; prudente no meio dos insensatos, humilde no meio dos orgulhosos; altruísta no meio dos egoístas; sincero no meio dos hipócritas; fiel no meio dos infiéis; resignado no meio dos revoltados; pacífico no meio dos belicosos; virtuoso, numa palavra, no meio de todos os vícios e de todas as paixões.

- No entanto, existem aqueles que se dizem espíritas, mas não praticam a Doutrina. Não auxiliam os pobres, não ensinam os ignorantes, não procuram aliviar o sofrimento alheio. Consideram a caridade cristã apenas uma bela máxima. São os espíritas imperfeitos. A que atribuir isso? A alguma falta de clareza da Doutrina? Não, pois que ela não contém alegorias nem figuras que possam dar lugar a falsas interpretações.

- Professar (exercer; declarar; reconhecer publicamente) a fé espírita não é tarefa fácil. É preciso abandonar os velhos hábitos (vícios e atitudes ruins) e transformar-se no homem novo, buscando sempre o autoconhecimento.  Esse processo exige tempo, pois é indispensável a cada um disposição incansável de recomeçar, esforço próprio no estudo, meditação, cultivo de novos hábitos, oração, renúncia, capacidade de sacrificar os seus próprios interesses em benefício do próximo, vigilância mental, boa vontade , disciplina sobre os desejos,  e aplicação da Doutrina, em toda a intimidade de sua vida.

- Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que utiliza para vencer suas más inclinações . O verdadeiro Espírita não é o que crê nas manifestações, mas aquele que faz bom proveito do ensinamento dado pelos Espíritos. Para nos admitir no banquete da suprema felicidade, Deus não pergunta o que sabemos, nem o que possuímos, mas o que valemos e o bem que fizemos. Portanto, é acima de tudo pelo seu melhoramento individual que todo espírita sincero deve trabalhar. Só aquele que dominou suas más tendências, aproveitou realmente o Espiritismo , receberá a sua recompensa.

- Assim, os espíritas são, no presente, ou devem ser, o sal da Terra, a luz do mundo, como foram os apóstolos e os discípulos do Cristo. Devem esclarecer seus semelhantes e ao mesmo tempo procurar conservá-los fiéis aos ensinamentos cristãos, proporcionando-lhes consolações.

 

Perguntas para fixação:

1. Onde podemos encontrar o sal?

2. Qual é a importância do sal na nossa vida?

3. Qual semelhança existe entre o sal e os discípulos do Senhor?

4. Quem são atualmente os dicípulos do Senhor?

5. Quais são as características do bom espírita?

6. Quais são as características do espírita imperfeito?

7. O que é preciso fazer para se tornar um verdadeiro espírita?

8. O que Deus nos pergunta para admitir no banquete da suprema felicidade?

9. Qual é a tarefa dos espíritas atuais?

 

Subsídio para o Evangelizador :

            Vós sois o sal da terra. Singular analogia. Que relação haverá entre o sal e os discípulos do Senhor? Que pretenderia o Mestre dizer com essas palavras?

            Vejamos, segundo abalizada autoridade, o papel que o sal representa em nosso meio:

            O sal é um mineral precioso, difusamente espalhado em nosso globo, segundo as necessidades previstas pela Natureza.

            Nós o vemos em abundância, desde as camadas secas, cristalizadas em certas regiões, até a formidável quantidade que dele se encontra diluída nessa massa enorme d'água de que se compõem diversos lagos e todos os mares de nosso orbe. A influência que o sal exerce em nosso organismo, para lhe manter o equilíbrio fisiológico, é de capital importância, dependendo de seu indispensável concurso a manutenção de nosso bem estar físico. Examinado sobre outro aspecto, a Química nos ensina que onde quer que o encontremos, seja na terra ou no mar, ele é sempre o mesmo: inalterado, inalterável. Dotado de qualidades essencialmente conservadoras, mantém-se incorruptível, preservando ainda os corpos que com ele entram em contacto.

            Eis aí precisamente o que quer Jesus que sejam seus discípulos: elementos preciosos, de grande utilidade na economia social, tipos de honestidade, incorruptíveis e preservadores da dissolução moral no meio em que se encontrarem. Ele quer, em suma, que seus discípulos se distingam na esfera espiritual pelos mesmos predicados por que se distingue o sal no plano físico.

            O cunho característico do sal é a incorruptibilidade. Nada o altera, nada o contamina, jamais se corrompe. Sendo, por natureza, incorruptível,exterioriza a força dessa propriedade que lhe é essencial, preservando da corrupção os elementos que com ele entram em contacto. Conservando-se imune, imuniza outros corpos. Sendo puro, impede que se contaminem os que recebem sua influência. Onde quer que se encontre, aquela qualidade particular, nele intrínseca, torna-se logo manifesta. (Em torno do mestre. O sal da terra. Vinicius )

            O indiferente, o fanático, o supersticioso, o negador o maldizente, o hipócrita, o que se não esforça pelo seu engrandecimento e não trabalha pelo bem geral, é sal insípido, é luz mortiça, que para nada mais presta!

