Aula 101 - Parábolas do Reino dos Céus

Ciclo 1 - História:  A sementinha -  Atividade: PH - Jesus - 61 - Parábola do Grão de Mostarda.

Ciclo 2 - História:  A lição da bondade -  Atividade: PH -  Allan Kardec - 6 - Céu.

Ciclo 3 - História:  Algo mais -  Atividade: PH - Jesus - 62 - Reino dos Céus.

 

Dinâmicas: Reino dos Céus;  No reino das virtudes ; Grão de Mostarda;

Mensagens Espíritas: Construção do Reino de Deus.

Sugestão de vídeos: - História espírita: A plantinha do galhinho seco (Dica: pesquise no Youtube).

- História espírita: Algo mais. Pai nosso. Meimei (Dica: pesquise no Youtube).

- História espírita: A lição da bondade. Pai nosso. Meimei (Dica: pesquise no Youtube).

Sugestão de livros infantis: - Kirina e Jesus. Cleo de Albuquerque Mello. Editora EME.  

- A parábola do grãozinho de mostarda. Clara Esposito. Editora Paulinas.

 

Leitura da Bíblia: Mateus - Capítulo 13 (Marcos  4: 30-32)


13.31 O Reino dos Céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e lançou no seu campo;


13.32 o qual grão é na verdade, a menor de todas as sementes, mas depois de crescida é a maior das hortaliças e faz-se árvore, de tal modo que as aves do céu vêm pousar nos seus ramos.”


13.33 O Reino dos Céus é semelhante ao fermento, que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar toda ela levedada.


Mateus - Capítulo 13


13.44 Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo.


13.45 Outrossim o reino dos céus é semelhante ao homem, negociante, que busca boas pérolas;


13.46 E, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a.


Mateus - Capítulo 4


4.16 O povo que estava assentado em trevas viu uma grande luz; e aos que estavam assentados na região e sombra da morte a luz raiou.


4.17 Desde então, começou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus.


Lucas - Capítulo 17


17.20  E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o reino de Deus, respondeu-lhes, e disse: O reino de Deus não vem com aparência exterior.


17.21  Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre vós.


 

Tópicos a serem abordados:

- Jesus não se cansou de nos dizer que precisamos trabalhar ativamente para alcançarmos o reino de Deus ou o reino dos céus, como também é chamado. Onde estará situado esse reino maravilhoso do qual Jesus nos falava continuamente e com tanto entusiasmo? (1) Ele se localiza no exterior, que é o Universo,  e ao mesmo tempo no nosso interior, ou seja, dentro de nós.  

- O mundo exterior que compõe o Reino dos céus é o espaço universal: são os planetas, as estrelas e todos os mundos superiores, onde se mostram as maravilhas da Arte e da Ciência de Deus.

- O homem traz no seu interior o Reino dos céus quando pelo seu  próprio esforço, tiver conquistado a tranqüilidade de consciência, a paz interior, a felicidade íntima, a suavidade no coração, a calma interna, a fé viva em Deus, tudo isso originado da perfeita compreensão das leis divinas e de completa submissão à vontade do Senhor. Portanto, enquanto não sentirmos paz dentro de nós, fiquemos sabendo que o Céu não está em nós, nem nós estamos no Céu.

 - Jesus disse: “O Reino dos Céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e lançou no seu campo; o qual grão é na verdade, a menor de todas as sementes, mas depois de crescida é a maior das hortaliças e faz-se árvore, de tal modo que as aves do céu vêm pousar nos seus ramos.”  O grão de mostarda, é, de fato, uma semente minúscula; mas, uma vez lançada à terra, auxiliada pela humidade, germina e cria raízes, através das quais assimila os elementos de que necessita; até que se transforma na maior das hortaliças, em cuja ramagem as aves podem pousar e até fazer os seus ninhos.