            O que não auxilia os pobres, o que não ensina os ignorantes, o que não se condói do mal alheio e não procura aliviá-lo, é sal insípido, só serve para ser pisado pelos homens, é luz mortiça que entenebrece em vez de iluminar.

            Os discípulos de Jesus são a luz do mundo e o sal da terra; a sua tarefa é esclarecer seus semelhantes e ao mesmo tempo procurar conservá-los fiéis aos ditames cristãos, proporcionando-lhes consolações. (Parábolas e Ensinos de Jesus. Luz morta e sal insípido. Cairbar Schutel )

            Há outras fontes de conhecimento para a iluminação dos homens, além da constituída pelos ensinamentos divinos do Evangelho?

            -O mundo está repleto de elementos educativos, mormente no referente às teorias nobilitantes da vida e do homem, pelo trabalho e pela edificação das faculdades e do caráter.

            Mas, em se tratando de iluminação espiritual, não existe fonte alguma além da exemplificação de Jesus, no seu Evangelho de Verdade e Vida.

            Os próprios filósofos que falaram na Terra, antes d’Ele, não eram senão emissários da sua bondade e sabedoria, vindos à carne de modo a preparar-lhe a luminosa passagem pelo mundo das sobras, razão por que o modelo de Jesus é definitivo e único para a realização da luz e da verdade em cada homem. ( O Consolador. Questão 235. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            Para acelerar o esforço de iluminação, a Humanidade necessitará de determinadas inovações religiosas?

            -Toda inovação é indispensável, mesmo porque a lição do Senhor ainda não foi compreendida. A cristianização das almas humanas ainda não foi além da primeira etapa.

            Alguns séculos antes de Jesus, o plano espiritual, pela boca dos profetas e dos filósofos, exortava o homem do mundo ao conhecimento de si mesmo. O Evangelho é a luz interior dessa edificação. Ora, somente agora a criatura terrestre prepara-se para o conhecimento próprio através da dor; portanto, a evangelização da alma coletiva, para a nova era de concórdia e de fraternidade, somente poderá efetuar-se, de modo geral, no terceiro milênio.

            É certo que o planeta já possui as suas expressões isoladas de legítimo evangelismo, raras na verdade, mas consoladora e luminosas. Essas expressões, porém, são obrigadas às mais altas realizações de renúncia em face da ignorância e da iniqüidade do mundo. Esses apóstolos desconhecidos são aquele “sal da Terra” e o seu esforço divino será respeitado pelas gerações vindouras, como os símbolos vivos da iluminação espiritual com Jesus-Cristo, bem-aventurados de seu Reino, no qual souberam perseverar até o fim. ( O Consolador. Questão 238. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            Os modernos discípulos de Jesus são os espíritas e, particularmente, os médiuns, chamados a fazer brilhar novamente no mundo os preceitos do Evangelho... Cumpre-lhes lutar para que a corrupção não arruíne o corpo e a alma da humanidade. (O Evangelho dos Humildes. Cap. 5. Eliseu Rigonatti )

            Assim deve ser o cristão: bom no meio dos maus; justo no meio da iniquidade; probo no meio dos desonestos; prudente no meio dos insensatos, humilde no meio dos orgulhosos; altruísta no meio dos egoístas; sincero no meio dos hipócritas; fiel no meio dos infiéis; resignado no meio dos revoltados; pacífico no meio dos belicosos; virtuoso, numa palavra, no meio de todos os vícios e de todas as paixões.

            O sal, além de se conservar puro, preserva da corrupção, impedindo a decomposição dos corpos com os quais se acha associado: tal deve ser o cristão no meio em que vive.

            O sal jamais está inativo. Onde quer que se encontre, está como que agindo sempre, visto exsudar continuamente aquela essência que lhe é peculiar. Tal qual deve ser a atitude do cristão na sociedade. Seus feitos devem atestar, sem solução de continuidade, a fé de que se acha impregnado. O sal nunca recebe: dá sempre. Misturai-o com açúcar; este receberá a essência daquele, tornando-se salgado, porém, o sal jamais se deixará adoçar recebendo a influência do açúcar.

            O cristão, como o sal, está no mundo para dar e não para receber. Ele, do Céu é credor; da Terra é devedor. Cumpre-lhe, pois, receber lá do alto para distribuir cá em baixo.

            O sal não se faz conhecer pelo exterior. Em aparência, ele se confunde com muitas outras substâncias; entretanto, logo que se entra em comércio com ele, dá-se de pronto a conhecer distintamente.

            Semelhantemente, há-de ser o cristão: "pelos frutos os conhecereis" e nunca por qualquer insígnia ou sinal exterior. Pela aparência, confundir-se-á com o comum dos homens, mas, desde que se entre em contacto com ele, revelar-se-á prontamente, manifestando suas qualidades.