- O conhecimento do Reino dos Céus cresce em nós como cresce o grão de mostarda. No entanto, para adquirir esse conhecimento moral e intelectual, é necessário esforço, estudo e boa-vontade nas diversas oportunidades de trabalho recebidas em inúmeras reencarnações. É necessário o trabalho da semente  no aproveitamento desses elementos que lhe foram dados, para que  haja transformação, crescimento e frutificação (produza bons frutos) e se torne um centro de apoio para Espíritos encarnados e desencarnados que necessitam deste apoio moral e espiritual, da mesma forma que os pássaros, para o seu descanso, procuram as árvores mais exuberantes para desfrutarem da sombra benéfica das suas ramagens.

- Jesus disse outra parábola similar: ''O Reino dos Céus é semelhante ao fermento, que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar toda ela levedada.'' No processo de panificação, lança-se um tanto de fermento na massa de farinha, mistura-se, para que depois de algum tempo, toda ela fique levedada, determinando-lhe o crescimento. Assim é o Reino dos Céus: o homem não se pode transformar, de simples e ignorante, em elevado e sábio de um momento para outro, como o levedo (fermento) não transforma a farinha na mesma hora em que nela é posto. Aos poucos, à medida que ouve a voz dos profetas, a palavra dos Espíritos superiores, a inteligência do homem se vai esclarecendo e o seu Espírito se transforma.

- Em outra ocasião, o Mestre querido compara o reino dos céus a “um tesouro oculto no campo” e a “uma pérola de grande valor”. Jesus disse: “O Reino dos Céus é também semelhante a um negociante que procura boas pérolas; e, tendo achado uma pérola de grande valor, vendeu tudo o que possuía, e a comprou. Quando se diz  “vender tudo o que tem e depois comprar o tesouro'', significa  deixar as suas velhas crenças, do egoísmo, do preconceito, do amor aos bens terrestres, para adquirir os bens espirituais (tais como: amor, respeito, paz, humildade, fé, sabedoria, etc), únicos valores reais e duradouros, que nos trazem  progresso.

 

Comentário (1): 52 Lições de Catecismo Espírita.  9ªLição - O Reino de Deus. Eliseu Rigonatti.

 

Perguntas para fixação:

1. Onde fica localizado o Reino dos céus?

2. O que é o mundo exterior que compõe o Reino dos céus?

3. Quais são as características daqueles que possuem o reino do ceús dentro de si?

4. De que maneira o Reino dos céus pode crescer dentro de nós?

5. É possível um homem transformar-se de simples e ignorante para elevado e sábio de um momento para o outro?

6. Por que quando a semente de mostarda torna-se em uma hortaliça, os pássaros querem pousar em suas ramagens?

7. Quando Jesus compara o Reino dos Céus a uma pérola de grande valor,  o que simboliza este tesouro que devemos conquistar?

 

Subsídio para o Evangelizador:            

            O Reino dos céus ou Reino de Deus é o tema central da pregação de Jesus, segundo os evangelhos sinóticos. Enquanto Mateus, que se dirige aos judeus, na maioria das vezes fala em “Reino dos céus”, Marcos e Lucas falam sobre o “Reino de Deus”, expressão esta que tem o mesmo sentido daquela, ainda que mais inteligível para os não judeus. O emprego de “Reino dos céus”, em Mateus, certamente é devido à tendência, no judaísmo, de evitar o uso direto do nome de Deus. Seja como for, nenhuma distinção quanto ao sentido, deve ser suposta entre essas duas expressões ... (O novo dicionário da Bíblia. J. D. Douglas)

            A propósito, cumpre aqui salientar que o conceito sobre o que seja reino de Deus ou reino dos Céus tem evoluído muito pouco no decurso dos séculos. Desde a época imediatamente anterior ao advento de Jesus Cristo até há pouco tempo, todas as religiões eram unânimes em acenar a seus fiéis com a promessa de um local bem alto, acima das nossas cabeças, destinado a ser moradia de contemplação beatífica, sinônimo de lugar de inércia, de estagnação.