            O sal tem uma função distinta, especial, inconfundível. Não se presta a vários fins, mas de um modo definido e positivo, a um fim determinado. De modo idêntico há-de ser o cristão, cujo ideal definido na vida deve consistir na obra da redenção do seu espírito e do de seus irmãos.

            Se o sal se tornasse insípido, isto é, se perdesse as qualidades especiais que o caracterizam, tornar-se-ia de todo imprestável, visto como não se poderia aplicar a outras funções além daquela que lhe é essencialmente própria.

            Outro tanto sucede com relação à fé que faz o cristão. Se ela se desnaturar dos predicados que a exornam, tomar-se-á de todo anódina, inválida, inútil. (Nas pegadas do Mestre. O sal da Terra. Vinicius )

            O seguidor da Doutrina é alguém que caminha sobre o mundo, mais consciente de seus erros que de seus acertos. Por este motivo – pela impossibilidade de conformar os interesses do homem velho com os anseios do homem novo, ele quase sempre deduz que professar a fé espírita não é tarefa fácil.

            Toda mudança de hábito, principalmente daquele que lhe esteja mais arraigado, impõe à criatura encarnada sacrifícios inomináveis.

            O rompimento com o "eu" é um parto laborioso, em que, não raro, sem experimentar inúmeras recaídas, o espírito não vem à luz... O importante é que não vos deixeis desalentar. Recordai que, para o trabalho inicial do Evangelho, Jesus requisitou o concurso de doze homens e não de doze anjos.

            Talvez o problema maior para os companheiros de ideal que se permitem desanimar, ante as fragilidades morais que evidenciam, seja o fato de suporem ser o que ainda não o são. Sem dúvida, os que vivem ignorando as próprias necessidades, aparentemente vivem em maior serenidade de quantos delas já tomaram consciência; não olvideis, contudo, que a aspiração do melhor é intrínseca à sua natureza - o homem sempre há de querer ser mais...

            Na condição, pois, de esclarecidos seguidores da Doutrina Espírita, nunca espereis vos acomodar, desfrutando da paz ilusória dos que não se aprofundam no conhecimento da Verdade que liberta. Onde estiverdes, estareis sempre inquietos pelo amanhã.

            A aflição que Jesus bem-aventurou, é aquela que experimenta quem se põe a caminho e não descansa antes de concluir a jornada.

Filhos, apesar dos percalços externos e de vossos conflitos íntimos, aceitai no Espiritismo a vossa melhor chance de redenção espiritual, e isto desde o começo de vossas experiências reencarnatórias. Valorizai o ensejo bendito e não culpeis a Doutrina pelas vossas mazelas. ( A coragem da fé.  Cap.6. Ser Espírita. Bezerra de Menezes. Psicografado por Carlos A. Bacelli).

            O Espiritismo não institui nenhuma nova moral; apenas facilita aos homens a inteligência e a prática da do Cristo, facultando fé inabalável e esclarecida aos que duvidam ou vacilam.

            Muitos, entretanto, dos que acreditam nos fatos das manifestações não lhes apreendem as conseqüências, nem o alcance moral, ou, se os apreendem, não os aplicam a si mesmos. A que atribuir isso? A alguma falta de clareza da Doutrina? Não, pois que ela não contém alegorias nem figuras que possam dar lugar a falsas interpretações. A clareza e da sua essência mesma e é donde lhe vem toda a força, porque a faz ir direito à inteligência. Nada tem de misteriosa e seus iniciados não se acham de posse de qualquer segredo, oculto ao vulgo.

            Será então necessária, para compreendê-la, uma inteligência fora do comum? Não, tanto que há homens de notória capacidade que não a compreendem, ao passo que inteligências vulgares, moços mesmo, apenas saídos da adolescência, lhes apreendem, com admirável precisão, os mais delicados matizes. Provém isso de que a parte por assim dizer material da ciência somente requer olhos que observem, enquanto a parte essencial exige um certo grau de sensibilidade, a que se pode chamar maturidade do senso moral, maturidade que independe da idade e do grau de instrução, porque é peculiar ao desenvolvimento, em sentido especial, do Espírito encamado.

            Nalguns, ainda muito tenazes são os laços da matéria para permitirem que o Espírito se desprenda das coisas da Terra; a névoa que os envolve tira-lhes a visão do infinito, donde resulta não romperem facilmente com os seus pendores nem com seus hábitos, não percebendo haja qualquer coisa melhor do que aquilo de que são dotados. Têm a crença nos Espíritos como um simples fato, mas que nada ou bem pouco lhes modifica as tendências instintivas. Numa palavra: não divisam mais do que um raio de luz, insuficiente a guiá-los e a lhes facultar uma vigorosa aspiração, capaz de lhes sobrepujar as inclinações. Atêm-se mais aos fenômenos do que a moral, que se lhes afigura cediça e monótona. Pedem aos Espíritos que incessantemente os iniciem em novos mistérios, sem procurar saber se já se tornaram dignos de penetrar Os arcanos do Criador. Esses são os espíritas imperfeitos, alguns dos quais ficam a meio caminho ou se afastam de seus irmãos em crença, porque recuam ante a obrigação de se reformarem, ou então guardam as suas simpatias para os que lhes compartilham das fraquezas ou das prevenções.              Contudo, a aceitação do princípio da doutrina é um primeiro passo que lhes tornará mais fácil o segundo, noutra existência.

             Aquele que pode ser, com razão, qualificado de espírita verdadeiro e sincero, se acha em grau superior de adiantamento moral. O Espírito, que nele domina de modo mais completo a matéria, dá-lhe uma percepção mais clara do futuro; os princípios da Doutrina lhe fazem vibrar fibras que nos outros se conservam inertes. Em suma: é tocado no coração, pelo que inabalável se lhe torna a fé. Um é qual músico que alguns acordes bastam para comover, ao passo que outro apenas ouve sons. Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más. Enquanto um se contenta com o seu horizonte limitado, outro, que apreende alguma coisa de melhor, se esforça por desligar-se dele e sempre o consegue, se tem firme a vontade. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap.17. Item 4. Allan Kardec )

            O Espiritismo contribui para a regeneração da Humanidade: isto é um fato constatado. Ora, não podendo essa regeneração operar-se senão pelo progresso moral, resulta que seu objetivo essencial, providencial, é o melhoramento de cada um; os mistérios que pode nos revelar são a parte acessória, porquanto, ao nos abrir o santuário de todos os conhecimentos só estaremos mais adiantados para o nosso estado futuro se formos melhores. Para nos admitir no banquete da suprema felicidade, Deus não pergunta o que sabemos, nem o que possuímos, mas o que valemos e o bem que fizemos. Portanto, é acima de tudo pelo seu melhoramento individual que todo espírita sincero deve trabalhar. Só aquele que dominou suas más tendências aproveitou realmente o Espiritismo e receberá a sua recompensa. (Revista Espírita. Agosto de 1865. O que ensina o Espiritismo. Allan Kardec )

            Tendo como objetivo a melhoria dos homens, o Espiritismo não vem recrutar os que são perfeitos, mas os que se esforçam em o ser, pondo em prática o ensino dos Espíritos. O verdadeiro espírita não é o que alcançou a meta, mas o que deseja seriamente atingi-la. Sejam quais forem os seus antecedentes, será bom espírita desde que reconheça suas imperfeições e seja sincero e perseverante no propósito de emendar-se. Para ele o Espiritismo é uma verdadeira regeneração, porque rompe com o passado; indulgente para com os outros, como gostaria que fossem para consigo, de sua boca não sairá nenhuma palavra malevolente nem ofensiva contra ninguém. Aquele que, numa reunião, se afastasse das conveniências, não só provaria falta de civilidade e de urbanidade, mas falta de caridade; aquele que se melindrasse com a contradição e pretendesse impor a sua pessoa ou as suas idéias, daria prova de orgulho. Ora, nem um nem outro estariam no caminho do verdadeiro Espiritismo cristão. Aquele que pensa ter uma opinião mais justa fará que os outros a aceitem melhor pela persuasão e pela doçura; o azedume, de sua parte, seria um péssimo negócio. (Revista Espírita. Dezembro de1861. Organização do Espiritismo . Allan Kardec )

            Há entre vós três classes de adeptos do Espiritismo; e digo três classes, agrupados os que reúnem condições similares, pois, realmente, se podia fazer uma classificação mais ampla.

            Há espíritas que estudam, crêem, procuram progressivamente o melhoramento próprio e desejam a felicidade alheia, a cujo fim encaminham a sua atividade e a sua palavra. Fazem também ostentação da sua fé e pregam-na, sem vacilar, onde quer que se lhes ofereça oportunidade ou ocasião. Estes não retrocederão no caminho, porque provaram as primeiras doçuras da sabedoria, que é a felicidade espiritual, e aspiram a maior soma de doçuras para a vida do seu espírito.

            Há outros, espíritas por inclinação e sem estudo, movidos do desejo da verdade, que não achavam em suas primeiras crenças.                         Confessam sinceramente a sua fé, mas essa fé irá sendo cada dia mais débil até apagar-se de todo, se não a firmarem e robustecerem pelo estudo e pela atividade no bem. Correm o risco de retroceder e de perder-se.

            Há finalmente os espíritas filhos da casualidade e da curiosidade, entendimentos vãos e corações vazios, que se envergonham de confessar ante o mundo uma fé que não pôde despertar em sua alma a vida do sentimento.

Estes não retrocederão, porque já retrocederam; e, se ainda permanecem entre vós, irão desaparecendo aos poucos. (Roma e o Evangelho. Compilado por D. José Amigó y Pellícer)

            No Livro dos Médiuns,  Allan Kardec classificou os Espíritas em quatro tipos:

            1º Os que crêem pura e simplesmente nas manifestações. Para eles, o Espiritismo é apenas uma ciência de observação, uma série de fatos mais ou menos curiosos. Cha- mar-lhes-emos espíritas experimentadores.