            No remoto passado, acreditava-se na existência de muitos céus superpostos, de matéria sólida e transparente, formando esferas concêntricas, e tendo a Terra por centro. Segundo a opinião mais comum, havia sete céus e daí a expressão – estar no sétimo céu – para exprimir o gozo da felicidade suprema. Os muçulmanos admitem nove céus, em cada um dos quais se aumenta a felicidade dos crentes. O astrônomo Ptolomeu contava onze céus, denominando ao último Empíreo, julgando ser ali o lugar da glória eterna.

            O Espiritismo veio desvendar um novo conceito sobre esse reino. Explicando que tanto “reino dos Céus” como “reino de Deus”, equivale à colimação da reforma íntima. Todo aquele que pauta a sua vida por rígida reforma moral e interior, que porfia em manter-se dentro de um persistente processo de aperfeiçoamento, estará automaticamente assimilando o reino do Céu e passará a viver nele. (As maravilhosas parábolas de Jesus. Paulo Alves Godoy)

            Alguns Espíritos disseram estar habitando o quarto, o quinto céus, etc. Que querem dizer com isso?

            Perguntando-lhes que céu habitam, é que formais idéia de muitos céus dispostos como os andares de uma casa. Eles, então, respondem de acordo com a vossa linguagem. Mas, por estas palavras - quarto e quinto céus - exprimem diferentes graus de purificação e, por conseguinte, de felicidade. É exatamente como quando se pergunta a um Espírito se está no inferno. Se for desgraçado, dirá - sim, porque, para ele, inferno é sinônimo de sofrimento. Sabe, porém, muito bem que não é uma fornalha. Um pagão diria estar no Tártaro. (O Livro dos Espíritos. Questão 1017. Allan Kardec)

            Em que sentido se deve entender a palavra céu?

            Julgas que seja um lugar, como os campos Elíseos dos antigos, onde todos os bons Espíritos estão promiscuamente aglomerados, sem outra preocupação que a de gozar, pela eternidade toda, de uma felicidade passiva? Não; é o espaço universal; são os planetas, as estrelas e todos os mundos superiores, onde os Espíritos gozam plenamente de suas faculdades, sem as tribulações da vida material, nem as angústias peculiares à inferioridade. (O Livro dos Espíritos. Questão 1016. Allan Kardec).

            A expressão reino dos céus, muito usada por Jesus em suas lições, tem dois sentidos: o sentido objetivo e o sentido subjetivo. Quando usada objetivamente designa o mundo exterior, isto é, o Universo, do qual a Terra faz parte e onde habitamos. Reserva-se, então, a denominação reino dos céus para os lugares felizes do Universo, que são os mundos regenerados, os felizes e os divinos. As outras categorias de mundos, que são os primitivos, os de expiações e de provas, constituem os mundos ou lugares onde há, prantos e ranger de dentes.

            (...)Tomada no sentido subjetivo, a expressão reino dos céus designa a tranqüilidade de consciência, a paz interior, a felicidade íntima, a suavidade no coração, a calma interna, a fé viva em Deus, tudo isso originado da perfeita compreensão das leis divinas e de completa submissão à vontade do Senhor.  (O Evangelho dos Humildes. Cap. 12. Eliseu Rigonatti)

            Jesus não agia dividido em ―pares opostos ―Não pensava e não sentia como homem ou mulher, mas como espírito eterno; não visualizava o interior e exterior, antes observava o Universo e a nós por inteiro, ―dentro e fora, argumentando que o ―Reino de Deus e ―as muitas moradas da Casa do Pai estavam no exterior e, ao mesmo tempo, no interior. (Renovando atitudes. Cap. 23. Espírito Hammed. Francisco do Espírito Santo Neto)

            O reino de Deus o homem o traz em si mesmo, pois que é no exercício de suas faculdades que se lhe depara o meio de alcançá-lo, isto é, de atingir a perfeição moral. Ele não virá, como o relâmpago, produzindo um clarão que o faça notado, por isso que só lentamente, de progresso em progresso, de ascensão em ascensão, pode o homem aproximar o advento em si daquele reino. Só a perfeição moral humana o fará vir implantar-se na Terra.