            2ºOs que no Espiritismo vêem mais do que fatos; compreendem-lhe a parte filosófica; admiram a moral daí decorrente, mas não a praticam. Insignificante ou nula é a influência que lhes exerce nos caracteres. Em nada alteram seus hábitos e não se privariam de um só gozo que fosse. O avarento continua a sê-lo, o orgulhoso se conserva cheio de si, o invejoso e o cioso sempre hostis. Consideram a caridade cristã apenas uma bela máxima. São os espíritas imperfeitos.

            3º Os que não se contentam com admirar a moral espírita, que a praticam e lhe aceitam todas as conseqüências. Convencidos de que a existência terrena é uma prova passageira, tratam de aproveitar os seus breves instantes para avançar pela senda do progresso, única que os pode elevar na hierarquia do mundo dos Espíritos, esforçando-se por fazer o bem e coibir seus maus pendores. As relações com eles sempre oferecem segurança, porque a convicção que nutrem os preserva de pensarem praticar o mal. A caridade é, em tudo, a regra de proceder a que obedecem. São os verdadeiros espíritas, ou melhor, os espíritas cristãos.

            4º Há, finalmente, os espíritas exaltados. A espécie humana seria perfeita, se sempre tomasse o lado bom das coisas. Em tudo, o exagero é prejudicial. Em Espiritismo, infunde confiança demasiado cega e freqüentemente pueril, no tocante ao mundo invisível, e leva a aceitar-se, com extrema facilidade e sem verificação, aquilo cujo absurdo, ou impossibilidade a reflexão e o exame demonstrariam. O entusiasmo, porém, não reflete, deslumbra. Esta espécie de adeptos é mais nociva do que útil à causa do Espiritismo. São os menos aptos para convencer a quem quer que seja, porque todos, com razão, desconfiam dos julgamentos deles. Graças à sua boa-fé, são iludidos, assim, por Espíritos mistificadores, como por homens que procuram explorar-lhes a credulidade. Meio-mal apenas haveria, se só eles tivessem que sofrer as conseqüências. O pior é que, sem o quererem, dão armas aos incrédulos, que antes buscam ocasião de zombar, do que se convencerem e que não deixam de imputar a todos o ridículo de alguns. Sem dúvida que isto não é justo, nem racional; mas, como se sabe, os adversários do Espiritismo só consideram de bom quilate a razão de que desfrutam, e conhecer a fundo aquilo sobre que discorrem é o que menos cuidado lhes dá. ( O Livro dos Médiuns. Cap. 2. Item 28. Allan Kardec).

            A Espiritualidade Superior vem insistindo, através de consecutivas mensagens, pela necessidade do estudo e do trabalho nas fileiras renovadoras do Espiritismo. Amor e Instrução têm sido, em verdade, a palavra de ordem dos Mensageiros do Cristo. (...)Através do Amor, exerceremos a solidariedade. Identificar-nos-emos com o sofrimento do próximo. Visitaremos o enfermo e o encarcerado. Despertaremos, enfim, no âmago de nossa individualidade eterna, a centelha de bondade que existe, potencialmente, em cada ser. Através do estudo, aprenderemos a discernir o erro da verdade; a claridade, da sombra, e a sinceridade, da hipocrisia.(Estudando o Evangelho. Cap. 45. Martins Peralva )

            Apesar da lógica dos conhecimentos espíritas, muitos corações idealistas e generosos, iludidos por si mesmos, optam por suporem-se grandiosos e livres do laborioso dever da renovação de suas atitudes somente porque adornam-se com títulos, que causam a sensação de "evolução realizada" tais como os médiuns, doutrinadores, palestrantes, dirigentes, escritores e tarefeiros de diversos gêneros. (Mereça ser feliz. Prefácio . Emanuel Dufaux. Walderley S. Oliveira)

            –O espiritista para evoluir na Doutrina necessita estudar e meditar por si mesmo, ou será suficiente frequentar as organizações doutrinárias, esperando a palavra dos guias?

            -É indispensável a cada um o esforço próprio no estudo, meditação, cultivo e aplicação da Doutrina, em toda a intimidade de sua vida. A frequência às sessões ou o fato de presenciar esse ou aquele fenômeno, aceitando-lhe a veracidade, não traduz aquisição de conhecimentos. Um guia espiritual pode ser um bom amigo, mas nunca poderá desempenhar os vossos deveres próprios, nem vos arrancar das provas e das experiências imprescindíveis à vossa iluminação. ( O Consolador. Questão 364. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            Há alguma diferença entre a crença e a iluminação?

            -Todos os homens da Terra, ainda os próprios materialistas, crêem em alguma coisa. Todavia, são muito poucos os que se iluminam. O que crê, apenas admite; mas o que se ilumina vibra e sente. O primeiro depende dos elementos externos, nos quais coloca o objeto a sua crença; o segundo é livre das influências exteriores, porque há bastante luz no seu próprio íntimo, de modo a vencer corajosamente nas provações a que foi conduzido no mundo.