           Nenhum abalo brusco a trará. Unicamente por um trabalho demorado, penoso, incessante, o homem o conquistará. (...)   Vê-se, pois aí, que o reino de Deus está em nós; se não o percebemos, é porque ainda não sabemos descobri-lo. Ele, em suma, é a União das almas depuradas. Depuremos, pois, as nossas, para o possuirmos.  (Elucidações Evangélicas. Cap. 119. Antônio Luiz Sayão)

            O progresso nos Espíritos é o fruto do próprio trabalho; mas como são livres, trabalham no seu adiantamento, segundo sua vontade, com maior ou menor atividade, com mais ou menos negligência, acelerando ou retardando o progresso e, consequentemente, a própria felicidade. Enquanto uns caminham rapidamente, outros estacionam séculos nas fileiras inferiores. São eles, pois os próprios fatores da sua situação, feliz ou desgraçada, conforme a frase do Cristo: “A cada um segundo as suas obras.

           Todo Espírito que se atrasa não pode queixar-se senão de si mesmo, assim como o que se adianta tem o mérito exclusivo do  esforço e dá por isso maior apreço à felicidade conquistada. A suprema felicidade só é partilhada pelos Espíritos perfeitos, ou por outra, pelos puros Espíritos, que não a conseguem senão depois de haverem progredido em inteligência e moralidade. O progresso intelectual e o progresso moral raramente caminham juntos, mas o que o Espírito não consegue num dado tempo, ele o consegue em outro, de maneira que os dois progressos acabam por atingir o mesmo nível. Eis aí a razão por que, reciprocamente, se vêem muitas vezes homens inteligentes e instruídos, pouco adiantados moralmente.(O Céu e o Inferno. Cap.3. Item 7. Allan Kardec)

            As aquisições de cada indivíduo resultam da lei do esforço próprio no caminho ilimitado da criação, destacando-se daí as mais diversas posições evolutivas das criaturas e compreendendo-se que tempo e espaço são laboratórios divinos, onde todos os princípios da vida são submetidos às experiências do aperfeiçoamento, de modo que cada um deva a si mesmo todas as realizações, no dia de aquisição dos mais altos valores da vida. (O Consolador. Questão 86. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier)

         Interrogado, certa vez, pelos fariseus, quando viria o Reino de Deus, explicou-lhes Jesus que o Reino de Deus estava “dentro deles”.

            De acordo com as palavras do Mestre, o Reino de Deus está, encoberto, dentro de nós.

            Dentro dos fariseus, homens formalistas, insinceros, como também dentro dos discípulos, homens evangelizados, francos e leais.

            Nos redutos mais íntimos de nossa consciência.

            No santuário de nosso coração.

            Nas entranhas mais profundas de nossa individualidade espiritual.

Cabe-nos, pois, unicamente, o dever e o esforço por sua descoberta, a fim de que seja abreviada a nossa felicidade.

            “O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem, e compra aquele campo.”

            Como se vê, há quem ainda não o tenha, há quem já o possua, porém há recursos para que todos o possam adquirir pelo esforço próprio.

            “O Reino dos Céus é também semelhante a um negociante que procura boas pérolas; e, tendo achado uma pérola de grande valor, vendeu tudo o que

possuía, e a comprou.

            Deduz-se, da palavra do Senhor, que o Céu é a mesma coisa que o Reino de Deus.

            Quando tivermos adquirido compreensão e virtudes capazes de nos levar à integração com o pensamento evangélico, entraremos no gozo, na posse das primícias celestiais.

            Enquanto não sentirmos paz dentro de nós — fiquemos sabendo que o Céu não está em nós, nem nós estamos no Céu.

            O Reino de Deus ainda não foi por nós descoberto.

            O tesouro permanece oculto — mas nós ainda não o vimos.

            A pérola já se encontra à venda — mas o negociante ainda não a encontrou.