            É por essa razão que os espiritistas sinceros devem compreender que não basta acreditar no fenômeno ou na veracidade da comunicação com o Além, para que os seus sagrados deveres estejam totalmente cumpridos, pois a obrigação primordial é o esforço, o amor ao trabalho, a serenidade nas provas da vida, o sacrifício de si mesmo, de modo a entender plenamente a exemplificação de Jesus-Cristo, buscando a sua luz divina para a execução de todos os trabalhos que lhes competem no mundo. ( O Consolador. Questão 367. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            O verdadeiro Espírita não é o que crê nas manifestações, mas aquele que faz bom proveito do ensinamento dado pelos Espíritos. Nada adianta acreditar se a crença não faz com que se dê um passo adiante no caminho do progresso e que não o faça melhor para com o próximo. (O Espiritismo em Sua Expressão Mais Simples. Máximas extraídas do ensinamento dos espíritos. Item 36. Allan Kardec )

            Dos obreiros que se te fizeram colaboradores e amigos, no campo do bem, conhecerás muitos deles na condição de representantes de faixas diversas da  evolução humana :

aqueles que começam entusiasticamente, na trilha da obra, lançando arrojados planos de ação, e abandonam o apostolado nos alicerces, com receio do  sacrifício

            Os que chegam otimistas, louvando as perspectivas do   trabalho , e deixam a tarefa, assim que lhe observam a complexidade e a extensão;

            Os que recolheram benefícios da seara e regressaram a ela, prometendo auxílio e reconhecimento, mas largam-na, às vezes de improviso, tão logo se vejam chamados a aprender quanto custa o esforço da sementeira;

            Os que formulam projetos avançados de   renovação , sob o pretexto de se atender ao progresso, e retiram-se quando observam quanto suor e quanta distância existem sempre entre a teoria e a realização;

            Os que supõem na gleba um filão de recursos fáceis e fogem dela logo que tomam pessoalmente o peso da charrua de obrigações que lhes compete movimentar.

            Entretanto, ao lado desses cooperadores, sem dúvida respeitáveis, mas ainda inabilitados para os compromissos de longa duração, encontrarás aqueles outros, os que conhecem a importância da paz de espírito e não se arredam da empreitada que lhes coube, prosseguindo no desempenho dos deveres que abraçaram, ainda mesmo quando isso lhes custe o pão amassado com lágrimas, nos testemunhos de   fé   e abnegação , dia por dia.Forma entre esses que se mostram decididos a pagar o preço da própria ascensão e reconhecerás para logo que o obreiro digno do salário da felicidade e da paz, nos erários da vida eterna, será sempre aquele que caminha para a frente com a obra no pensamento e no coração, a pleno esquecimento de si mesmo, trabalhando e servindo, compreendendo e auxiliando, amando e construindo, a serviço do bem de todos, até o fim. (Rumo certo. Dentre os obreiros. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            O dever do espírita-cristão é tornar-se progressivamente melhor.(...) Espírita que não progride durante três anos sucessivos permanece estacionário.(Opinião Espírita. Examinemos a nós mesmos. Espírito Emmanuel/André Luiz.  Psicografado por Chico Xavier/ Walderley Vieira )

            Como interpretar a ansiedade do proselitismo espírita, em matéria de fenomenologia, ante essa necessidade de iluminação?

            -Os espiritistas sinceros devem compreender que os fenômenos acordam a alma, como o choque de energias externas que faz despertar uma pessoa adormecida; mas somente o esforço opera a edificação moral, legítima e definitiva. É uma extravagância de conseqüências desagradáveis, atirar-se alguém à propaganda de uma idéia sem haver fortalecido a si mesmo na seiva de seus princípios enobrecedores. O espiritismo não constitui uma escola de leviandade. Identificado com a sua essência consoladora e divina, o homem não pode acovardar-se ante a intensidade das provações e das experiências. Grandes erros praticariam as entidades espirituais elevadas, se prometessem aos seus amigos do mundo uma vida fácil e sem cuidados, solucionando-lhes todos os problemas e entregando-lhes a chave de todos os estudos. É egoísmo e insensatez provocar o plano invisível com os pequeninos caprichos pessoais. Cada estudioso desenvolva a sua capacidade de trabalho e de iluminação e não guarde para outrem o que lhe compete fazer em seu próprio benefício. O Espiritismo, sem Evangelho, pode alcançar as melhores expressões de nobreza, mas não passará de atividades destinadas a modificar-se ou desaparecer, como todos os elementos transitórios do mundo. E o espírita que não cogitou da sua iluminação com Jesus-Cristo, poder ser um cientista e um filósofo, com as mais elevadas aquisições intelectuais, mas estará sem leme e sem roteiro no instante da tempestade inevitável da provação e da experiência, porque só o sentimento divino da fé pode arrebatar o homem das preocupações inferiores da Terra para os caminhos supremos dos paramos espirituais.( O Consolador. Questão 236. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            Muitos discípulos, mais desatentos e mal informados que infiéis, têm procurado o serviço espírita imbuídos de elevadas expectativas de vantagens pessoais embaladas por sonhos de imediatismo e facilidades. Recorrem aos centros espíritas à cata de soluções fáceis e raramente se comprometem com a essência do "Espiritismo por dentro". Demonstram boa vontade e generosidade, todavia, em muitas ocasiões, as próprias organizações doutrinárias não lhes orientam coerentemente para serem eles próprios a solução de suas vidas, através do trabalho transformador em busca da felicidade individual.

            Expressiva parcela dos aprendizes do Consolador acostumam-se assim a verem nas tarefas um pesado ônus que assumem como se estivessem resgatando extensos débitos na busca da felicidade, deixando de efetuar a educação de si mesmos nas tarefas de amor e estudo.

Passam anos ou a própria existência nessa condição do "Espiritismo por fora", entregues a posturas pudicas sem renovarem o sentimento, evitando o mal, mas nem sempre com desejo real de afastar-se dele, entrincheirando-se nos labores da caridade como quem paga extensa conta com o próximo, mas nem sempre exercitando os sentimentos nobres com os quais faria sua redenção pessoal."

Procuram, quase sempre, folga e facilidade, quando o serviço do Cristo se opera exatamente na direção oposta."

            "Depois desencarnam à espera de louros que não fizeram realmente por merecer, porque plantaram o bem no próximo e nem sempre cultivaram o bem a si mesmos."(Mereça ser feliz. Cap.1. Emanuel Dufaux. Walderley S. Oliveira)

Façamos uma análise sobre o assunto, tomando por base um campo preparado para o plantio, onde o agricultor não deitou as sementes nas covas. Que resultados esperar dessa sementeira sem semeadura? Em outro quadro, poderíamos supor que o lavrador semeou, no entanto, sua impaciência e intransigência com a natureza lhe retiram a força para continuar os cuidados imprescindíveis com a gleba.

            Assim é a situação do tarefeiro. Trabalhar e estudar são os caminhos de descoberta e fortalecimento. Todavia, se ele não se aplica ao serviço essencial da transformação de si próprio, buscando o autoconhecimento com pleno domínio do mundo interior, deixará de semear no seu terreno pessoal as sementes vigorosas que vão lhe conferir, no futuro, a liberdade e a farta colheita do júbilo almejado por ele mesmo. E esse processo exige tempo, disposição incansável de recomeçar, meditação, cultivo de novos hábitos, oração, renúncia, capacidade de sacrifício, vigilância mental, vontade ativa, disciplina sobre os desejos, diálogo fraternal, dever cumprido e amparo espiritual.

            Não existe felicidade sem pleno conhecimento de si mesmo. O mergulho nas águas abissais do mar íntimo é indispensável. E a convivência, nesse contexto, é escola bendita. Saber os motivos de nossas reações uns frente aos outros, entender os sentimentos e ideias nas relações é preciosa lição para o engrandecimento da alma na busca de si próprio.

            Por isso, sempre ao lado de tarefas e estudos, incentivemos um melhor relacionamento, permitamos espaços no centro espírita para construção de grupos autênticos, que permitam falar de seus limites, de suas angústias, de suas lutas, de suas vitórias, de seus sonhos, em magnífica permuta de vivências embasada em tolerância e solidariedade, a fim de promover as agremiações doutrinárias a ambientes de lídima fraternidade, evitando as capas, as máscaras, o verniz.

            Os excessos nesse tema são reais. A intransigência, a normatização, o clima de cobranças têm servido para assustar e aterrorizar muitos corações. Frases impiedosas e humilhantes têm sido estatuídas a pretexto de esculpir um modelo de conduta ou padrão para a vida espírita, calcadas em velhos chavões religiosistas no estilo "espírita faz isso, espírita não faz aquilo", subtraindo a possibilidade da conscientização, do amadurecimento, da interiorização dos conteúdos pelas vias sagradas do coração.

            O ser humano está cansado da intransigência. Ele quer responsabilidade, liberdade e paz. E se não mudarmos a didática na forma de comunicarmos a mensagem espírita, continuaremos na obsoleta postura de educar de fora para dentro, quando educação é tirar de dentro para fora, respeitando as singularidades da individualidade e permitindo-lhe o ajustamento pacífico entre os novos conteúdos apresentados pelo Espiritismo e sua bagagem espiritual, buscando, pouco a pouco, através da postura íntima, a responsabilidade, a mudança de hábitos, o controle sobre sua própria existência na direção de novos propósitos.

            Ante essa abordagem, não temos dúvida em afirmar que quando orientamos quem quer que seja a estudar e trabalhar, jamais podemos deixar de alertar e relembrar que o compromisso da transformação é individual e exige esforço, a fim de não alimentarmos velhas ilusões de "negociatas com Deus" em favor de vantagens na vida.