            Céu é quietude interior, quer estejamos encarnados ou desencarnados.

            O Céu está na consciência isenta de remorsos.

            Na mente sintonizada com o Alto.

            No coração incessantemente devotado ao Trabalho edificante.

            Na alma sinceramente resignada na Dor. Quando a soma dessas “realidades espirituais” houver trazido quietude e serenidade ao nosso coração

—teremos descoberto, dentro de nós, o Reino de Deus. (Estudando o evangelho. Cap. 53. Martins Peralva)

            Esse tesouro ou essa pérola, é bem de ver-se, não é senão a alma humana.

            (...) Geralmente, procura o homem edificar a felicidade sobre as posses materiais, a ascendência social, a fama ou a saúde, mas estas coisas são precárias e incertas, pois podem durar, no máximo, uma existência, enquanto um terremoto, uma enchente, um incêndio, os azares da fortuna, uns micróbios em seu sangue ou determinado humor em seus fluidos orgânicos não as arruinarem por completo.

            Jazem ocultas, a milhões de criaturas, coisas mais belas e grandiosas: os bens espirituais, que são, aliás, os únicos valores reais e duradouros, ante os quais aquilo tudo pouco ou quase nada importa.

            Possuir esses bens espirituais, as virtudes cristãs, é conquistar o reino dos céus, porque o conhecimento e o amor de Deus nos fazem desfrutar tal estado de paz e de alegria que nada e ninguém conseguirá destruir ou perturbar.

            Por isso, como diz a parábola, quando alguém “descobre” no campo de si mesmo esse tesouro de tão subido valor, que é a própria alma, e a sabe imortal, e fadada a alcançar o mais excelso destino: sua integração à única Realidade Absoluta — Deus! — todas as ilusões da materialidade, todas as gloriosas do mundo, e até mesmo o bem-estar do corpo físico, se tornam de somenos importância. Então, cheio de júbilo, sabendo que a felicidade verdadeira depende, não daquilo que se tem, mas daquilo que se é, vai “vender tudo o que possui”, isto é, desprender-se das pseudo-propriedades e distinções terrenas, para cuidar precipuamente do enriquecimento de sua Consciência Espiritual, a mais preciosa das pérolas, cuja posse vale o sacrifício de todos os bens de menos valor, de tudo aquilo que considerava importante e valioso em sua vida.

            Não se entenda, o que seria errôneo, que a posse dos valores espirituais seja incompatível com a posse das coisas materiais. Não. O que se quer salientar é que para o nosso progresso espiritual faz-se mister vivermos mais intensa e sinceramente em função dos ideais superiores, dedicando-lhes maior atenção do que às aquisições materiais, que devem constituir-se apenas um meio de realizarmos os nossos objetivos, e não um fim em si mesmo. (Parábolas evangélicas. Cap. 4. Rodolfo Calligaris)

            Mais difícil lhe pode ser, “vender o que tem e comprar o campo”, isto é, desembaraçar-se das suas velhas crenças, do egoísmo, do preconceito, do amor aos bens terrestres, para possuir os bens celestes.

            Materializado como está, o homem prefere sempre os bens aparentes e perecíveis, porque os considera positivos; os bens reais e imperecíveis ele os julga abstratos.

            A Parábola do Tesouro Escondido é significativa e digna de meditação: o homem terreno morre e fica sem seus bens; o homem espiritual permanece para a Vida Eterna e o tesouro do céu, que ele adquiriu é de sua posse permanente. (Parábolas e ensinos de Jesus. Parábola do tesouro escondido. Cairbar Schutel)

            Jesus disse: “O Reino dos Céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e lançou no seu campo; o qual grão é na verdade, a menor de todas as sementes, mas depois de crescida é a maior das hortaliças e faz-se árvore, de tal modo que as aves do céu vêm pousar nos seus ramos.” (Marcos  4: 30-32)

            “O Reino dos Céus é semelhante ao fermento, que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar toda ela levedada.”  (Mateus 13:33)

            Temos aqui mais duas parábolas, pequeninas no texto, mas encerrando ensinamentos de grande relevância. Em ambas, o reino dos céus é comparado aos fenômenos do crescimento e da expansão. (Parábolas Evangélicas. Parábola do grão de mostarda e do fermento. Rodolfo Calligaris)

            Consideremos, aqui, o Reino dos Céus como tudo o que está acima e abaixo, à direita e à esquerda de nós, todo esse espaço imenso, infinito, incomensurável, onde se balançam os astros e fulgem as estrelas; todo esse Éter que nos parece vazio, mas que, na verdade, encerra multidões de seres e de mundos, onde se ostentam maravilhas da Arte e da Ciência de Deus. (Parábolas e ensinos de Jesus. Parábola do grão de mostarda. Cairbar Schutel)

            O grão de mostarda, tomado como simbolo na primeira, é, de fato, uma semente minúscula; mas, uma vez lançada à terra, auxiliada pela humidade, germina, deita raízes, através das quais assimila os elementos de que necessita; projeta-se então para o ar livre, e já agora, aos bafejas da luz e do calor solar, ramifica-se o seu caule, emite folhas, vai-se desenvolvendo mais e mais, até que reproduz a planta de onde proveio, tornando-se a maior das hortaliças, em cuja ramagem as aves podem pousar e até fazer os seus ninhos. (Parábolas Evangélicas. Parábola do grão de mostarda e do fermento. Rodolfo Calligaris)

            Para quem o vê da Terra, com os olhos da carne, parece o seu conhecimento insignificante, como o é uma semente de mostarda.

            Mas, depois que o estudamos, assim como depois que se planta a semente, nossa inteligência se dilata, como se dilata a semente quando germina; transforma-se o nosso modo de pensar, como sói acontecer à semente modificada já em erva; e o conhecimento do Reino dos Céus cresce em nós como cresce a mostarda, a ponto de nos tornarmos um centro de apoio em torno do qual voluteiam os Espíritos, bem assim os homens que sentem a necessidade desse apoio moral e espiritual, da mesma forma que os pássaros, para o seu descanso, procuram as arvores mais exuberantes para gozarem a sombra benéfica das suas ramagens!

            O grão de mostarda serviu duas vezes para as comparações de Jesus: uma vez comparou-o ao Reino dos Céus; outra, à Fé.

            O grão de mostarda tem substância e uma semente faz efeito revulsivo. Essa mesma substância se transforma em árvore; dá, depois, muitas sementes e muitas árvores e até suas folhas servem de alimento.

            Mas é necessária a fertilidade da terra, para que trabalhe a germinação, haja transformação, crescimento e frutificação do que foi semente; e é necessário, a seu turno, o trabalho da semente e da planta no aproveitamento desse elemento que lhe foi dado.

            Assim acontece com o Reino dos Céus na alma humana; sem o trabalho dessa “semente”, que é feito pelos Espíritos do Senhor; sem o concurso da boa vontade, que e a melhor fertilidade que lhe podemos proporcionar; sem o esforço da pesquisa, do estudo, não pode aumentar e engrandecer-se em nós, não se nos pode mostrar tal como é, assim como a mostarda não se transforma em hortaliça sem o emprego dos requisitos imperiosos para essa modificação.

            A Fé é a mesma coisa: parece-se com um grão de mostarda quando já é capaz de “transportar montanhas”, mas a sua tendência é sempre para o crescimento, a fim de operar mudança para campo mais largo, mais aberto, de mais dilatados horizontes.

            A Fé verdadeira estuda, examina, pesquisa, sem espírito preconcebido, e cresce sempre no conhecimento e na vivência do Evangelho de Jesus.

            O Espiritismo, com seus fatos positivos, vem dar um grande impulso à Fé, desvendando a todos o Reino dos Céus.