            Não podemos supor que a simples adesão do trabalhador ao trabalho trará paz e felicidade instantâneas. Por isso, todas as atividades que se erguem em nome do Espiritismo deveriam ter como objetivo primordial ensejar aos que dela participam uma visão do compromisso educativo no qual ele está ingressando. Essa responsabilidade está diretamente atrelada às funções daqueles que a dirigem, que devem ser os primeiros a terem consciência clara das linhas de aprendizado que cada atividade pode desenvolver no mundo mental, psicológico e emocional do tarefeiro.

            Caridade com o próximo, porém igualmente conosco. A luz com a qual clareamos os caminhos alheios é crédito perante a vida, entretanto, somente a luz que fazemos no íntimo nos pertence e é fonte de liberdade e equilíbrio, paz e riqueza na alma.

            Parece óbvio a nossa afirmativa, mas nem tanto! Há muitas pessoas esquecendo ou não querendo compreender semelhante princípio, submetendo-se a largo processo de autocobrança do qual não conseguem vencer, enredando-se em climas desgastantes de desamor a si próprias. E o mais lamentável é que muitos corações passam a acreditar que esse mecanismo de sofrimento é o resultado de reflexos de seu passado reencarnatório, quando, em verdade, a pessoa está no labirinto de si mesma sem conseguir encontrar as saídas pelas quais já poderia ter passado, caso guardasse melhor habilidade na arte de conviver bem consigo própria.

            A felicidade, tão procurada no mundo da transitoriedade, está em nós, no ato de penetrarmos na desconhecida gleba do eu, arando esse terreno fértil para que floresça a Divindade da qual somos todos portadores. Essa é a felicidade dos Espíritos Superiores, conforme assertiva da codificação; todavia, pode também ser a nossa, ainda agora...(Mereça ser feliz. Cap.2. Emanuel Dufaux. Walderley S. Oliveira)

            Como compreender a afirmativa de Jesus aos Judeus: - “Sois deuses?”.

            -Em todo homem repousa a partícula da divindade do Criador, com a qual pode a criatura terrestre participar dos poderes sagrados da Criação. O Espírito encarnado ainda não ponderou devidamente o conjunto de possibilidades divinas guardadas em suas mãos, dons sagrados tantas vezes convertidos em elementos de ruína e destruição. Entretanto, os poucos que sabem crescer na sua divindade, pela exemplificação e pelo ensinamento, são cognominados na Terra santos e heróis, por afirmarem a sua condição espiritual, sendo justo que todas as criaturas procuram alcançar esses valores, desenvolvendo para o bem e para a luz, a sua natureza divina. (O Consolador. Questão 302 . Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier ).

            Quando Jesus afirmou “sois deuses” (João, 10:34), referia-se ao poder criador do pensamento de que a grande maioria dos homens sequer suspeita e, muito menos, sabe aplicar conscientemente.

            Com ele poderemos atrair o bem e o mal, a ventura ou o infortúnio, a enfermidade ou a saúde, criando forças de atração ou repulsão que nos atingirão a estrutura sensível do perispírito, que comanda as atividades do corpo físico, segundo a vontade do Espírito, sede do pensamento e senhor de todo o conjunto. (Revista Reformador. Abril de 2012. Mauro Paiva Fonseca)


 

Bibliografia:

- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap.17. Item 4. Allan Kardec.

- O Livro dos Médiuns. Cap. 2. Item 28. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Agosto de 1865. O que ensina o Espiritismo. Allan Kardec .

- Revista Espírita. Dezembro de1861. Organização do Espiritismo . Allan Kardec .

- O Espiritismo em Sua Expressão Mais Simples. Máximas extraídas do ensinamento dos espíritos. Item 36. Allan Kardec .

-Em torno do mestre. O sal da terra. Vinicius.

- Nas pegadas do Mestre. O sal da Terra. Vinicius .

-Parábolas e Ensinos de Jesus. Luz morta e sal insípido. Cairbar Schutel .

- O Consolador. Questão 235,236, 238, 302 e 367. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier .

- O Evangelho dos Humildes. Cap. 5. Eliseu Rigonatti .

-  A coragem da fé.  Cap.6. Ser Espírita. Bezerra de Menezes. Psicografado por Carlos A. Bacelli.

- Roma e o Evangelho. Compilado por D. José Amigó y Pellícer.

- Estudando o Evangelho. Cap. 45. Martins Peralva .

- Mereça ser feliz. Prefácio . Cap.1 e 2. Emanuel Dufaux. Walderley S. Oliveira.

- Rumo certo. Dentre os obreiros. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier .

- Opinião Espírita. Examinemos a nós mesmos. Espírito Emmanuel/André Luiz.  Psicografado por Chico Xavier/ Walderley Vieira .

- Revista Reformador. Abril de 2012. Mauro Paiva Fonseca.