            Assim como o Reinado Celeste abrange o infinito, a Fé é tudo e dela todos precisam para crescer no conhecimento da Vida Eterna! (Parábolas e ensinos de Jesus. Parábola do grão de mostarda. Cairbar Schutel)

     Na parábola em que comparou o reino de Deus ao fermento que se lança na massa de farinha para levedá-la e torná-la em pão, figurou Jesus o trabalho de transformação e purificação das almas, por efeito da doutrina de amor e bondade que Ele lançava nos cora­ções — único fermento apropriado à preparação do pão espiritual, que alimenta para a vida eterna. (Elucidações Evangélicas. Cap. 87. Antônio Luiz Sayão)

            Não há quem ignore o processo da panificação. Lança-se um tanto de fermento na massa de farinha, mistura-se e espera-se que fique toda levedada, para o que muito concorre o calor.

            Aparentemente, quem vê a massa não diz que tem fermento; entretanto, depois de algumas horas, a própria massa levedada acusa a presença do mesmo.

            Assim é o Reino dos Céus: o homem não se pode transformar, de simples e ignorante, em elevado e sábio de um momento para outro, como o levedo não transforma a farinha na mesma hora em que nela é posto.

            Aos poucos, à medida que ouve a voz dos profetas, a palavra dos emissários do Alto, a inteligência do homem se vai esclarecendo e o seu Espírito se transforma: ele assimila o Reino dos Céus, que à prima facie lhe pareceu um enigma, mas depois se lhe apresentou positivo, racional, lógico.

            Quem diria que uma só medida de fermento, em três medidas de farinha, leveda a mesma? preciso, porém, lembrar que o calor, não só na farinha para o pão, como também no homem, para a transformação de Espíritos, é indispensável. E este calor pode traduzir-se na atividade que empregamos para progresso que somos chamados a conquistar. (Parábolas e ensinos de Jesus. Parábola do fermento. Cairbar Schutel)

            O Entendimento Espiritual, semelhantemente, produz profunda e substancial modificação sobre todos os elementos da alma humana, transformando-os em preciosos fautores da Evolução.

            Fá-la compreender que uma estreita solidariedade nos liga uns aos outros, que é ilusório querer-se avançar sôzinho, pois o que não beneficia a todos, não beneficia realmente a ninguém.

            Sem ele, porém, enceguecida pelos egoísmos pessoais, de classes e de raças, a Humanidade, desvirtuando o uso dos conhecimentos que possui, poderá resvalar para o abismo e para o caos, na mais terrível hecatombe de todos os tempos.

“Ainda que eu penetrasse todos os mistérios, e tivesse perfeita ciência de todas as coisas, se não tiver caridade, nada sou” — disse 5. Paulo (1 Cor.

13:2).

            Busquemos, pois, a Sabedoria, porqüanto toda ciência é útil, mas busquemos em primeiro lugar aquilo que nos possibilite ajudar e servir ao próximo.

            Assim fazendo, estaremos edificando, desde já o reino dos céus em nossas almas. (Parábolas Evangélicas. Cap. 3. Rodolfo Calligaris)

           

Bibliografia:

- O Livro dos Espíritos. Questão 1016 e 1017. Allan Kardec.

- O Céu e o Inferno. Cap.3. Item 7. Allan Kardec.

- O novo dicionário da Bíblia. J. D. Douglas.

- As maravilhosas parábolas de Jesus. Paulo Alves Godoy.

- O Evangelho dos Humildes. Cap. 12. Eliseu Rigonatti.

- Renovando atitudes. Cap. 23. Espírito Hammed. Francisco do Espírito Santo Neto.

- Elucidações Evangélicas. Cap. 119. Antônio Luiz Sayão.

- O Consolador. Questão 86. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- Estudando o evangelho. Cap. 53. Martins Peralva.

- Parábolas evangélicas. Cap. 3 e 4. Rodolfo Calligaris.

- Parábolas e ensinos de Jesus. Parábola do grão de mostarda. Parábola do fermento. Cairbar Schutel.

-  Bíblia: Marcos  4: 30-32; Mateus 13:33.